Euler de França Belém
Euler de França Belém

Veja como, segundo um computador, Ernesto Geisel foi escolhido para presidente da República

O computador vasculhou todos os arquivos do Exército e, de maneira inusitada, escolheu o irmão do general Orlando Geisel para presidente

Golbery e Geisel juntos

Piada que corria nos meios políticos, na época da sucessão de Emilio Garrastazu Médici. Não estava fácil encontrar um militar que agradasse tanto a linha dura, que estava no poder, quanto a linha moderada, que, mesmo fora do poder, tinha certa influência.

Então, decidiram escolher o próximo presidente por computador, que, naquele tempo, ocupava quase uma sala inteira. Digitaram: “Queremos um militar da linha dura?” O computador replicou: “Encontrado”. “Queremos um general do Exército, com quatro estrelas”; o computador respondeu: “Achado”. “Queremos um general honesto”. O computador chacoalhou e, supostamente indeciso, disse: “Honesto? Não encontramos. Ernesto serve?”. Aí indicaram o general Ernesto Geisel.

Folclore político, é claro. Pois Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, para citar dois militares, eram honestíssimos.

A história real da escolha de Geisel para presidente

A história contada pelo jornalista e pesquisador Elio Gaspari é outra. Não havia consenso a respeito do sucessor. Falava-se em vários nomes. Mas Médici estava indeciso. Ele perguntou ao ministro do Exército, Orlando Geisel, sobre o general Ernesto Geisel — eram irmãos — e, claro, recebeu informações positivas. Médici perguntou ao general João Baptista Figueiredo se Ernesto Geisel e Golbery estavam próximos ou afastados. O presidente abominava Golbery, tido pela linha dura como “democrático demais”. João Figueiredo disse que estavam afastados. Foi a senha: Médici bancou Ernesto Geisel para presidente.

Ao assumir a Presidência da República, Ernesto Geisel contrariou tanto Médici quanto Orlando: o primeiro ministro nomeado foi exatamente Golbery. Figueiredo, descobriu-se, jogava no time de Ernesto Geisel e Golbery. Mais tarde, quem sabe como prêmio, se tornou presidente, com apoio de Ernesto Geisel.

 

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