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Jardel Sebba, candidato do PSDB em Catalão, recebe adesões de aliados de Adib Elias

[caption id="attachment_48139" align="alignright" width="620"]Jardel Sebba e Adib Elias| Fotos: Fernando leite/Jornal Opção Jardel Sebba e Adib Elias| Fotos: Fernando leite/Jornal Opção[/caption] A campanha do prefeito de Catalão, Jardel Sebba (PSDB), candidato à reeleição, começou quente. Segundo tucanos, o candidato à reeleição recebe dezenas de adesões de aliados do postulante do PMDB, Adib Elias. A cúpula peemedebista ressente-se da falta de estrutura para fazer campanha à altura da tradição do partido na cidade. Ademais, embora em campanha, não é certo que Adib esteja 100% garantido como candidato. No site do TSE, aparece: “Aguardando julgamento”.

Thiago Peixoto diz que o prefeito Cristóvão Tormin permanece candidato à reeleição

[caption id="attachment_70590" align="alignright" width="620"]Arquivo Arquivo[/caption] O deputado federal Thiago Peixoto (PSD) afirma que, ao contrário do que “estão espalhando”, o prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin (PSD), é candidato à reeleição. No site do TSE aparece assim: “Aguardando julgamento”. Bancado pelo deputado Célio Silveira, o tucano Marcelo Melo continua como favorito.

Petista e marqueteiro dizem que ninguém ganha de Gustavo Mendanha em Aparecida de Goiânia

[caption id="attachment_63834" align="alignright" width="620"]Foto: Jornal Opção Foto: Jornal Opção[/caption] Candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia pelo PMDB, o vereador Gustavo Mendanha pode sair como o grande fenômeno da eleição deste ano. Começou mal, longe dos primeiros colocados, mas aos poucos está crescendo. “No momento, Gustavo Mendanha está praticamente empatado com Marlúcio Pereira, em segundo lugar. Só que, diferentemente do postulante do PSB, está crescendo, enquanto o rival estagnou e tende a cair. Aos poucos, está se aproximando do líder, Alcides Ribeiro, do PSDB”, afirma um petista. O marqueteiro Célio Rezende e o jornalista Ozéias Laurentino, que conhecem a política de Aparecida como poucos, são peremptórios: “Ninguém ganha de Gustavo”.

Candidatos sabem que dinheiro está escasso mas pressionam e fazem chantagem política

[caption id="attachment_18944" align="alignright" width="620"]Foto: O grito, de Edvard Munch Foto: O grito, de Edvard Munch[/caption] A mercadoria mais escassa na eleição deste ano não são candidatos, e sim dinheiro. Mas o comportamento de vários candidatos, sem doações de empresas e com escândalos envolvendo políticos de vários partidos e empresários, é semelhante ao dos pacientes que fazem cirurgia bariátrica: se tornam magros mas, em geral, continuam pensando como gordos. Candidatos a vereador, em Goiânia e outros municípios, com dificuldade para arranjar recursos financeiros para iniciar a campanha, pressionam, chegando a se comportar como chantagistas — alguns ameaçam renunciar à disputa —, os candidatos a prefeito.

Gol proibida de cancelar voos

Considerando o Código de Defesa do Consumidor, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou, por unanimidade, recurso da Gol Linhas Aéreas contra decisão do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) que impediu a empresa de cancelar voos com destino ou originários de Cruzeiro do Sul (AC). O Ministério Público do Acre (MP-AC) ingressou com ação civil pública contra a empresa após uma série de cancelamentos de voos sem justificativa. A cidade de Cruzeiro do Sul fica no ponto mais a oeste do País, e, em alguns períodos do ano, o único acesso ao município é por via aérea. As decisões de primeira e segunda instâncias proibiram a Gol de cancelar voos na rota sem uma justificativa técnica intransponível (condenação de obrigação de não fazer). Além disso, determinaram a comunicação expressa quando fosse caso de cancelamento da viagem justificado. O ministro relator do recurso, Humberto Martins, explicou que, ao assumir os trajetos, a empresa assume a responsabilidade de prestar o serviço ofertado, tanto em rotas lucrativas como naquelas com poucos passageiros, como é a questão analisada.

Cobrança inconstitucional

O STF declarou a inconstitucionalidade de lei paranaense que estabelecia regras para a cobrança em estacionamentos. A decisão foi tomada na quinta-feira, 18, no julgamento da ADIn 4862, ajuizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A entidade sustentou na ação que a lei 16.785/11, do Estado do Paraná, ofende: o artigo 1º da Constituição Federal, que explicita a li­vre iniciativa como um dos fundamentos da República brasileira; e o artigo 5º, inciso XXII, que garante o direito fundamental à propriedade; e o artigo 170, que assegura a ordem econômica, observando o princípio da propriedade privada. Para a confederação, a lei questionada pretende ainda legislar sobre matéria de direito civil que, nos termos do artigo 22, inciso I, da Constituição, é de competência privativa da União.

Agora é Lúcio Flávio que tem de se explicar

Os bastidores da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) fervilharam na última semana com a divulgação do resultado final da auditoria externa e independente que — contrariando drasticamente o batido discurso do presidente Lúcio Flávio — apontou que houve superávit de R$ 5,4 milhões na entidade, no exercício de 2015. Tendo comandando a OAB-GO naquele ano — marcado ainda por um racha político interno e ampla exploração midiática do suposto “rombo”, o ex-presidente Enil Henrique de Souza Filho não perdeu tempo: com base no resultado da auditoria, interpelou judicialmente Lúcio Flávio para que esclareça, ponto a ponto, os documentos que utilizou para alardear, “de forma irresponsável e mentirosa”, que a OAB-GO estaria insolvente. Para Enil Filho, a tensão foi utilizada por Lúcio Flávio para se consolidar politicamente e não tem nenhum respaldo real, como prova o resultado da auditoria. A situação ficou delicada para a atual gestão que, confrontada pela imprensa, não conseguiu se explicar, apesar de tentar exaustiva e notoriamente desqualificar o resultado da auditoria. O que se comenta é que ficou claro, para os jornalistas presentes, que todas as notícias divulgadas por Lúcio Flávio desde o início do ano, no sentido de que a OAB-GO estaria “insolvente”, não tinham amparo, sobretudo porque a única auditoria de fato conclusiva é esta, que apontou o superávit.

Iris Rezende deve explicações à memória de Goiânia

1969, 1986 e 2016: anos que marcam a busca para entender o que aconteceu com um dos monumentos mais importantes da capital

Cartas

“Propaganda excessiva sobre o Coringa de Jared Leto em ‘Esquadrão Suicida’ foi o tiro no pé da Warner”

joker Benjamim Santos É inevitável não fazer comparações ao falar de “Esquadrão Sui­cida”. O título da matéria “Marke­ting exagerado é o maior vilão de Es­quadrão Suicida” [Opção Cultu­ral, 2145] não poderia ser mais acertado, visto que a Warner tentou repetir o sucesso de marketing alcançado por sua concorrente, Marvel, em “Dead­pool”. Não conseguiu. O marketing foi bem feito, sobretudo com as milhares de notícias que circularam sobre a “genial” interpretação de Jared Leto como o Coringa, mas o filme deixa muito a desejar. Aliás, essa propagação toda sobre o Coringa foi o tiro no pé da Warner, afinal Leto é melhor cantor que ator. Ok, não deram espaço o suficiente para que ele mostrasse sua “genialidade”, mas isso não é argumento. Talvez não tenham dado porque ele é mau ator. Ganhou um Oscar por seu papel em “Clube de Compras Dallas” unicamente pelo fato de ter emagrecido tanto — a Academia ama esse tipo de atuação: Charlize Theron — que é uma boa atriz — também ganhou a estatueta com a ajuda de uma mudança corporal drástica, visto que engordou 13 quilos para viver a serial killer Aileen Wuornos no filme “Monster – Desejo Assassino” (2003); Christian Bale — que é muito melhor que Leto — também ganhou o Oscar por seu papel em “O Vencedor” (2010), para o qual emagreceu 28 quilos. É possível dizer que Leto foi premiado, por assim dizer, pela persistência: em 2007, engordou 28 quilos para interpretar o assassino de John Lennon no filme “Chapter 27”. Anos antes, emagreceu 11 quilos para fazer o seu papel em “Requiem for a Dream”. Pronto. Foi isso. Nada demais. Não é que ele seja um excelente ator. Além disso, Leto teria que ser mais que genial para superar o Coringa de Heath Ledger em “Batman: o Cavaleiro das Trevas” (2008). É impossível não comparar. Então, voltando ao argumento inicial: o marketing da Warner foi tão bom quanto o de “Deadpool”. A diferença é que Ryan Reynolds conseguiu entregar o que a propaganda vendeu; Leto, muito longe disso. Reynolds está muito bem no filme, que foi bem executado pelo estúdio e olha que estamos falando da Fox, aquela mesma empresa responsável por todos os desastres da franquia “X-Men”. Além disso, por incrível que pareça, Leto não é Reynolds — e isso é algo triste de se dizer, afinal, Reynolds, como ator, é tão bom quanto o seu filme do “Lanterna Verde”. Benjamim Santos é estudante de Letras.  

“Tentaram dar mais profundidade às personagens, mas o tiro saiu pela culatra. Uma pena”

Thiago Burigato* Muito boa a análise. Eu vi o filme no dia em que foi exibido em Goiânia com boas expectativas e até entendi o que os criadores quiseram fazer, tentando dar uma profundidade às personagens, estabelecendo um vínculo maior com o Batman, mas... o tiro acabou saindo pela culatra. Uma pena. Thiago Burigato é jornalista.  

“Ela disse tudo o que eu ia dizer”

Anderson Fonseca* Adorei o artigo da Ana Amélia Ribeiro, no Opção Cultural, sobre o filme “Esquadrão Sui­ci­da”. Eu ia escrever para o mes­mo jornal, mas depois que li, pensei: “Ela disse tudo o que eu ia dizer!”. Anderson Fonseca é escritor.  

“Se Coco Chanel foi nazista, não sei, mas uma coisa é fato: tinha grande talento para a moda”

[caption id="attachment_73111" align="alignleft" width="620"]Coco Chanel considerava Adolf Hitler um “grande europeu” Coco Chanel considerava Adolf Hitler um “grande europeu”[/caption] Greice Guerra* Sobre o artigo: “Coco Chanel foi nazista e antissemita convicta” [Coluna Imprensa, 1884] Não sabia desse lado de Coco Chanel. Já assisti documentários e filmes sobre sua vida, onde observei infância e juventude muito difíceis! Nunca ouvi ou vi nada a respeito deste “outro” lado de Coco. Deve ser uma leitura interessante. Não li o livro, mas talvez a mesma tenha tido essa postura por uma questão de sobrevivência. Claro que não justifica, mas pelos documentários e filmes que já vi a respeito de Coco Chanel, ela sofreu muito preconceito, opressão e até mesmo perseguição devido ao seu estilo “vanguardista” de ver a vida e a moda também. Era uma mulher muito à frente de seu tempo, sendo a criadora da calça comprida para mulheres, sendo uma das primeiras a usá-las. Em Paris, principalmente na Champs-Élysées, existem várias homenagens e inspirações a Coco Chanel. Eu a adoro e a admiro! E gosto e uso seu “estilo”. Se ela foi nazista ou simpatizante, eu não sei e não vou julgá-la, mas uma coisa é fato: ela possuía grande talento para a moda! Independente de qualquer coisa, sou sua fã e seguidora de seu estilo. Adoro o estilo Coco Chanel! *Greice Guerra é economista.

Iris Rezende e a desvalorização do professor da rede municipal

Presidente do Sintego relata que profissionais da educação goianiense tiveram que lutar para conseguir o piso nacional, algo só alcançado depois que o peemedebista deixou a Prefeitura

De Goiás para o Brasil

Marconi Perillo ganha inserção nacional ao adotar políticas e ações que servem de exemplo a outros Estados e ao governo federal, como o ajuste fiscal

Se o eleitor quer mesmo gestor…

Experiência administrativa é o critério para escolher o próximo prefeito de Goiânia, o que leva o foco a fechar em Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, com vantagem para o socialista, antenado com a modernidade

A arte regional e inocente que atraiu os olhos do mundo para Goiás

Sem formação acadêmica ou estilos eruditos em suas produções, Fé Córdula e Antônio Poteiro vincularam o Estado à arte naïf como referência de regionalismo autodidata

Uma questão de hegemonia

Com o fim da 2ª Guerra Mundial em 1945, o mundo dividido em dois blocos, teve início à Guerra Fria [caption id="attachment_51825" align="alignright" width="620"]Vladimir Putin: astucioso, frio, imprevisível e pérfido para uns; para outros, apenas enigmático| Foto: The Presidential Press and Information Office Vladimir Putin: astucioso, frio, imprevisível e pérfido para uns; para outros, apenas enigmático| Foto: The Presidential Press and Information Office[/caption] As opiniões sobre o presidente da Rússia, Vla­di­mir Putin, são ambíguas. Para uns é astucioso, frio, imprevisível, pérfido; para outros, simplesmente enigmático. É provável que nenhum dos predicados que lhe são atribuídos corresponda à re­alidade. Para entender o que se oculta atrás do rosto do chefe do Kre­m­lin é necessário, antes de tudo, conscientizar-se das apreensões que o perturbam. Tentaremos explicá-las. O malogrado tratado de associação comercial entre a Ucrânia e a UE, em novembro de 2013, que mais tarde culminaria em acordo de livre comércio, prepararia o terreno para a adesão da Ucrânia a UE e possivelmente também a Organi-zação do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Presidente da Ucrânia era, na época, Viktor Janukowytsch, vinculado a Moscou. As gestões, no entanto, já tinham sido iniciadas por seu antecessor, Viktor Juschtschenko, vinculado a Bruxelas. Após a ruptura da União So­viética, a maioria dos ucranianos ansiava aproximar-se da UE tal qual os países do Leste Europeu e dos Bálcãs, sob hegemonia soviética desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Janukowytsch, apesar de seus vínculos com Moscou, mas sentindo a pressão dos ucranianos, optou por dar continuidade às gestões de aproximação à UE iniciadas por seu antecessor Juschtschenko. Vladimir Putin viu com desagrado a aproximação de Kiev com Bruxelas. Dois dias antes da assinatura do acordo na reunião de cúpula dos chefes de governo dos 28 países da UE em Vilnius, capital da Lituânia, em fins de novembro de 2013, o presidente ucraniano, Viktor Janukowytsch, informou as autoridades em Bruxelas, depois de cinco anos de gestões, que não mais assinaria o documento com o argumento de que “a Ucrânia ainda não estaria preparada” para filiar-se a UE. O malogro, manuseado à distância diretamente de Moscou, irritou e decepcionou Bruxelas. Na Ucrânia a decisão repercutiu de forma redobrada. Em 21 de novembro de 2013, após o súbito anúncio do governo em Kiev que o acordo, de momento, não seria assinado, os ucranianos foram às ruas. Tiveram início as demonstrações na Praça Maidan apoiadas com a presença de líderes políticos da Europa e dos Estados Unidos vistos ao lado dos manifestantes, cenas que obviamente não foram do agrado de Vladimir Putin. Os manifestantes reinvindicavam, entre outras, a assinatura do acordo, a demissão do presidente Viktor Janukowytsch e novas eleições. Os protestos na Praça Maidan terminaram com dezenas de mortos, Janukowytsch perdeu o cargo, houve novas eleições e o sucessor (e atual) presidente, Petro Poros­che­nko, oligarca avesso a Moscou, faz de conta que esqueceu o assunto. Com o fim da 2ª Guerra Mundial em 1945, o mundo dividido em dois blocos, teve início à Guerra Fria, o confronto entre Leste e Oeste ou Capitalismo e Comunismo. Em abril de 1949 foi criada a OTAN, uma aliança de defesa entre os EUA e vários países europeus, para enfrentar a influência da União Soviética nos países do Leste Europeu, subjugados pelo comunismo de Stálin e Lenin. Em maio de 1955 foi criado, no Leste Europeu, o Pacto de Var­sóvia, outra aliança de defesa e ajuda mútua em caso de agressões militares liderada pela União Soviética. Signatários, além da União Soviética, foram a Ro­mê­nia, Polônia, Bulgária, Hungria, Tchecoeslováquia e a Alemanha Oriental. A OTAN propiciou o estacionamento de milhões de soldados americanos na Europa; o Pacto de Varsóvia, milhões de soldados soviéticos no Leste Europeu. Com a queda do muro de Berlim em 1989, também desabou a União Soviética, fato que Vladimir Putin até hoje lamenta e é a causa de seu distanciado relacionamento com Michail Gor­batchév. Culpa-o pela desagregação da União Soviética, pela perda de segurança da Rússia e argumenta que a abertura à democracia e ao livre mercado também poderia ter sido conseguida sem a queda do Império Soviético. Putin resumiu sua tese numa única frase: “A queda da União Soviética é a maior catástrofe geopolítica do século XX.” O mesmo fim teve o Pacto de Varsóvia que desagregou-se em 1995. A OTAN continua existindo e, por desgosto de Putin, foi substancialmente ampliada com adesão de vários países do Leste Europeu, anteriormente sob hegemonia soviética, entre os quais todos que pertenciam ao Pacto de Varsóvia. A OTAN foi criada por 12 países; hoje são 29. A ampliação da União Europeia e da OTAN em direção ao Leste (Teoria de Brzezinski) e projetos de ampliação ao sudoeste Europeu como Geórgia, Ucrânia e Moldávia, países protegidos por tropas russas ou milícias locais pró-Rússia, são incompatíveis com os planos políticos e geoestratégicos de Vladimir Putin. Com uma superfície de 17.100 milhões de km² (o dobro do Brasil) a Rússia tem uma população multiétnica de 146,5 milhões de habitantes (incluindo a Cri­meia), com 34 etnias e línguas. A religião predominante é a Orto­doxa Russa seguida do Islã que representa 15 % da população. A Rússia, portanto, é o país europeu com a maior participação islâmica. Sabemos, desde as duas guerras na Chechênia, uma república antônoma dentro da Rússia no Cáucaso, onde separatistas islâmicos rebelaram-se contra o governo central em Moscou, que Vladimir Putin não tolera manifestações islâmicas na Rússia e receia movimentos semelhantes nos países que a cercam. No flanco sul, nos países da Ásia Central que se limitam com a Rússia, predomina o Islã. Dos 15 países islâmicos da ex-União Soviética atualmente apenas 5 demonstram, embora débil, simpatia com Moscou: Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Belarus e a Armênia. Os demais permanecem neutros ou mantêm-se à “reservada distância”. Nos EUA, durante o governo do presidente Ronald Reagan (1911-2004), foi iniciado o projeto Strategic Defensive Initiative (SDI) incrementado no governo do presidente George W. Bush sob o nome de National Missile Defense (NMD) e prosseguido pelo presidente Barack Oba­ma.Trata-se, resumidamente, de um cinturão de foguetes intercontinentais, guiados por satélites, a serem instalados na Europa em terra e mar, desde a Finlândia, via Báltico, Polônia, Hungria, Romênia e alguns países da Ásia Central, com a finalidade de defender eventuais ataques do Irã, um argumento que nunca convenceu o presidente Vladimir Putin. O argumento atual é o de defender a Europa de um eventual ataque da Coreia do Norte o que o convence ainda menos. Em maio passado o exército da Polônia realizou a “Anaconda”, uma manobra militar de grande amplitude, com a participação de 31 mil soldados, na qual foi simulado um ataque russo naquele país. “Estamo-nos preparando para um ataque da Rússia”, declarou Andrzej Duda, presidente da Polônia. Outra manobra militar internacional, a “Saber Strike”, foi realizada em junho passado, com a participação de 10 mil soldados de 13 países membros da OTAN em três campos de treinamento na Letônia, Estônia e Lituânia, a 150 kms da fronteira russa. Mais uma vez, Putin sentiu-se ameaçado. Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN, informa que a Aliança incrementará seus projetos armamentistas na Romênia onde colocará à disposição soldados para uma brigada comandada por aquele país. Trata-se de “uma presença feita sob medida” para a região do Sudoeste Europeu sob controle da OTAN, disse Stolten­berg. Putin sente-se ameaçado. Além destas medidas, a OTAN criou várias unidades me­nores com um contingente máximo de 4 mil soldados, de rápida deslocação, a serem localizadas nos países bálticos e em outros países do Leste Europeu. Na reunião de cúpula, realizada em 8 e 9 de julho passado em Varsóvia, a OTAN apresentou novos planos de defesa em reação à crise da Ucrânia e à política de Vladimir Putin com a qual sentem-se ameaçados, em especial, os países bálticos e a Polônia. Vladimir Putin, chefe-supremo das Forças Armadas da Rússia, ordenou testar a mobilização do exército russo em repressão às manobras da OTAN no Báltico e na Polônia. Putin age e reage de acordo. Este desenvolvimento está sendo visto por alguns observadores como simples jogo de guerra. Fato é que encontramo-nos em plena 2ª Guerra Fria na qual o confronto não mais é entre Capitalismo e Comunismo. O novo foco de atrito é o Ex­pan­sionismo ou, em outros termos, a ampliação de áreas de influência. Putin vê a OTAN como agente provocador neste conflito preocupante de interesses que já agora tem ingredientes que poderão torná-lo dramático. Frank-Walter Steinmeier, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, comentou: “Esta corrida armamentista, este tilintar de espadas, não serve para nada”. Steinmeier foi arduamente criticado em círculos da OTAN. Para os EUA, a Teoria de Zbig­niew Brzezinski (ampliação da UE em direção ao leste Eu­ropeu), divulgada em 1997 (The Grand Ches­sboard – Ame­rican Primary and Its Geostrategic Imperativs, Basic Books), foi um plano estratégico concretizado em grande parte conforme explicado acima. Para a Rússia foi e continua sendo uma agressão. Paralelamente a estes desenvolvimentos a Europa, concentrada e aturdidada com a onda de refugiados, com a infindável guerra na Síria, com um Iraque desestabilizado, com uma Líbia sem governo e em parte já dominada pelo ISIS, com um Iémen em guerra, com um Afeganistão sob controle de clãs talebanes, com uma Turquia imprevisível e inconfiável e com o terrorismo no próprio Continente, esqueceu-se completamente de que, em sua porta sul, na Ucrânia, borbulha uma guerra na qual a Rússia ameaça abocanhar uma parte do país. Moscou não poupará esforços para impedir a ampliação da UE e da OTAN em direção ao Su­doeste Europeu ou à Ásia Central. Uma questão de hegemonia que precisará de muita diplomacia a fim de evitar um conflito de proporções imensuráveis na porta sul da Europa. Vladimir Putin, astucioso, frio, imprevisível? Talvez de tudo um pouco. Ou apenas lúcido?

Iris inicia na frente numa corrida indefinida

Ausente das discussões no último mês da pré-campanha, peemedebista ressurge e assume a liderança. Waldir Soares é quem mais perdeu, mas continua vivo