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Campanha vai até sexta-feira (9). Meta é de vacinar 90% do público-alvo, mas, até o momento, nenhum grupo prioritário atingiu o índice
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Grávida, apresentadora teve um deslocamento de placenta e se afastou do trabalho para ficar no hospital até pelo menos o dia do parto
Atualmente na liderança do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás, Bia recebeu 70% dos votos
Em ligação grampeada pela Polícia Federal, Ricardo Saud pede que nome de José Yunes seja retirado
A sofisticação dos programas de TV é um fenômeno relativamente novo; série tomando qualidade de cinema. Breaking Bad é a primeira grande peça desse novo caminho da indústria do entretenimento
Já estudei muito tragédia grega. Dois livros são essenciais neste tema: "A Origem da Tragédia", do Nietzsche, onde há uma análise sob o ponto de vista filosófico e religioso; e "Poética", do Aristóteles, onde se analisa os caracteres técnicos da construção do drama, principalmente na obra de Sófocles.
Os poetas trágicos não criavam argumento, que é o mote sobre o qual se desenvolve a ação. Faziam seus textos sempre a partir dos mesmos mitos tradicionais, e as competições eram sobre quem desenvolvia com mais habilidade as variações de ação sobre os argumentos já conhecidos do público.
Criar argumento é perigoso, pois há grande chance de ser artificial e, portanto, irrelevante. As boas narrativas em geral trabalham motes clássicos, como o amor, o ciúme, dilemas morais, as guerras, a vingança. Pra pegar um exemplo pop, Tarantino fez dois grandes filmes a partir de argumentos muito básicos: Kill Bill (vingança) e Bastardos Inglórios (II Guerra).
Breaking Bad conseguiu a façanha de um argumento modernoso e inovador na aparência, além de curioso (um professor de química que, ao se descobrir com câncer de pulmão, começa a fabricar metanfetamina), e, no fundo, clássico: um homem encarando a própria mortalidade.
Aqui entra também um dilema "dostoievskiano" sobre se, perante a mortalidade e a perspectiva de desaparecimento, vale a pena jogar pelas regras. Essa pergunta atormenta Walter White e os consequentes dramas de consciência, justificações e tentativas de redenção são muito bem trabalhados.
Quanto à estrutura narrativa, Aristóteles dizia que dois recursos são essenciais pra provocar a "catarse" no público: o reconhecimento e um desenlace inesperado. O "reconhecimento" se dá quando um personagem conhecido da trama revela sua verdadeira identidade, para a surpresa de todos. A identidade verdadeira deve ser relevante.
Um exemplo famoso na cultura pop é o "Luke, i`m your father", do Star Wars. Em Breaking Bad há dois reconhecimentos. O primeiro no episódio "Mandala", quando Walt senta na mesinha dos Pollos Hermanos com Gus Fring, que, até então fingindo não conhecê-lo e ser um mero dono de fast food, de repente muda a expressão e solta o "I don't think we`re alike at all, Mr. White. Your partner was late. And he was high".
O segundo é quando Hank acha o "Leaves of Grass" no banheiro de Walt e percebe que ele é, na verdade, Heinsenberg. Neste ponto há também o que Aristóteles chama de "desenlace", o fato que desata o nó da trama, no caso, como Heinsenberg seria descoberto e pego pela DEA.
E Gilligan acha uma solução perfeita, verossímil, a partir de um elemento casual presente na trama, sem recorrer ao que chamamos de "Deus ex machina", uma solução mirabolante vinda de fora dos fatos já fornecidos. Solução "ex machina" seria, por exemplo, se Hank sonhasse que Walt era Heisenberg e isso desencadeasse sua investigação e perseguição.
Enfim, isso é o básico, eu poderia escrever um livro sobre cada ponto do Breaking Bad. Não existe nenhuma série à altura ainda, apesar de eu nunca ter visto Família Soprano, que dizem ser do mesmo patamar. A sofisticação dos programas de TV é um fenômeno relativamente novo; série tomando qualidade de cinema. E, pra mim, Breaking Bad é a primeira grande peça desse novo caminho da indústria do entretenimento.
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O cantor Chico César abriu os shows que tem ainda blocos de carnaval e apresentação de Criolo, Pitty, Emicida e Tulipa Ruiz
Sequência da série iniciada em 21 de maio, sob organização de Luiz Bras, Sérgio Tavares e Anderson Fonseca, traz mais dois contos dedicados a dois escritores. Desta vez, os homenageados são André Carneiro e William Gibson
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Ilustração: Bianca Lana[/caption]
Revolução do zíper
Homenagem a André Carneiro Luiz Bras Especial para o Jornal Opção No sermão dominical, repetiu nosso abençoado presidente: {No princípio era o caos opaco e o Plástico Transparente. E o plastrans, desafiando o caos opaco, gerou as galáxias, o sistema solar, a Terra, o homem e todos os animais. E o homem, soberano na Terra, criou o Estado Único, o triunfo espiritual, social e político do plastrans. } {No mundo ideal tudo é transparente: cidades de plastrans acolhem amorosamente cidadãos de plastrans. Na sociedade perfeita a liberdade e a felicidade são sempre obedientes, e a obediência é sempre transparente. } {Mas o caos opaco, avesso à beleza e à obediência, não descansa… Sombras insidiosas esperam pacientemente o melhor momento pra turvar a transparência do cosmo e do homem. A sagrada missão do Estado Único é proteger a qualquer preço o radiante facho de Plástico Transparente que habita cada um de nós.} Fechar as bocas, todas as bocas, o poder central e a felicidade geral da nação exigem bocas fechadas, interromper também os olhos e os ouvidos, que cidadão algum fale, veja e ouça o que não deve ser falado-visto-ouvido. {Que estropício espalhou que neste mundo haveria pão e circo, bem-estar e dignidade pra todos?} “Quando falta material hospitalar, quando faltam leitos e médicos, o cidadão reclama demais, pára o trânsito, queima pneus, um horror.” “A repressão policial já não está dando conta da situação, muito menos a repressão religiosa, a censura artística, científica.” {Que estafermo propagou a noção estapafúrdia de liberdade-igualdade-solidariedade?} “Quando falta material escolar, quando faltam salas de aula e professores, o cidadão também reclama demais, volta a parar o trânsito, queimar pneus, um horror.” “A repressão do jornalismo também não está dando conta da situação, muito menos a repressão dos costumes, a pressão da tradição, da moral.” “Basta de blablabá. O presidente já avisou que não tolerará outro fracasso. Chega desse chove não molha. Sua excelência quer detalhes da solução final. Tragam o inventor.” {Que palerma avisou aos enxadristas que peões e cavalos merecem os mesmos privilégios da nobreza e da realeza?} Entra o inventor, escoltado-arrastado por dois agentes do serviço secreto. “Senhor Gideão, após muito deliberar, decidimos patrocinar seu projeto.” “Mas eu não pedi nada…” “Esta sagrada comissão e nosso abençoado presidente entendemos que sua invenção encerra um alto potencial civilizatório.” “Mas eu não pedi…” “Trata-se, como o senhor sabe, de uma questão de segurança nacional.” “Mas eu não…” “É verdade que dinheiro não há, vivemos tempos difíceis, a balança comercial, a previdência social, o déficit no orçamento, o senhor compreende.” “Mas eu…” “Tudo o que podemos oferecer ao senhor é a honra de prestar um grande serviço ao país e a perpétua satisfação do dever cumprido.” “Mas…” “Muito melhor que a prisão perpétua, o senhor não concorda?” {Gostar de poesia é fácil, quero ver gostar dos poetas.} O inventor é convidado a assinar o contrato de cessão total do direito de produção e difusão de sua admirável invenção, sem ônus para o Estado. {Gostar de ciência é fácil, quero ver gostar dos cientistas.} O inventor recusa-se a assinar. Os dois agentes do serviço secreto socam seu rosto, seu abdome. O inventor recusa-se a assinar. Os dois agentes do serviço secreto arrancam seus dentes, suas unhas. {Gostar de religião é fácil, quero ver gostar dos religiosos.} O inventor recusa-se a assinar. Os dois agentes do serviço secreto enfiam sua cabeça numa tina de água. O inventor recusa-se a assinar. Os dois agentes do serviço secreto introduzem um cabo de vassoura em seu ânus, dão choque em seus testículos. {Gostar de política é fácil, quero ver gostar dos políticos.} [relacionadas artigos=" 95058 "] O inventor recusa-se a assinar. O chefe da comissão ameaça prender a mulher e as filhas do inventor, que finalmente assina o contrato. Acima das manchas de sangue surge uma garrafa de champanha e muitas taças. Brindam à saúde do abençoado presidente de nossa gloriosa social-sensacional-democracia. {Riem a bandeiras despregadas.} Os dois agentes do serviço secreto escoltam-arrastam o inventor pra fora do salão. {O fio de Ariadne esta noite é vermelho.} Resolvidos os detalhes contratuais, a invenção de Gideão logo se torna o mais precioso presente de nosso abençoado presidente a seu amado eleitorado. Cirurgiões de jaleco corporativo vão de casa em casa suturando a solução final primeiro em crianças e jovens bastante cooperativos, depois em adultos agora nada conspirativos. Fechar as bocas, todas as bocas, o poder central e a felicidade geral da nação exigem bocas fechadas, interromper também os olhos e os ouvidos, que cidadão algum fale, veja e ouça o que não deve ser falado-visto-ouvido. É claro que o cidadão pode escolher a cor e a textura das fitas de tecido, é claro que o cidadão pode escolher o design e o metal do cursor e do puxador, dos dentes e da parada. Afinal vivemos numa gloriosa social-sensacional-democracia, esqueceram que nosso lema é ordem, liberdade e progresso? {Ah, que lindo de admirar, mais ainda de fotografar e filmar, boca-olhos-ouvidos fechadinhos, ah, que lindo, Arlindo, a população sem voz-visão-audição zanzando por avenidas-escolas-estádios sem ódios, por labirintos enfim pacificados.} F I M Fim o caralho, a cabaça, ó meus irmãos, que a revolução está só começando, ride ridentes, sorride sorridentes, quem manda nesta História sou eu, se a realidade política contradiz a fantasia poética, pior pra realidade política, neste espaço eu faço e desfaço, fim a cabaça, o caralho, ó minhas irmãs, contra o mal-mau eu convoco o bem-bom, estão percebendo o tremor de terra, a dança da pajelança-criança, ride ridentes, sorride sorridentes, do fundo do mato-virgem vem Macunaíma, herói de nossa gente, trazendo a pandemia-utopia, rejeitando o voto e o serviço militar obrigatórios, levando ao colapso o Estado centralizado, do fundo do mato-virgem chegam o curupira e o mapinguari, vêm abrir as bocas, todas as bocas, também os olhos e os ouvidos, pra que todos falem, vejam e ouçam o que deve ser falado-visto-ouvido, ride ridentes, sorride sorridentes, a liberdade levanta voo, o vento espalha nosso delírio, acaricia nossa lucidez, que reluz, tremeluz, feliz, chega de ladrões, chega de usurpadores, não existem homens nobres por isso livres, existem homens livres por isso nobres, quem manda nesta História sou eu, então fecho, encerro, reverbero, com alegria, alegria, carnavalizando o mal-mau europeu, convocando o bem-bom tropical, a propriedade particular é pornográfica, a propriedade pública é erótica, o curupira e o mapinguari querem menos Pornos e mais Eros, trazendo a pandemia-anarquia vem Macunaíma, vem no centro do rodamoinho, transferindo a solução final pra botas e calças e jaquetas e quinquilharias outras, fim o caralho, a cabaça, ó meus irmãos, vejam só: o herói de nossa gente liberta o inventor e prende o presidente, os ministros, os assessores e os agentes do serviço secreto, enfia todas as autoridades neste cárcere bidimensional chamado papel, nesta máquina chamada livro, que é pra jamais voltarem a azucrinar a nossa paciência, que é pra jamais voltarem a nos pentelhar sem fiscalização, que a revolução está só começando e quem manda nesta História sou eu. Luiz Bras é crítico literário e escritor. *** [caption id="attachment_96508" align="alignleft" width="300"]
Ilustração: Bianca Lana[/caption]

