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Autora do celebrado “Quarto de Despejo”, Carolina de Jesus, traduzida em 13 países, vendeu 1 milhão de exemplares, ganhou dinheiro e morreu pobre. Sua obra faz sucesso nas universidades
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Clarice Lispector e Carolina Maria de Jesus: duas escritoras brasileiras[/caption]
O livro “Tempo de Reportagem — Histórias Que Marcaram Época no Jornalismo Brasileiro” (Leya, 287 páginas), de Audálio Dantas, contém verdadeiras aulas de jornalismo. Além de reportagens clássicas, típicas do jornalismo literário mas sem a pretensão típica de Truman Capote e Tom Wolfe, há textos introdutórios sobre como foram feitas. Recomendo vivamente “A nova guerra de Canudos”, “Povo caranguejo” e “O drama da favela escrito por uma favelada”. Neste texto, de 1958, o autor conta a história de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), a favelada que se tornou escritora famosa, autora do livro “Quarto de Despejo”, com destaque em vários jornais do exterior e edições da obra em 13 países. Antecipando Jorge Amado e Paulo Coelho, vendeu mais de 1 milhão de livros.
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Carolina de Jesus e Audálio Dantas: o jornalista descobriu e firmou a reputação da escritora[/caption]
O bom repórter não é aquele que cumpre a pauta à risca, sem abrir espaço ao novo. O verdadeiro repórter é aquele que transforma a pauta, ou, ao cumpri-la, no meio do caminho muda seu eixo, ao descobrir que a realidade é outra. Em 1958, Audálio Dantas propôs ao chefe de reportagem das “Folhas” (eram três jornais, “Folha da Manhã”, “Folha da Tarde” e “Folha da Noite”), Hideo Onaga, uma matéria sobre a favela do bairro do Canindé, às margens do Rio Tietê. O repórter ficaria uma semana na favela, para compreendê-la com mais precisão, mas três dias depois voltou à redação e jogou meia dúzia de cadernos encardidos na mesa do editor. No texto em que apresenta a reportagem, de 2012, Audálio Dantas escreve: “Eu não havia escrito uma linha sequer, mas a reportagem estava, de fato, naqueles cadernos, especialmente em um que continha um diário iniciado três anos antes, em 15 de julho de 1955, pela favelada Carolina Maria de Jesus, moradora do Canindé”. Aos 44 anos, ela vivia “de apanhar papéis no lixo para vender”.
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Edição italiana de "Quarto de Despejo", com prefácio de Alberto Moravia[/caption]
Lidas as primeiras páginas do diário, Hideo Onaga sugeriu: “Isso dá um livro!” Audálio Dantas conta que, “além do diário, havia contos, poesias, até um começo de romance”. Por mais que os textos estivessem repletos de erros de português, com algumas avaliações mal costuradas, havia vida, alma, no trabalho de Carolina de Jesus. O repórter frisa que “estava convencido de que não conseguiria retratar aquele mundo miserável com a mesma força e a mesma verdade contidas naqueles cadernos”. A vida, vista de dentro, sem os adornos dos métodos, era apresentada em toda a sua crueza, numa espécie de levantamento entre o sociológico e o antropológico. Carolina de Jesus lia livros que encontrava no lixo.
Modesto, Audálio Dantas afirma que a “descoberta” dos cadernos não lhe custou “nenhum esforço de reportagem”. Como Carolina de Jesus já havia procurado outras redações, talvez até a do repórter, é possível dizer que sem a percepção de Audálio Dantas, sem a sua sensibilidade, a autora teria ficado inédita por alguns anos ou, quem sabe, seus diários teriam se perdido nos desvãos do tempo e das agruras dos pobres.
O olho clínico do repórter, a sua percepção da importância do outro, mesmo dos que não têm “cultura” e, em tese, não são interessáveis, foi decisivo para a descoberta de Carolina de Jesus. Na favela, Audálio Dantas não conseguia convencer alguns marmanjos que usavam brinquedos a deixá-los para as crianças. Então, imprecando, aparece Carolina de Jesus, com sua voz tonitruante: “Vou botar o nome de vocês no meu livro!” Mesmo xingando, os homens deixaram os brinquedos para os meninos.
Perceptivo, Audálio Dantas perguntou: “Que livro é esse?” Carolina de Jesus respondeu: “O livro em que estou escrevendo as coisas daqui da favela”. A reportagem, com trechos dos diários — mais de 20 cadernos —, foi publicada na edição de 9 de maio de 1958, na “Folha da Noite”, com o título de “O drama da favela escrito por uma favelada”.
A repercussão, bombástica, gerou comentários céticos: “Isso é invenção de repórter, pra vender jornal”, “onde já se viu, uma negra semianalfabeta, e ainda por cima favelada, escrevendo desse jeito”. Ao reler o texto que escreveu para apresentar os diários, 54 anos depois, Audálio Dantas aponta “excessos de adjetivos, alguma pieguice e imperdoáveis falhas de informação” (não deu o nome dos filhos de Carolina de Jesus).
Recorde de vendas e celebridade
Como o Brasil pedia a publicação do livro de Carolina de Jesus — saiu, depois, mais uma reportagem, na revista “O Cruzeiro” —, Audálio Dantas compilou os diários, publicando apenas o que continham de mais instigante. O livro, com o título de “Quarto de Despejo”, saiu em agosto de 1960. Os 10 mil exemplares da primeira edição foram vendidos numa semana. “Um recorde para a época.”
Carolina de Jesus tornou-se, a partir da reportagem e do livro, uma celebridade internacional. “Time”, “Life”, “Paris Match” e “Le Monde” deram amplo destaque aos seus diários e à história da escritora favelada. A revista “Time” destacou o repórter David St. Clair para relatar a história da Cinderela negra que virou escritora famosa. O jornalista hospedou-a no Copacabana Palace, o hotel mais luxuoso do Rio de Janeiro, e comprou vestidos caros para sua “convidada”. “No Antonio’s, se não me engano, montaram uma impressionante cena de preparação de uma sobremesa flambada em meio a altas chamas. Carolina registraria mais tarde em seu diário: ‘Comi aquela confusão toda e não gostei’”, registra Audálio Dantas.
A escritora começou a ser apresentada às elites intelectual e do capital como “uma espécie de bicho estranho. Exibiam-na em jantares elegantes nos bairros finos de São Paulo”. Preocupado, Audálio Dantas alertou-a. Irritada, Carolina de Jesus reclamou que o jornalista queria ser seu “tutor”.
“Quarto de Despejo”, talvez mais comentado do que lido, era elogiado em vários países. É provável que leitores, escritores e críticos percebessem que não se tratava de literatura, de prosa refinada, e sim de retratos ou recortes da vida cotidiana. Os relatos de Carolina de Jesus estão mais próximos da sociologia e da antropologia, ainda que sem o uso de métodos mas com uma observação direta precisa. Talvez o grande equívoco tenha sido tratá-los como (alta) literatura, que exige uma elaboração que, evidentemente, não há nos livros de Carolina de Jesus.
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Audálio Dantas com livro no qual reconta a historia de Carolina de Jesus[/caption]
É claro que Carolina de Jesus não é uma farsa, dada sua percepção aguda e vívida da vida na favela, mas não é também uma escritora comparável a, digamos, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz e Lygia Fagundes Teles. Não se pode nem mesmo compará-las. Porque, nas obras de Carolina, por falta de formação cultural e de banco escolar mesmo, não há elaboração, apuro na linguagem.
Ainda assim, o livro foi traduzido em 13 idiomas e vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Alberto Moravia prefaciou a edição italiana. O grande escritor italiano percebeu a “força”, extraliterária, dos escritos da mineira. O próprio Audálio Dantas, no texto de 1958, assinala: “... ela é dotada de agudo senso de observação e talvez por isso retrate tão bem o meio em que vive”. Não há condescendência com os pobres nos seus diários, como às vezes ocorre em trabalhos de acadêmicos engajados à esquerda: “Aqui é assim. Não há ricos, só pobres, uns prejudicando os outros”. Um mundo hobbesiano. Noutro trecho diz: “Suporto as contingências da vida, resoluta. Eu não consegui armazenar dinheiro para viver. Resolvi armazenar paciência”.
Autenticidade dos relatos
Com o tempo, enquanto críticos acadêmicos (alguns brasilianistas) tratavam de valorizar a obra de Carolina de Jesus, inclusive do ponto de vista literário — o que é difícil, senão impossível, provar, exceto por frases esparsas, mas nunca no conjunto —, alguns críticos, como Wilson Martins, começaram a duvidar da autenticidade da autoria dos relatos.
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Wilson Martins, crítico literário, duvidou que Carolina de Jesus fosse autora do livro. Errou[/caption]
Jornalistas diziam para Audálio Dantas: “Rapaz, você teve um trabalhão para inventar o livro da negra!” Manuel Bandeira lavou a honra do repórter. Em texto para “O Globo”, o poeta “menor” escreveu que ninguém seria capaz de “inventar” um texto como o de Carolina de Jesus. O crítico Wilson Martins atacou duro e disse que o livro era um “embuste”. Numa segunda crítica, frisou que a história “não podia ser de Carolina”. Porque “continha expressões rebuscadas como ‘astro-rei’ em vez de sol, simplesmente; ou frases inteiras, como ‘acordei, abluí-me e aleitei-me’, o que, jurava [Wilson Martins], só podia ser coisa de jornalista”. E, por certo, jornalista parnasiano...
Irritado, “bravo de verdade”, Audálio Dantas publicou uma longa resposta no “Jornal do Brasil” e ameaçou processar Wilson Martins. “Tinha como testemunhas os cadernos escritos por Carolina, que mantive sob minha guarda até outro dia, quando decidi doá-los à Biblioteca Nacional”, diz Audálio Dantas.
Mesmo depois de 60 anos de jornalismo, Audálio Dantas diz que a reportagem sobre Carolina de Jesus foi a mais importante de sua vida. Foi a que fez mais sucesso.
[Texto publicado na edição 1940, de 9 a 15 de setembro de 2012]
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“Audaz” Dantas não relutou e denunciou a ditadura, que matou o jornalista não num "porão", e sim numa dependência oficial
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Iniciativa visa preparar jornalistas, estudantes e controladores sociais para utilizar metodologia que ajuda a combater fake news
O profissional narra jogos de futebol e provas de Fórmula 1
O jornalista havia pedido a memória, mas já está reconhecendo as pessoas e respira sem aparelhos
Laís estava terminando sua tese de mestrado em Processos Sustentáveis
A Laís agora é luz
Nilson Gomes 1 Laís Fernanda Araújo Era brilhante advogada Em breve realizaria O sonho de ser magistrada Mas na linda biografia Encerrou-se a alegria: Laís foi assassinada 2 Ninguém queria crer naquilo: “Ah, está mentindo quem diz” Pois Laís significava Só coisa boa e feliz Não, não podia ser verdade Se há limite na maldade Ela não chega à Laís 3 Laís conquistava a todos E tudo com seu talento Inteligência, persistência Esforço, discernimento Tanta virtude reunida Tanta beleza, tanta vida Não findariam num momento
4
Laís estava terminando
Sua tese de mestrado
Em Processos Sustentáveis
Conteúdo elogiado
No Brasil e até no Chile
Tantas ideias em desfile
Pro futuro deste Estado
5
Não há futuro sem Laís
Não há lugar que no presente
Suporte assistir quieto
O sofrer de sua gente
No Chile foi que Laís viu
Como desfila no Brasil
Quem faz sofrer o inocente
6
Mas Laís era a pureza
No presente e no pretérito
Estava vencendo concursos
Para trabalhar em inquérito
Depois, seria juíza
Com a dedicação precisa
De quem triunfa por mérito
7
O mérito nunca foi seu
Era o que Laís dizia:
“Deus dá tudo ao que crê
Ar, água, a luz, o dia”
Deus é bom, nos deu Laís
Deu tudo o que ela quis:
Bondade e sabedoria
8
Foi o que Laís inspirou
Nos fiéis de sua igreja
Mandando luz para os povos
De onde quer que esteja
E está junto de Deus
De novo, por méritos seus
De novo, por ser benfazeja
9
Bem fazia ao ensinar
Às células, às crianças
O ministério da Palavra
Das palavras de esperanças
De novo, ao novo, ao velho
Levou a luz do Evangelho
Levou a paz nas andanças
10
Por onde anda a paz?
Voou como a pomba branca?
“A paz está dentro de nós”
Laís responderia franca
Não duvidaria da fé
Reafirmaria quem é
O Deus que nos alavanca
11
Antes de a paz alçar voo
Antes da noite fatídica
Laís estava no Senar
Como assessora jurídica
Respeitada no Direito
Por fazer tudo bem feito
Por fazer tese verídica
12
Mas chegou a noite de maio
Dia 10, no Alto da Glória
O bairro de muitos amigos
A moça, marca da vitória
Conseguiu estacionar
E foi mexer no celular
Quando chegou a escória
13
O Inimigo tem mil faces
Duas surgiram nas janelas
Do Fit prata de Laís
Como assombração daquelas
De fazer tremer a espinha
“De fazer a mulher sozinha”
Acelerar pelas ruelas
14
O bandido se enganou
Laís nunca esteve só
Mas o tempo todo com Deus
Não há companhia melhor –
O diabo é a violência –
Não adianta ter prudência
De ninguém os monstros têm dó
15
As faces do Mal assustaram
Laís acelerou sem ver
Os bandidos viram ser fácil
Matar sem que nem por quê
Confiantes na impunidade
Dois menores de idade
E casal de fazer tremer
16
Laís não tremeu, assustou-se
No País dos 60 mil
Assassinatos por ano
Quem estava perto ouviu
Um tiro e uma corrida
Pela morte, não pela vida
E quem treme é o Brasil
17
Sejam maiores ou menores,
Quatro maiúsculos no crime
Um tiro fatal no tórax
Fatal pra moça tão sublime
Um tiro não só na Laís
Tiro na cara do País
Fatal pra este vil regime
18
Regime é sempre fechado
Para as pessoas de bem
Não podem sair de carro
Nem a pé, ônibus ou trem
Ficam presas dentro de casas
O crime roubou-lhes as asas
Liberdade ladrão é que tem
19
Quatro bandidos mataram
Um apertou o gatilho
Outro acompanhou do lado
No carro-fuga o caudilho
A quarta vigiou a rua
Desde então, até a Lua
E o Sol perderam o brilho
20
As Polícias foram rápidas
Juntas prenderam o quarteto
Civil e PM agindo
Funcionou bem o dueto
Problema é que marginal
Se livra com a lei penal
E o ECA obsoleto
21
A Laís é tão querida
Que a tragédia já inspira
Um movimento de juristas
Nos quais as leis dão é ira
Chega de Código vencido
Que só traz razão a bandido
O resto é tudo mentira
22
Edemundo de Oliveira
É delegado e pastor
Defende direitos humanos
Mas se cansou desse horror
Quem matou Laís é ladrão
E perpétua é a prisão
Que merece o malfeitor
23
Ladrão que mata pra roubar
É chamado de latrocida
Nas raras vezes que vai pego
Sai logo pela lei falida
Menores nem ficam nas celas
Pros que surgiram nas janelas?
Casa, roupa limpa, comida
24
As faces do horror nas janelas
13 e 16 anos
Rindo da dor da família
Rindo por estragar planos
Inda dizem ser crueldade
Que reduzir maioridade
Afeta direitos humanos
25
A OAB divulgou nota
Saudando os policiais
Centenas de advogados
Usaram redes sociais
Elogiando a polícia
Que por dias foi notícia
Enjaulando os marginais
26
Os que a polícia prendeu
Serão soltos pelas leis
Os menores saem em meses
Talvez sete, talvez seis
Os maiores vão ficar
Até a Copa do Catar
Talvez antes, meu Deus!, talvez
27
Foi isso o que escreveu
Demóstenes, um procurador
Que tentou mudar as leis
Em seu tempo de senador
Diz que batia de frente
Com quem acha que delinquente
Merece carinho e flor
28
Demóstenes lembrou que todos
No latrocínio envolvidos
Haviam matado, roubado
Deveriam estar detidos
Mas a frouxidão das leis
Transforma ladrões em reis
E os cidadãos em bandidos:
29
“A família e os amigos
Nunca mais verão Laís.
Já as ruas logo verão
A dupla que porta fuzis
Matar quem estaciona
A criminalidade é dona
Da vida, da paz, do País”
30
As leis às quais Laís
Dedicou sua juventude
Precisam mudar com urgência
E pra que algo aqui mude
É preciso mostrar pra Nação
Que Laís não sofreu em vão
Que vamos tomar atitude
31
Laís não chegou a juíza
Mas precisamos ter juízo
Laís não reagiu, mas pra
Nós agir logo é preciso
Sua linda biografia
Recomeça com alegria
Começa a cada sorriso
Nilson Gomes é jornalista, escritor e advogado.
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Foto: Reprodução[/caption]
O empreendedor Elon Musk, CEO da Tesla Motors, quer criar um site para avaliar notícias e jornalistas. “Vou criar um site onde o público possa avaliar a verdade básica de qualquer artigo e acompanhar a pontuação de credibilidade ao longo do tempo de cada jornalista, editor e publicação”, publicou no Twitter.
A ideia inicial era chamar a plataforma de Pravda, o principal jornal da extinta União Soviética. Mas o domínio “pravda.com” já está comprado por ucranianos e Musk, conhecido por criticar a mídia, teve que se contentar com “pravduh.com”.
A atriz pode ser a protagonista do filme, representando Lisa Howard

