Euler de França Belém
Euler de França Belém

Brasil está com pinta de campeão e Neymar pode ser o craque da Copa da Rússia

No seu melhor jogo, a Seleção Brasileira exibe um ataque de primeira linha, com Neymar endiabrado e Willian acordado

Neymar Jr. é cotado para ser o craque da Copa da Rússia; inspirado, desequilibrou o jogo contra o México

Ofensivo, o México começou melhor — até avassalador —, como se o jogo fosse demorar 30 e não 90 minutos. Mas, exatamente por ser ofensivo, a seleção verde abriu espaço para os habilidosos jogadores da camisa amarela. Os jovens da terra de Juan Rulfo e Carlos Fuentes esqueceram que não estavam enfrentando um time qualquer, e sim a turma da terra de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. O México, diria Octavio Paz, estava verde; o Brasil, maduro. É a diferença crucial.

Willian: o jogador parece que acordou e finalmente fez uma grande partida; as críticas ajudaram a despertá-lo

Passado o sufoco mexicano, os brasileiros, sobretudo Neymar, começaram a mostrar que estavam vivos em campo. Embora não tenha feito gol no primeiro tempo, o ataque atuou de maneira quase perfeita — exceto pelo fato de a bola não ter entrado nas redes.

No segundo tempo, com Neymar e, finalmente, Willian inspirados, a seleção brasileira fez um gol logo no início, o que desestabilizou o México. O gol de Neymar motivou os colegas e a própria estrela da seleção. A bola, ali, começava a falar a mesma língua dos brasileiros e a pedir bênção aos craques de amarelo.

Quase no final do jogo, com o México tentando chegar ao ataque — e esbarrando em Thiago Silva e Miranda, protetores do goleiro e, sim, dos mais de 200 milhões de brasileiros —, o Brasil fez mais um gol, com uma triangulação excepcional entre Willian, Neymar e Firmino. Este, autor do segundo gol, exibe mais oportunismo que Gabriel Jesus (até agora, quase-Jesus e corre o risco de terminar a Copa como ex-Jesus).

Firmino: o atacante jogou pouco tempo e fez um gol; é mais incisivo do que Gabriel Jesus

Com a vitória, é praxe a turma dos comentaristas e narradores da televisão dizerem — com o tradicional otimismo em gotas — que todos jogaram bem, que são craques sem defeitos. Não é bem. Cassimiro — mestre em errar passes — e Paulinho desaparecem em campo, sobretudo no primeiro tempo, quando foram salvos pela movimentação do ataque, sobretudo de Neymar, Willian e, às vezes, Philippe Coutinho. Este, quando Neymar joga muito bem, parece desaparecer em campo — como se o príncipe estivesse assistindo as jogadas do rei. Oxalá Philippe Coutinho não se torna o Ganso da hora.

Thiago Silva: um leão na defesa da seleção brasileira

No dia em que Neymar se comporta como Neymar, não há para ninguém. O jogo passa pelos seus pés. Tanto que os mexicanos começaram a caçá-lo em campo.

Dos grandes da Copa da Rússia — o craque Messi e o tanque Cristiano Ronaldo —, só resta Neymar. Há outros jogadores de excelente qualidade. Mas, de pés mágicos, só resta o brasileiro. Há um quê de circense na habilidade como Neymar conduz a bola e dribla os adversários com o corpo, deixando-os tontos e, daí a irritação, desmoralizados. Com a bola nos pés, o Camisa 10 joga como se fosse malabarista.

Firmino é o típico centroavante oportunista e está passando da hora de Tite bancá-lo.

Depois do melhor jogo do Brasil na Copa, dá para dizer: a seleção tem condições de ser campeã. Neymar pode terminar o Mundial como seu principal jogador.

Narração

A TV Globo precisa contratar um ombudsman para Galvão Bueno. Ele continua errando o nome dos jogadores — inclusive dos brasileiros.

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Adalberto de Queiroz

Aí, o nome do craque é Casemiro!