Euler de França Belém
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Morre Ivo Bender, dramaturgo, contista e tradutor de Emily Dickinson e Racine

Uma de suas peças exibe um diálogo imaginário com a poeta americana

Ivo Bender: escritor e dramaturgo gaúcho | Foto: Josiele Silva/Divulgação

O dramaturgo, contista e tradutor Ivo Bender morreu na segunda-feira, 25, aos 82 anos, em Porto Alegre. Ele estava internado com insuficiência respiratória.

Autor de 36 peças — como “As Cartas Marcadas”, “Os Assassinos”, “Quem Roubou Meu Anabela?”, “A Terra Devorada”, “Sexta-Feira das Paixões” —, Ivo Bender é considerado um dos mais importantes dramaturgos do Rio Grande do Sul. Ele escreveu dois livros de contos: “Contos” (L&PM) e “Quebrantos e Sortilégios” (Terceiro Selo). Estava preparando um terceiro livro de narrativas curtas. Ele é autor do estudo “Comédia e Riso — Uma Poética do Teatro Cômico”.

Poesia da americana Emily Dickinson traduzida por Ivo Bender

Doutor em Letras, a literatura de Ivo Bender flerta com o absurdo e com o fantástico.

Ivo Bender traduziu a poesia de Emily Dickinson e o teatro de Racine e Harolt Pinter. Sua peça “Diálogos Espectrais”, de 2004, retrata uma conversa imaginária com a poeta americana.

A professora e crítica literária Regina Zilberman disse ao jornal “Zero Hora” que “os contos” de Ivo Bender “têm um narrador misterioso e personagens incomuns, o que cria um clima de mistério muito instigante. (…) Na segunda metade do século 20, Ivo foi provavelmente o mais importante dramaturgo do Estado” (Rio Grande do Sul)

Numa entrevista ao “Zero Hora”, em 2016, quando fez 80 anos, Ivo Bender lamentou: “Se eu soubesse que a velhice é uma coisa tão terrível, teria me matado aos 50 anos. Mas ninguém me disse isso”.

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