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A bibliofobia de Tarcísio de Freitas 

A partir de 2024, as escolas públicas de São Paulo passarão a ser escolas sem... livros. O novo cenário distópico será fruto da decisão da gestão Tarcísio de Freitas, que determinou que, a partir do ano que vem, a rede de educação paulista tenha apenas conteúdo didático digital a partir do 6º ano do fundamental. 

É claro que Tarcísio está se espelhando em países de primeiro mundo. Bem, na verdade não. A Suécia, um dos países com os melhores resultados educacionais do mundo, por exemplo, decidiu se embasar em pesquisas científicas (algo que parece fugir ao conhecimento do atual governador de SP) para abrir mão do conteúdo digitalizado - que vinha sendo adotado nos últimos anos - para retomar os livros físicos. Conforme a própria ministra das escolas da Suécia, Lotta Edholm, em artigo publicado no final do ano passado, o povo sueco "colecionou conclusões de prejuízos” com a substituição dos livros físicos por material de tela. 

De acordo com estudos apresentados pela Agência Nacional Sueca de Educação, com a leitura digital o leitor passa menos tempo apenas lendo. Os alunos, conforme o estudo, 'folheiam' o texto mais rapidamente em detrimento da compreensão do que leem. Isso foi levado em conta para que o governo sueco percebesse que o tempo de tela de crianças e jovens – que disparou mais de 50% desde 2020, de acordo com pesquisa do Hospital Infantil de Alberta (Canadá) e as Universidades de Calgary (Canadá) e College Dublin (Irlanda) - era justamente o problema, e não a solução, no quesito educacional.  

E é válido destacar que essa não é a primeira decisão de Tarcísio a levantar um estandarte contra o legado do ensino. Em maio deste ano, foi necessária a intervenção da Justiça de São Paulo para evitar que a estação de metrô que leva o nome de um dos educadores mais reconhecidos e citados em trabalhos acadêmicos do mundo, Paulo Freire, fosse rebatizado como Estação Fernão Dias. 

Aparentemente, para Tarcísio, um educador que, com sua metodologia, conseguiu a proeza de alfabetizar 300 adultos no prazo de 45 dias na pequena Angicos, no Rio Grande do Norte, era menos digno de homenagem do que um notório escravagista e caçador de esmeraldas. 

Correndo o risco de os paulistas cheguem a uma situação que se assemelhe a um certo livro de Ray Bradbury, alguém ajude Tarcísio a superar seu trauma com livros.  

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Paulo Guedes e a tristeza do Chicago Boy

 Em maio deste ano, correu em sites de cobertura política a informação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro ligou para Paulo Guedes para questionar o motivo de, em seu governo, encerrado em 2022, o preço do gás de cozinha não ter baixado. A ligação teria sido feita em tom furioso e motivada pelo fato de seu nêmesis político, Lula da Silva, ter conseguido o que ele não conseguiu: baratear o GLP.  

Ainda segundo os colunistas políticos, Guedes não teria gostado nada da bronca – afinal, ele deixou de ser o ministro da Economia há meses e não deve mais satisfações ao ex-mandatário. Aliás, desde que deixou o Ministério da Economia, Guedes parece ter criado repulsa pela vida pública.  

O economista não demonstra nenhum interesse em voltar para aos holofotes. Ele vive, hoje, discretamente em seu apartamento no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Aparece em um restaurante ali e acolá, sempre em mesas reservadas, no clichê da chamada vida pacata. Em conversas com amigos, o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro confessou que pretende voltar à iniciativa privada e está “entusiasmado com planos para o futuro”. 

Não é para menos. Dotado de um currículo atraente e de um carisma nem tanto, Guedes – o Chicago Boy que chegou ao governo Bolsonaro caminhando sobre um tapete de rosas vermelhas jogadas pelo mercado – hoje parece amargar com o ressentimento de parte da população que o apoiou em suas decisões impopulares na Economia e, hoje, é obrigada a ver empresários como Alberto Saraiva, dono do Habib’s e conhecido bolsonarista (agora ex), dizendo que Haddad, seu substituto, “de 0 a 10, é 10”. 

Guedes parece ter entrado na vida pública com a intenção de construir um legado aos moldes de Margaret Thatcher,  mas sai dela como um posto de gasolina que foi descredenciado da rede Ipiranga sem aviso prévio ou ao menos um “obrigado”.  

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