Há um ano da próxima eleição, o eleitor brasileiro parece estar cansado e em busca de soluções que tragam equilíbrio. Isso pode até ser reflexo de um novo olhar despertado pela pandemia, no qual a busca por promessas grandiosas e mudanças drásticas cedeu espaço à busca por moderação.

Após a crise econômica de 2015, na qual o Brasil acumulou uma retração econômica de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e viu os escândalos de corrupção tomarem o centro do debate no país, a insatisfação generalizada parece ter levado o brasileiro a criar uma antipatia à classe política.

O impeachment da presidente Dilma Rousseff, por exemplo, foi uma das provas desse ambiente raivoso. Mais que isso, o ambiente raivoso teve seu ápice no ano passado, e ainda que tenha calcificado em determinados segmentos da sociedade, depois de todo ápice vem a queda.

Quando vemos uma pesquisa onde quase metade dos brasileiros mudariam de país se pudessem, isso pode significar que a ênfase no próximo processo eleitoral recairá naqueles que já realizaram.

Levantamento “O que esperar do Brasil?” foi divulgado na última semana, feito pelo instituto de pesquisa Quaest e mostra até que essa “calcificação da polarização” chegou aos meios de comunicação. Cerca de 35% dos brasileiros prefere assistir um canal de TV que apresente as opiniões com as quais concorda. E 32% reprovaria um casamento do filho com alguém que votou diferente.

Além disso, um em cada quatro brasileiros mudaria o filho de escola caso o local de ensino tivesse a maioria de pais que apoiou o candidato adversário ao seu nas eleições. E, 23% afirmou deixar de ouvir música de um artista que apoiou seu adversário, 19% deixa de comprar produtos de marca que apoiou seu adversário e 10% mudaria de igreja se o padre/pastor apoiou adversário.

E, exatamente porque chegamos ao limite da polarização que o que se seguirá precisa ser moderado. Depois de momentos tensionados, a distensão histórica mostra que o eleitor deverá preferir líderes com habilidades de gestão comprovadas. A média de idade de prefeitos e deputados eleitos, por exemplo, aumenta após crises, indicando a busca por “líderes mais vividos”.

Neste contexto, a eleição de 2024 pode trazer ainda mais figuras conhecidas já que o brasileiro, alguns dados chegam a indicar até uma preferência por continuidade nas administrações municipais. A eleição de 2024 deve vir para mostrar que fazer o básico é fundamental: basta oferecer serviços eficientes e resultados concretos.