Empresários envolvidos em suspeita de fraude no Skygarden teriam feito outras 20 vítimas no Condomínio Ilha de Alegranza
29 maio 2026 às 16h44

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Uma entrevista concedida ao Jornal Opção revelou que a construtora localizada em Goiânia e seus sócios enfrentam novas denúncias relacionadas ao Condomínio Ilha de Alegranza, situado atrás do Jardins Milão, em Goiânia. A fonte, que não quis se identificar por questões de segurança, relatou problemas recorrentes como atrasos nas obras, venda duplicada de contratos e utilização de imóveis como garantia em processos trabalhistas e bancários. Segundo ele, o grupo empresário teria feito, ao menos, outras 20 vitimas.
Na época, as operações estavam sob responsabilidade da empresa AMB, que posteriormente se uniu a outro grupo, dando origem à atual CFMAIS. Em nota enviada ao Jornal Opção, a CFMAIS nega qualquer envolvimento com a NBR. “É uma sociedade empresária completamente distinta e independente”, diz nota. (Nota completa no fim da matéria.)
De acordo com a fonte, a AMB acumulou dívidas milionárias com bancos e acabou sendo levada quase à falência. A partir desse momento, os sócios passaram a abrir novas empresas para manter o mesmo padrão de atuação. A prática incluía a retirada do nome de um dos principais proprietários das sociedades, colocando empresas de fachada ou terceiros como representantes.

Dessa forma, a fonte afirma que a ligação entre a antiga construtora e outras companhias como CFMAIS se revela pela continuidade do mesmo grupo familiar e empresarial, que manteve o hábito de abrir novas empresas e operar com práticas suspeitas, como a revenda de contratos e o não pagamento de clientes.
A empresa é acusada de transferir cerca de vinte casas no Condomínio Ilha de Alegranza para nomes de parentes dos sócios e empresas ligadas a familiares. As casas foram escrituradas e vendidas uma a uma, mesmo antes da hipoteca com o Banco do Brasil. As unidades reformadas estão sendo alugadas por aproximadamente cinco mil e quinhentos reais cada, com contratos registrados em nome dos sócios e parentes, segundo informações disponíveis em imobiliárias como a Quinto Andar.
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A atuação do grupo também envolveu a negociação de cerca de cento e quarenta ações trabalhistas milionárias por meio do Programa Especial de Parcelamento de Dívidas Trabalhistas junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região. A medida reduziu os valores devidos aos trabalhadores enquanto os proprietários arrecadavam renda significativa com os aluguéis.

Foto: Acervo Pessoal
A empresa e seus sócios possuem ainda um empréstimo de quinze milhões de reais com o Banco do Brasil e estariam deixando de cumprir obrigações com clientes que não receberam as casas compradas nem o valor dos distratos. O caso levanta suspeitas de ocultação de patrimônio e uso de empresas de fachada para evitar responsabilidades financeiras.
A construtora teria hipotecado todas as casas do condomínio junto ao Banco do Brasil em 2015, obtendo empréstimo sem informar ao banco que os imóveis já haviam sido vendidos. A prática se repetiu em diferentes situações, com os mesmos imóveis sendo usados como garantia em ações trabalhistas no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
A denúncia aponta que o esquema envolvia a venda de contratos mais de uma vez, sem entrega efetiva das casas, e a posterior utilização dos imóveis para gerar renda por meio de aluguel. Durante a pandemia, cerca de vinte casas abandonadas foram reformadas e distribuídas entre os sócios. Um dos principais proprietários teria ficado com doze casas, enquanto outros sócios receberam parte do restante. Os imóveis foram alugados por aproximadamente cinco mil e duzentos reais mensais, gerando cerca de cem mil reais de renda.

O valor de mercado das casas também foi citado. Um imóvel adquirido por R$ 1 milhão em 2014 hoje está avaliado em R$ 1.200.000. Apesar disso, não foram apresentados contratos formais em algumas transações, apenas comunicações informais por e-mail, sem comprovação de movimentação financeira. O relato aponta ainda que familiares dos sócios teriam sido usados como compradores fictícios, sem capacidade financeira para justificar as aquisições.
A fonte destacou que muitos compradores não registram seus contratos em cartório, o que facilita a prática das construtoras. Esse erro comum deixa os adquirentes vulneráveis, já que sem o registro formal o imóvel pode ser novamente negociado ou usado como garantia. O padrão descrito inclui atrasos sistemáticos nas obras, dificuldades na entrega e a necessidade de recorrer à Justiça, onde processos podem se arrastar por dez a quinze anos.
Segundo a fonte, a situação é semelhante ao caso do empreendimento Skygarden, já denunciado anteriormente pelo Jornal Opção, onde irregularidades semelhantes foram relatadas. A proposta de criação de uma cooperativa de imóveis também foi mencionada como justificativa para as ações do grupo.

A fonte explicou que existem diversos processos contra a construtora no sistema Projudi, envolvendo compradores que alegam não ter recebido o que foi contratado. O condomínio possui documentos que comprovam as fraudes relatadas. Esses registros estariam disponíveis nos e-mails do próprio condomínio e poderiam ser apresentados em caso de solicitação judicial. A fonte teve acesso a contratos e conversas em aplicativos de mensagens que reforçam as denúncias, mas atualmente não possui mais acesso direto aos arquivos oficiais.
Posicionamento da CFMAIS
Ao Jornal Opção, a CFMAIS Incorporadora afirma que não possuir e jamais ter possuído qualquer vínculo empresarial, societário, contratual, negocial, operacional ou de qualquer outra natureza com a empresa AMB. Segundo a incorporadora, a CFMAIS é uma sociedade empresária completamente distinta e independente, desenvolvendo suas atividades de forma autônoma, sem qualquer relação societária, administrativa, operacional, comercial ou financeira com a AMB. A empresa esclareceu que seus únicos sócios são: NRB, representada por Renzo Kawamura; Fleury, representada por André Fleury.
De acordo com a nota, nenhum dos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, participou, integrou ou manteve qualquer relação societária, contratual, empresarial ou negocial com a AMB. A CFMAIS reforçou que Renzo Kawamura, André Fleury, NRB e Fleury jamais exerceram participação societária, gestão, administração ou qualquer atuação vinculada à empresa AMB.
A incorporadora manifestou preocupação com a divulgação de informações incompletas, imprecisas ou inverídicas que possam induzir terceiros a erro e promover associações indevidas entre empresas distintas.
Segundo a nota, a propagação de informações sem a devida verificação dos fatos tem causado prejuízos relevantes à imagem, reputação e credibilidade da CFMAIS, além de gerar insegurança a clientes, investidores, fornecedores, parceiros comerciais e participantes dos empreendimentos desenvolvidos pela companhia.
A CFMAIS ressaltou que quaisquer fatos, informações, obrigações ou questionamentos relacionados à AMB devem ser apurados diretamente junto à própria empresa e seus sócios e administradores. Por fim, reafirmou seu compromisso com a transparência, a ética empresarial e o respeito a clientes, investidores e parceiros, mantendo-se à disposição para prestar esclarecimentos adicionais.
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