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Donald Trump e Lula da Silva e Xi Jinping 2
Futuro incerto
Pragmatismo ou radicalização? Como fica o Brasil diante do mundo multipolar

A ascensão da China, o fortalecimento dos Brics e a crise da hegemonia americana colocam o Brasil diante de uma escolha histórica: radicalização permanente ou maturidade estratégica.

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Pesquisa
O predador mais inteligente da natureza pode ser uma planta, aponta novo estudo científico

Um novo estudo publicado na revista científica Ecology sugere que o predador mais inteligente da Terra pode pertencer ao reino vegetal

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro fotos reproduções
Assédio bolsonarista ao Intercept Brasil é um ataque à liberdade de expressão

No lugar de esclarecer que serviço Flávio Bolsonaro prestou a Daniel Vorcaro para receber 61 milhões para um filme, o bolsonarismo decidiu desqualificar quem divulgou informações verdadeiras

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Aava Santiago pode retirar uma vaga do PT para deputado federal

Pré-candidata a deputada federal pelo PSB, a vereadora tende a absorver votos tanto no eleitorado de esquerda quanto no eleitorado de direita. Pode enfraquecer Adriana Accorsi

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cultural
Último dia do Festival Italiano terá panelaço, pisa da uva e show de Naiara Azevedo

Festival Italiano celebra a herança italiana de Nova Veneza, cujos imigrantes chegaram a Goiás por volta do ano de 1912

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Aliança entre Ronaldo Caiado e Romeu Zema pode criar alternativa a Flávio Bolsonaro contra Lula da Silva

Consta que quem ganha em Minas ganha no país. E o Estado sempre esteve no palco nacional, desde 1930 até a redemocratização em 1985, com Tancredo Neves

Pintura de Julio Pomar 0k45
Cair de pé: a mais rara das virtudes públicas

Muitos insistem em fórmulas que já não funcionam, como comediantes que repetem piadas que já não fazem rir. Tornam-se anacrônicos sem perceber

Salomão Sousa ok2 Foto Reprodução867
Salomão Sousa e a poesia de exaltação à vida cotidiana

Em “Selva Escura dos Cristais Perdidos”, sua nova obra, Salomão Sousa reúne poemas líricos que evocam o seu passado rural          

Padre Alfredo e a caçada das capivaras

Empolgado com uma caçada empreendida por amigos, o religioso misturou a mortante de capivaras com a liturgia e deu tudo errado

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Baile dos Intocáveis: dinheiro, poder, corrupção e decadência no labirinto do Banco Master de Daniel Vorcaro

O escândalo sugere que o poder continua operando nas áreas menos, nas quais negócios, política e influência se misturam até que não seja possível distinguir onde termina a legalidade e começa a proteção

D Fernando II rei de Portugal Reprodução
Você sabia que um dos mais esclarecidos reis de Portugal não era português?

No 1º ano em Portugal, D. Fernando II reagiu ao ver que o Mosteiro dos Jerônimos, na freguesia de Belém, começava a ser demolido, mandou parar imediatamente a demolição e começar cuidadosa restauração

Santo Agostinho 8885585858585
Agostinho: vaidade não é desvio banal ou risível, e sim inversão radical do amor

A soberba promete grandeza, mas frequentemente produz o contrário, um eu dependente da admiração alheia e da comparação constante

Antígona e Édipo foto ilustração
A resistência e a relevância histórica e literária das tragédias gregas e da mitologia

Nas tragédias gregas o destino do homem estava indissoluvelmente traçado pelos deuses e deusas antropomórficos, e essa era a concepção religiosa de então

Donald Trump com Flávio Bolsonaro 1300 por 867
Visita de Flávio Bolsonaro a Trump “encobre” o escândalo com Daniel Vorcaro e o retira da defensiva?

Uma imagem vale mais do que mil palavras? Às vezes, sim. A foto de Kim Phuc, a menina bombardeada com napalm no Vietnã, no início da década de 1970, deu uma ideia da barbárie que os Estados Unidos de Richard Nixon promoviam na Ásia.

Autor de “O Coração das Trevas”, o anglo-polonês Joseph Conrad sabia que, quando a dita civilização produz barbárie, o horror é ampliado. A retórica que tenta justificar o absurdo é inominável.

A batalha contra o comunismo “exigia” o massacre de crianças? O mundo avaliou que não. Por isso, ante o desconforto global, os Estados Unidos tiveram de se retirar do Vietnã com o rabinho entre as pernas. Derrotado.

O filósofo do humor Millôr Fernandes, quase um Henry Louis Mencken dos trópicos, contrapôs: aceitemos que uma foto vale mais do que mil palavras, agora diga isto sem palavras.

Mas há mesmo fotografias que dizem muito e, quando seguidas de palavras, podem dizer muito mais.

Na semana passada, depois de quase ter naufragado no Titanic de Daniel Vorcaro, do Banco Master — que financiou o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro —, Flávio Bolsonaro emergiu, não em Copacabana, e sim na Casa Branca, em Washington, ao lado do presidente Donald Trump, do partido Republicanos.

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Daniel Vorcaro: o fantasma do latin lover vai assustar Flávio Bolsonaro até quando? | Foto: Divulgação

Vista de maneira displicente, a fotografia mostra apenas um jovem composto, circunspecto e contente — ao lado de uma autoridade republicana mas quase monárquica.

Os sites de esquerda e militantes reds nas redes sociais procuraram apresentar Flávio Bolsonaro como “subserviente” a Trump. O senador seria “contra a soberania do Brasil”. Este é o eixo da crítica do PT.

Flávio Bolsonaro seria um “entreguista”. Como se sabe, a história não perdoa os entreguistas. Eles se tornam os demônios na história.

O que Flávio Bolsonaro quer “entregar”, exatamente, aos Estados Unidos de Trump? A soberania do Brasil. Por consequência, as terras raras (já exploradas por estrangeiros, como americanos).

O governo de Trump qualificou, como política de Estado, o PCC e o CV como organizações terroristas. De acordo com seus críticos, isto pode levar a uma interferência no Brasil. Mas pode, na prática, ser uma política mais voltada para os Estados Unidos e, sobretudo, para controlar as finanças de tais máfias tropicais.

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Donald Trump e Lula da Silva: o presidente brasileiro também cultiva o líder americano | Foto: Divulgação

As guerras das narrativas

Aliados de Flávio Bolsonaro o defenderam. Com alguma razão. Afinal, qual político brasileiro, ou de outro país, consegue posar ao lado do presidente americano, na Casa Branca? Poucos. Pouquíssimos.

Então, concretamente, a visita de Flávio Bolsonaro a Donald Trump mostra força política e prestígio. Não há como contestar isto. O que vai resultar, de positivo ou negativo, ainda não se sabe. É preciso verificar, em seguida, qual narrativa irá prevalecer: a da direita ou a da esquerda.

É débil politicamente quem busca o apoio do presidente dos Estados Unidos e o recebe? Não é.

A visita a Donald Trump pode “encobrir” a relação entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro? Encobrir, a rigor, não. Mas sugere que o pré-candidato a presidente do PL não está jogado às traças. Afinal, o político mais poderoso do mundo o recebe e, sobretudo, o apoia.

Ter o apoio de Donald Trump é ruim? Para a esquerda é. Porém, como explicar o fato de que o presidente brasileiro opera para, de alguma maneira, “agradar” o líder americano do norte?

No meio do caminho estão as terras raras, como as exploradas em Minaçu, em Goiás | Foto: Divulgação

Lula da Silva, maior raposa política do país, sabe que, apesar do avanço da China, o único país incontornável são mesmo os Estados Unidos. Por mais que não seja o maior importador de produtos do Brasil, o país de Abraham Lincoln e Franklin D. Roosevelt ainda é o que mais conta globalmente.

O Brasil precisa dos Estados Unidos, e muito. O país de Emily Dickinson e Marianne Moore é um comprador daquilo que o país latino-americano produz de melhor, sobretudo na área do Agro, e também é um grande exportador de “tecnologia” de alta qualidade (o iPhone do brasileiro não é diferente do iPhone do americano).

Por isso, tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula da Silva precisam cultivar Donald Trump — como, no passado recente, o petista-chefe lidou muito bem com o conservador George W. Bush (que preferia o político red a Fernando Henrique Cardoso). Não dá, insista-se, para contorná-lo.

Uma pessoa de esquerda, como os instalados nos sites e portais pró-governo do PT, pode escrever o que quiser sobre Donald Trump. Até as maiores barbaridades, exagerando o que, de fato, já é ruim.

O PCC e o CV não são mais facções — são máfias altamente organizadas e violentas | Foto: Reprodução

Mas Lula da Silva não pode fazer o mesmo. Porque, como presidente da República, representa os brasileiros, todos eles, e não apenas aqueles que são de esquerda. Não pode e não deve, em nome de uma ideologia, prejudicar a economia do país; portanto, o povo.

Ao ver Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump, todo serelepe — “estou ao lado meu paizão político” —, Lula da Silva sentiu uma invejinha verde? Talvez. Porque a jogada do pré-candidato do PL a presidente o colocou no ataque, por assim dizer, e não na defensiva.

Nas redes sociais e nos sites pró-Lula da Silva, a esquerda postula que, ao buscar o amparo de Donald Trump, Flávio Bolsonaro “atenta” contra a soberania brasileira. Em troca de proteção estaria “oferecendo” o Brasil.

Mas e se os brasileiros, a maioria deles, não entenderem assim?

Qualificar o PCC e o CV como organizações terroristas, decisão de Donald Trump apoiada por Flávio Bolsonaro, vai desagradar os filhos do país de Guimarães Rosa e Clarice Lispector? Mais provável que não. Agora, é hora de esperar qual narrativa vencerá.

Mas se Donald Trump persistir contra o PIX, e se Flávio Bolsonaro não fizer a defesa da criatividade do Banco Central, aí as coisas podem piorar para o postulante do PL. Os brasileiros se tornaram, quase todos, talvez todos, “pixmaníacos”.

Virginia Fonseca foto Instagram
Virginia Fonseca será entertainer e não repórter na cobertura da Copa do Mundo de Futebol para a Globo

Os 56 milhões de seguidores da influencer e empresárias empolgam qualquer um, inclusive a Globo. Não se pode mais separar, de maneira ampla, jornalismo e entretenimento

Os leitores Carlos de Assis e Paulo de Oliveira, que se apresentam como “pesquisadores” e “comentaristas amadores”, enviaram uma mensagem para a redação do Jornal Opção criticando a contratação da influencer-empresária Virginia Fonseca para “cobrir” a Copa do Mundo de Futebol de 2026. “É um absurdo. Ela não é jornalista.”

Assis e Oliveira enviaram, com sua crítica, uma reportagem do site Notícias da TV, do UOL. “Trata-se de um texto insensato, no limite da publicidade”, postulam.

Os leitores informam que Virginia Fonseca “era namorada, até poucos dias”, do craque Vini Júnior, do Real Madri e da Seleção Brasileira. “Terminaram, felizmente”, informam os críticos. Não entendi o que quiserem dizer com “felizmente”.

Ante a crítica feroz dos “comentaristas amadores”, eu, que nada tinha lido sobre o assunto — Virginia Fonseca não me interessa (fico com a Woolf) —, tomei a decisão de ler a matéria do Notícias da TV.

Contrariando os dois críticos, tenho de dizer que o material do Notícias da TV nada tem de insensato e ilógico.

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Virginia Fonseca e Vini Júnior, elegantes e belos: o amor acabou | Foto: Instagram

Jornalismo e entretenimento são, cada vez mais, irmãos siameses. É muito difícil separá-los e distinguir onde começa um e termina o outro. Claro, existe o jornalismo “sério”, puro jornalismo. Mas as grandes audiências advêm, muito mais, de reportagens que fazem trocas, às vezes positivas, entre jornalismo e entretenimento.

De cara, o Notícias da TV informa que Virginia Fonseca não fará coberturas jornalísticas para o “Jornal Nacional” e para o “Jornal da Globo”.

Virginia Fonseca vai produzir material para o “Domingão do Huck”. “A influenciadora foi escalada pela Globo para atuar como uma espécie de correspondente de entretenimento durante a Copa, produzindo conteúdos leves e descontruídos ligados ao evento”, esclarece o site.

Fenômeno do Instagram, com 56 milhões de seguidores, Virginia Fonseca “chega à Globo como um fenômeno de engajamento capaz de transformar bastidores e quaisquer momentos aleatórios em conteúdo viral”.

Noutras palavras, ao contratar Virginia Fonseca, a Globo está em busca de ampliar sua audiência, e não de melhorar a qualidade de seu jornalismo. Porque, sublinhe-se, a influencer foi contratada não como repórter — ao menos a repórter tradicional —, e sim com geradora de entretenimento. Será puramente entertainer.

“A própria Globo vê Virgínia como uma ferramenta importante para ampliar a repercussão digital em um cenário de forte concorrência pela atenção do público durante a Copa”, assinala Notícias da TV.

Uma jornalista poderia fazer o que Virginia Fonseca irá fazer? Até pode, mas possivelmente a contragosto. Mas uma jornalista “comum”, quer dizer, não tão famosa, não terá como atrair a atenção do público como fará a influencer.

Relevante também é saber que, ao contratar Virginia Fonseca, não se tem notícia de que a Globo desempregou ao menos um profissional. A influencer representa “acréscimo”, e não “corte”.

Espero que Assis e Oliveira não fiquem descontentes com minha modesta opinião.