Chegou a hora de o Ministério Público, Polícia Federal e Justiça verificarem pesquisas eleitorais em Goiás
18 julho 2026 às 21h00

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Os institutos de pesquisa acertam mais do que erram? Sim, acertam muito. Mas só os erros são mais ressaltados. Porque há uma desconfiança generalizada sobre manipulação, que às vezes é verdadeira, mas outras não são. A maioria é idônea.
As empresas de pesquisa que contam com estrutura adequada — incluídos estatísticos qualificados — e não andam matando cachorro a grito dificilmente manipulam pesquisas. Porém, aparentemente, há institutos que se submetem a partidos e políticos e aí apresentam mais “números” do que pesquisas efetivas. Ganham, em tese, para produzir resultados positivos — ainda que inexatos — aos seus pagantes.

Pesquisas sérias, como as do Paraná Pesquisas, Real Time Big Data e Quaest, apontam o governador Daniel Vilela — pré-candidato à reeleição pelo MDB — em primeiro lugar, descolado de Marconi Perillo, do PSDB, Wilder Morais, do PL, e Luis Cesar Bueno, do PT.
A luta de Marconi Perillo, daqui para frente, será para não perder o segundo lugar para Wilder Morais. Porque, se perder, vai se desidratar ainda mais, tornando-se carta fora do baralho do jogo político-eleitoral de 2026.
Tais pesquisas sugerem um quadro de estabilidade, sem nenhuma mudança. Indicam, inclusive, a possibilidade de Daniel Vilela ser eleito no primeiro turno. A palavra a reter é “possibilidade”. Não se está dando garantia de que o emedebista será eleito já na primeira etapa, e sim, ante os números — 44% numa das pesquisas —, que pode vencer.
A conexão entre o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela, que certamente será ainda mais enfatizada daqui pra frente, tende a ampliar a liderança do governador.
O fato de ser governador, sobretudo por ter dado continuidade às ações de Ronaldo Caiado, sobretudo na questão da segurança pública, também fortalece o jovem político. Os eleitores poderão concluir que se trata de um gestor, além de jovem — o que representa renovação —, eficiente. “Daniel não deixou a peteca cair”, costuma-se dizer entre populares.
Intervenção de pesquisa na política
Então, se há um quadro de estabilidade, com Daniel Vilela em primeiro, Marconi Perillo em segundo, Wilder Morais em terceiro e Luis Cesar Bueno em quarto — evidenciado pelos institutos de pesquisas mais categorizados —, por que, de repente, há institutos que apresentam números bem diferentes, aparentemente disparados e ilógicos?

O que se quer é, possivelmente, levar a disputa para o segundo turno, ou seja, tentar impedir a vitória de Daniel Vilela já no primeiro turno. Daí as pesquisas, ditas alopradas, encomendadas não para retratar o quadro real, e sim para interferir no jogo político.
Uma pesquisa que mostre Marconi Perillo em primeiro lugar está correta? É provável que nem mesmo o tucano, um político inteligente e sagaz, acredite nisto. Mas pode ajudar a conquistar ou manter aliados? É possível.
Dado o jogo político, é bem possível que algumas pesquisas estejam usadas não para apurar o quadro real das intenções de voto dos eleitores, e sim para ampliar a força eleitoral de alguns pré-candidatos, como Wilder e Marconi.
Uma pesquisa que exibe Wilder Morais na frente de Marconi Perillo, atrás apenas de Daniel Vilela, é verdadeira? Talvez seja mais para criar expectativa de poder, de algum poder.
Se o bolsonarismo reagir, hoje está na defensiva — com Flávio Bolsonaro derretendo —, há, claro, a possibilidade de Wilder Morais tomar o segundo lugar de Marconi Perillo? Sim, há. O que não significa que, de cara, vai se aproximar de Daniel Vilela.
Wilder Morais mantém a expectativa de atrelar sua candidatura à de Flávio Bolsonaro — que pode ser tanto um trunfo quanto um fracasso. O senador do PL pode derreter junto com o candidato a presidente da República pelo partido. Sua aposta unicamente na força do bolsonarismo pode se tornar a sua fragilidade.

Entretanto, insistindo, Wilder Morais conta pelo menos com o bolsonarismo. Mas não com todas as direitas (há a bolsonarista e há a não bolsonarista) em Goiás. Porque o principal representante da direita no Estado não é Wilder Morais nem os Bolsonaros, e sim Ronaldo Caiado, que é aliado de Daniel Vilela.
Marconi Perillo conta com algum trunfo? Não, tanto que estagnou na faixa entre 20% e 24%. Não cai, mas também não sobe. É provável que a rejeição seja o entrave básico. O fato de ter sido governador quatro vezes, no lugar de ajudar, parece que está prejudicando-o. Porque não representa a renovação, a mudança, a real alternância de poder.
A luta de Marconi Perillo, daqui para frente, será para não perder o segundo lugar para Wilder Morais. Porque, se perder, vai se desidratar ainda mais, tornando-se carta fora do baralho do jogo político-eleitoral de 2026.
Então, as pesquisas que mostram Marconi Perillo bem — até “acima” de Daniel Vilela — resultam de que precisa de um fato “novo” para não ser descartado pelos eleitores e, até, pelos aliados.
Já a pesquisa que mostra Wilder Morais no segundo lugar visa, possivelmente, criar a expectativa de que poderá passar Marconi Perillo e enfrentar Daniel Vilela.

Dado o jogo político, é bem possível que pesquisas estejam usadas não para apurar o quadro real das intenções de voto dos eleitores, e sim para ampliar a força eleitoral de alguns pré-candidatos.
Talvez tenha chegado a hora de o Ministério Público Eleitoral, a Polícia Federal e Tribunal Regional Eleitoral começarem a verificar determinados resultados das pesquisas de intenção de voto. Instada por procuradores e juízes eleitorais, a PF pode convocar os donos de determinados institutos para explicarem como chegaram a certos resultados, contrariando todos os demais.
Não se trata de sugerir, em nenhuma hipótese, uma caça às bruxas aos donos dos institutos com números estranhos à realidade dos eleitores. O objetivo é esclarecer como chegaram a determinados números e onde (e se) pesquisaram etc. Os estatísticos dos institutos poderiam ser convocados para, junto com os donos das empresas, explicarem como Wilder Morais “superou” Marconi Perillo e como o tucano “superou” Daniel Vilela.
O resultado da investigação será saudável para todos os institutos e, claro, para os políticos e eleitores.
Wilder “vai” atacar Marconi e vice-versa
No caso de segundo turno, Marconi Perillo e Wilder Morais poderão se unir para enfrentar Daniel Vilela? É possível. Mas uma “união”, desde já, é prejudicial para os dois lados.

O mais provável é que, a partir de agora, Marconi Perillo e Wilder Morais tenham de se criticar, de maneira acerba, para manter ou conquistar posições.
Wilder Morais figura em terceiro lugar e, para tomar o lugar de Marconi Perillo, o segundo colocado, não poderá tratá-lo com luvas de pelica. Terá de criticá-lo — até atacá-lo. Se não o fizer, certamente não subirá.
Mais hábil politicamente, Marconi Perillo deu uma estocada, quase sutil, em Wilder Morais ao informar que vai se alinhar com o pré-candidato do PL a presidente da República, Flávio Bolsonaro.
Noutras palavras, Marconi Perillo opera para conquistar parte do eleitorado do bolsonarismo em Goiás. Por isso tem procurado se afastar, cada vez mais, do PT de Adriana Accorsi, Delúbio Soares, Rubens Otoni e Luis Cesar Bueno.
Político lento, que está à espera da onda bolsonarista, Wilder Morais não acusou o “golpe” de imediato. Mas, na sequência, apareceu uma pesquisa apontando-o como segundo colocado. Trata-se de uma resposta indireta a Marconi Perillo? É provável.
Mas, se quiser — e é claro que quer — mesmo tomar a posição de Marconi Perillo, o senador Wilder Morais terá de começar a criticá-lo. Por enquanto, suas referências críticas ao tucano são tão leves que não o incomodam em nada.
Para enfraquecer Marconi Perillo, para superá-lo, Wilder Morais terá de adotar um discurso mais agressivo — mais bolsonarista, digamos. Por enquanto, comporta-se como um peso-pena na frente de um meio-pesado.
Já Marconi Perillo, para não perder o segundo posto, terá de criticá-lo com mais aspereza.
O fato é que tanto o marketing de Marconi Perillo quanto o de Wilder Morais têm de pensar, não no segundo, e sim no primeiro turno. Na primeira etapa, a guerra é entre eles. Então, se concentrarem fogo em Daniel Vilela, poderão perder terreno para o emedebista (que, insistindo, poderá ganhar no primeiro turno).
Neste momento, o inimigo de Marconi é Wilder e o inimigo de Morais é Perillo. Não há escapatória. Em nome da civilidade, no lugar da palavra inimigo, é mais adequado colocar adversário.
Manipular pesquisas não ajudará nem Marconi Perillo nem Wilder Morais a se aproximarem de Daniel Vilela. Pelo contrário, poderão ficar ainda mais (para) atrás.
Não se está dizendo que Marconi Perillo e Wilder Morais estão manipulando pesquisas. O que se está sublinhando é que há pesquisas manipuladas no mercado que “beneficiam” os dois.
Leia também: Se Flávio Bolsonaro derreter, Ronaldo Caiado pode herdar o espólio eleitoral bolsonarista



