Entenda por que tantos políticos querem ser vice de Daniel Vilela
04 julho 2026 às 21h00

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Há uma novela na praça, e não é da TV Globo. Trata-se da escolha do vice do governador Daniel Vilela — pré-candidato à reeleição pelo MDB.
Há uma lista imensa de vice para o jovem governador. Oito estão dispostos a seguir, em ordem alfabética, mas certamente há outros pretendentes: Adriano da Rocha Lima (PSD), Bruno Peixoto (União Brasil), Fátima Gavioli (PSD), José Mário Schreiner (PSD), Luiz Carlos do Carmo (PSD), Paulo do Vale (PSD), Pedro Salles (PSD) e Vilmar Rocha (PSD). A expectativa de poder está com Daniel Vilela e isto atrai uma multidão de aliados.
Diz-se, no mercado persa da política, que os favoritos para vice são, nesta ordem, Adriano da Rocha Lima, José Mário Schreiner e Luiz Carlos do Carmo.
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Adriano da Rocha Lima/PSD
Adriano da Rocha Lima é o nome preferido do ex-governador Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente da República pelo PSD. Porque tem perfil de estadista e daria continuidade as ideias modernizadoras tanto de Ronaldo Caiado quanto de Daniel Vilela no campo administrativo, político e, inclusive, moral.

Há outra vantagem: Adriano da Rocha Lima não tem arestas políticas. Seus rivais dizem: “Adriano não tem voto. Porque nunca disputou nada.” Fica a ressalva de que tem um general eleitoral ao seu lado: Ronaldo Caiado. Na escolha de vice, é o eleitor número um.
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Luiz Carlos do Carmo/PSD
O empresário e ex-senador Luiz Carlos do Carmo pertence ao segmento evangélico. O bispo Oídes José do Carmo, da Igreja Assembleia de Deus, é umas vozes religiosas mais respeitadas de Goiás.

Luiz Carlos do Carmo e Oídes José do Carmo, irmãos, mantêm relações pessoais e políticas cordiais com Daniel Vilela e com Ronaldo Caiado.
A família Carmo representa uma força política considerável no segmento evangélico. E há Eurípedes José do Carmo, prefeito de Bela Vista, e o deputado estadual Henrique César, genro de Oídes José do Carmo.
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José Mário Schreiner/PSD
Presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner representa o agro, ou parte dele (porque a que se alinha com o ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale não o apoia, ao menos neste momento). Foi deputado federal e mantém ligação estreita com Daniel Vilela e Ronaldo Caiado.
Vale o registro que parte substantiva do empresariado urbano também apoia José Mário Schreiner para vice. Daí a manifestação de apoio da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás. A Adial é representativa e, portanto, respeitável.

Comenta-se, nos bastidores: se não for escolhido vice, José Mário Schreiner pode bandear-se para o lado do senador Wilder Morais, pré-candidato a governador pelo PL, ou do tucano Marconi Perillo, pré-candidato a governador pelo PSDB.
A bem da verdade, José Mário Schreiner nunca disse nada a respeito. Ele é conhecido por sua lealdade política. Depois, como poderia mudar de lado, digamos em agosto, se passou todo o ano de 2025 e parte substantiva de 2026 circulando com Daniel Vilela e Ronaldo Caiado pelo Estado? Não pegaria bem.
Como não tem como mudar de partido, José Mário Schreiner não pode ser candidato a vice de outro candidato, exceto daquele que será apoiado pelo PSD de Ronaldo Caiado e o MDB de Daniel Vilela. Aliás, pode até mudar de partido, mas não para disputar mandato este ano.
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Vilmar Rocha/PSD
Vilmar Rocha, cotado para disputar mandato de deputado federal — na verdade, gostaria de ser candidato a senador (tem o perfil do italiano Norberto Bobbio) —, pode ser uma alternativa. Porque, assim como Adriano da Rocha Lima, não tem arestas e tem prestígio na sociedade e no meio político.

O ex-parlamentar é, dos políticos, um dos poucos que sobrevivem sem mandato. Tanto que é uma espécie de conselheiro de vários políticos goianos.
Se Vilmar Rocha for candidato a vice de Daniel Vilela, daqui a três meses, como ficarão seus amigos e aliados de Goianésia? Está se falando de Jalles Fontoura e Otavinho Lage, filiados ao PSDB. Os dois terão dificuldade de participar da chapa de Marconi Perillo.
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Bruno Peixoto/União Brasil
Bruno Peixoto é pré-candidato a deputado federal. Há quem postule, no MDB, que, se figurar como vice, Daniel Vilela poderá ganhar no primeiro turno.
Porém, há os que contrapõem que o grande “eleitor” do emedebista é Ronaldo Caiado. Será ele, apostam, o principal avalista de uma provável vitória no primeiro turno.

Qual é o problema, se é problema, de Bruno Peixoto? Daniel Vilela, se for reeleito, possivelmente disputará mandato de senador em 2030. Assim, seu vice assumiria o governo do Estado. O que se diz, notadamente nos bastidores, é que, se indicado como vice, o presidente da Assembleia Legislativa não abrirá mão de disputar o governo em 2030.
Ronaldo Caiado nunca falou do assunto, mas comenta-se que, se não for eleito presidente da República, poderá disputar o governo do Estado em 2030. O candidato poderá ser ele ou Gracinha Caiado.
Luiz Carlos do Carmo, Adriano da Rocha Lima e José Mário Schreiner abririam espaço para Ronaldo Caiado, na sucessão de Daniel Vilela? É provável. Bruno Peixoto é uma incógnita.
Mas muitos querem ser vice de Daniel Vilela porque poderão disputar o governo em 2030? Sim, isto é importante. Mas há outras questões. Porque, como vice ou como governador, se assumir por nove meses, o político ficará na história de Goiás. Como governador do Estado. Terá espaço para disputar outros cargos — o de governador, o de senador, o de deputado federal ou o de prefeito de Goiânia.

Uma vitória de Daniel Vilela abre, por assim dizer, um novo “ciclo” na política de Goiás. Porque, sendo reeleito, não poderá disputar em 2030.
Porém, se Ronaldo Caiado for candidato a governador — e é um direito dele, sobretudo por ter feito duas gestões eficientes, entre 2019 e 2026 —, o “ciclo” não abre (ou não reabre). Se mantém.
Porém, se o vice de Daniel Vilela for Adriano da Rocha Lima, de 54 anos, e se ele disputar a reeleição, bancado por Ronaldo Caiado e pelo emedebista, o ciclo da aliança MDB, União Brasil e PSD será o mesmo? Aparentemente, sim. Mas, dada sua formação mais técnica, abre-se o ciclo, ainda que o mesmo, para uma visão diferente da política — no estilo de Mauro Borges, na década de 1960. Poderá ser uma renovação do ciclo dentro do ciclo.

O fato é que a política em Goiás, no caso de reeleição de Daniel Vilela (se eleitos, Wilder Morais e Marconi Perillo vão inaugurar um novo ciclo, impeditivo da renovação), passará por uma fase de abertura, com políticos mais jovens buscando espaços mais amplos.
Vale o registro de uma lista mínima, em ordem alfabética, de possíveis renovadores: Aava Santiago (PSB), Adriana Accorsi (PT), Adriano da Rocha Lima (PSD), Amilton Filho (MDB), Ana Paula Rezende (PL), Bruno Peixoto (União Brasil), Diego Sorgatto (União Brasil), Fabrício Rosa (PT), Fernando Pellozo (União Brasil), Flávia Morais (MDB), Henrique César (Podemos), Issy Quinan (MDB), José Délio (União Brasil), Leandro Vilela (MDB), Lucas do Vale (PSD), Márcio Corrêa (PL), Marden Júnior (União Brasil), Paulo Vitor (União Brasil), Pedro Sales (PSD), Silvye Alves (União Brasil), Vanuza Valadares (União Brasil), entre outros.
Por fim, vale apresentar outro matiz da questão do vice. O vice de Daniel Vilela, e de qualquer outro candidato, deve representar a sociedade, e não apenas segmentos. Ao mesmo tempo, os políticos precisam explicar por que querem tanto ser vice, apresentando um ideário mínimo, desde já, aos eleitores. O “cartel” não pode apenas ser “do agro” ou ser “do mundo evangélico”. É preciso ter espírito de estadista.
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Marconi Perillo/PSDB
Há uma crise político-eleitoral nas oposições. Leia-se no PSDB, no PL e no PT.
Pré-candidato a governador pelo PSDB, Marconi Perillo até agora não conseguiu definir sua chapa majoritária. É candidato “único”. Noutras palavras, é general num exército de um único general. Está só, isolado — cercado de poucos recrutas. Se alguém “xinga” o governo, mesmo sem avaliar seu currículo e, às vezes, ficha policial, o tucano busca absorvê-lo.

Iure Castro, do Cidadania, por força da federação com o PSDB, deve ser candidato a senador na chapa de Marconi Perillo. Ele renunciou e, agora, voltou a ser pré-candidato.
O ex-procurador-geral de justiça de Goiás Benedito Torres não parece animado a disputar mandato de senador. Mas o tucanato menciona seu nome com frequência, notadamente nos bastidores.
Por que a dificuldade de montar a chapa majoritária? Falta de expectativa de poder. Marconi Perillo aparece com cerca de 20% (às vezes, um pouco mais) das intenções de voto — o que é pouco para quem foi governador de Goiás quatro vezes — e sua rejeição permanece alta.
Quem será o vice de Marconi Perillo? Pelo visto, ninguém quer. Fala-se em Flávia Teles, Otavinho Lage, Jalles Fontoura, Helio de Sousa e, até, Professor Alcides Ribeiro. Comenta-se que o vice sairá de Goianésia.
Tucanos dizem que Marconi Perillo prefere na vice Otavinho Lage, que resiste. Por isso, a tendência é que o vice seja Jalles Fontoura. Helio de Sousa prefere disputar mandato de deputado estadual (mas há uma operação para retirá-lo da disputa para não prejudicar o parlamentar José Machado), mas dificilmente deixará de atender uma intimação de Otavinho Lage e Jalles Fontoura — seus padrinhos políticos e amigos de longa data.
2
Wilder Morais/PL
O meio político sugere que Wilder Morais é “preguiçoso” e que articula pouco. Mas um empresário que reuniu o patrimônio que tem, com construtora, shoppings e imóveis, pode ser tachado de preguiçoso? Dificilmente. Mas procede que, politicamente, articula pouco. Talvez não dê tanta importância a isto.
Wilder Morais confia na onda bolsonarista. Seus aliados postulam que, entre julho e agosto, o senador deverá ultrapassar Marconi Perillo. Eles apostam que se terá um segundo turno entre Daniel Vilela e Wilder Morais.

Wilder Morais conseguiu uma vice, Ana Paula Rezende, que ainda não tem peso político próprio. Sua história é do “outro”. Por isso, é conhecida como “a filha de”. Iris Rezende é muito, mas a filha, não tendo disputado nem mesmo cargo de síndica, é pouco.
Dona da Construtora FGR, ao lado do marido Frederico Peixoto, Ana Paula Rezende é uma empresária atilada e, mesmo politicamente, nada tem de ingênua. Ela sabe que Wilder Morais tem escassa chance de ser eleito governador.
Como nada tem de ingênua, Ana Paula Rezende está usando Wilder Morais como trampolim para se colocar na política. Pois seu verdadeiro plano é disputar a Prefeitura de Goiânia em 2028 contra o prefeito Sandro Mabel e, quem sabe, Bruno Peixoto (com Romário Policarpo na vice).
Ao não apoiar a reeleição de Daniel Vilela, Ana Paula Rezende armou-se de um discurso “crítico”, falando em falta de espaço — o que nunca lhe faltou (nem ao pai) no MDB. Mas a imprensa não percebeu o “fato real”. Se apoiasse Daniel Vilela agora teria de apoiar a reeleição de Sandro Mabel em 2028. É o busílis da questão. Seu alvo, portanto, é mais o prefeito de Goiânia do que o governador de Goiás.
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Luis Cesar Bueno/PT

O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno é articulado e competente. Mas não é o candidato dos sonhos do PT nacional, e nem mesmo do PT local. É o postulante possível (“não tem tu vai tu mesmo”). Porque Adriana Accorsi não quis disputar. Porque Marconi Perillo não quis aliança com o petismo. Porque Aava Santiago optou pela disputa de mandato de deputada federal.
Há quem aposte que Luis Cesar não chegará a 10% das intenções de voto. Não é o que ele pensa. Acredita que o presidente Lula da Silva o puxará para cima.
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