Próximo presidente deve ser aquele que o eleitor perceber que se preocupa mesmo com gente
13 junho 2026 às 21h00

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Dadas as pesquisas, notadamente as do instituto Quaest, está na ordem do dia discutir que os eleitores ditos independentes podem definir a eleição para presidente deste ano.
De acordo com o Quaest, os independentes representam 32% do eleitorado. Por isso, de fato, eles podem decidir a eleição.
O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, num artigo publicado em “O Globo”, com o título de “O eleitor que tapa o nariz”, afirma que os eleitores desconfiados, os independentes, estão, no momento, se “movendo”. De alguma maneira, pendulando. Dado seu senso de observação rigorosa dos fatos.
Trata-se, afirma Renato Meirelles, de desconfiança, não de ódio. “Essa é a chave que a leitura apressada erra. O independente rejeita os dois: não votaria em Lula (59%) nem em Flávio (64%). Ele não passou a gostar de Lula. Passou a desconfiar um pouco mais de Flávio. O ódio é fixo, move militante. Desconfiança faz e desfaz. É o que torna esse voto frágil, e o motivo pelo qual ninguém deveria comemorar nada por enquanto.”

Renato Meirelles nota que “o que mexeu foram duas bandeiras que pareciam patrimônio do bolsonarismo: a luta contra a corrupção e a defesa do Brasil”.
Depois do “presente” (de Daniel Vorcaro, do Banco Master) de 61 milhões de reais para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro passou a integrar, segundo parte substancial dos eleitores independentes, a seleção da corrupção brasileira. “A suspeita passou a usar camisa verde-amarela”, anota Renato Meirelles.
O presidente Lula da Silva ganha, de lavada, ao integrar a seleção dos que defendem os interesses do Brasil contra as pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Flávio Bolsonaro deixou a impressão de que defende os interesses da seleção americana do norte, e não a do país sul-americano. Não estaria jogando nem no time do Pix.
Segundo a Quaest, Lula da Silva é “quem defende melhor os interesses do Brasil”. No quesito, o petista-chefe tem 41%, quase nas oitavas, e Flávio Bolsonaro, na repescagem, aparece com 25%.
Então, Renato Meirelles conclui, com sabedoria (mas sem esticar a análise, o que o Jornal Opção fará adiante): “Em 2026, o eleitor que decide não vestiu a camisa de ninguém. Ele apenas tirou a bola dos pés de Flávio no meio do campo. E quem entende de futebol sabe: roubar a bola não é fazer gol. O jogo segue a aberto, e essa bola ainda pode mudar de pé antes de outubro”.
Flávio sangrando e a terceira via
De fato, a pesquisa Quaest sinaliza que 36% dos entrevistados poderão mudar de candidato até outubro. Por isso, é equivocado avaliar que Lula da Silva está praticamente eleito. Também não é acertado sugerir que um postulante da terceira via, como Ronaldo Caiado, do PSD, ou Romeu Zema, do Novo, não tem chance alguma de ir para o segundo turno.
A política do PT, se se pode dizer assim, é levar Flávio Bolsonaro “sangrando” — ou “derretendo” — até 4 de outubro. Porque o petismo avalia que se trata do “melhor” candidato para perder. É provável que se fará um esforço concentrado para apresentar novas denúncias contra o postulante do PL, nos próximos três meses.

Se Flávio Bolsonaro “derreter”, em consequência de novas denúncias, há a possibilidade de outro candidato da direita, como Ronaldo Caiado — que tem discurso e fez entregas positivas como governador de Goiás —, substitui-lo na polarização.
Claro, não é o quadro atual. O mais provável é que Flávio Bolsonaro seja exatamente o candidato que Lula da Silva quer enfrentar. Disputar com Ronaldo Caiado — ou Romeu Zema —, num quatro polarizado, pode ser não ser positivo para o petista.
A análise geral da imprensa é que o quadro está aberto, mas apenas para Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Talvez esteja aberto também para Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Vai depender, obviamente, do “derretimento” de Flávio Bolsonaro.
Mas vale insistir: o petismo quer o “derretimento” de Flávio Bolsonaro até certo ponto. O que se quer é ganhar no primeiro turno ou então ir muito bem para o segundo turno, com o candidato do PL ainda “sangrando”, num quadro grave de hemorragia eleitoral.
Lula da Silva, insista-se, quer enfrentar Flávio Bolsonaro. Não um candidato, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que têm experiência administrativa, por isso tendo o que mostrar num confronto contra o petista. Não são uma página em branco, em termos de gestão — ao contrário do postulante escolhido pelo PL.

Mulheres podem decidir o pleito
Mais do que os eleitores independentes, as mulheres — 52% do eleitorado — podem decidir a eleição de 2026. A Quaest mostra que, no eleitorado feminino, Lula da Silva tem 41% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece com 24%. São 17 pontos de diferença.
Entre os jovens, Lula da Silva tem 36% e Flávio Bolsonaro aparece com 30%. Como se trata do eleitorado considerado mais volátil, tanto o candidato do PL quanto o do PT certamente vão apresentar propostas para atendê-lo. O quadro aí é de quase empate técnico, com ligeira vantagem, que pode ser momentânea, para o petista.
Vale o registro de que, entre 16 e 34 anos, estão 51.077.225 eleitores — 32,76% do eleitorado.
Entre os idosos (eleitores com mais de 60 anos), Lula da Silva supera Flávio Bolsonaro por larga margem — 12 pontos. O petista tem 41% e o bolsonarista aparece com 29%.
A pergunta é: por que Lula da Silva supera Flávio Bolsonaro entre as mulheres, jovens e idosos?
Fala-se que segurança pode decidir a eleição de 2026. Pode ser mesmo. Porque, dadas a força e a violência do crime organizado, com PCC e CV na comissão de frente, as pessoas estão preocupadas com a questão.

Nota-se em Goiânia duas questões que precisam ser investigadas por pesquisadores. Há várias mulheres dirigindo Uber à noite. Elas explicam que isto se deve à política severa de segurança do governo de Daniel Vilela (MDB), o sucessor de Ronaldo Caiado. O setor de segurança continua ativo — é o que dizem.
Há vários cariocas dirigindo Uber na capital de Goiás. Todos dizem a mesma coisa: mudaram para Goiânia por causa da repercussão dos índices de segurança do Estado. Eles dizem que ainda ficam “assustados” quando veem mulheres usando celular nas ruas à noite.
Um sommelier do restaurante Cucina Mia disse a um repórter do Jornal Opção que se apaixonou à primeira vista por Goiânia. Por causa da beleza da cidade? Não. Por causa da segurança.
Conexão com pobres pode ser crucial
Mas há um aspecto pouco discutido. É bem possível que o próximo presidente seja aquele que se preocupa com gente. Isto mesmo: com gente.
Para além dos números, há gente — indivíduos, cidadãos — que às vezes come e às vezes não come. Lazer? Impossível.
Há colunistas de jornais, revistas e sites que criticam o programa Desenrola, que renegocia dívidas de milhares de brasileiros. Mas o fato é que os eleitores — os independentes, por exemplo — parecem aprová-lo.
Há os que, no campo liberal, estão sempre a sugerir que, no lugar de dar o peixe, deve-se ensinar a pescar. Isto quando a referência tem a ver com os pobres, aqueles que recebem o Bolsa Família. Não há uma palavra crítica àqueles que recebem milhões (até bilhões) de empréstimos nos bancos oficiais e muitas vezes não reembolsam o governo federal.
Lula da Silva e Ronaldo Caiado, para mencionar dois políticos, criaram uma ampla rede de proteção social. Porque sabem que é preciso resolver reais, não teóricos, típicos de cátedras de sociológica e debates em associações empresariais. Por isso, o segundo é altamente apoiado em Goiás e o primeiro aparece à frente nas pesquisas de intenção de votos no país.
Os recursos dos programas sociais brasileiros são em geral repassados às mulheres. Porque elas, ao contrário de alguns ou muitos homens, são mais preocupadas com a sobrevivência da família.
Então, as mulheres pobres sabem (e aprovam), para além do que acredita o sociólogo Jessé de Souza — que vive falando em pobre de direita —, o que o governo de Lula da Silva está fazendo no social. Assim como sabem o que o governador Daniel Vilela — e, antes, Ronaldo Caiado — faz no campo social. Por sinal, Daniel Vilela também lidera as pesquisas de intenção de voto em Goiás, com relativa folga.
Fala-se que os eleitores independentes podem decidir. De fato, podem. Mas os pobres — mulheres, jovens e idosos — podem ser os elementos decisivos na eleição de 2026. Mais do que os eleitores independentes.
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