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Os 56 milhões de seguidores da influencer e empresárias empolgam qualquer um, inclusive a Globo. Não se pode mais separar, de maneira ampla, jornalismo e entretenimento
Os leitores Carlos de Assis e Paulo de Oliveira, que se apresentam como “pesquisadores” e “comentaristas amadores”, enviaram uma mensagem para a redação do Jornal Opção criticando a contratação da influencer-empresária Virginia Fonseca para “cobrir” a Copa do Mundo de Futebol de 2026. “É um absurdo. Ela não é jornalista.”
Assis e Oliveira enviaram, com sua crítica, uma reportagem do site Notícias da TV, do UOL. “Trata-se de um texto insensato, no limite da publicidade”, postulam.
Os leitores informam que Virginia Fonseca “era namorada, até poucos dias”, do craque Vini Júnior, do Real Madri e da Seleção Brasileira. “Terminaram, felizmente”, informam os críticos. Não entendi o que quiserem dizer com “felizmente”.
Ante a crítica feroz dos “comentaristas amadores”, eu, que nada tinha lido sobre o assunto — Virginia Fonseca não me interessa (fico com a Woolf) —, tomei a decisão de ler a matéria do Notícias da TV.
Contrariando os dois críticos, tenho de dizer que o material do Notícias da TV nada tem de insensato e ilógico.

Jornalismo e entretenimento são, cada vez mais, irmãos siameses. É muito difícil separá-los e distinguir onde começa um e termina o outro. Claro, existe o jornalismo “sério”, puro jornalismo. Mas as grandes audiências advêm, muito mais, de reportagens que fazem trocas, às vezes positivas, entre jornalismo e entretenimento.
De cara, o Notícias da TV informa que Virginia Fonseca não fará coberturas jornalísticas para o “Jornal Nacional” e para o “Jornal da Globo”.
Virginia Fonseca vai produzir material para o “Domingão do Huck”. “A influenciadora foi escalada pela Globo para atuar como uma espécie de correspondente de entretenimento durante a Copa, produzindo conteúdos leves e descontruídos ligados ao evento”, esclarece o site.
Fenômeno do Instagram, com 56 milhões de seguidores, Virginia Fonseca “chega à Globo como um fenômeno de engajamento capaz de transformar bastidores e quaisquer momentos aleatórios em conteúdo viral”.
Noutras palavras, ao contratar Virginia Fonseca, a Globo está em busca de ampliar sua audiência, e não de melhorar a qualidade de seu jornalismo. Porque, sublinhe-se, a influencer foi contratada não como repórter — ao menos a repórter tradicional —, e sim com geradora de entretenimento. Será puramente entertainer.
“A própria Globo vê Virgínia como uma ferramenta importante para ampliar a repercussão digital em um cenário de forte concorrência pela atenção do público durante a Copa”, assinala Notícias da TV.
Uma jornalista poderia fazer o que Virginia Fonseca irá fazer? Até pode, mas possivelmente a contragosto. Mas uma jornalista “comum”, quer dizer, não tão famosa, não terá como atrair a atenção do público como fará a influencer.
Relevante também é saber que, ao contratar Virginia Fonseca, não se tem notícia de que a Globo desempregou ao menos um profissional. A influencer representa “acréscimo”, e não “corte”.
Espero que Assis e Oliveira não fiquem descontentes com minha modesta opinião.
"O discurso nada mais é do que a reverberação de uma verdade nascendo diante de seus próprios olhos" — Foucault
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