A Receita Federal (RF) vai exigir que profissionais autônomos adotem o chamado CNPJ técnico a partir de janeiro de 2027. Ao Jornal Opção, a advogada Luciana Nini Manente detalhou, neste sábado, 18, como funcionará a mudança e quais impactos ela trará para quem atua de forma independente. 

“A diferença do CNPJ técnico que tem que ficar bem claro é o seguinte: ela é voltada apenas para os profissionais autônomos que hoje prestam serviços sozinhos, que é aquele advogado sozinho, o médico, um psicólogo, um arquiteto. É aquela pessoa que realmente presta o serviço e acaba recebendo aquele RPA, Recibo de Pagamento Autônomo”, explicou. 

Ela apontou que os autônomos continuarão sendo pessoas físicas, mas terão de se inscrever em um CNPJ técnico alfanumérico para emitir nota fiscal eletrônica como parte da formalização exigida pela reforma tributária.  

“Com o advento dessa Reforma Tributária, que vai ser implementada a partir de janeiro de 2027, e que na verdade esse ano de 2026 já está sendo um ano de teste, existe uma exigência da Receita Federal para que esses autônomos comecem a participar ativamente de um modelo mais formal. Eles vão continuar sendo pessoas físicas, mas existe essa exigência de se inscreverem nesse CNPJ técnico, que vai ser alfanumérico para emitir nota fiscal eletrônica”, disse. 

A advogada Luciana Nini Manente | Foto: Acervo Pessoal

A advogada explicou que com a nota fiscal eletrônica fica tudo muito integralizado. “É uma forma de ter um maior controle, fiscalizar. Mas não deixa de ser apenas uma inscrição formal, procedimental. Esse autônomo não vai virar uma Pessoa Jurídica em razão dessa necessidade”, apontou. 

A especialista esclareceu que haverá um corte de faturamento. “Aqueles autônomos que recebem menos de R$ 40.500 no ano, pouco mais de R$ 3.300 por mês, continuam utilizando o Recibo de Pagamento Autônomo. Eles são denominados nanoempreendedores. Só para aqueles que faturarem mais de R$ 40.500 ao ano é que existe a exigência de emitir nota fiscal eletrônica, que precisa do CNPJ técnico”, apontou. 

Fase de transição e mudança na tributação

Sobre a fase de transição, ela afirmou que, nesse primeiro momento, a Receita fez esse corte de teto. “Se eles sabem que já superam esse teto de R$ 40.500, têm que ficar atentos para, a partir de janeiro, seguir as orientações da Receita Federal e fazer a inscrição online. Se está abaixo desse nível, não precisa fazer nada”, disse. 

A advogada também explicou que haverá mudanças na tributação. “Vai ser instituída, a partir de janeiro de 2027, a CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, que veio substituir a Cofins e o PIS. Antes, esse autônomo não era sujeito a esse recolhimento. Com o CNPJ técnico, ele acaba sendo contribuinte da CBS, cuja alíquota ainda não está determinada”, alertou. 

Ao ser questionada se os softwares vão ter que ser adaptados, Luciana disse que, por enquanto, a emissão nota fiscal tem sido tranquila. “Parece que não precisa haver nada muito diferente. Já é possível gerar com o novo padrão sem maiores preocupações”, disse. 

Ela garantiu que empresas já constituídas não serão afetadas. “Para quem já é empresa, microempreendedor ou pequena empresa, até o MEI, nada disso muda. O que realmente estão visando é uma formalização maior dos autônomos”, afirmou. 

Luciana também explicou a relação com outros tributos. “Atualmente, no ano de 2026, o autônomo não é contribuinte de PIS e Cofins. Mas, a partir de 2027, quando tiver o CNPJ técnico, vai ser contribuinte da CBS, porque pratica operações onerosas. Isso realmente é uma mudança. Ele vai ter um aumento da carga tributária”, explicou. 

Sobre gastos de adaptação, ela afirmou que isso varia muito do ramo de atividade. “Inclusive, vai ter autônomo que vai preferir pensar, fazer as contas e verificar se não é melhor já abrir uma pessoa jurídica e entrar no Simples Nacional”, disse. 

Luciana avaliou os impactos práticos. “Olhando pelo lado positivo, por exemplo, os psicólogos que prestam serviço para pessoa física, tudo bem. Mas se de repente a empresa quer contratar um psicólogo para dar atendimento para os empregados, isso vai facilitar muito, porque ele vai estar formalizado com um CNPJ técnico. Para as empresas, isso facilita porque podem tomar crédito. Às vezes, é uma oportunidade desses profissionais ampliarem seus horizontes, terem um faturamento maior e crescer”, finalizou. 

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