A arrogância dos que se dizem letrados e desprezam os mais humildes
18 julho 2026 às 17h36

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O que leva uma pessoa a ter poder? Para muitos, o dinheiro é quem rege essa métrica, que mostra a extrema distância entre quem é servido e quem fica em situação de subserviência. A partir disso, um show de horrores pode acontecer, inclusive por parte de quem se acha melhor do que o outro pelo simples fato de ter dinheiro.
Nas últimas semanas, vimos situações que chamam a atenção: um influenciador utilizou as redes sociais para disseminar o seu ódio contra os pobres e as pessoas em situação de vulnerabilidade. Nas publicações, o homem aparece defendendo que essas pessoas não deveriam ter direito ao voto. A cada vídeo, um show de insensibilidade e de pura ignorância, vindo de quem deve ter tido acesso facilitado às escolas.
As falas de Leonardo Marcondes endossam um ódio gratuito às pessoas que saem antes do sol nascer para trabalhar e retornam aos seus lares no momento em que o ponteiro do relógio já avisa que vai começar a contagem de um novo dia. É assim a vida de milhares de brasileiros, que, com o suor e a sua dignidade, levam comida à mesa de suas famílias. Que, para complementar a renda, fazem bicos ou são assistidos por benefícios assistenciais, sejam eles de esfera municipal, estadual ou federal.
Agora, a crueldade do ser humano é tamanha que leva a aversão à pobreza para o campo político. Para defender os seus ideais, querem associar a ideia de que pessoas pobres carecem de intelectualidade para “votar bem”. Mas o que é votar bem para cada um de nós? Se os poderosos têm o objetivo de aumentar o seu patrimônio, os pobres não podem ter o direito de sonhar com alternativas melhores para as suas famílias? O sonho de cada indivíduo não é melhor ou pior do que o de ninguém. Consequentemente, o voto de cada um também segue a mesma lógica.
Outra figura política também utilizou termos preconceituosos para destilar o seu desfavoritismo em relação a uma sigla política. Celina Leão afirmou, em uma reportagem, que lugares mais pobres não sabem votar e associou isso à falta de educação. Uma violência sem tamanho nas palavras. Como uma chefe do Executivo profere tais palavras? Ainda mais sendo do DF, onde há tantas pessoas letradas de caráter duvidoso.
Infelizmente, odiar pessoas pobres ou em situação de vulnerabilidade não é algo exclusivo desses dois nomes aqui citados. É algo recorrente em nosso país. E isso é visto no dia a dia. Pode ser demonstrado ao ignorar o porteiro do seu prédio, não pedir licença para a auxiliar de serviços gerais que limpa o corredor ou até mesmo agredir um entregador porque ele se recusou a subir até o seu andar para entregar o lanche à sua porta. O que não falta no Brasil são casos vergonhosos de pessoas que tentam humilhar os outros devido à sua condição financeira.
E o pior disso é quando o comportamento do adulto é reproduzido pelas crianças, sejam elas filhos ou netos. No consciente em formação daquele ser, o que não for semelhante a ele deve ser visto com indiferença. O que, seguindo essa linha de raciocínio torta, dá brechas para agressões e violências, sejam elas verbais, psicológicas ou até físicas.
A sociedade como um todo demonstra que estamos vivendo um adoecimento coletivo, em que ninguém está preocupado com ninguém. A dor do outro não é tão importante quanto a minha. Ou a minha necessidade é muito mais urgente do que a do meu próximo.
Agora, uma coisa que não podemos negar: a corrida pode ser desigual, e você pode até ter chegado ao poder com que sempre sonhou, mas, no final de tudo, o destino é um só… seja para o rico, seja para o pobre… pense nisso!
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