O Grupo Zahran é um dos maiores de dois Estados — Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Opera no mercado de gás — é o maior distribuidor da região — e na área de comunicação.

As duas emissoras da Rede Mato-grossense de Comunicação (RMC) — TV Morena e TV Centro América —, afiliadas da TV Globo, atuam em Cuiabá e Campo Grande.

Entre seus principais dirigentes estão Caio Turqueto, presidente do Grupo Zahran; Pedro João Zahran Turqueto, CEO da Copa Energia, e Nicomedes Silva Filho, diretor-geral da RMC.

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Ronaldo Ferrante: o diretor comercial participa do processo de transição | Foto: Reprodução

Numa sessão de homenagem no Senado, Pedro Zahran disse que “a história do grupo foi construída com resiliência e responsabilidade social”. O senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul, corroborou: “Vocês [da RMC] não apenas registram a história. Vocês ajudam a construi-la, a preservá-la e a eternizá-la”.

Dadas a seriedade e a expertise do grupo, que mantém duas emissoras de televisão bem-sucedidas — em termos jornalísticos e empresariais —, a cúpula da TV Globo operou para que comprasse e assumisse o controle do Grupo Jaime Câmara em Goiás e Tocantins. A RMC, atuando em quatro Estados, será a maior afiliada na Globo. Por sinal, o Cade não desaprovou a aquisição da TV Anhanguera.

Na verdade, a ação da Globo em relação ao negócio circunscreve-se à TV Anhanguera, a afiliada da Globo em Goiás e Tocantins.

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Jaime Câmara Júnior fica como acionista minoritário | Foto: Weimer Carvalho/O Popular

O interesse maior do Grupo Zahran, sua especialidade, é pela emissora de tevê. Mas, na negociação com o grupo dirigido por Jaime Câmara Júnior, a empresa adquiriu tanto a concessão da TV Anhanguera quanto os jornais “O Popular”, “Jornal do Tocantins” e “Daqui” e rádios.

Chegou-se a especular que as versões impressas de “O Popular” — jornal quase centenário — e do “Daqui” serão descontinuadas, dado o alto custo do papel, da área gráfica (o parque gráfico é grande e subutilizado) e de logística. O “Jornal do Tocantins” não tem mais versão impressa.

“O Popular” tende a permanecer com sua edição digital e, possivelmente, poderá abrir suas páginas para todos os leitores, para aumentar a audiência, pois hoje, em alguns meses, o jornal é superado pelo Jornal Opção e pelo Mais Goiás.

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Brenda Freitas: diretora de Jornalismo da TV Anhanguera | Foto: Facebook

O fato é que, discretos, os dirigentes do Grupo Zahran ainda não explicitaram, em caráter oficial, o que irão fazer. Um deles já manteve uma conversa com o governador de Goiás, Daniel Vilela. Mas não fizeram nenhuma tratativa sobre questões comerciais nem com o governo do Estado nem com a Prefeitura de Goiânia — dois grandes anunciantes.

Nas redações de “O Popular” e da TV Anhanguera comenta-se que o Grupo Zahran assumirá o Grupo Jaime Câmara — cujo nome tende a ser extinto — no dia 1º de agosto. Porém, uma fonte assegura que assumirá na segunda-feira, 27 de julho.

Inicialmente, os novos dirigentes assumirão a operação financeira, com a saída de quase toda a equipe dirigida por Júnior Câmara, notadamente o CEO, Breno Machado. O vice-presidente de Negócios (nome chique para diretor comercial), Ronaldo Borges Ferrante, ficará por mais tempo para completar a transição. Desde há algum tempo, é o grande operador da empresa. O diretor Jurídico e Relações Institucionais, Guliver Augusto Leão, também deixará a empresa, de acordo com a fonte.

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Silvana Bittencourt: editora-executiva do jornal “O Popular” | Foto: Reprodução

Nicomedes Silva Filho, CEO da RMC

O diretor-geral da RMC, Nicomedes Silva Filho, deve ser enviado para assumir o controle do Grupo Zahran em Goiás. Pelo menos num primeiro momento. Depois, devem contratar outro profissional especializado. Silva Filho certamente vai preparar o terreno para a transição.

Nicomedes Silva Filho é apontado como um executivo de primeira linha por executivos da TV Globo.

Uma segunda fonte afirma que os dirigentes do Grupo Zahran se comportam de maneira “precavida”. Porque não é possível extinguir uma estrutura sem ter como, de imediato, colocar outra no lugar. “Não vão atropelar ninguém”, frisa. Em seguida, com a casa em ordem, vão iniciar as tratativas com os mercados público e privado.

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Elisângela Nascimento: gerente de Conteúdo Digital | Foto: Facebook

O nome da TV Anhanguera, consolidado no imaginário dos goianos e tocantinenses, deve ser mantido. Assim como o de “O Popular”.

Sobre a equipe de jornalistas, a tendência é, num primeiro momento, observar os executivos, como Silvana Bittencourt, hoje a principal operadora de “O Popular”. Trata-se de uma profissional séria e competente — “formada” na própria redação do jornal.

As executivas Silvana Bittencourt (“O Popular”), Brenda Freitas (TV Anhanguera) e Elizangela  Nascimento (gerente de Conteúdo Digital) serão mantidas, por enquanto. Profissionais de primeira linha, segundo as referências do Grupo Jaime Câmara, serão observadas por algum tempo. Poderão ser trocadas ou mantidas.

Segundo uma terceira fonte, o Grupo Zahran segue a metodologia da Globo e valoriza a questão da produtividade — menos conversa e mais resultados.

Um dos objetivos, de cara, será aumentar o faturamento do grupo; hoje, considerado aquém da estrutura e importância dos empreendimentos jornalísticos do grupo que detém uma afiliada da TV Globo.