Por Redação
Ercília Macedo-Eckel Em relação ao tema da redução da maioridade penal, abordado na entrevista do professor Dijaci David de Oliveira (Jornal Opção 2075), sou contra. Nossas penitenciárias já são uma vergonha hoje, com superlotação, estrutura inadequada, desgraça de toda ordem etc., tudo que não permite ao criminoso ser recuperado, isto é, sair dos presídios melhor do que lá entrou. Penitenciária vem da palavra “penitência”, permitindo ao criminoso penar e penar para arrepender-se, redimir-se. Sabemos que raramente alguém sai de lá um cidadão, pronto para o mercado de trabalho, no Brasil de hoje. Imagine com essa multidão de jovens em formação e desinformação chegando aos montes nessas cadeias já abarrotadas? Será o caos maior dentro do caos atual. Repito: Sou contra a redução da maioridade penal. Ercília Macedo-Eckel é professora e escritora.
“Acadêmicos desconhecem a realidade das ruas”
Viviânia Medeiros Os menores já bebem para cair, já fazem sexo desde os 12 anos e engravidam meninas novinhas, matam, roubam. O que a redução da maioridade vai piorar nesse quadro? Interesses da indústria? Parece brincadeira, é proibido, mas ninguém cumpre. Menores pegam o carro dos pais e andam sem carteira. Vai ter uma diferença: eles vão poder tirar a carteira aos 16 anos, ao invés de dirigir sem carteira. Vão saber que podem encher a cara, mas serão responsabilizados e presos pelas besteiras que fizerem. Consumir mais álcool ainda? Mais do que já consomem? Na certa, o professor não vai para a noite, não sabe o que é uma balada. Por isso que é complicado pegar opinião com professores acadêmicos: eles desconhecem a realidade das ruas, da noite, nem circulam para ver a realidade. Viviânia Medeiros é jornalista.“Sandra Annenberg fala como se de fato estivesse ao nosso lado”
Raniele Dutra O choro de Sandra Annenberg ao noticiar a morte dos colegas Beatriz Thielmann [repórter] e Luiz Quilião [cinegrafista] mostra o quanto é humana. Na transmissão das notícias, Sandra consegue de uma forma ímpar se aproximar da gente, como se fôssemos seus vizinhos. Quando vejo estou respondendo seu “boa tarde” e muitas vezes retribuindo seu desejo de bom fim de semana. Ela fala como se estivéssemos de fato ao lado dela. Sua simpatia é contagiante. Grande jornalista. Grande mulher! E-mail: [email protected]“O amor por acaso pode ser explicado pela razão?”
Carolina Foglietti O amor feminiza tanto homens quanto mulheres. A posição de amante, bem distinta daquela do amado, implica um deslocamento das posições defensivas de ambos os sexos: o homem não precisa mais temer a perda da sua virilidade; a mulher, por sua vez, já não precisa “bancar o homem” para se garantir junto ao parceiro. Afinal, amar é dar o que não se tem e, nesse terreno, não há garantias. Para a psicanálise, o feminino representa o indizível, aquilo que não tem nome nem nunca terá. Ocupar uma posição mais feminina significa estar mais próximo do sem sentido, do que não se encaixa na ordem “natural” das coisas. Afinal, isso não se aproxima do amor? O amor por acaso pode ser explicado pela razão? É mais ou menos isso que o texto “Para amar de verdade, é preciso ser muito homem. E então se tornar feminino” (Jornal Opção 2069) nos traz. Carolina Foglietti é psicanalista.
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