Por Redação
O que fica de um intelectual é sua obra. O escritor, editor e crítico italiano tem vários livros editados no Brasil — todos de alta qualidade
Os dias se passaram e a terra era aberta em covas coletivas. Tornou-se um genocídio
O concurso 2394 não teve ganhador (para o prêmio principal), exceto na quina (48 apostas) e na quadra (4.144 apostas)
O jornalista, que não foi demitido, alegou “razões pessoais”. Ele permanece como comentarista do “Jornal da Record”
[caption id="attachment_340049" align="alignnone" width="613"]
Ex-governador Marconi Perillo | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção[/caption]
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás iniciou, na última terça-feira (27), o julgamento de processo criminal em que é réu Marconi Perillo. O ex-governador do estado é acusado de falsidade ideológica eleitoral, fraude processual e associação criminosa na campanha eleitoral de 2006.
A sessão ordinária durou quase quatro horas. Houve leitura do relatório, sustentação oral do advogado de Marconi e do Ministério Público e voto do desembargador relator Luiz Eduardo de Sousa.
Ao final, o juiz revisor Átila Naves Amaral pediu vistas do processo e suspendeu o julgamento.O Procurador Célio Vieira pediu desprovimento ao recurso de Marconi Perillo por conta das “gravíssimas condutas” do ex-governador, que envolvem “compra de votos e apoio político e, ainda, lavagem de dinheiro”, pontuou o procurador regional eleitoral.
O desembargador relator Luiz Eduardo de Sousa acolheu o argumento do procurador Célio Vieira e rejeitou as preliminares levantadas pelo defensor de Marconi.
Marconi Perillo pediu que o tribunal reconhecesse prescrição dos crimes e irregularidades na forma como as provas foram colhidas no processo. As duas questões foram rejeitadas pelo relator.
Crimes
O desembargador relator Luiz Eduardo de Sousa enquadrou Marconi Perillo nos crimes de falsidade ideológica eleitoral (art. 350, do Código Eleitoral), fraude processual (art. 347, do Código Penal) e formação de quadrilha com organização criminosa (art. 288, do Código Penal). Na primeira instância, o ex-governador foi absolvido por peculato.
Para o relator, restou provada a participação de Marconi Perillo como mentor e beneficiário de esquema de participação ilícita de recursos. Além disso, houve comprovação de adulteração de documentos públicos e particulares para prestação de contas da campanha. “Observando-se pelas provas colhidas nos autos, foram efetivamente usados meios fictícios de faturamento de serviço com a finalidade de acobertar a movimentação financeira da campanha”, votou Luiz Eduardo de Sousa para justificar a condenação no crime do artigo 350 do Código Eleitoral.
De acordo com o voto do relator, a fraude processual foi caracterizada por o ex-governador ter avisado os integrantes do grupo sobre medidas de busca e apreensão a serem realizadas.
O desembargador finalizou o mérito afirmando que houve formação de organização criminosa. “
Tenho, para mim, que restou comprovado que, a partir do núcleo político do grupo, Marconi Perillo exercia a chefia dos seus associados”, e acrescentou: “está caracterizado o vinculo estável e permanente, com divisão de tarefas e papeis definidos, não sendo desprezível o tempo que permaneceram associados durante toda campanha eleitoral de 2006”, apontou Luiz Eduardo de Sousa.
Penas
Ao final, o relator aplicou pena de 201 dias-multa, equivalente a R$70.350,00, além de 8 anos de pena definitiva de privação de liberdade, que deve começar a ser cumprida em regime semiaberto. Acrescentou, ainda, que haverá suspensão dos direitos políticos de Marconi Perillo enquanto durarem os efeitos da condenação.
Suspensão
O revisor deste processo, juiz Átila Naves Amaral, é relator de outros processos semelhantes. Admitiu que havia afastado os crimes de fraude processual e associação criminosa. No entanto, pediu vistas dos autos para analisar melhor a questão e não descartou votar com o relator Luiz Eduardo de Sousa.
Com isso, o processo fica suspenso até que seja retomado o julgamento pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Com a aglomeração, quase conseguia ver o vírus dançando balé pelo ambiente
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, presidente da Câmara dos Deputados e uma da principais lideranças do Progressistas comentou o atrito que envolveu o ex-deputado Alexandre Baldy (PP-GO)_e o governador Ronaldo Caiado (DEM-GO) no começo do ano [embed]https://www.youtube.com/watch?v=IoO9b_Y9vDc[/embed] Frederico Jotabê Gabriela Macedo Gabriella Oliveira O presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira garantiu que trabalhará pela união de Progressistas e DEM no estado de Goiás. Em entrevista exclusiva para o Jornal Opção, o parlamentar comentou o atrito que envolveu o presidente do Progressistas em Goiás, Alexandre Baldy, e o governador Ronaldo Caiado no começo do ano. Apesar de Ronaldo Caiado não ter declarado apoio publicamente ao presidente da Câmara, Arthur Lira garantiu que o conflito foi superado. Além disso, espera união dos partidos nas eleições 2022. “São dois líderes em Goiás. Vamos trabalhar para que o DEM, o Progressistas e outros partidos estejam juntos, tanto em Goiás, como em outros estados do Brasil”, afirmou o presidente da Câmara. O nome de Arthur Lira foi o pivô do conflito entre os políticos goianos. Alexandre Baldy, até então aliado do governo, cobrou, publicamente do governador, apoio ao companheiro de sigla nas eleições para presidência da Câmara no começo deste ano. Ronaldo Caiado entendeu como indelicadeza. Como resposta, demitiu o irmão do Deputado, Adriano Baldy, da Secretaria de Cultura do Estado. Para o presidente da Câmara, o caso foi apenas atrito, já superado pelos políticos. “Temos de seguir aquela máxima: não podemos ser amigos que não podem se separar, nem inimigos que não podem se juntar”, afirmou Arthur Lira. Com a proximidade das eleições 2022, os parlamentares e o chefe do executivo goiano começam conversas para definição de apoio a candidaturas. No que depender de Arthur Lira, o conflito entre Baldy e Caiado é passado. “Essas situações políticas existem e exigem amadurecimento e conversa. Com conversa, vamos amadurecendo e trilhando novos caminhos. É isso o que espero para Goiás. (Baldy e Caiado) são dois excelentes homens públicos, que fazem muito bem seu trabalho”, finalizou o presidente da Câmara.
34 pessoas foram homenageadas pela Prefeitura de Anápolis, durante celebração anual que comemora o aniversário da cidade
O presidente da Câmara foi um dos políticos que operaram para levar a doutora em Cardiologia e professora da USP para o Ministério da Saúde
Escritora enumera os acontecimentos na vida de uma família e traça paralelos entre a frágil democracia brasileira e as tentativas para o seu enfraquecimento
Adelto Gonçalves
Quem chamou a atenção deste resenhista para o modo diferente como as mulheres escritoras olham o mundo foi o escritor catalão Eduardo Mendoza (1943), em entrevista que concedeu, em janeiro de 1990, em Barcelona. E que seria publicada à época na "Linden Lane Magazine", de Princeton, Nova Jersey/EUA, no "Jornal de Letras", de Lisboa, em "O Estado de S. Paulo", no "Suplemento Literário Minas Gerais" e em "A Tribuna", de Santos, e ainda pode ser lida no site www.filologia.org.br. Eis o que disse Mendoza: “Interesso-me, entre os contemporâneos, pelas mulheres. Elas interessam-me porque escrevem de uma maneira distinta. É difícil que um homem, nestes momentos, faça uma imagem que não seja conhecida. Já as mulheres têm imagens próprias, completamente novas. São uma janela para outro mundo, outra sensibilidade e outra forma de ver as coisas”. [caption id="attachment_313794" align="aligncenter" width="329"]
No livro de Eltânia André “o inferno das aparências reina desde antes da revolução digital e persegue e cria marca de ferro nos seus habitantes em termos existenciais” | Foto: Divulgação[/caption]
Pois bem, o novo livro de Eltânia André (1966), "Terra Dividida" (Laranja Original Editora, 2020), é uma confirmação das palavras de Mendoza. E uma prova de como o olhar feminino na literatura é diferente daquele feito por homens, como sabe quem tem intimidade com as obras de Clarice Lispector (1920-1977), Cecília Meirelles (1901-1964), Nélida Piñon (1937), Cora Coralina (1889-1985), Carolina de Jesus (1914-1977), Lygia Fagundes Telles (1923) e Hilda Hilst (1930-2004), só para ficarmos com algumas autoras brasileiras. É um outro olhar.
O romance de Eltânia mostra como pano de fundo Pirapetinga, cidade de 10 mil habitantes, que fica na divisa dos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com o rio do mesmo nome separando o território mineiro de Santo Antônio de Pádua, no lado fluminense. Embora nascida em Cataguases, cidade mineira que constituiu extraordinário celeiro de artistas da mais alta relevância para o País ao longo do século 20, desta vez, a autora preferiu se inspirar em Pirapetinga, terra de seus avós, que fica a 150 quilômetros de distância, e, assim, construiu um mundo imaginário cortado pelas águas de um rio e pelos valores, dramas e contradições que circundam as relações pessoais.
Em linguagem extremamente criativa e pessoal, Eltânia vai enumerando, numa prosa escorreita e acessível a qualquer leitor, os acontecimentos na vida de uma família, ao mesmo tempo em que traça paralelos entre a frágil democracia brasileira e as recentes tentativas para o seu enfraquecimento, que vão até a um possível golpe de mão armado antes das eleições previstas para 2022. Aliás, concluído em agosto de 2016, o romance é premonitório, ao reproduzir em sua penúltima página a fala de um esbirro da ditadura civil-militar (1964-1985) exaltando a figura de um torturador, prenúncio dos maus tempos que viriam com aquele que já é considerado o pior governo da História republicana.
[caption id="attachment_63924" align="aligncenter" width="620"]
Eltânia André adota a técnica do fluxo de consciência joyceano, ao percorrer as trajetórias de figuras anônimas | Foto: Divulgação[/caption]
Em seu romance, a autora adota a técnica do fluxo de consciência joyceano, ao percorrer as trajetórias de figuras anônimas, como Naira, Socorrinha, Eneida, Basílio, Nena e Almeidinha, procurando desvendar os mistérios da mente de cada personagem. Como exemplo, eis um trecho do depoimento de Socorrinha: “Muitas garotas não se previnem e engravidam por descuido e se dão mal como eu. A maioria dos homens que conheço não quer saber de compromisso doméstico, ajuda a lavar as louças e acha que está sendo moderno. O Laurindo, ex-marido da Efigênia, fez tudo quanto é tipo de falcatrua para enganar o juiz, no final deixou uma pensão minguada para os quatro filhos. O Aldo se mandou sem olhar para trás, a menina dele teve que ir ao psicólogo, tão triste ficou com o sumiço do pai de outrora. A carga bruta sobra é pra gente (...)” (págs. 88-89).
Já Basílio é marcado pelo prenúncio de novos tempos, pois nasce no dia 15 de março de 1985, data em que caiu a ditadura civil-militar. O seu depoimento vai até a época do impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff, que, aliás, caiu mais por ser a primeira mulher a ocupar a Presidência da República brasileira do que por qualquer outra razão alegada.
Como se percebe, a ação do romance começa, cronologicamente, na era pré-digital, em que as indústrias e até as redações dos jornais e revistas começavam a passar pelas transformações ditadas pela informática, até chegar à época atual em que muitas conversas são feitas através de e-mails, messenger do Facebook, Instagram ou WhatsApp, imagens privadas são divulgadas por Youtube e os negócios já não exigem dinheiro vivo para serem realizados, mas moedas virtuais, como a bitcoin, criptomoeda criada para ser um mei o de pagamento totalmente eletrônico que transfere créditos pela rede.
Como observa no prefácio a poeta Kátia Bandeira de Mello Gerlach, neste livro de Eltânia, “o inferno das aparências reina desde antes da revolução digital e persegue e cria marca de ferro nos seus habitantes em termos existenciais”. Para a prefaciadora, o texto de Eltânia lembra o da escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís (1922-2019), principalmente em seu livro "A Sibila" (1954), palavra que, entre os antigos, designava a mulher a quem se atribuíam o dom da profecia e o conhecimento do futuro, ou seja, a profetisa.
De fato, tal como se dá em "A Sibila", o fio condutor principal é bastante descontínuo e vai mais além, pois, se no romance de Agustina é a partir do relato da vida de Quina, a sibila, que se sucedem episódios muito variados com numerosas personagens, em Terra dividida as personagens principais são pelo menos sete, além do gato Getúlio, que acompanha a sucessão de fatos com atenção, como se fosse um ser humano.
Tal como Agustina, Eltânia André procura mostrar a profunda dimensão humana que se pode encontrar num espaço rural tradicional, onde cabe à mulher um papel de primeira grandeza, pois, geralmente, os homens fogem à responsabilidade e acabam por buscar um possível futuro melhor nas grandes cidades, deixando às parceiras a responsabilidade maior de criar e educar os filhos. Por aqui se vê que o livro de Eltânia chega para merecer um lugar de destaque na literatura de Língua Portuguesa. E vem provar que as escritoras oferecem mesmo um olhar diferente do mundo que não se vê na literatura praticada por homens.
Depois de viver experiências traumáticas com a violência urbana que marca a vida numa cidade grande como São Paulo, Eltânia André hoje mora em São Pedro do Estoril, aldeia da freguesia de Cascais e Estoril, perto de Lisboa. É formada em Administração e Psicologia, com especialização em Psicopatologia e Saúde Pública.
Tem uma obra que já se destaca entre os autores da Literatura Brasileira: "Meu Nome agora é Jaque" (contos, Editora Rona, 2007), seu livro de estreia; "Manhãs adiadas" (contos, Editora Dobra, 2012); "Duelos" (contos, Editora Patuá, 2018), "Para Fugir dos Vivos" (romance, Editora Patuá, 2015) e "Diolindas" (romance, Editora Penalux, 2016), escrito em parceria com o marido, o romancista Ronaldo Cagiano.
Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela USP e autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Nova Arrancada, 1999, e Publisher Brasil, 2002), Bocage, o perfil perdido (Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012), Direito e Justiça em terras d'el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo - 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: [email protected]
“Investigados fazem uso de mulas, que transportam ouro até a Itália com documentação falsa de empresas fictícias. Orcrim traz joias adquiridas na Ásia e EUA, utilizando”
“Não há nenhuma voz interior a me a cochichar qualquer som. Sou uma embalagem somente oca, sem nenhum outro adjetivo”
O mestre percebeu que boa parte dos seus educandos, após ligar seus smartphones, desligava suas câmeras e, provavelmente, se enfiava debaixo dos seus edredons
João Rocha estava internado para tratamento da doença no Hospital das Clínicas, em Goiânia
[caption id="attachment_342737" align="alignnone" width="618"]
Tenente da PM foi filmado defendendo uma mulher que era agredida por assediador, na madrugada de domingo, em Santa Terezinha de Goiás[/caption]
Nilson Gomes
Um tenente da Polícia Militar foi filmado defendendo uma mulher que era agredida por assediador, na madrugada de domingo, 25 de julho, em Santa Terezinha de Goiás, a 290 quilômetros de Goiânia. O vídeo mais divulgado mostra apenas parte do caso, quando o agente com uma arma de fogo na mão impede provável estupro de quem estava agredindo a vítima, cuja situação momentânea era de indesmentível vulnerabilidade.
A senhora que estava sendo assediada não foi ouvida por quem postou o vídeo. Se quis sua versão dos fatos exposta como aliás ela própria havia sido em blogs, a vítima filmou o seu relato. Nele, a moça, uma personal trainer, detalha as ações do malfeitor.
Na narrativa do filme de terror vivida na madrugada terezinhense, ela e o marido, o PM mencionado no início do texto, chegaram à cidade já à noite e foram convidados por amigos para um bar. Atenderam ao convite. Os amigos, um casal, tiveram de sair porque o filho havia se sentido mal. Ficaram a vítima e o marido. Numa mesa próxima, um de três desconhecidos, que estão em Terezinha para trabalhar em obra de saneamento de garimpo na vizinha Crixás, começou a encarar a moça acintosamente – mesmo sabendo-a acompanhada, talvez não sabendo que o rapaz era seu marido e policial.
Para evitar encrenca e desfazer possível mal-entendido, o PM e sua mulher mudaram de mesa. Ela sentou-se numa cadeira de modo oposto à mesa do assediador. Depois, o oficial precisou ir ao banheiro. A esposa ficou sozinha, um ato normal até porque ali estão seus amigos de infância. Tão logo ele saiu, o assediador se levantou, caminhou até a mesa da vítima e a agarrou por trás.
Surpreendida pelo molestador, ela viu-se imobilizada tanto pelo gesto quanto pelas palavras. Ele a chamou de “gostosa”. Ela tentou se desvencilhar. O provável estuprador disse-lhe não ter resistido. Apalpou-a. Antes que alguém das mesas vizinhas reagisse, o trio com o assediador deixou o bar. Quando o tenente voltou da toalete, ela narrou o ocorrido. Permaneceram enquanto esperavam chegar a conta. Antes, retornou ao bar o trio com o assediador.
Quando o molestador de mulheres estava perto, a personal trainer avisou ao marido, que estava na linha de tiro para ser acertado também pelas costas, na eventualidade de o agressor ter saído para buscar uma arma. O tenente virou-se e sua ferramenta de trabalho caiu. Antes que o assediador de mulheres casadas tomasse posse da arma, o oficial a apanhou no chão. E o trio chegou ao alcance do braço. A partir desse momento começa o vídeo editado para mostrar apenas o que o policial fez.
Numa nação patriarcal, em que as mulheres são violentadas desde a infância, talvez os assediadores esperassem que a vítima sequer contasse ao marido. Achando que era mais um objeto esquecido na mesa, o machão foi à caça. O vídeo não mostra o que a mulher sofreu, apenas apresenta um homem em defesa de outro ser humano – não importa o gênero, o estado civil, apenas que sofria com os métodos centenários dos metidos a alfa da espécie.
Louva-se o fato de a Polícia Militar de Goiás preparar muito bem seus integrantes, inclusive do ponto de vista psicológico. Só uma formação rígida impediria um tenente de atirar contra o bandido que apalpou sua esposa e ainda voltou ao local do crime, não se sabe com qual objetivo, talvez até o de matar aquele que conseguiu o posto rejeitado para o assediador: o de companheiro da mulher, como a personal o define no vídeo. Ainda que tivesse matado o molestador, o oficial seria absolvido. Melhor: não seria sequer pronunciado. Mais justo ainda: nem denunciado. Nem indiciado. Deveria ser elogiado, premiado, exaltado, ter seu nome gravado no livro de aço dos heróis da pátria – um nome contra o patriarcalismo.
Além de diversos outros documentos legais, o Código Penal Brasileiro trata das excludentes de ilicitude, ou seja, tira o rótulo de ilegalidade. Aí, sim, estaria feita a devida justiça: um tiro na testa do machismo.
O vídeo recebeu diversos comentários em blogs e grupos de WhatsApp. E aí o preconceito medieval se revela ainda mais cruel. Até a roupa da vítima é lembrada, a ponto de ela, a vítima, ter de gravar sua versão com o mesmo vestido, para provar o desnecessário: que sequer a vestimenta era provocante. E se fosse? Qual o problema? O “problema” é ser mulher num lugar que ainda não chegou ao século XVI: o cérebro murcho dos machistas.
Mas esse texto não é para lembrar que o vilão é o molestador de mulheres. É para exaltar mais um herói da polícia brasileira, felizmente da goiana, o tenente que, ao defender quem ama, defendeu todas que o machismo odeia.

