Por Carlos César Higa

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PERISCÓPIO
O samba de Adoniran Barbosa cantou as mudanças de São Paulo no século passado

Ao contrário do que disse Vinicius de Moraes, São Paulo não é o túmulo do samba e Adoniran Barbosa é a prova de que a terra da garoa pode sim dar um bom batuque. O paulista de Valinhos, nascido em 6 de agosto de 1912, não queria saber de música quando era jovem. Seu sonho era ser um ator famoso, mas ninguém via seu talento. Adoniran bem que bateu na porta dos teatros, mas, aos poucos, ele percebeu que o negócio mesmo era a música. Com o advento do rádio, Adoniran tomou gosto pela batucada e o samba o laçou de vez. Com boa voz, logo começou a gravar discos e a fazer sucesso.

Adoniran deu um tom paulistano para o samba ao reforçar o seu sotaque. Ele descreveu as mudanças que São Paulo passou ao longo dos anos 1940 e 1950. O progresso chegou demolindo as saudosas malocas para dar lugar aos imensos arranha céus.

"Se o senhor não tá lembrado
Dá licença de contar
Ali onde agora está
Este adifício arto
Era uma casa véia, um palacete assobradado"

Ele também cantou em "Trem das Onze" a pressa de ir embora para Jaçanã e não perder a hora do trem. Deu um puxão de orelha no Arnesto que chamou a galera para o samba e não avisou que iria sair na hora marcada. Os amigos ficaram numa reiva porque era só colocar um aviso na porta.

Adoniran não ficou famoso pelo ator que desejava ser, mas pela música, pelo samba carregado de sotaque paulista que só ele poderia fazer. Vinicius de Moraes que nos perdoe, mas samba de São Paulo é fundamental.

PERISCÓPIO
Embaixador norte americano em Goiânia

John Cabot, embaixador dos Estados Unidos, esteve em Goiânia no dia 13 de setembro de 1960. De acordo com o Folha de Goiaz, o avião que trouxe o desembarcou no Aeroporto Santa Genoveva às 11:22. O governador José Feliciano o aguardava na pista de pouso e o conduziu ao Palácio das Esmeraldas. Logo depois, Cabot foi ao Hotel Bandeirantes onde lhe foi servido um banquete oferecido pelo governo goiano.

Cabot veio a Goiânia inspecionar os projetos relacionados à cooperação técnica dos Estados Unidos. Em tempos de Guerra Fria, os norte americanos queriam se fazer presentes na América Latina ainda mais depois de Fidel Castro tomar o poder em Cuba e se aproximar da União Soviética. No Hotel Bandeirantes, o embaixador concedeu uma entrevista para a imprensa goiana. É claro que Cuba foi tema de muitas perguntas. Cabot falou sobre os propósitos ditatoriais de Fidel e do perigo que a remessa de armas da União Soviética para Cuba ameaçava a paz do continente americano.

Setembro de 1960, os Estados Unidos estavam em processo eleitoral e esse tema foi perguntado pelos nossos jornalistas. Será que o fato do candidato democrata John Kennedy ser católico representaria algum problema ja que a maioria dos norte americanos era protestante? O embaixador negou qualquer interferência religiosa na escolha do futuro presidente e destacou o "amadurecimento do povo americano em suas deliberações democráticas."

É claro que a nova capital brasileira, inaugurada meses antes, pautou a entrevista. Cabot afirmou que "Brasília desfruta de extraordinária projeção nos círculos internacionais. Quem quer que seja conhece Brasília e sabe que ela abre novos horizontes para o Brasil". Para evitar qualquer interferência sovietica em nosso país, a Casa Branca mandou seus diplomatas para cá. Pouco tempo depois, Lincon Gordon, sucessor de Cabot na embaixada norte americana, também visitou Goiânia.

Nos anos 1960, quando os embaixadores dos Estados Unidos desembarcavam por aqui, todo mundo ficava sabendo. Hoje, se ainda vem para cá, ninguém sabe quem é.

PERISCÓPIO
Elvis Presley ao vivo em Las Vegas

Tem uma cena da minissérie "Elvis:The early days" que mostra Elvis Presley se divertindo em Graceland junto com seus amigos quando o rádio começou a tocar "Can't buy me love" dos Beatles. Assim que começou a música, um dos amigos do Elvis abaixou o volume. Era o ano de 1964 e aqueles garotos de Liverpool conquistavam a América. Elvis fazia filmes que não atraia mais a atenção do público e as trilhas sonoras não atingiam o topo das paradas de sucesso. Até porque o topo das paradas de sucesso era dos Beatles.

Mas essa situação mudou em 1968. Enquanto os Beatles entravam em crise, Elvis Presley voltou triunfante ao estrelato com o seu especial para a NBC. O "Comeback Special" trouxe de volta o roqueiro do "Heartbreak Hotel", "Hound Dog". Elvis se vestiu de couro preto para mostrar que o rock and roll borbulhava em suas veias. Se os Beatles se desmanchavam enquanto banda, Elvis ressurgia triunfante perante as câmeras de televisão. O sucesso do "Comeback" foi tamanho que o Hotel Internacional em Las Vegas lhe ofereceu um contrato para uma série de shows no ano seguinte.

Elvis estava preparado para este momento. Foram longos nove anos sem se apresentar ao vivo. Ele estava esbelto, bronzeado do sol havaiano, sua voz mais forte demonstrava o seu amadurecimento musical. Eis que no dia 31 de julho de 1969, Elvis fez seu primeiro show ao vivo depois de quase dez anos. No repertório, um misto de músicas novas, do seu novo disco lançado naquele ano, e os clássicos que o fizeram ser o Rei do Rock. "Suspicious Mind" se tornou o hino dessa fase "Las Vegas" de sua carreira. Não tem como ouvir essa música sem lembra-lo no palco ao vivo.

Infelizmente não temos os registros de imagens dessa volta triunfante do Rei, mas o som sim, graças a Deus nós temos os registros sonoros das músicas cantadas por Elvis nesta primeira fase no Hotel Internacional. Dali até 1977, ele percorreria os EUA muito mais do que qualquer candidato presidencial. Nessa volta triunfante de Elvis, os Beatles não foram obstáculos. Ao invés de baixar o volume do radio, ele cantou algumas dos seus fãs de Liverpool.

PERISCÓPIO
Julian Lennon teve que dividir o pai e uma música com os fãs dos Beatles

John Lennon e Cynthia Powell se casaram em 1963. Ela estava grávida do primeiro filho do casal. Brian Epstein, empresário dos Beatles, escondeu tanto o casamento quanto a gravidez. No começo da Beatlemania, um beatle sem aliança no dedo era fundamental para o sucesso entre as meninas. O filho do casal nasceu e foi batizado como Julian Lennon.

Não seria fácil para aquele menino ser um filho de um beatle ainda mais no auge da Beatlemania. Julian cresceu sem a presença do pai que estava em turnê, correndo dos fãs, fazendo shows e gravando discos. A situação se complicou em 1968, quando John e Cynthia se separaram. Pobre menino! Foi neste momento que apareceu Paul McCartney para lhe dar uma dose de ânimo homenageando com uma música que entraria para a história. Paul não era apenas parceiro musical de John. Era um amigo da família.

Paul fez uma visita a Julian. Os pais se separando, o menino precisava ser firme. Ele cantarolou uns versos "Hey Jules, don't make it bad". Ao voltar para casa, Paul percebeu que aqueles versos dariam uma boa música e resolveu trabalhar nela. Papel, caneta e piano: eis a fórmula do sucesso. Paul apresentou a música para John. Ao invés de "Hey Jules", "Hey Jude"

A música começou a ser gravada em 29 de julho de 1968. Com seus 7:10 minutos de duração, Hey Jude foi lançada em single e chegou ao topo da parada de sucessos. Como se não bastasse dividir o pai com todo mundo, a música feita para ele foi dividida com milhões de fãs dos Beatles para toda a posteridade.

PERISCÓPIO
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PERISCÓPIO
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PERISCÓPIO
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