Por Carlos César Higa
Com o passar do tempo, a Internet ofereceu muitas alternativas à televisão e a TV a Cabo virou saudade
"Todas as vezes que Chico Ciência resolve acender a sua luz, há um curto circuito nas instalações democráticas brasileiras". Assim o cronista Rubem Braga se referiu a Francisco Campos, renomado jurista que recebeu tal apelido por causa da sua erudição. Em novembro de 1937, a luz de Chico Ciência foi acesa para escrever a Constituição que vigorou durante a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. Ele voltaria à tona tempos depois, quando os militares deram um golpe e assumiram o poder.
Logo após a deposição de João Goulart, ficou a pergunta: quem vai assumir a Presidência? O certo seria Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara, governar até o fim do mandato de Jango, mas os aliados do golpe acharam melhor colocar um militar no comando. Para tomar as decisões mantendo a legalidade, os novos donos do poder começaram a editar os Atos Institucionais, os famosos AI's. Como escreve-los? Foi aí que a luz de Chico Ciência voltou a ser acesa.
Elio Gaspari, no seu livro "A Ditadura Envergonhada", conta a rapidez com que Francisco Campos redigiu o primeiro AI da ditadura. Em uma sentada ele escreveu tudo o que os militares queriam. A Constituição de 1946 seria mantida, o Congresso também, mas o movimento que chegou ao poder é que legitimava ambos. O ato também cassava os direitos políticos das lideranças do governo deposto. Ali constava oficialmente que a queda de Jango foi uma revolução. E, para finalizar, convocava o Congresso para eleger o próximo Presidente da República.
Quando o Ato Institucional número 1 foi publicado, no dia 9 de abril de 1964, acreditava-se que tudo aquilo que o Brasil vivia seria passageiro, que no ano seguinte, um novo Presidente seria eleito pelo povo. O ato nem foi numerado. Mas a luz acesa de Chico Ciência já causara um novo curto circuito nas instalações democráticas brasileiras e por longos 21 anos viveríamos uma ditadura.
Beatles foram os primeiros a dedicar atenção especial para as capas dos seus discos
Sem base de apoio no Congresso, pressionado pela oposição, por empresários e fazendeiros, Jango foi para o tudo ou nada naquele comício
Apresentadora fez comentários que só reforçavam o preconceito contra os goianos
Rádio começou a perder força a partir da década de 1950, com a estreia da televisão
Nos anos 1980 e 1990, Francis se mudou para os Estados Unidos onde abandonou as ideias de esquerda e abraçou o liberalismo
Último ao vivo foi improvisado, no terraço de um prédio, tocando para todo mundo ouvir
Ela viveu tão pouco, mas o suficiente para marcar seu nome na história da nossa música
Tenho certeza que a semente da Beatlemania foi plantada no meu coração naquela sexta à noite em 1988
Militares ficaram 21 anos no governo e marginalizaram as lideranças civis, inclusive Lacerda
Quando eu estava pesquisando o acervo da Folha de Goiaz, de vez em quando meu pai via minhas pesquisas. "Pai, eu ainda vou achar alguma coisa sobre o Lacerda aqui em Goiânia". Ele achava o máximo esse meu interesse pela História. Mostrei as vezes que as damas do rádio aqui estiveram e ele ficava feliz. No começo do ano passado, finalmente encontrei a notícia de que Carlos Lacerda esteve sim em Goiânia, em dezembro de 1963. "Achei, pai! Olha o Lacerda aqui!" E meu pai dava aquele sorriso lindo.
Carlos Lacerda era governador da Guanabara na época da sua visita à Goiânia. No final de 1963, o Brasil vivia a crise político-militar do governo João Goulart. Lacerda era opositor de Jango e queria a sua renúncia. Muitos jovens admiravam o governador guanabarino e o convidavam para palestras e discussões sobre a política nacional. Pois foram jovens goianos que convidaram Lacerda a vir aqui naquele final de 1963 para ser paraninfo da turma de Direito da Universidade Federal de Goiás. Ele veio e desde o seu desembarque no Aeroporto Santa Genoveva, uma multidão o acompanhava e prestava seu apoio para a sua candidatura presidencial em 1965. Lacerda esteve na Assembleia Legislativa para um encontro com os udenistas de Goiás e, antes de voltar para o Rio de Janeiro, passou na TV Goiânia, que ficava na Avenida Goiás, para uma entrevista.
Essa foto é do encontro no Legislstivo goiano. Eu a encontrei no site do Arquivo Nacional que digitalizou boa parte dos acervos do Serviço Nacional de Informações. Por isso, a foto aparece com uma seta e o escrito acima. Os agentes do SNI não tinham dó e marcavam tudo o que queriam mostrar para os seus superiores. Esse registro eu achei na pasta do Olinto Meireles, um político goiano. Quem estava discursando era o ex-prefeito Hélio de Brito, um dos fundadores da UDN em Goiás. Meu sogro, Ronaldo de Brito , filho do Dr. Hélio, o identificou assim que mandei a foto para ele. Eu ainda espero encontrar uma foto do Dr. Hélio junto com o Lacerda.
Ah, com certeza meu pai ficaria feliz de ver a minha empolgação com essa foto do Dr. Hélio discursando em um evento com o Lacerda.
Agentes do SNI estavam atentos à escolha do novo Arcebispo e produziam relatórios com os possíveis nomes como Padre José Pereira de Maria
No dia 17 de novembro de 1980, John Lennon apresentava o novo disco: "Double Fantasy"
Teve uma época que as revistas semanais faziam muito mais sucesso que a Veja


