Resultados do marcador: Prefeitura de Goiânia
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Luis Cesar Bueno: visto como menos ligado a Paulo Garcia, pode ser mais palatável para o irismo | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Aos correligionários, Iris Rezende tem sugerido que uma chapa pura — tipo ele para prefeito de Goiânia e Sandro Mabel na vice — nada tem de ruim. Ao mesmo tempo, tem sugerido que o PT deveria mesmo lançar a “Menina Accorsi” (ele não diz Adriana) como candidata a prefeita de Goiânia, com o objetivo de que se apresente como defensora do prefeito Paulo Garcia (PT).
Se fracassada a aliança com o DEM de Ronaldo Caiado, Iris poderá voltar a compor com o PT, apesar do desgaste do paulo-garcismo. Porém, curiosamente, prefere o deputado Luis Cesar Bueno como vice, e não a “Menina Accorsi”. Porque Adriana é muito ligada a Paulo Garcia.
O sonho de Luis Cesar Bueno é ser vice de Iris Rezende, em 2016, e candidato a prefeito de Goiânia, em 2020. Mas o parlamentar sabe que Paulo Garcia quer emplacar a “Menina Accorsi” como vice do peemedebista.
Mas é fato que o PT quer mais bancar o (a) vice de Iris Rezende do que o PMDB quer um vice do PT.
Peemedebistas, como José Nelto, avaliam que o desgaste de Paulo Garcia é incontornável. Um pesquisador tem a mesma opinião: o desgaste do governador Marconi Perillo, entre 2012 e 2013, não era administrativo, porque o tucano nunca foi visto como incompetente do ponto de vista da gestão — era muito mais de imagem, dada a denúncia de que seu governo mantinha relações com o empresário Carlos Cachoeira. O desgaste de Paulo Garcia é mais administrativo — o que solapou sua imagem política. Assim, será muito mais difícil restaurá-la. A recuperação de um político-gestor, quando há desconfiança na sua capacidade administrativa, é muito mais difícil.
Iris Rezende, que tem apreço pessoal, até carinho, por Paulo Garcia está de olho na possibilidade de sua (não) recuperação.
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Adriana Accorsi, Edward Madureira e Humberto Aidar: um deles deve ser candidato a prefeito de Goiânia pelo PT. O 2º tem menos desgaste[/caption]
Tese de um lua vermelha petista dos mais atentos aos jogos da política: “O candidato do PT a prefeito de Goiânia, por mais que isto pareça impossível, dada a relativa força de quem está no poder, deve ser o menos possível identificado com o prefeito Paulo Garcia”. O paulo-garcismo definiu dois caminhos: o primeiro é indicar o vice de Iris Rezende — que não estaria muito disposto a carregar o fardo do PT em Goiânia, embora seja amigo e aliado de Paulo Garcia — e o segundo é lançar a candidatura da deputada estadual Adriana Accorsi. Aposta-se que, por ser mulher, por ter sido bem votada na cidade e, como delegada de polícia, ter amplo domínio do tema segurança pública, um dos principais problemas da capital, Adriana Accorsi tem fôlego para disputar a eleição contra Iris Rezende, Vanderlan Cardoso e Jayme Rincón.
O lua vermelha avalia que, se lançar Adriana Accorsi, “ainda que a deputada tenha méritos inquestionáveis, será caixão e vela preta para o PT de Goiânia. Vamos perder e, pior, temos de torcer para o PSOL e o PSTU lançarem candidatos para que Adriana não seja a última colocada”. O que se deve fazer? “O PT precisa lançar, se quiser ter alguma chance eleitoral, nomes que não são, de cara, identificáveis com o prefeito Paulo Garcia. Cito dois nomes: o deputado estadual Humberto Aidar e o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira.”
O petista diz que, se não apoiar Iris Rezende, o prefeito Paulo Garcia tende a bancar Adriana Accorsi, mais para mostrar força do que para ganhar. “Agora, se quiser ganhar, deve abrir mão de lançar candidato e deixar o partido escolher livremente. Com a imagem mais de gestor do que de político, o nome forte do partido para Goiânia é mesmo o de Edward Madureira.”
Humberto Aidar corrobora o correligionário e avalia que o candidato mais sólido, com apoio no e fora do PT, é mesmo Edward Madureira.
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Humberto Aidar, deputado do PT: “Bancar o vice de Iris Rezende é o mesmo que dizer que o PT não serve para governar Goiânia” | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O deputado estadual Humberto Aidar radicalizou: “Se não lançar candidato a prefeito em Goiânia, em 2016, o PT estará dando um atestado de incompetência a si próprio”.
Ligado à tendência liderada pelo deputado federal Rubens Otoni, Aidar diz que o PT “tem vários trunfos e não pode abdicar deles. Nós temos o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. Com alguns ajustes, ele deslancha. Temos a presidente da República, Dilma Rousseff. Temos uma história política forte na capital. Temos militância articulada e aguerrida”.
Entrevistado pelo Jornal Opção, Aidar sublinhou, de maneira contundente: “Não acho que o melhor caminho para o PT é andar a reboque do PMDB e de Iris Rezende. Acrescento que, se o partido quiser subordinar-se ao irismo, mais uma vez, vou lutar contra com todas as minhas energias. Por quê? Porque temos bons nomes e não podemos impedir que se testem eleitoralmente. Eu insisto: rejeito qualquer aliança com Iris Rezende. Bancar seu vice é o mesmo que dizer que o PT não serve para governar Goiânia”.
O melhor candidato do PT para prefeito, na opinião de Aidar, é o doutor em agronomia Edward Madureira. “O ex-reitor da Universidade Federal de Goiás não tem desgaste algum, transita bem em todas as tendências do PT e tem forte presença na sociedade. Há a possibilidade de ele atrair o voto de um eleitor que às vezes não vota no PT. Se o partido não bancá-lo vai desperdiçar, por inércia ou falta de visão, um grande político emergente, de conteúdo sólido.”
O deputado frisa que, se Edward não quiser disputar, vai apresentar o próprio nome ao partido. “Mas sei que a ala que apoia o PMDB não bancaria minha candidatura.”
Adriana Accorsi é vista por Aidar como uma candidata qualitativa. “Ela devia ‘cortar’, pela raiz, a história de que será vice de Iris Rezende.”
Como a eleição na capital é em dois turnos, Aidar assinala que os grandes partidos precisam mostrar a cara, apresentar seu projeto para a sociedade e lançar candidato a prefeito. “No segundo turno, articula-se uma aliança política. Agora, se ganha a prefeitura sem o PMDB, o PT poderá governar ao seu modo, assim, não ficará engessado pelo peemedebismo. Em Goiânia, até o vice de Paulo Garcia, Agenor Mariano, do PMDB, está ‘batendo’ em sua gestão.”
“A militância”, destaca Aidar, “quer pedir voto para um candidato do PT e não tem entusiasmo algum com Iris Rezende. Os militantes perguntam: ‘Se o PT não vai lançar candidato a prefeito em Goiânia, que repercute em todo o Estado, como poderá cobrar que se lance candidatos no interior?”
Aidar diz que o PT precisa pensar e agir de maneira mais abrangente. “Se não lançarmos candidato em Goiânia, em 2016, deixando de fortalecer as estruturas do partido na principal cidade do Estado, nós teremos dificuldade para bancar um candidato a governador consistente em 2018. O começo para disputar bem o governo do Estado é ter uma estrutura sólida na capital. Por que parte do PT quer renunciar ao poder? Não se sabe.”
Na semana passada, o Jornal Opção ouviu dois iristas, um da velha e outro da jovem guarda. Os dois disseram que, no fundo, Iris Rezende pretende disputar a Prefeitura de Goiânia. Por enquanto, vai dizer que “não quer” e que “está velho demais”. Porém, no próximo ano, se as pesquisas o mostrarem relativamente consolidado em primeiro lugar, esquecerá o que está dizendo agora e aceitará a “convocação” dos aliados e disputará a eleição. Na verdade, se convocará, mas dirá que foi convocado e, até, pressionado pelos companheiros. Os iristas sugerem que, na política, há “fila” e que, na fila do PMDB, há uma ordem: Iris Rezende em primeiro lugar, como hors concours, e, em segundo, Agenor Mariano, pelo fato de ser vice-prefeito de Goiânia e manter uma ligação umbilical com o peemedebista-chefe. Se é assim, por que o deputado estadual Bruno Peixoto está leve, livre e solto como possível candidato? “Iris está deixando que Bruno se enforque com a própria corda, ao se lançar candidato de maneira extemporânea”, frisa o peemedebista da velha guarda. O da jovem guarda acrescenta: “Se Bruno se viabilizar, inclusive financeiramente, aí, sim, há alguma possibilidade de apoiá-lo. Mas Iris é mesmo o nome”. O peemedebista histórico acrescenta: “Bruno, jovem e inteligente, precisa observar, e com muita atenção, o que aconteceu com Maguito Vilela [em 1998], Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e, recentemente, Júnior Friboi. Acrescente-se que os quatro tinham muito mais cacife do que o jovem Bruno”.
O prefeito falou da existência de falhas em sua gestão, mas exaltou o que seria, de acordo com eles, os acertos. "Tivemos várias virtudes", disse
Radialista afirma que coligação PRP, PSC e PSB pode ter o incremento do PMDB e do DEM. Kajuru, que já havia anunciado que pretende ser candidato a prefeito, diz que aceita ser vice de Iris
Petista se mostrou surpreso com ataques de deputado sobre autoritarismo, afirmando que relação entre aliados está harmônica: "somos irmãos siameses"
Executiva da legenda recebeu pré-projeto com alterações administrativas e políticas, mas sem nenhuma definição. Proposta deve chegar à Câmara em fevereiro
No entanto, mesmo dando sinais de que pode concorrer, peemedebista discorda que "o Agenor Mariano" seja um nome forte para as eleições em 2016
Prefeito Paulo Garcia deve enviar no final do mês para a Câmara dos Vereadores um pacote que prevê economia de R$ 6 milhões por mês
Ex-integrante da cúpula da SSP-GO e antiga secretária de Defesa Social da capital comentou sobre as eleições de 2016. Ela é citada para disputar o Paço Municipal
Fala veio em evento que comemorou 81 anos do ex-governador. Senador eleito disse que ainda aguarda posição do PMDB para as eleições municipais
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Edward Madureira e Humberto Aidar: uma possível chapa do PT na disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2016. São nomes qualitativos[/caption]
O deputado estadual Humberto Aidar diz que o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, é íntegro e bem intencionado. “Com determinados ajustes e apoio do governo federal, sua gestão vai deslanchar e, assim, o PT pode eleger o prefeito em 2016.” O petista, da tendência PT Pra Vencer e ligado à Igreja Católica, diz que planeja disputar a prefeitura. Mas admite outra hipótese: “Posso ser vice do ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira.Além de professor competente, consagrou-se na universidade e na sociedade como gestor do primeiro time. Tanto que, com uma estrutura de campanha mínima, obteve quase 60 mil votos para deputado federal”. O Jornal Opção submeteu a “aliança” a três pesquisadores e a dois cientistas políticos e todos admitiram que se trata de uma “chapa de respeito”. “Edward é uma das grandes revelações políticas do PT em 2014”, frisa Humberto Aidar.
O parlamentar diz que a deputada estadual eleita Adriana Accorsi é outro nome consistente do PT. Comenta-se que o prefeito Paulo Garcia gostaria de bancá-la para vice de Iris Rezende (PMDB). “Não acredito que Paulo Garcia pense nisso, não. Adriana tem cacife para ser candidata a prefeita. Rechaço, veementemente, a tese de que o PT pode bancar o vice do peemedebismo. Mas, de fato, acredito que Iris planeja disputar a Prefeitura de Goiânia. E, mais, não creio que o PMDB e o PT vão caminhar juntos mais uma vez.”
O PMDB estaria rejeitando aliança com o PT, alegando desgaste de Paulo Garcia. “Ora, o desgaste do PMDB é muito maior, tanto que não ganha eleição para o governo de Goiás desde 1998”, ressalta Humberto Aidar.
Se quiser disputar o governo de Goiás com força total, em 2018, o PT terá de mirar no exemplo do PMDB e do PSDB, que pretendem lançar candidatos consistentes nas grandes cidades, como Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia. “Se quiser disputar eleição para governador em 2018, Antônio Gomide vai precisar de estruturas amplas. Goiânia é a caixa de ressonância no Estado e, por isso, o PT precisa manter a prefeitura da capital.”
O executivo mais importante do Estado é alvo de cobiça pelo valor em si e pela posição estratégica que ocupa no tabuleiro da eleição ao governo em 2018
O deputado federal Sandro Mabel estranhou o fato de que alguns peemedebistas começam a chamá-lo de “o novo Júnior Friboi”. É que Mabel está dizendo que será candidato a prefeito de Goiânia (ou de Aparecida de Goiânia). Como Iris Rezende planeja ser candidato na capital, o deputado possivelmente terá seu tapete puxado.
Mabel não tem nada de bobo, é claro, e, portanto, sabe como se comporta Iris Rezende. Porém, se for derrotado para governador, o decano do PMDB perderá força e, portanto, as chances do empresário aumentam. Mas não será fácil.
Enquanto Mabel articula, abrindo conversações com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e com o deputado estadual Daniel Vilela, entre outros, seus aliados, e em tom nada jocoso, dizem que ele é o novo “Sancho Pança” de Iris Rezende — sucedendo os Sanchos anteriores, Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e Júnior Friboi.

