Cezar Santos
Cezar Santos

Está começando a campanha

O executivo mais importante do Estado é alvo de cobiça pelo valor em si e pela posição estratégica que ocupa no tabuleiro da eleição ao governo em 2018

“Quase 200 mil vo­tos em Goi­â­nia nesta eleição são tentadores para al­guém disputar a Prefeitura em 2016.” A conta é feita pelo socialista Vanderlan Cardoso (que teve 171 mil votos em Goiânia e 474 mil no total), que numa frase só analisa o resultado do pleito em que não passou para o segundo turno e ao mesmo tempo se posiciona em relação ao embate de 2016 na capital.

Vanderlan Cardoso dá uma perspectiva clara de que a campanha já começou, se não em termos práticos, óbvio, mas sim em cogitações e cálculos visando possibilidades de nomes e de alianças.

O socialista é um dos nomes possíveis nessas cogitações. Mas há outros nomes, muitos outros, que podem ser arrolados conforme se ouve nos bastidores: Iris Rezende (PMDB), Jayme Rincón (PSDB), Fábio Sousa (PSDB), Humberto Aidar (PT), Adriana Accorsi (PT), Agenor Mariano (PMDB), Jorge Kajuru (PSB), Daniel Vilela (PMDB), Bruno Peixoto (PMDB), Delegado Valdir (PSDB), Fran­cisco Júnior (PSD), Virmondes Cruvinel (PSD), Marcos Abrão (PPS). E a lista de possibilidades não para por aí.

Se Vanderlan acha que é “tentador” disputar a prefeitura por causa dos 171 mil votos que teve em Goiânia, o que dizer do deputado federal eleito Delegado Valdir, com seus 178 mil votos (dos 274 mil no Estado) arrancados na capital? Pelo critério “vanderlanzista”, que não deixa de fazer sentido, Valdir “está” mais candidatíssimo que nunca.

Igualmente por esse critério, o peemedebista Daniel Vilela também estaria no páreo. O vereador e secretário de Habitação de Goiâ­nia, Denício Trindade (PMDB), já manifestou a possibilidade, baseando-se exatamente na boa votação que o filho de Maguito Vilela obteve na capital.

Então, na bancada mais forte, a tucana, que ganhou musculatura na eleição deste ano, tem como nomes mais especulados Delegado Valdir, pela votação estrondosa na capital, o também deputado federal eleito Fábio Sousa e o presidente da Agetop, Jayme Rincón. Este tem a seu favor o fato de ser um nome novo que reúne traquejo para o embate, além de ser o mais legítimo representante das inúmeras realizações do PSDB em Goiânia.

No PMDB, Iris Rezende, com sempre, é uma possibilidade. Ainda como referência a eleição para o governo, o líder peemedebista mais uma vez bateu Marconi em números de votos na capital —54,98% contra 45,02% do tucano, com mais de 67 mil votos de frente, embora a diferença tenha caído em relação ao pleito de 2010.

Neste prisma, o peemedebista mostrou que continua forte em Goiânia. Se ele vai ter condições políticas, vontade e saúde para disputar a eleição é outra consideração. Nos bastidores se diz que Iris quer sim ser eleito prefeito em 2016 para alavancar sua candidatura ao governo em 2018, finalmente sem precisar enfrentar Marconi Perillo.

E além de Iris Rezende no PMDB? Seria o caso de pensar no vice-prefeito Agenor Mariano. Ou no deputado Bruno Peixoto. Sandro Mabel já manifestou que gostaria muito de ser prefeito de Goiânia. Mabel não tem exatamente um perfil agregador. De resto, vai depender do quanto o partido será capaz de apresentar-se como alternativa com um nome que não seja Iris Rezende.

E o PT, que ocupa o cargo atualmente com Paulo Garcia? Certamente, que Paulo vai querer influenciar na escolha do nome de seu partido, ou, se for o caso, na aliança que o PT fará. Hoje, Paulo não é exatamente um cabo eleitoral dos mais fortes, nem mesmo dentro do PT goianiense. Mas isso não significa que em 2016 ele não possa estar em posição melhor. Para isso, basta que acerte sua administração, tirando-a da inércia em que está atolada e tornando-a funcional, fazendo o básico que se espera de uma administração.

Há quem diga que Paulo Gar­cia “bancaria” a vice de Iris Re­zende, provavelmente com a de­putada estadual eleita Adriana Ac­corsi. Adriana também é tida como um nome possível do partido para sair com cabeça de chapa. Outro petista que quer muito ter a oportunidade de disputar a Prefeitura é o deputado Hum­ber­to Aidar. Ele ensaiou a pretensão em eleições passadas, sem sucesso. Edward Madureira seria outra possibilidade do PT para 2016.

As articulações para as eleições municipais começar para valer no segundo semestre do ano que vem. Até lá, nomes e nomes serão jogados ao ar como balões de ensaio. Vai que cola.

Reentré de Aécio

Com se sabe, o tucano Aécio Neves foi derrotado na disputa com a petista Dilma Rousseff. Mas a derrota do senador veio com uma batelada de votos e a diferença foi pequena, o que mostra o eleitorado brasileiro literalmente dividido. Aécio se credencia a ser o grande líder da oposição. Resta saber se ele vai assumir a responsabilidade.

Senador Aécio Neves: diferença pequena de votos na disputa com Dilma Rousseff o credencia a ser o porta-voz da oposição | Orlando Brito/ PSDB

Senador Aécio Neves: diferença pequena de votos na disputa com Dilma Rousseff o credencia a ser o porta-voz da oposição | Orlando Brito/ PSDB

Na sexta-feira, 31, o jornalista Josias de Sousa, em seu blog no UOL, informou que Aécio, recolhido desde que perdeu a Presidência da República por uma diferença de 3,4 milhões de votos, programou para a quarta-feira, 5, sua reentrada na cena política. É para ser um ato público num auditório nas dependências do Congresso. “Presidente do PSDB federal, com quatro anos de mandato de senador pela frente, o ex-presidenciável discursará como comandante da oposição.”

Josias observa que Aécio ressurgirá vitaminado pela derrota miúda, no esforço de conservar a condição de porta-voz da mudança desejada pelos 48,32% de eleitores que lhe deram o voto.
O jornalista anota que o problema de Aécio é que, até 2018, outros tucanos se apresentarão como intérpretes do pedaço do país que deseja converter o petismo em página virada. “Metódico, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aguarda pacientemente na fila.”

Pois é. Por aqui, em Goiás, correligionários de Marconi Perillo também acham que o goiano está nessa fila.

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