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O biógrafo Tom Williams diz que o filme noir deve muito à parceira de Billy Wilder e Raymond Chandler como diretor e roteirista do filme “Pacto de Sangue”. O escritor chegou a dirigir uma cena do filme “Dália Azul”. Mas reclamava da força destruidora de Hollywood
Os liberais e o alto tucanato ficaram encantados com a informação de que a revista inglesa “The Economist” prefere Aécio Neves, do PSDB, a Dilma Rousseff, do PT, porque acredita — é mais fé do que constatação, porque só o poder revela o político e o gestor — que, com o primeiro, o país voltará a crescer. É um tiro no escuro. Pode avançar ou não. A intelectualidade brasileira, notadamente a liberal, adora as diatribes da “Economist” e trata suas análises, às vezes mais opiniões, como uma espécie de bíblia laica. Nem tudo que diz a revista britânica é equivocado, mas nem tudo que publica é inteiramente sólido e inquestionável. Que “Economist” tem uma certa implicância com o Brasil, notadamente com o governo da presidente Dilma Rousseff, é fato. Pode parecer teoria conspiratória, mas a Inglaterra, pátria da revista, é forte competidora do Brasil ao posto de sexta maior potência mundial. Por enquanto, os ingleses estão na frente, mas, dada as potencialidades do Brasil, dificilmente não ficarão para trás, dentro de alguns anos. “Economist”, embora tente se apresentar como “objetiva”, reflete, aqui e ali, a disputa entre os dois países.
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Amy Dunne: psicopata? Provável, mas é uma mulher quase tão encantadora quanto Gilda[/caption]
“Garota Exemplar”, ótimo filme pós-policial, está em exibição nos cinemas. É um filme de Hitchcock que não foi filmado pelo diretor britânico, e sim por David Fincher, com roteiro de Gillian Flynn, autora do romance homônimo.
A loura hitchcockiana Amy Dunne, a bela (e ótima atriz, ao menos neste filme) Rosamund Pike, é casada com Nick Dunne, o unidimensional Ben Affleck. Certa dia, desaparece e o espectador é levado a crer, pela investigação policial e pelo aparente desinteresse do marido, que tinha uma amante, que ele é o assassino.
A partir de agora, se não assistiu o filme, não leia o texto a seguir.
De repente, a enigmática Amy Dunne, que logo os especialistas, entre os quais jornalistas, que rotulam tudo com uma facilidade impressionante, chamarão de psicopata, reaparece.
Amy Dunne, glacial e durona, certamente por saber que o marido tinha outra e por outros motivos — maluquice, digamos —, queria ver o sensaborão Nick na cadeira elétrica ou cumprindo prisão perpétua.
Depois de uma fase deprê, perseguido pela imprensa e pela polícia, que chega a detê-lo, Nick intui, a partir de certa lógica, que Amy Dunne está viva. Por isso, concede uma entrevista à mídia na qual diz que está arrependido por tê-la traído e garante que a ama.
Era o ponto apropriado. Nick usou a entrevista, num canal de tevê, menos para se defender e mais para “tocar” Amy Dunne.
Ao vê-lo na televisão, com a cara “compungida” e “destruída”, pedindo desculpas, Amy Dunne mata o homem que a estava protegendo — um sujeito com cara de maluquete — e, ensanguentada, volta para casa e, sobretudo, para o marido “apaixonado”.
Nick tenta livrar-se de Amy Dunne, por entendê-la desequilibrada, mas a jovem o enreda, apresentando-se grávida e sedutora. Fica-se com a impressão de que Nick se torna prisioneiro voluntário da garota má “de” Hitchcock. O filme termina com os dois “ligados” e o mundo do espetáculo assediando-os em busca, por assim dizer, de uma novela.
Para filmes de Hollywood, o final é surpreendente — à Henry James. O mocinho e a vilã permanecem juntos, mas ninguém sabe, talvez nem a autora do livro, se são ou serão felizes.
Da tumba, contatado por poderosas forças espirituais, Hitchcock manda dizer aos leitores, inclusive aos céticos Flávio Paranhos, Cezar Santos, Ricardo Spindola, Carlos Willian, Carlos Augusto Silva, Arnaldo Bastos, Tânia Rezende e André LDC (ótimo crítico de cinema), que devem assistir o filme — com ou sem algemas.
O romance “Do Mais Longe do Esquecimento” (Rocco, 118 páginas, tradução de Maria Helena Franco Martins), de Patrick Modiano, Nobel de Literatura de 2014, mostra um escritor em pleno domínio de seu trabalho. Trata-se de um Proust minimalista, dada a reconstrução da memória, mas a forma deve muito a Raymond Queneau (“Zazie no Metrô”) e aos autores do Novo Romance.
“Do Mais Longe do Esquecimento”, tudo indica, é autobiográfico. Mas histórias reais, contadas por um escritor do nível de Patrick Modiano, são também histórias imaginárias. As elipses às vezes deixam o leitor no escuro e, quando se pensa que a história vai se tornar mais límpida, isto raramente acontece.
O texto telegráfico, às vezes parecido com o de Hemingway, mostra o que está ocorrendo, quase nada — como se fosse um sonho repetitivo —, mas sempre deixando certo mistério no ar. Mistério que nada tem de sobrenatural, pois trata-se tão-somente de mostrar que a vida é complexa e nem todas as coisas “fecham”, quer dizer, têm um belo destino, um “fim” harmônico. O Nobel de Literatura para Modiano é merecido? É. Trata-se de um grande e discreto escritor. Os romances de Patrick Modiano, pequenos, parecem novelas. Mas têm uma arquitetura muito bem articulada.
Há uma grita geral de que a polícia de Goiás demorou muito para descobrir o serial killer Tiago Henrique Gomes da Rocha. Foram 70 dias de investigação. Parece muito, e as famílias das vítimas têm o direito de reclamar, porque, se tivesse sido preso mais cedo, muitas pessoas não teriam sido assassinadas. Porém, a polícia não deve produzir um culpado ou torturar pessoas para chegar mais rapidamente, e às vezes não chega, ao criminoso efetivo.
Falta à polícia de Goiás prender os assassinos da estudante Camila Lagares e do médico Boadyr Veloso. A eficiência usada para encontrar o assassino Tiago Henrique Gomes da Rocha não foi e parece que não vai ser utilizada para encontrar aqueles que mataram Camila e Boadyr. Os inquéritos estão esquecidos em algum armário, até que as traças “decidam” destrui-los.
Na sexta-feira, 17, a “Folha de S. Paulo” publicou a reportagem “Suspeito de mortes em Goiás trata vítimas por número, afirma polícia”, escrita pela jornalista Juliana Coissi. No subtítulo, acrescenta-se: “Preso disse ter matado gays, moradores de rua e prostitutas”. A reportagem levou ao erro do editor: “Os alvos seguintes foram prostitutas e moradores de rua”. Na verdade, das 22 mulheres mortas por Tiago Henrique Gomes, de 26 anos, apenas duas eram prostitutas. A reportagem da “Folha” sugere, de maneira irresponsável e leviana, que todas eram prostitutas. Veremos se a ombudsman vai cobrar a correção.
O “Pop” cometeu uma injustiça contra a equipe de policiais que investigou e prendeu o serial killer Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, que pode ter matado 39 pessoas. Na verdade, ao contrário do que desinformou o jornal, o serial killer não foi preso por acaso. A Polícia Civil de Goiás fez uma investigação minuciosa, absolutamente científica, e não precisou tocar num fio de cabelo do assassino confesso.
O “Suplemento do Campo”, do “Pop”, trouxe uma foto de um pássaro-preto tomando banho num córrego de Bonfinópolis. O registro de Manoel de Sousa ficou muito bonito e mostra a sensibilidade do fotógrafo. Houve apenas um pecadinho formal no texto que explica a foto — uma crase imprópria: “... no município de Bonfinópolis, próximo à Goiânia”, Nem todos nomes de cidade permitem crase. Uma maneira fácil de não se cometer esse escorregão formal é recorrer a um macete muito simples: quando dizemos “vou a-volto da”, ocorre crase (Vou à Bahia/Volto da Bahia); vou a-volto de, não ocorre (Vou a Goiânia/Volto de Goiânia).
Mesmo com alguns textos mal escritos e uns bem escritos, o “Pop” deu um banho geral na imprensa goiana e nacional na cobertura da prisão do serial killer. As reportagens foram amplas, detalhadas, com gráficos muito bem feitos. Uma equipe experimentada costuma produzir material de mais qualidade.
Escorregada do “Pop” em título de matéria na área de economia: “Reforma não ‘sae’ antes da eleição, diz Mantega”. O verbo sair, que é da terceira conjugação (por terminar em “ir”), só muda de “i” para “e” na terceira pessoa do plural do presente do indicativo.
No decorrer da campanha deste ano, vários candidatos da região desistiram da disputa eleitoral sob a alegação de que a diferença de poder econômico torna a luta desigual
Sinésio Dioliveira
Conto dedicado à minha amiguinha Bárbara Toledo Gomes, de 9 anos
Curiolando vivia feliz como todas as aves que moravam numa pequena floresta. Todas despreocupadas com semear, segar e recolher provimentos para os celeiros. Por lá o Pai celestial ainda as sustentava. A floresta era cortada por um ribeirão repleto de peixes. Suas águas eram tão límpidas que era possível ver os peixes com facilidade. Lambaris e piaus predominavam por lá. E por isso eram presas fáceis dos martins-pescadores, socós, tuiuiús...
Nessa floresta viviam também saracuras, jaçanãs, garças diversas, tizius, coleirinhas, bigodinhos, canários-da-terra, sabiás-do-campo, almas-de-gato e outras muitas aves.
Certa vez, já quase no fim de uma tarde de novembro, em plena primavera, Curiolando teve uma surpresa desagradável. Ao buscar comida nos pendões de capim para seus dois filhotes de duas semanas, pousou num galho seco. Achou o galho diferente, mas, como dar comida para seus filhinhos era algo mais urgente, Curiolando nem teve tempo de observar direito onde havia pousado.
O galho seco estava entre os pendões de capim, num lugar ideal para facilitar o recolhimento das sementes de capim. Ele sentiu seus pés presos ao galho. Assustado, tentou voar para escapar. Só que não conseguiu e ficou preso de cabeça para baixo, batendo as asas barulhosamente. Daí a poucos instantes apareceu um homem correndo e desprendeu os pés de Curiolando do galho seco e o colocou dentro de um alçapão. Desesperado, ele se debateu nas laterais do alçapão em busca de liberdade, a ponto de sangrar o bico. O homem, um vendedor de passarinhos, capturou Curiolando com visgo de leite de jaqueira. Não era um galho propriamente, mas um pedaço de ferro simulando um.
Depois disso, Curiolando nunca mais viu seus filhinhos nem a mãe deles. Foi levado embora para bem longe da floresta da qual tanto gostava. A viagem foi muito sofrida: algumas horas de ônibus dentro de uma caixa de madeira cheia de compartimentos e com alguns furos nas laterais dos compartimentos. Os furos eram para entrada de ar e assim as aves transportadas não morrerem. Essa caixa estava dentro de uma mala também furada mas de modo discreto. Alguns pássaros acabaram não resistindo à viagem, mas Curiolando sim.
Curiolando acabou sendo vendido, e seu destino foi morar na cidade grande. Ele, que tinha uma floresta para viver, acabou aprisionado numa minúscula gaiola que, durante o dia, ficava pendurada na parede de uma área e à noite o dono a recolhia para dentro de casa.
Foi quase um ano engaiolado. Após alguns meses, Curiolando acabou cantando, mas não da maneira feliz como era na época da liberdade. Ainda assim seu canto deixava o homem que o comprou orgulhoso. Seus chilreios eram ouvidos ao longe, inclusive chegaram aos ouvidos de um gato pardo, que acabou localizando o curió. A partir de então, o felino passou a desejá-lo como refeição e passou a observá-lo de longe.
Numa certa tarde, já beirando as 17 horas, o homem teve uma crise de hipertensão. Sua mulher, então, desesperada, chamou um táxi, e os dois foram
para o hospital. O homem estava tão mal que nem se lembrou que Curiolando tinha ficado na área.
Isso foi a oportunidade de o gato realizar o seu desejo. Chegou silenciosamente. Foram dois pulos inúteis sem alcançar a gaiola, mas no terceiro sua pata dianteira esquerda acertou a gaiola, que se soltou do prego na parede. Na queda, a travinha da porta acabou se quebrando e, no desespero do acontecimento, Curiolando acabou achando a porta aberta. O gato ainda tentou pegá-lo, saltando sobre ele, assim que Curiolando levantou voo, mas em vão.
Voou por alguns minutos. Pousou na copa de um angico bem alto de uma praça. Permaneceu por lá alguns instantes até se recuperar do susto e ganhou o céu novamente. (Talvez em direção à floresta onde vivia feliz!)
Sinésio Dioliveira é escritor e jornalista.
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Críticas do petista José Roberto ao tucano Aécio Neves, provocou rebuliço entre os parlamentares[/caption]
Com a definição no primeiro turno da eleição para governador do Estado, a expectativa era de que a disputa pela Presidência da República entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) não seria não aguerrida quanto a campanha regional. Pelo contrário, lideranças e militância de ambos os lados continuam no mesmo ritmo.
E a Assembleia Legislativa está sendo palco dessa demonstração de força. O deputado reeleito José Roberto (PT) fez discurso da tribuna, recentemente, provocando os parlamentares que apoiam Aécio Neves. “Quanto mais as pessoas souberem que é, quem foi e quem será o candidato da aliança conservadora, mais ele (Aécio) vai perder e maior será a vitória da presidente Dilma. A elite deste País sempre joga nas costas dos brasileiros que recebem bolsa família uma pecha de gente que não trabalha. A elite deste País fala contra o bolsa família”.
José Roberto questionou o patrimônio adquirido por Aécio Neves que, durante a sua vida política. “Com 25 anos ele já tinha uma rádio e um jornal. Como é que se explica isso? Não é o Bolsa Família que atrasa o País não, o que atrapalha são pessoas que têm um comportamento familiar que viveu há mais de cem anos às custas do erário público (sic)”.
O petista ressaltou que a militância está fazendo o corpo a corpo e agora “a verdade vai vencer a mentira”. Considerou Aécio um péssimo governador e sustentou que o povo brasileiro vai “dar o troco”.
O polêmico José Bonifácio entra em cena novamente e classificou de oportunistas as lideranças políticas do Estado que estão aderindo à campanha de Aécio Neves. “Votei no Aécio no primeiro turno para dar oportunidade dele ir para o segundo turno, mas agora vou votar na Dilma”, observou. E emendou: “Todo mundo quer ser Aécio, agora vejo o barco do oportunismo e a identificação das pessoas. Não é altruísmo, não é ideologia, não é nada. Agora vocês imaginam quem for apoiar Aécio nesse Estado estará embarcando no barco do siqueirismo, que foi repudiado nessa eleição”, lembrou o parlamentar.
Não menos polêmico, o deputado Sargento Aragão (Pros), que disputou a vaga de senador nessas eleições, para falar de oportunismo, recorreu ao posicionamento da senadora Katia Abreu ao trocar o PSD pelo PMDB no ano passado. “Ela sempre disse que o PT não prestava, mas estava lá na garupa do PT, apoiando Marcelo Miranda e agarrada nas bochechas da presidente Dilma. Vossa excelência, (referindo-se a Bonifácio) apoiou o Marcelo Miranda, e seu irmão (o prefeito Fabion Gomes, de Tocantinópolis) apoiou o Sandoval Cardoso. Existe oportunismo maior que isso?”, questionou. Aragão criticou a presidente Dilma e disse que sempre votou no PT. “O oportunismo é porque ninguém aguenta mais essa roubalheira”, acrescentou.
Os adeptos de Aécio Neves não deixam por menos. O deputado Amélio Cayres (SD) lembra, por exemplo, o episódio do mensalão, que culminou com a da prisão de alguns petistas. E saiu com a ironia: “Gostaria de saber quanto custa essa ‘Bolsa Leblon’ para formarmos a Bolsa Papuda dos petistas que estão lá (na Penitenciária da Papuda)”.
O deputado reeleito Ricardo Ayres (PSB), ao defender Aécio Neves, disse que os programas sociais são patrimônio do povo brasileiro e não de um partido: “Nada mais oportuno do que darmos oportunidade para que um novo projeto possa se construir. Não existe nada mais importante do que a alternância”. Classificou os programas sociais do governo federal de “migalhas” às famílias menos favorecidas do Tocantins.
O mais importante, no entendimento do peessebista é reconhecer que o pacto federativo faliu. “Precisamos de um presidente que possa redimensionar essa divisão, precisamos fortalecer os municípios que estão capengas, precisando de investimentos, e isso nós vamos fazer nessa gestão do Aécio”, defendeu.
No Tocantins, algumas lideranças que apoiaram Marcelo Miranda estão com Aécio Neves nesse segundo turno. É o caso dos peemedebistas Osvaldo Reis e Carlos Gaguim (eleito deputado federal).
O deputado federal Osvaldo Reis (PMDB), que não disputou a reeleição, diz que não tem disposição de votar em Dilma. “Já tive problemas com a Dilma. Na condição de deputado representante do Tocantins nunca fui chamado para reuniões. Como é que uma mulher dessas merece meu voto?”, indagou o parlamentar peemedebista.
Marcelo Miranda respeita a posição de seus correligionários e disse que vai intensificar a campanha em favor da presidente Dilma nesses últimos dias. “É hora de os aliados irem para a prática e pedir votos para a presidente”, limitou-se a dizer o governador eleito.
Prefeito de Almas afirma que grande parte dos municípios não terá condições de pagar o 13º salário dos servidores neste fim de ano

