Críticas do petista José Roberto ao tucano Aécio Neves, provocou rebuliço entre os parlamentares
Críticas do petista José Roberto ao tucano Aécio Neves, provocou rebuliço entre os parlamentares

Com a definição no primeiro turno da eleição para governador do Estado, a expectativa era de que a disputa pela Presidência da República entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) não seria não aguerrida quanto a campanha regional. Pelo contrário, lideranças e militância de ambos os lados continuam no mesmo ritmo.

E a Assembleia Legislativa está sendo palco dessa demonstração de força. O deputado reeleito José Roberto (PT) fez discurso da tribuna, recentemente, provocando os parlamentares que apoiam Aécio Neves. “Quanto mais as pessoas souberem que é, quem foi e quem será o candidato da aliança conservadora, mais ele (Aécio) vai perder e maior será a vitória da presidente Dilma. A elite deste País sempre joga nas costas dos brasileiros que recebem bolsa família uma pecha de gente que não trabalha. A elite deste País fala contra o bolsa família”.

José Roberto questionou o patrimônio adquirido por Aécio Neves que, durante a sua vida política. “Com 25 anos ele já tinha uma rádio e um jornal. Como é que se explica isso? Não é o Bolsa Família que atrasa o País não, o que atrapalha são pessoas que têm um comportamento familiar que viveu há mais de cem anos às custas do erário público (sic)”.

O petista ressaltou que a militância está fazendo o corpo a corpo e agora “a verdade vai vencer a mentira”. Considerou Aécio um péssimo governador e sustentou que o povo brasileiro vai “dar o troco”.

O polêmico José Bonifácio entra em cena novamente e classificou de oportunistas as lideranças políticas do Estado que estão aderindo à campanha de Aécio Neves. “Votei no Aécio no primeiro turno para dar oportunidade dele ir para o segundo turno, mas agora vou votar na Dilma”, observou. E emendou: “Todo mundo quer ser Aécio, agora vejo o barco do oportunismo e a identificação das pessoas. Não é altruísmo, não é ideologia, não é nada. Agora vocês imaginam quem for apoiar Aécio nesse Estado estará embarcando no barco do siqueirismo, que foi repudiado nessa eleição”, lembrou o parlamentar.

Não menos polêmico, o deputado Sargento Aragão (Pros), que disputou a vaga de senador nessas eleições, para falar de oportunismo, recorreu ao posicionamento da senadora Katia Abreu ao trocar o PSD pelo PMDB no ano passado. “Ela sempre disse que o PT não prestava, mas estava lá na garupa do PT, apoiando Marcelo Miranda e agarrada nas bochechas da presidente Dilma. Vossa excelência, (referindo-se a Bonifácio) apoiou o Marcelo Miranda, e seu irmão (o prefeito Fabion Gomes, de Tocan­tinópolis) apoiou o Sandoval Cardoso. Existe oportunismo maior que isso?”, questionou. Aragão criticou a presidente Dilma e disse que sempre votou no PT. “O oportunismo é porque ninguém aguenta mais essa roubalheira”, acrescentou.

Os adeptos de Aécio Neves não deixam por menos. O deputado Amélio Cayres (SD) lembra, por exemplo, o episódio do mensalão, que culminou com a da prisão de alguns petistas. E saiu com a ironia: “Gostaria de saber quanto custa essa ‘Bolsa Leblon’ para formarmos a Bolsa Papuda dos petistas que estão lá (na Penitenciária da Papuda)”.

O deputado reeleito Ricardo Ayres (PSB), ao defender Aécio Ne­ves, disse que os programas sociais são patrimônio do povo brasileiro e não de um partido: “Nada mais oportuno do que darmos oportunidade para que um novo projeto possa se construir. Não existe nada mais importante do que a alternância”. Classificou os programas sociais do governo federal de “migalhas” às famílias menos favorecidas do Tocantins.

O mais importante, no entendimento do peessebista é reconhecer que o pacto federativo faliu. “Preci­samos de um presidente que possa redimensionar essa divisão, precisamos fortalecer os municípios que estão capengas, precisando de investimentos, e isso nós vamos fazer nessa gestão do Aécio”, defendeu.

No Tocantins, algumas lideranças que apoiaram Marcelo Miranda estão com Aécio Neves nesse segundo turno. É o caso dos peemedebistas Osvaldo Reis e Carlos Gaguim (eleito deputado federal).

O deputado federal Osvaldo Reis (PMDB), que não disputou a reeleição, diz que não tem disposição de votar em Dilma. “Já tive problemas com a Dilma. Na condição de deputado representante do Tocantins nunca fui chamado para reuniões. Como é que uma mulher dessas merece meu voto?”, indagou o parlamentar peemedebista.

Marcelo Miranda respeita a posição de seus correligionários e disse que vai intensificar a campanha em favor da presidente Dilma nesses últimos dias. “É hora de os aliados irem para a prática e pedir votos para a presidente”, limitou-se a dizer o governador eleito.