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O arame, a garrafa PET e a lâmpada amarela

Valdirene Oliveira  lampada Desde março de 2014 a luz do poste que fica em frente a minha casa, no Setor Gentil Meireles, está queimada. Solicitei a troca pelo 156 [telefone de atendimento da Prefeitura de Goiânia], tenho protocolo etc., mas nada de trocarem a lâmpada estragada. No início eu liguei, liguei, liguei. Mas acabei cansando de ligar e providenciamos solução por conta própria: um refletor com sensor em frente ao portão. Sei que não deveria ser assim, mas, se nem o lixo estava sendo recolhido, imaginem uma lâmpada ser trocada rapidamente. Eis que na tarde desta quinta-feira, 11, chega um caminhão da Prefeitura para fazer a troca da lâmpada e lá fui eu falar com o moço que “fiscalizava” a troca. Queria apenas dizer se no papel que ele tinha em mãos constava a data da solicitação. Conversa vai, conversa vem, e ele me disse que não sabia da data de solicitação e inclusive mostrou o papel para mim. Daí eu disse que a lâmpada do segundo poste havia queimado nessa semana e ele disse que aproveitariam que estavam ali e a consertariam também. Mas o inusitado da conversa foi quando ele me disse que eles não estavam trocando a lâmpada, mas sim fazendo uma “gambiarra” (sim, ele me disse isso!). E eu, espantada, perguntei “como assim?”. E ele me falou: “Iríamos trocar se fosse lâmpada branca, por lâmpada branca. A Prefeitura não compra mais essa e só tem no estoque a lâmpada amarela, mas para usar a amarela teríamos que ter um reator. Só que não temos esse reator; então, nós estamos testando uma adaptação com o uso de uma garrafa PET e um reator já usado para ver se funciona". E eu disse: “Mas, e se não funcionar?” E ele, sem jeito, falou: “Então...”. Daí eu disse: “Então eu fico mais um tempo sem luz no poste?”. E ele, todo sem jeito (claro, sem ter responsabilidade direta pela situação, mas ali na situação de dar uma resposta ao ser questionado), me disse: “A Prefeitura não tem comprado material para trabalharmos. E, quando compra, é de ‘terceira’, mal terminamos um conserto e já estragou novamente.” E eu disse: “Realmente a nossa cidade está ‘abandonada’, mas o IPTU vai subir.” Não quis pressionar o moço, pois a situação já estava constrangedora. E ele disse para mim: “Mas nós vamos fazer tudo pra dar certo e a senhora ter luz no poste. Desde março, não é?" E eu disse: “É... então tá. Se não der certo o ‘plano A’, tem o B, C ou D?”. Ele respondeu: “Vamos tentar.” E daí, para finalizar, ele me perguntou: “A senhora tem um pedaço de arame para arrumar pra gente? Porque aí ajuda.” E eu: “Acho que tenho, vou ver com meu marido...” Entrei para casa e passei a tarefa para o marido, que arrumou o arame e levou para o pessoal. Fui dar banho no meu filho, para ele tirar o cochilo da tarde, e fiquei pensando: “Gambiarra não é coisa de quem faz ‘gato’? E eu arrumei o arame? Mas a proposta veio da Prefeitura... e ainda tem a garrafa PET, deve ser a tal política da ‘sustentabilidade’...” E confesso que fiquei imaginando: será que vai dar certo? Então, ao anoitecer... Eis que chegou a luz amarela! Pensei até em tomar um vinho em homenagem à iluminação de Natal da porta da minha casa. Afinal, tem até garrafa PET (está lá, pena que minha câmera não consiga registrar bem para mostrar). Quem quiser visitar para conhecer como é, estudar o caso etc... Está lá uma linda PET. Acho que de uma Coca-Cola de 2 litros. A que ponto chegamos. Valdirene Oliveira é professora universitária e doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Goiás.

“Gomide foi o melhor prefeito de Anápolis”

José Justino [caption id="attachment_12670" align="alignright" width="150"]“Esse é o momento mais importante para tornar-se conhecido”, avaliou Antônio Gomide | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] Lendo a última edição (2057) do Jornal Opção, fiquei incomodado com a forma com que o recém-eleito deputado federal pelo PSDB, Alexandre Baldy, se portou durante a entrevista. Impressionou-me a falta de humildade do jovem político ao afirmar que Antô­nio Roberto Gomide (PT), nosso ex-prefeito — o melhor da história da cidade —, foi um gestor aquém do que Anápolis merecia e, mais, que graças a Pedro Sahium [prefeito antecessor] foi que Gomide conseguiu se destacar. Ora, sr. Baldy, a educação em Anápolis é referência na­cio­nal. Em cinco anos, Gomide construiu viadutos que nunca tivemos em cem anos de história. Anápolis só tinha um hospital; hoje, a cidade conta com uma estrutura de saúde ampla. Casas construídas, já se completarão em torno de 10 mil. Os parques da cidade, que seu “salvador” Sahium quase inviabilizou, fazem parte dos mais belos de Goiás. Enfim, se um dia Alexandre Baldy for prefeito de Anápolis e fizer pelo menos 10% do que o ex-prefeito Gomide fez, já terá feito demais. José Justino é morador do Setor Vivian Park, em Anápolis.

“Precisamos lidar com a questão mal resolvida com os militares”

Epaminondas Silva | E-mail: [email protected] [caption id="attachment_23411" align="aligncenter" width="600"]Em passeata contra Dilma e o governo, faixa pela volta dos militares Em passeata contra Dilma e o governo, faixa pela volta dos militares[/caption] Se alguns carregam um cartaz “pela volta dos militares”, são escorraçados tanto pela direita como pela esquerda. O brasileiro precisa lidar com esta questão mal resolvida com os militares. Afinal, na hora em que a criminalidade assume, são os militares que são chamados. Mas ai de alguém se elogiar a ditadura. Entretanto, não compro essa ideia de que escolas militares são melhores. A diferença é por causa da “disciplina”. Ou vão me dizer que um diretor “civil” tem o mesmo grau de acesso que um militar para acionar outras instâncias governamentais? E fora a ameaça de ser enxotado de uma instituição modelo para manter alunos incentivados a produzir bons resultados. Escolas militares são boas porque os alunos querem ficar nela e alunos querem ficar nelas porque são boas. E melhor ainda que escolas militares? A boa e velha escola particular. Daí não tem como apreciar a ironia daquele sindicalista da educação, socialista, pregando o modelo falido de escola “gratuita”, enquanto são os militares e a iniciativa privada que entregam os melhores resultados.  

Conselho Nacional de Direitos Humanos protocola representação contra Jair Bolsonaro

[caption id="attachment_23407" align="alignright" width="620"]Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ): “Ela (Rosário) não merece porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria” Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ): “Ela (Rosário) não merece porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria”[/caption] “Bolsonaro cometeu crimes de incitação e apologia a um crime hediondo, que é o do estupro”, afirmou a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), Ideli Salvatti que protocolou, na quinta-feira, 11, como sua primeira iniciativa no Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), uma representação na Procuradoria-Geral da República contra o deputado federal. O CNDH também entrará com representação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, pedindo a cassação do mandato do parlamentar. Na terça-feira, 9, Jair Bolsonaro (PP-RJ) repetiu o insulto que havia feito, em 2003, à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). “Fica aí, Maria do Rosário. Fica. Há poucos dias, tu me chamou (sic) de estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir”, disse ele ao ver a deputada, que já foi ministra dos Direitos Humanos, sair da Plenária. Na ocasião, ela havia chamado a ditadura militar no Brasil (1964-1985) de vergonha absoluta e elogiado o trabalho da Comissão Nacional da Verdade. Ainda na terça-feira, em entrevista ao portal de notícias Zero Hora, o deputado “explicou” que não a estupraria porque ela é muito feia e ruim.  

Brasil lidera ranking de homicídios

Com 64,3 mil homicídios em 2012, o Brasil tem o maior número absoluto de homicídios do mundo. O dado é parte de um primeiro levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No total, 475 mil homicídios foram cometidos no mundo, em 2012. O levantamento estima que, de cada cem pessoas que são assassinadas no mundo, 13 são registrados no Brasil. No ranking, a Índia ocupa o segundo lugar com 52 mil homicídios, seguida pelo México, com 26 mil. O número da OMS é superior ao referente a 2012 fornecido pelo governo brasileiro, que contabilizava 47,1 mil homicídios. A organização aponta uma redução em 16% no número de homicídios no período entre 2000 e 2012, em todo o planeta.  

Aprovada segunda etapa da reforma administrativa

Os deputados aprovaram na quinta-feira, 11, em primeira votação, no plenário da Assembleia Le­gislativa, a segunda parte do projeto da reforma administrativa proposta pelo governo. De 41 parlamentares, 32 votaram, e desses, nenhum votou contra a matéria. O documento fixa os novos campos de atuação das secretarias oriundas das fusões de pastas, previstas na primeira parte do projeto, sendo elas: Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tec­nológico; Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos; Secretaria de Educação, Cultura e Esporte; Secretaria de Segurança Pública e Administração Peniten-ciária; Secretaria da Mulher, Desen­volvimento Social, Direitos Humanos e Trabalho. O projeto do governo também reduz unidades administrativas.  

Tucano assume presidência da Câmara de Goiânia

A mesa diretora da Câmara Municipal de Goiânia foi eleita por unanimidade na quinta-feira, 11. O vereador Anselmo Pereira (PSDB) foi eleito presidente da Casa. A surpresa veio com a vice-presidência de Tayrone di Martino, ex-aliado e assessor do prefeito Paulo Garcia (ambos do PT). O chamado “Blocão” –– que une vereadores do Bloco Mo­derado e dos oposicionistas –– se reuniu um dia antes, em Anápolis até chegar a um consenso. No início da sessão especial, outra chapa encabeçada pelo vereador Deivison Costa (PTdoB) foi apresentada. Porém, ele mesmo retirou a candidatura e declarou apoio a Anselmo. O presidente da Casa, Clécio Alves (PMDB), pediu suspensão da sessão duas vezes. Na primeira, tentando montar uma chapa da situação. Na segunda, para decidir com o prefeito se votariam ou não na chapa única. A vereadora Cida Garcêz (SD) foi a única que votou em toda a chapa, com ressalva: menos no 1º secretário, Zander Fábio (PSL). O 2º vice-presidente será Rogério Cruz (PRB). O tucano Geovani Antônio será o 2º secretário, seguido por Pedro Azulão Júnior (PSB), como 3º secretário. Outra surpresa na chapa oposicionista é o vereador Mizair Lemes Júnior (PMDB), como 4º secretário.  

Índice goiano de educação supera o nacional

Segundo o movimento Todos pela Educação, 57,6 % dos jovens de Goiás conseguiram concluir o ensino médio até os 19 anos. O índice goiano, referente a 2012, supera o nacional em 3,3%. Calculado com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2013, o indicador aponta que a média do País é de 54,3%. O estudo mostra ainda que Goiás ficou na frente de Estados como Rio Grande do Sul (48,8%), Rio de Janeiro (56,7%) e Minas Gerais (57,3%). Além disso, de 2012 para 2013 o número de jovens goianos que concluíram o ensino médio até os 19 anos saltou 9,2%. Em 2012, o porcentual era de 48,4%. Para garantir uma educação de qualidade, o movimento propõe que, até 2022, pelo menos 90% dos jovens concluam o ensino médio até a faixa etária citada.  

15 goianos foram mortos na ditadura militar

Após quase três décadas do fim da ditadura militar e de dois anos e meio de investigações, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) entregou na quarta-feira, 10, um extenso relatório — ao todo, são 4,4 mil páginas — sobre os abusos do regime ditatorial no Brasil, que durou de 1964 a 1985. Nele, são contabilizados 434 mortos e desaparecidos, além de outros 377 responsabilizados pelos crimes. Entre as vítimas, há 15 goianos. Além do relatório concedido pela CNV, outro documento promete esclarecer melhor os casos de abuso durante o período militar em território goiano. Está prevista para esta segunda, 15, a divulgação de relatórios da Comissão Estadual da Memória, Verdade e Justiça Deputado José Porfírio de Sousa (CEMVJ). Os relatórios apresentados devem ser finalizados e entregues até o mês de março.

Iris na cabeça de chapa e Mabel na vice: é a renovação?

Líder do PMDB na Assembleia, deputado Bruno Peixoto lança a chapa do partido para a disputa na capital em 2016

A cirurgia para a doença de Parkinson

Os tratamentos disponíveis, a técnica ablativa e a neuromodulatória produzem bom resultado

O que está ruim pode piorar

A sequência de acontecimentos mostra que a situação na Prefeitura de Goiânia é o reino encantado de Murphy: se pode dar errado, vai dar errado

Estatuto do Desarmamento coloca seguranças e polícia em situação de inferioridade ante a marginalidade

O Estatuto do Desarmamento é cúmplice dos bandidos, colocando-os em situação de superioridade armada, dando a eles confiança e favorecendo a situação de insegurança em que se vive

Os trunfos de Marconi que salvaram o governo

Em janeiro de 2011, Marconi herdou uma administração errática, com desequilíbrio projetado em R$ 2 bilhões. Ao final de 2014, foi reeleito batendo seu próprio recorde de votação

Lista dos prováveis novos secretários do governo de Marconi Perillo

[caption id="attachment_23393" align="alignright" width="620"]Leonardo Vilela: cotado para a Secretaria de Saúde de Goiás Leonardo Vilela: cotado para a Secretaria de Saúde de Goiás[/caption] Ao indicar o vice-governador José Eliton (PP) para a poderosa Se­cretaria de Desenvolvimento Econômico (engloba Indústria e Comércio; Ciência, Tecnologia e Inovação; Agricultura, Pecuária e Irrigação; e a Agência Goiana de Desenvolvimento Regional), o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), surpreendeu o meio político, e até o presidente do PP. O tucano-chefe quer mesmo surpreender e, em reunião com secretários e outros convidados, na semana passada, no Palácio das Esmeraldas, frisou que vão continuar no governo, mas em cargos diferentes. O anúncio do secretariado deve ser feito a partir do dia 22, mas um (ou outro) secretário pode ser anunciado antecipadamente. Mesmo com o governador resguardando a lista dos próximos secretários, a bolsa de apostas continua. Na semana passada era a seguinte: Saúde, Leonardo Vilela; Casa Civil, Henrique Tibúrcio; Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente, Vilmar Rocha (também cotado para Governo ou Edu­cação); Desenvolvimento Social e do Trabalho, Flávia Morais (Jovair Arantes disputa a pasta para seu grupo); Controladoria (ou cargo semelhante), José Carlos Siqueira; Sefaz, José Taveira (ou José Paulo Loureiro); Segurança Pública, Joaquim Mesquita (ou outro policial federal) ou João Campos; E­ducação, Raquel Teixeira (ou um técnico de outro Estado); Governo, Eduardo Machado.

Em público, Janot avisou à presidente sobre o início do processo contra o petrolão

Dilma recebeu o recado como se fosse abuso de autoridade, com alarmismo e uma ordem para demitir petroleiros, o que não aceita

Vanderlan Cardoso admite disputar Prefeitura de Goiânia. Mas só se tiver estrutura ampla

[gallery type="square" ids="23380,23381"] O empresário Vanderlan Cardoso (PSB) disse ao Jornal Opção na sexta-feira, 12 — quando fazia check-up no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo — que pode disputar a Prefeitura de Goiânia, em outubro de 2016. “Porém, e isto é decisivo, só disputarei se conseguir formatar uma aliança política ampla e forte e, assim, conquistar maior tempo de televisão para expor minhas ideias. Não quero mais disputar eleições de maneira isolada, com escassos apoios políticos.” Frisando que só vai articular com mais desenvoltura a partir de fevereiro — em janeiro, viaja para Angola (convidado pelo empresário Odilonzinho San­tos, que atua no país africano) e para o Panamá (“pretendo exportar mais, pois no Brasil há impostos em demasia”) —, Vanderlan Cardoso diz que, assim que terminaram as eleições, retornou para o comando de suas empresas. “Estou lidando com política há cerca de dez anos e chegou o momento de cuidar de expandir os negócios. Como tive boa votação em Goiânia, recebo convites frequentes para disputar a prefeitura. Mas insisto que só disputarei se conseguir ampliar o apoio partidário.” Vanderlan Cardoso admite que está “conversando” com o empresário e amigo Júnior Friboi, do PMDB. “Nós almoçamos recentemente. Júnior quer disputar o governo em 2018, mas há um problema: não tem o controle do PMDB. Sugeri que, se quiser ser candidato, deve se filiar noutro partido.” A tese de Friboi é a seguinte: apoiaria Vanderlan Cardoso para prefeito de Goiânia e, na disputa estadual, o ex-prefeito de Senador Canedo o bancaria para governador. “Está cedo. As conversas são preliminares”, sugere o líder do PSB. Quase no final da entrevista, Vanderlan Cardoso retomou o tema inicial: “Posso disputar a Prefeitura de Goiânia, mas só se fizer parte de um projeto ‘encorpado’. Uma campanha solo, isolada, não me interessa”.

A ação do MPF paga para ver se o País para mesmo se empreiteiras forem punidas

[caption id="attachment_23384" align="aligncenter" width="620"]Ministro do STF Teori Zavascki: Lula quer que ele cuide dos interesses do PT | Nelson Jr./ SCO/ STF Ministro do STF Teori Zavascki: Lula quer que ele cuide dos interesses do PT | Nelson Jr./ SCO/ STF[/caption] Completa hoje um mês que a Operação Lava Jato prendeu 18 pessoas acusadas pela participação no petrolão e apreendeu documentos sobre o esquema de pagamento de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobrás, no esquema liderado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa junto com o doleiro Alberto Youssef. Outras duas pessoas fugiram e entregaram-se depois. Oito dias antes, um grupo de construtoras que agiam em conjunto acreditava que seria poupado de uma eventual ação policial. Acreditava que as empreiteiras eram importantes demais para serem punidas. Mesmo assim, o grupo articulava uma ação comum de defesa para o caso de ocorrer o que não esperavam: a repressão. Poderia gastar R$ 1 bilhão na defesa de todos. A comprovação está em documentos e anotações apreendidos pela Polícia Federal junto à Enge­vix. “Janot e Teori sabem que não podem tomar decisão”, anotou-se num papel. “Pode parar o país”, desafiou-se alguma decisão policial ou judicial contra as construtoras que prejudicasse a indústria da construção e de exploração de serviços de infraestrutura. Afinal os planos políticos e e­co­nômicos do PT no poder se sustentam no apoio de serviços e in­vestimentos das grandes em­prei­teiras, patrocinadoras de viagens e palestras caras e exclusivas do ex-presidente Lula. Daí as men­ções das construtoras a Janot e Teori. O procurador-geral da Re­pú­blica, Rodrigo Janot, ainda não revelara a autonomia que agora demonstrou ao denunciar a corrupção no governo a partir do petrolão. Teori Zavascki é ministro do Supremo Tribunal Federal indicado pela presidente Dilma e atua junto a Janot. Por ironia, agora o Ministério Público Federal (MPF) deseja que as empresas e pessoas envolvidas no petrolão devolvam aos cofres públicos R$ 1,1 bilhão como indenização, quantia que se aproxima daquele R$ 1 bilhão que as construtoras teriam para pagar a defesa conjunta em caso de repressão. Cabe ao procurador encaminhar as denúncias ao Supremo na pessoa de Zavascki, encarregado de centralizar no tribunal o processo da Lava Jato e depois distribuí-los a tribunais competentes. Indicado por Dilma a ministro, Zavascki é uma referência do governo. Em sua última passagem por Brasília, Lula demonstrou a petistas estar atento à atuação do ministro no petrolão. A previsão daquele grupo falhou em relação a Janot, agora que o MPF denunciou criminalmente 36 pessoas pela corrupção na Petrobrás. Entre elas, estão 25 donos, executivos e funcionários de seis empreiteiras: Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenha­ria, Mendes Júnior, OAS e UTC. Não chegou a vez da Odebrecht. Como informou Janot, esta é a primeira leva do petrolão. Gra­dual­mente, as denúncias criminais incluirão autoridades e políticos de partidos beneficiados pelos assaltos à petroleira. O clima deve aquecer quando chegar a vez de Renato Duque, antigo tesoureiro do PT, de onde saiu para operar a Diretoria de Serviços, berço do petrolão. Esclareceu o MPF, todo o trabalho feito até agora com a participação da Polícia Federal se restringe a Serviços da Petroleira desde 2004, quando o governo Lula colocou Paulo Roberto Costa, o amigo Paulinho, como diretor da área para operar em nome do PP, para repartir o lucro dos subornos com o PT e outros partidos aliados. A certeza de que não demora a vez de Duque consta de documento entregue pelo MPF à Justiça Federal na quinta-feira. “As condutas de Renato Duque e de outros empregados corrompidos da Petrobrás serão denunciadas em manifestações próprias”, registrou a procuradoria. Segundo o documento, a ação de Duque e Pau­linho “garantiam que os intentos do grupo fossem atingidos”.

O PT ensaiou no Alvorada um modelo de defesa na crise que exige mais da Petrobrás

A disposição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em denunciar a corrupção do pe­tro­­lão pairou com uma força inesperada na longa conversa da presidente Dilma com Lula e outros com­panheiros naquela mesma ter­ça-feira, no Alvorada. Mas o que va­zou indica que o PT deseja mais dinheiro da Petrobrás — e não austeridade. Com os olhos no retorno de Lu­la ao Planalto dentro de quatro anos, companheiros desejam proteger os negócios das empreiteiras, vítimas há um mês de nova etapa da Operação Lava Jato, de modo a permitir a realização de obras no segundo governo Dilma. Entre outras coisas, a Petrobrás bancaria o pagamento de terceirizados pelas construtoras em dificuldades. O problema seria convencer o Ministério Público Federal, che­fiado por Janot, a ser compreensivo com questões sociais, como a garantia de emprego, salários e direitos trabalhistas de pessoas empregadas por fornecedores da petroleira. A agressividade recente do procurador-geral pode ser um recurso dele para afastar o MPF da nova trama. Quem esteve no Alvorada re­la­ta que Dilma se chocou com a fa­la de Janot contra a corrupção. Considerou que o procurador co­brava ação dela. Centra­li­zadora e do­minadora, ela detesta cobranças, não gosta de prestar contas. Clas­sificou como escândalo a sugestão para a demissão da diretoria da Petrobrás. Chocou-se porque Janot afirmou que o país se “convulsionou” diante do petrolão. A presidente não aceitou que o país seja extremamente corrupto, na fala do procurador. Desa­pon­tou-se com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, porque não teria defendido o governo com o vigor e argúcia que ela recomendou ao pedir que respondesse a Janot. Trata-se de algo que pode desviar de Cardozo a vaga de ministro aberta no Supremo Tribunal Federal.

A CPI da Petrobrás terminou em branco, mas não garantiu sossego ao PT e ao Planalto

[caption id="attachment_23383" align="aligncenter" width="620"]REUNIAO1 Lula da Silva aos companheiros petistas: ignorando o escândalo e culpando a “elite” pela criminalização do partido| Ricardo Stuckert/ Instituto Lula[/caption] Um advogado de júri poderia alegar que a maior prova da culpa dos governistas no petrolão está no fato de que a CPI do Congresso que investigou a Petrobrás encerrou seus trabalhos no meio da semana sem responsabilizar qualquer pessoa e sem encontrar vestígio de saque aos cofres da petroleira. Ironicamente, a CPI controlada pelo PT fechou as portas na quarta-feira, no intervalo entre dois dias expressivos. Na véspera, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, publicamente, cobrou providências do governo contra a corrupção em seu organismo. No dia seguinte, a procuradoria indiciou criminalmente as primeiras 36 pessoas às voltas com o petrolão. No entanto, na mesma manhã em que Janot discursou, a presidente Dilma se reuniu por cinco horas com Lula e mais alguns companheiros, na residência do Alvorada, onde almoçaram. Um dos temas servidos foi o impacto no PT do saque à Petrobrás e seu reflexo na estabilidade do governo e no sossego petista. Enquanto isso Lula participou na noite de quarta de um encontro do PT e demonstrou que está de olho na atuação do ministro Teori Zavascki, indicado por Dilma ao Supremo Tribunal Federal, onde centraliza as informações sobre o escândalo da petroleira. Ocorreu num momento em que comparou mensalão ao petrolão. Queixou-se de que, no momento em que Zavascki analisar um processo sobre a empresa, a imprensa já terá condenado o PT por antecipação, influenciando a opinião pública e pressionando o Judiciário. Com auditório ocupado por dirigentes e militantes do PT, Lula denunciou a existência de um movimento na elite pela “criminalização do partido”. “Ah, o PT cometeu o crime de criar políticas que permitiram o reconhecimento internacional de que a fome neste país acabou”, ironizou Lula. “O PT cometeu também o crime imperdoável de ter promovido a maior transferência de renda de todos os tempos através dos aumentos do salário mínimo”, continuou. E foi em frente com a ironia. “Também cometeu o crime horrível de abrir as portas das universidades para os que nunca sonharam chegar lá. Mas o crime realmente imperdoável foi o fato de a Dilma ter sido reeleita. Nós somos o partido que por mais tempo terá governado este país. Quando Dilma terminar o seu mandato, serão 16 anos.” Nesse momento, surgiram no público apelos ao “Volta, Lula”. O próprio desviou a conversa. “Ninguém tem que pensar em 2018”, respondeu. “Tem que pensar em primeiro de janeiro de 2015, na posse da presidenta Dilma e na resposta que temos que dar ao país. Ela precisa governar. Vamos repetir aquele refrão: Deixem a mulher trabalhar.” Era uma nova comparação entre o mensalão e o petrolão feita por Lula. Recorde-se que em 2006, quando ele se apresentou à reeleição, sofria incômodo com contrariedade social diante da corrupção mensaleira. Então surgiu o refrão. “Deixem o homem trabalhar”, propagava o PT. Agora, entre as palavras de ordem difundidas no encontro petista, estava o apelo à militância para resistir “a toda forma de golpismo”. À saída do auditório, as pessoas recebiam adesivos de outra palavra de ordem antiga, agora adaptada à nova difusão: “Mexeu com Dilma, mexeu comigo”. A mobilização da militância é um dos recursos táticos discutidos no Alvorada pelos petistas. A ideia é ter um conjunto de táticas que se integrem numa estratégia de autoproteção do governo e do partido diante da onda de denúncias de corrupção, de especial o petrolão. Aquele auditório de quarta-feira foi alugado, originalmente, para abrigar uma discussão interna dos preparativos para o próximo congresso nacional do partido. No pós-Alvorada passou a ser uma ferramenta de motivação da militância para ir às ruas e redes sociais em defesa do governo e do partido. Difundiram-se palavras de ordem, para resistir “a toda forma de golpismo”. Como foi dito ao auditório, golpismo são as mobilizações do outro lado, contra a corrupção; o apelo à volta dos militares (que não dispõem de meio de volta); a pregação do impeachment de Dilma; a instalação de uma nova CPI da Petrobrás; e a propagação do petrolão. A mobilização na posse de Dilma, em 1º de janeiro, é outro recurso tático. O projeto é reunir na Praça dos Três Poderes caravanas vindas de todos os Estados. Assustados com a onda adversa, petistas apostam em grandes manifestações que intimidem e calem o outro. Se alguém mexer com Dilma, mexeu com eles.

Pedir a demissão de dirigentes da petroleira por causa da corrupção é golpismo?

[caption id="attachment_23376" align="aligncenter" width="600"]Venina Velosa da Fonseca abasteceu Dilma Rousseff com denúncias | Foto: Reprodução Venina Velosa da Fonseca abasteceu Dilma Rousseff com denúncias | Foto: Reprodução[/caption] Saiu da sombra a antiga gerente da Petrobrás que prestava depoimentos sobre corrupção na empresa, mas se escondia do público. Agora ela revelou à imprensa o seu simpático rosto, o nome e o sobrenome. Venina Velosa da Fonseca afirmou que, enquanto Dilma Rousseff ministra de Minas e Energia e chefe da Casa Civil, abasteceu-a com denúncias. O alvo de Venina seria a Diretoria de Serviços na gestão do célebre Paulo Roberto Costa, não por acaso seu chefe. Trabalhou no ninho que gerou e distribuiu entre partidos o dinheiro que vinha do petrolão, doado por empresas que prestavam serviço à Petrobrás. Se Venina não pode apresentar prova de que Dilma recebeu seus e-mails e documentos sobre o que se passava no seu entorno de sua gerência, a direção da petroleira confirma que acolheu denúncias da moça, examinou, considerou improcedentes e decidiu demitir a então gerente-executiva, mas esbarrou numa licença médica. Mais tarde foi afastada. A atitude de Venina se enquadra bem naquele código de golpismo que Lula, Dilma e outros companheiros estabeleceram para proteger o PT e o governo contra ataques externos. Sim, a moça é nitidamente golpista. Ainda mais que saiu da sombra e apresentou-se ao público na sexta-feira. Golpista também é a oposição, que se apoia em Venina para pedir a demissão da primeira amiga Graça Foster da presidência da Petrobrás.

Disputa de 2018 terá como favoritos um político do DEM, Caiado, e um ex-político do DEM, José Eliton

[gallery type="square" ids="23372,23373"] Ao escolher de José Eliton (PP) para a Secretaria de Desen­volvimento Econômico, possivelmente a principal do governo, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), sinalizou várias coisas. Primeiro, deixou claro que o vice-governador é o segundo político mais poderoso da gestão estadual. Segundo, com um gesto, provocou o fim da disputa acirrada pelo cargo. Ninguém, a rigor, vai questionar o vice que, em abril de 2018, assumirá o governo do Estado. Terceiro, o tucano-chefe sinalizou que não quer e não vai transformar o pepista num novo Alcides Rodrigues (este, quando vice, sentia-se menosprezado; quando assumiu, rompeu com seu criador, tornando-se, mais do que adversário, inimigo de uma ferocidade inaudita, jorcelino-braguiana). Agora, Marconi está sinalizando que vai fortalecê-lo e que criará condições para que, ao assumir o governo, daqui a três anos, José Eliton já esteja forte e bem conhecido em todo o Estado. Quarto, a indicação sugere também que os partidos aliados, como no caso o PP, vão ser contemplados com cargos significativos. Quinto, é preciso considerar os méritos do vice — que é um jovem competente, leal, dedicado e com imensa capacidade de trabalho. E apaixonado por política. A resistência ao seu nome, incrustada mais no PSD, já foi contornada. Postas as questões acima, há uma que fica mais no campo da especulação. Está cedo para dizer com certeza, porque a política, por ser dinâmica, como a vida, muda muito e, às vezes, de um dia para o outro. Um candidato lançado muito cedo precisa segurar a onda por quase quatro anos. Não é fácil. Porém, como o governador Marconi Perillo não pode disputar a reeleição em 2018, os principais nomes da política de Goiás começam a expor seus nomes. Eles sugerem que, sem Marconi, abre-se um imenso vácuo na política em nível estadual. Daí que quem expor seu nome mais cedo, num Estado gigante como Goiás, poderá chegar consagrado em 2018. É o que já estão fazendo Ronaldo Caiado (DEM), Júnior Friboi (PMDB), Daniel Vilela (PMDB) e Antônio Gomide (PT). Há um dado curioso: é provável que, na disputa de 2018, os dois candidatos mais consistentes sejam José Eliton, dados o peso da máquina e o apoio de Marconi Perillo, em si uma verdadeira máquina de fazer política, e Ronaldo Caiado. Quer dizer, um ex-filiado do DEM e um filiado do DEM. Será uma campanha dura, porque José Eliton e Ronaldo Caiado se tornaram, mais do que adversários políticos, inimigos pessoais. O senador eleito não perdoa José Eliton por ter bandeado para o lado do tucano-chefe. José Eliton, por seu turno, critica o “autoritarismo” do líder do partido Democratas. José Eliton e Ronaldo Caiado são políticos bem preparados e com discursos afiados. O segundo é mais experimentado, mas quem viu o primeiro na campanha deste ano ficou impressionado tanto com seu discurso quanto com sua desenvoltura. Parece, na política, um peixe n’água.