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O secretário Vilmar Rocha (PSD) é o tipo de pessoa que não se irrita com nada. Está sempre bem-humorado e é extremamente afável. Homem culto, com formação até erudita, prefere se comportar de maneira simples, sem firulas acadêmicas (mas quem leu seu livro sobre o populismo sabe que seus voos acadêmicos são altos). É um liberal que aposta que o investimento no social, num país como o Brasil, é mesmo absolutamente necessário. Nisto, segue, de certa forma, a tese do liberalismo social sugerido pelo filósofo José Guilherme Merquior. A presidente Dilma Rousseff o chama de “Gilberto Kassab de Goiás”. Vilmar Rocha não se importa com a comparação, pois a presidente quer dizer que se trata de um político diplomático como o político de São Paulo. De brincadeira, integrantes do PSD começam a chama-lo de “Kassab do Cerrado” ou de “Kassabinho do Planalto”. O fato é que, embora Kassab seja ministro e de uma Estado mais poderoso, a história de Vilmar Rocha é muito superior à do líder do PSD nacional.
PMDB, maior bancada da base, se mantém em 2015, mas se a administração não se recuperar, divórcio poderá virar impeachment em 2016
"Tenho muita tristeza em ver que o PMDB parece continuar sob o comando de uma pessoa que enxerga apenas seus interesses pessoais", disse o advogado em referência ao ex-governador Iris Rezende
Em média sempre ascendente, foram quase 15 mil procedimentos mensais, com aumento de 400% entre o início e o fim do ano
Ricardo Quirino Li a nota “Reforma tem que discutir baixa presença de negros no Parlamento, diz ministra” (Jornal Opção Online) e penso que essa discussão vai além de uma reforma política, deve ser algo que faça parte de uma conscientização da população negra acerca de sua história e valor. Nesse ponto, clamo ao ensino no nosso País e a uma maior atenção para com as questões relacionadas ao tema. Vamos discutir oportunidades sem extremismos, vamos debater a história, sem radicalismos. As coisas em nosso País, claramente, estão passando por uma grande transformação. Por exemplo, em Goiás, com a inauguração da primeira delegacia de defesa da pessoa com deficiência do Estado. Quando se vê agentes públicos com uma atenção diferenciada em relação a pessoas que para a sociedade às vezes não representam — aos olhos de alguns —, uma grande contribuição, a gente passa a cada dia acreditar na valorização do ser humano. Parabéns ao governo, ao delegado e a todos os que trabalharam intensamente nesse propósito. E-mail: [email protected]
“Balcão de cargos para atender aliados”
Wilson Barborsa Em relação ao texto “É melhor uma máquina pública enxuta ou obesa?” (Jornal Opção 2040), da coluna “Ponto de Partida”, a fragmentação ministerial acaba por revelar duas vertentes: a ineficiência de comando do governo e o “balcão” de cargos para atender as expectativas dos aliados políticos. Na outra margem do problema, fica a população, à deriva em um mar sem porto. Sêneca já dizia: “Não há porto seguro para quem não sabe aonde quer chegar.” O navio é o governo, o mar, os acordos políticos e os ministérios fragmentados, as “ilhas” espalhadas na falta de um porto. Wilson Barbosa é filósofo. E-mail: [email protected]“Pe. Marcelo Rossi não deixou de ser fiel a Deus”
Michele Davi
O fato de o padre Marcelo Rossi ser sacerdote não o torna menos ser humano. E todo ser humano tem suas falhas. Ninguém se isenta de se magoar, mas todos nós podemos buscar forças em Deus e nos levantar novamente. O padre ensinou muitos de nós a buscar mais fé em Deus, então não acredito que ele tenha deixado de ser fiel a Deus pelo simples fato de se magoar com algumas coisas que falaram dele.
“Criação de partido é só manifestação de desejo de poder”
Antonio Alves Sobre a nota “Deputado quer criar o partido dos defensores da saúde” (Jornal Opção Online), é bom que se entenda que a criação de mais um partido é apenas uma manifestação do desejo de poder. Fosse assim, iríamos criar o Partido da Educação Brasileira (PEB), o Partido Brasileiro da Saúde (PBS), o Partido da Segurança Nacional (PSN) e um partido para cada segmento. Como um partido desses, chegando ao poder vai se relacionar com outros segmentos sociais? E-mail: [email protected]“Esperava mais da biografia de Ronnie Von”
M.C.S. Oliveira O texto “Ronnie Von vira santo em biografia autorizada” (Jornal Opção 2045, caderno “Opção Cultural”), de Iúri Rincon Godinho, é uma crítica perfeita. Eu me decepcionei muito com a “biografia”; esperava mais sobre as fases musicais de Ronnie Von e mais discussões sobre sua carreira. E-mail: [email protected]
Após nove meses como prefeito de Anápolis, o prefeito João Gomes (PT) começa o ano falando ao Jornal Opção
“Um Amor Anarquista” desloca fatos históricos para construir uma narrativa contemporânea, que pretende falar de uma matéria atual: a falência das ideologias diante das forças individuais
Jogador do Goiás, principal revelação do futebol brasileiro em 2014, apareceu na Copa São Paulo de Futebol Júnior, que começa a ser disputada nesta semana e tem os quatro clubes da capital goiana como participantes
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Erik, de 20 anos: de artilheiro da Copa São Paulo em 2013 a revelação do Brasileiro do ano seguinte | Foto: Rosiron Rodrigues/Goiás E.C.[/caption]
Elder Dias
O ano de 2014 terminou para o jovem Erik Nascimento Lima assim como havia começado 2013. Bastante reconhecimento por seus serviços prestados, embora, desta vez, com assédio muito maior. Aos 20 anos, Erik é jogador de futebol e tem uma boa chance de ficar milionário com o que faz. Um destino de sonho para quem morou a primeira metade da vida em um assentamento rural de Novo Repartimento, município do Pará situado na mesma latitude da região do Bico do Papagaio, no Tocantins.
Na segunda metade de sua vida entrou o futebol. Erik veio para Goiânia e, com seu talento, foi logo aprovado no teste para as categorias de base do Goiás. Passou a morar em casa de parentes na vizinha Aparecida de Goiânia e seu pai se tornou funcionário do clube, para que o garoto tivesse mais tranquilidade para se aprimorar. O trabalho rendeu frutos, visíveis já em 2013, quando a equipe goiana foi vice-campeã da Copa São Paulo de Juniores e o menino paraense, um dos artilheiros da competição, com oito gols. Quase dois anos depois, o garoto recebia o troféu de Revelação do Campeonato Brasileiro de 2014. Havia feito 12 gols e se tornado a principal referência ofensiva de um Goiás de conjunto bastante limitado.
Da façanha no torneio paulista até dezembro do ano passado, muita coisa aconteceu na vida de Erik: ele subiu para o elenco profissional, teve chances, não as aproveitou muito bem em um primeiro momento; mesmo sem se firmar, foi convocado para a seleção brasileira sub-20, e ganhou o Torneio Internacional de Toulon; depois, finalmente, tornou-se titular absoluto da equipe no segundo semestre de 2014. Tudo serve para mostrar como o mundo do futebol é instável, principalmente para quem está ainda tentando um lugar na vitrine.
Em janeiro, como Erik fez dois anos atrás, algumas dezenas de jovens de Goiás estarão em São Paulo para buscar mostrar serviço na Copinha, como é chamado o torneio, o mais tradicional (realizado desde 1969) no País entre os que buscam revelar novos jogadores. Pela primeira vez na história, os quatro clubes da capital goiana vão estar na disputa: Goiás e Goiânia conseguiram vagas pela cota técnica da Federação Goiana de Futebol (FGF); Atlético e Vila Nova foram convidados.
Ao mesmo tempo em que buscam a exposição de seus valores, os clubes carregam uma preocupação do mundo moderno do futebol. Com a globalização e a atual legislação para o esporte — especialmente a Lei Pelé, não raramente amaldiçoada nas sedes dos clubes —, a correlação de forças foi alterada. A figura do empresário de atleta ganhou ressonância: hoje boa parte dos jogadores, mesmo antes de se profissionalizarem, tem seus direitos econômicos fatiados entre “grupos de investidores”. É como se cada candidato a craque fosse uma empresa, com ações em que essas pessoas apostam suas fichas. Se der certo, todos ganham. Ou quase todos.
Se o time vai bem, quem aparece na vitrine vira alvo dos empresários, que às vezes representam seus próprios interesses ou de seus grupos; outras vezes trabalham a cargo de clubes do Brasil e do exterior. E assim, se o atleta não estiver bem “amarrado”, contratualmente falando, o clube que o está mostrando pode perder a joia a preço de banana, ou até de graça.
Competições de equipes de base podem ter resultados imprevisíveis. O Goiás de 2013 não tinha nada de favorito quando pegou a Via Anhanguera — um dos detalhes que diferenciam profissionais de jogadores de base é o meio de transporte — e por pouco não voltou de São Paulo com o título. Em dezembro de 2014, o mesmo Internacional que havia conquistado a Copa do Brasil de Juniores — vencendo o Goiás nas quartas-de-final — 15 dias antes, foi eliminado do Brasileiro na 1ª fase.
Trabalho de base no Goiás para perpetuar celeiro de craques
Do quarteto goianiense, o Goiás, por seu passado de revelador de talentos — craques como Luvanor, Zé Teodoro, Cacau, Túlio, Fernandão, Josué, Araújo e Danilo, entre outros —, pela estrutura e pela posição que ocupa, é de quem mais se espera um resultado positivo. O técnico é Augusto César, o mesmo que levou o clube à decisão da Copinha em 2013. Ex-lateral do clube entre 1992 e 1996, ele saiu do clube para atuar por Portuguesa, Corinthians — esteve no elenco campeão mundial de 2000 —, Botafogo e, depois, clubes do Japão e de Portugal. Encerrada a carreira, voltou à terra natal, Brasília, onde começou a trabalhar como treinador e foi buscado pelo então presidente do Goiás João Bosco Luz para as categorias de base. [caption id="attachment_25069" align="alignleft" width="300"]
Técnico Augusto, dos juniores do Goiás: “Garotos oscilam” | Foto: Portal 730[/caption]
O vice-campeonato logo após um ano de trabalho no clube lhe trouxe respeito. Ganhou todas as cinco competições estaduais que disputou como técnico, mas não teve o mesmo sucesso em 2014 no retorno à Copinha. Eliminação na primeira fase. Ele acha natural: “Não dá para prever o que vai acontecer em uma competição de atletas de base. A oscilação é muito grande, o elenco tem muita rotatividade”, afirma.
Para o ano passado, ele perdeu a base que tinha sido vice-campeã — entre eles, o agora famoso Erik. E para esta edição, a base será totalmente diferente do ano passado. “A gente está sempre assim, porque também é importante que os jogadores sigam para o profissional”, diz Augusto.
Da mesma forma com que ajuda o time “de cima”, ele conta com a parceria da categoria sub-17: ele contará com três atletas — o goleiro Felipe Ramos, o meia Valdemir e o atacante Richard, este considerado uma das maiores promessas para o futuro alviverde — do elenco comandado pelo treinador Rafael Barreto.
Formado em Educação Física pela PUC-GO, Rafael integra uma geração cada vez mais em alta entre os profissionais do futebol brasileiro: a de treinadores saídos das faculdades e não das quatro linhas. Nesse sentido, ele segue os passos dos dois últimos treinadores do Goiás nos campeonatos brasileiros, Enderson Moreira e Ricardo Drubscky, considerados intelectuais do futebol, como também são vistos Carlos Alberto Parreira, Rubens Minelli e o português José Mourinho, do Chelsea, tido por muitos como o melhor técnico em atividade no mundo. Nenhum foi jogador.
Enderson deu aulas para Rafael Barreto em um curso de formação de treinadores de futebol promovido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na Granja Comary, sede da entidade em Teresópolis (RJ). Além do ex-técnico do Goiás a formação, em três módulos, contou com nomes como Mano Menezes, Ney Franco e Vanderlei Luxemburgo, todos treinadores consagrados. “No Centro-Oeste, sou o único que já concluiu os três níveis”, orgulha-se Rafael Barreto.
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Rafael Barreto, do sub-17 verde: curso na Granja Comary | Arquivo Pessoal[/caption]
Nascido em uma família que tem o Direito como ambiente natural — seu pai, Reinaldo Barreto, é um dos mais reconhecidos advogados do Estado e foi procurador-geral na capital —, Rafael concluiu o curso, mas em seguida encarou novamente outra faculdade por sua real paixão, formando-se em 2011. Começou a trabalhar no Goiás na comissão técnica de Enderson e depois assumiu o comando da categoria sub-17. Seu aprendizado tem sido intenso e serve para mostrar como se dá a interação na base para, ao fim, formar atletas como Erik. E alto que nem sempre vem com títulos. “A gente pega fotos de times antigos campeões da base e, quando olha os jogadores, repara que nenhum virou titular de sua equipe. Ao contrário, tem muito elenco de categorias sub-20 e sub-17 que não chegou a ganhar título e rendeu muitos frutos ao clube”, lembra Rafael.
No trabalho do Goiás, o contato entre as comissões técnicas dos times profissional, sub-20 e sub-17 é frequente, entre treinadores e seus auxiliares. “Várias vezes o Augusto assistiu a nossos jogos e chamou os que se destacavam para ter um primeiro contato, como um estágio, no sub-20”. A cada fim de ano, cada comissão faz um relatório e passa às demais. O cruzamento de dados ajuda a fechar um planejamento para o ano seguinte, com promoções e dispensas de atletas.
O Goiás tem um trunfo importante nas categorias de base: recebeu da CBF o selo de clube formador. Isso significa que é um dos poucos que faz um trabalho de base respeitando totalmente o que prevê a lei, incluindo o acesso dos jovens atletas à moradia, saúde e, principalmente, a educação. “Às vezes tem clube com trabalho bom dentro das quatro linhas e que peca fora delas. No Goiás, para se manter como clube formador, é preciso que todos os jogadores da base estudem, por exemplo”, diz Rafael.
O certificado de clube formador é como um passaporte “da 2ª Divisão para a 1ª” no mundo das categorias de base, exemplifica o treinador do sub-17, para quem o Brasil precisa buscar cada vez mais planificar seu trabalho: “O 7 a 1 para a Alemanha na Copa foi muito eficiente, nesse sentido, para demonstrar a fragilidade do futebol no País do futebol.”
Goiânia quer ser um heroico “Davi” na Copa SP
Responsável pelos garotos do Goiânia que vão à Copa São Paulo, Fabrício Carvalho é da mesma geração e idade (tem 31 anos) de Rafael Barreto. Mas já é um velho conhecido entre os que atuam nas categorias de base dos clubes goianienses. Já passou por Atlético, Vila Nova, Futebol Arte e Campinas e chegou a 11 finais, conquistando quatro títulos. Decidiu largar a carreira de jogador em uma noite em Cassilândia (MS). Comunicou a seu treinador que estava deixando o futebol. “Senti algo que me dizia que eu tinha era de estudar”, declara. E assim foi para a sala de aula, mas sempre visando continuar no esporte. Formou-se em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e acrescentou ao título duas especializações. [caption id="attachment_25073" align="alignleft" width="300"]
Fabrício Carvalho, técnico do sub-20 do Goiânia: compensando a diferença de estrutura para o “gigante” Goiás | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Como treinador do Galo, foi responsável por uma das façanhas da Copa São Paulo do ano passado. Ele dirigiu os garotos do Goiânia à frente da melhor campanha do clube na competição: a primeira vez que a equipe conseguiu passar de fase, justamente no ano em que Goiás — o vice-campeão da edição 2013 — e Vila Nova frustraram expectativas e voltaram para casa eliminados depois dos jogos iniciais.
No Goiânia, o trabalho é feito com recursos modestos. “Perdemos duas decisões para o Goiás este ano. Mas é sempre o pequeno contra o gigante, a diferença de estrutura é imensa”, ressalta. Para compensar, o time leva para São Paulo uma relativa experiência: boa parte dos jogadores já participaram da Copa São Paulo — os mais experientes são o zagueiro Rodrigo Ramos e o atacante Marcinho — e passaram também pela disputa complicada da 2ª Divisão do Campeonato Goiano deste ano. Fabrício Carvalho foi o técnico chamado para tentar salvar o Galo de cair para a Terceirona, no que seria o degrau mais baixo da história do maior campeão goiano na era do amadorismo. A prata da casa, incluindo o próprio Fabrício, conseguiu tirar o clube do buraco.
Atlético e Vila Nova
Já Coutinho, treinador do Atlético, pode ser considerado da escola mais convencional do futebol. Tem vínculos com o clube do Setor Campinas desde 1979, quando começou como juvenil, aos 16 anos. Foi artilheiro do Campeonato Goiano de Juniores por dois anos seguidos e depois fez sucesso também no time profissional. Seguiu carreira fora do Atlético a partir de 1987, como um cigano do futebol. Conquistou títulos — como o de campeão cearense pelo Ferroviário, em 1993 — e depois encerrou a carreira. O ex-atacante goiano, nascido em Orizona, relembra uma curiosa marca pessoal: é o maior artilheiro da história da Catuense, equipe do interior baiano.
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Coutinho, técnico do Atlético: “Tenho sonho de voos mais altos na profissão” | Foto: Erick Xavier/Portal 730[/caption]
Voltou ao Atlético em 1997, já para trabalhar com as divisões de base. O ex-atacante desfaz o mito de que o clube não dá atenção para suas categorias de formação. “Isso não é verdade. O Atlético praticamente parou de funcionar no começo da década passada. Não tinha nada, só se reergueu a partir de 2005. Mas desde então, já passaram pelo clube jogadores como Luciano (hoje no Corinthians) e Souza (campeão pelo Cruzeiro), Mauro e Platini (que estão no futebol português”, cita. Da base do Atlético saíram ainda Diogo Campos e Mahatma, que estão no elenco profissional e Francesco, que titular do Bragantino (SP) em 2014.
Sobre a expectativa para a volta à Copa São Paulo depois de três anos ele diz que quer ver a equipe “fazer bonito” e ganhar um bom presente de aniversário no dia 17 de janeiro: “Que o time ainda esteja em São Paulo.” É que a Copa São Paulo se encerra na data de fundação da capital paulista, 25 de janeiro. Estar disputando a competição no dia 17 significará ter ido longe nela.
Entre os goianos, o Vila Nova foi o último a ser confirmado na competição. A crise financeira e a restruturação do clube, que disputará a 2ª Divisão estadual e a Série C nacional, levaram a diretoria a economizar na delegação, que terá apenas 18 jogadores e 5 integrantes da comissão técnica: além do treinador Ariel Mamede, preparador físico, treinador de goleiros, roupeiro e massagista.
Primeira missão dos titulares será a de integralizar os setores agrupados nas novas pastas. Corte de gastos e compromisso com resultados também são prioridades
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Mário César Flores: o ex-ministro da Marinha percebe que argumentos da Comissão Nacional da Verdade servem para “incriminar” a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva no caso da corrupção na Petrobrás | Foto: Solan Soares[/caption]
O almirante da reserva Mário César Flores é um dos mais qualificados intelectuais brasileiros vivos. O leitor deve se lembrar dele por ter sido ministro da Marinha no governo Fernando Collor. Foi também ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Itamar Franco. Flores publicou, que eu saiba, sete livros sobre defesa e poder militar. Talvez tenha escrito outros. Cidadão educadíssimo, além de inteligente e culto, mesmo na reserva não seria dispensado de prestar serviço a nenhum governo, se não existisse enorme preconceito contra os militares. Preconceito que vem desde que Fernando Henrique Cardoso, a esquerda, chegou ao governo. É uma pena, pois quem perde, ao deixá-lo na prateleira, é o Brasil.
Do alto de seus 83 anos, Mário Cesar Flores, dono de uma lucidez invejável, de um raciocínio tão preciso quanto arguto e de muita experiência, seria melhor ministro da Defesa que qualquer um dos que já ocuparam a pasta. Ou do Planejamento, ou de outra meia dúzia de ministérios, hoje nas mãos de nulidades absolutas.
Ninguém na imprensa ou na oposição percebeu, mas não passou batido para Mário César Flores: a Comissão Nacional da Verdade responsabilizou integralmente Lula e Dilma por toda a roubalheira da Petrobrás. Responsabilidade mesmo, condizente com as penas da lei. Explico, ou melhor, o almirante Flores explica: a dita Comissão Nacional da Verdade, em seu relatório, responsabilizou os ex-presidentes do regime militar por todos os excessos cometidos pela repressão contra presos políticos. Responsabilizou também os ministros militares da época, bem como os comandantes dos Exércitos e de unidades militares onde podem ter ocorrido violações de direitos humanos. No entender da tal Comissão essas autoridades são responsáveis por tais crimes, pelo fato de ocuparem postos mais altos na cadeia de comando em que foram cometidos. Ainda no entender dos “brilhantes” membros da Comissão essa posição na hierarquia os faz, irretorquivelmente, culpados. O recurso ao “eu não sabia” é integralmente repelido pela dita Comissão Nacional da Verdade.
A seguir, pois, os critérios da Comissão, Lula e Dilma respondem pela roubalheira da Petrobrás, como presidentes da República. Há ainda o agravante de Dilma ter ocupado a presidência do conselho de administração da Petrobrás, e ambos, Lula e Dilma, terem como próximos, quase de casa, elementos-chave nos desvios de dinheiro público, como Paulo Roberto Costa. Metaforicamente, na interpretação da dita Comissão Nacional da Verdade, a “tortura” a que foi submetida a Petrobrás pela “ditadura” petista instalada no país, tem Lula e Dilma como responsáveis iniludíveis. Responsáveis “político-administrativos”, como presidentes. Dilma mais responsável ainda, pois chefiou um dos “centros de tortura” onde foi vitimada a Petrobrás: o conselho de administração da empresa. E Lula e Dilma conviveram, fraternalmente com os “torturadores” Paulo Roberto Costa, José Sergio Gabrielli e Renato Duque, entre outros.
A qualidade de Joaquim Levy é útil para esconder falta de qualidade de ministros
Esvaiu-se muito rapidamente o sentimento de alívio com a escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. A meritocracia na formação do novo ministério virou fumaça com o anúncio dos 13 ministros da segunda leva. O critério é o mesmo dos governos anteriores: loteamento da Esplanada dos Ministérios entre os partidos que dão apoio ao governo, sem a menor preocupação (que poderia facilmente ser exercida) com a identidade e a capacidade dos ministros em relação às pastas que ocuparão. A presidente Dilma Rousseff poderia, sim, exercer seu “governo de coalizão”, mas diminuindo os prejuízos dessa prática fisiológica com a exigência de que os partidos “coligados” apontassem nomes adequados, técnica e eticamente, para as pastas a serem preenchidas. É impossível que não existam esses nomes; apenas não são convenientes para a prática política atual, que acaba redundando em escândalos. Dilma e Lula parecem não aprender nada de bom e nem esquecer nada de mau. Ao que parece, nem a Dilma do segundo mandato aprendeu com a Dilma do primeiro. E lições não faltaram, o que não diz muito de bom sobre a inteligência da aluna. Tomemos um exemplo de como as coisas pioram no quintal governista: Aldo Rebelo será o novo ministro de Ciência e Tecnologia. Se no ministério anterior um Edison Lobão, por exemplo, nada possuía no curriculum que o ligasse à pasta de Minas e Energia, que ocupou por indicação do PMDB (leia-se José Sarney), no atual, um Aldo Rebelo ostenta sérios predicados que o contraindicam para a pasta de Ciência e Tecnologia, que vai ocupar por indicação do PCdoB. Uma imprensa livre nos faz lembrar de fatos como esses: Aldo Rebelo, como deputado, foi autor de projeto contra o uso de computadores no serviço público, pois poderiam “eliminar postos de serviço” na burocracia estatal; pretendia “dar cidadania brasileira” à jaqueira, quando se sabe que essa árvore é natural da Índia; pretendia proibir o uso das palavras imperialistas como “computador” e “mouse”, que deveriam, obrigatoriamente dar lugar, respectivamente, a “ordenador” e “rato” em nosso vernáculo; confessa-se “devoto do materialismo dialético como ciência da natureza”, e não acredita que exista influência humana no aquecimento global, vendo nos movimentos de preservação ambiental “um movimento internacional que é uma cabeça de ponte do imperialismo”. [caption id="attachment_25064" align="alignright" width="300"]
Aldo Rebelo: o ministro das ideias arcaicas vai dirigir o setor de ciência e tecnologia do governo Dilma Rousseff | Foto: Agência Brasil[/caption]
Não pode ser bom da cabeça quem ainda julga Stálin o “condutor genial dos povos”; quem admirou (até sua libertação do atraso comunista) a pobre e subdesenvolvida Albânia como um exemplo de sociedade; quem ainda vê nos dias de hoje uma luta filosófica entre positivismo e comunismo no interpretar a natureza e quem enxerga escondido atrás de cada porta o monstro capitalista-imperialista pronto a saltar sobre o passante. Aldo Rebelo é, segundo os que o conhecem, muito educado, calmo, agradável. Deve ser um bom chefe de família, carinhoso com os animais e um bom colega deputado.
Mas é bom lembrar que assim também eram, quando não tinham o poder burocrático e ideológico, os chefes dos campos de concentração nazistas. Graças à imprensa, sabemos o que esperar do novo ministério, se tomamos Aldo Rebelo como amostra. Se o leitor deseja saber mais, a imprensa desse final de ano é pródiga em apreciações abalizadas sobre essa nomeação.
Veja-se no jornal “O Globo” artigos de Cora Rónai e de Merval Pereira. Leia-se na “Folha de S. Paulo” as colunas de Mauricio Tuffani e de Reinaldo José Lopes. E conclua-se, partindo das revelações sobre o “companheiro” Aldo Rebelo, porque existe a verdadeira obsessão, o imorredouro desejo petista de “regular a mídia”, eufemismo puro e simples para a censura à imprensa. Grupos empresariais de informação como “O Globo” e a “Folha de S. Paulo” são, na cartilha petista, exemplos de conglomerados que devem ser esquartejados e assim melhor dominados. Afinal publicam muita coisa, muitas verdades de que o governo petista (e qualquer governo) não gosta. E no ideal imaginário desses militantes, imprensa boa mesmo, só a oficial, como a cubana. Lá o jornal (único, pode-se dizer) é o “Granma”. Se o mesmo vier a acontecer aqui, já se sabe: o jornal único, alimento espiritual da “esquerda revolucionária”, não poderá ter nome mais apropriado do que Grama. l
Historiador se diz responsável pela primeira biografia completa de Luís Carlos Prestes, o controverso líder comunista que virou “bode expiatório” no golpe de 1964
Por certas nomeações na equipe, dá para perceber que a corrupção e a inoperância causada pelo inchaço do ministério continuarão sendo as marcas do governo Dilma 2 [gallery type="rectangular" ids="25050,25051,25052"] Antes da metade do primeiro governo Dilma Rousseff, ali pelo final de 2011, já se pôde perceber que os problemas na gestão estavam instalados. Seja por incompetência pura e simples da equipe ministerial, seja pelo caráter voluntarioso da presidente, que se acha dona de verdade e tem imensas dificuldades em reconhecer seus erros. Em vista dos erros, os números da economia vieram descendo ladeira abaixo desde então. Como registra o doutor em Economia pela Unicamp Guilherme Costa Delgado: “O ano de 2014 sintetiza três características, até certo ponto comuns ao mandato inteiro: a) baixo crescimento; b) elevação do desequilíbrio externo (o ‘déficit’ em Conta Corrente com o exterior pula de pouco mais de 50 bilhões de dólares no primeiro biênio para mais de 80 bilhões no segundo biênio); c) tensões inflacionárias no nível do teto da meta oficial de inflação.” Por sinal, o Tesouro divulgou na segunda-feira, 29, que o rombo das contas públicas de janeiro a novembro chegou a R$ 283 bilhões. Só em novembro, foi de R$ 6,7 bilhões, o maior em 17 anos para o mês. Se considerarmos que a recuperação econômica dos Estados Unidos e a diminuição sensível do crescimento da China nos afetam fortemente, o ano de 2015 será muito difícil. EUA se recuperam e atraem investimentos que poderiam vir para o Brasil; o gigante chinês reduz a importação de commodities que produzimos e diminui nossas exportações. Esses fatores, e outros mais, nos pegam pelo contrapé. Em termos políticos, as coisas também não se apresentam nada alvissareiras. Pelos primeiros nomes anunciados para seu imenso ministério, está claro que o Dilma 2 será uma continuação de improvisos e acochambros de aliados indicados em postos para os quais não têm nenhuma aptidão. Um exemplo é o futuro ministro dos Esportes, deputado federal George Hilton, do PRB. O homem não tem absolutamente nenhuma afinidade para o cargo, mas preenche a “cota” seu partido no governo Dilma. Sem contar que Hilton foi expulso do PFL em 2005, após ter sido flagrado num aeroporto com R$ 600 mil em caixas de papelão. Não conseguiu explicar de onde vinha a dinheirama. Ou seja, é um finório juramentado. Com a reeleição, que ficou por um triz, esperava-se que o segundo governo da petista pudesse se diferente do primeiro. Isso, porque, sem a possibilidade de “trieleição” ela talvez raciocinasse que não precisaria entregar a alma aos aliados. Dilma não tem personalidade para tentar dar uma “cara” própria ao seu governo. É refém dos acordos para a tal governabilidade. E, para resguardar um mínimo de condições no sentido de recuperação da economia, teve de atender orientação do ex-presidente Lula, colocando na Fazenda o economista Joaquim Levy, um eleitor de Aécio Neves. Levy na condução da Economia pode devolver a credibilidade que o País perdeu. Isso se Dilma deixá-lo fazer o que é preciso: aplicar o ideário que certamente Aécio Neves iria aplicar se tivesse sido eleito, porque urge consertar os estragos cometidos pela dupla Dilma-Mantega. Mesmo com Joaquim Levy no comando da Economia, o restante do governo será mais do mesmo. Isso se os brasileiros tiverem muita sorte. Por que pode ser que este ano seja de degringolada com as dificuldades externas previstas, que refletirão no mercado interno.
Corrupção
Para piorar o quadro do primeiro ano deste governo que começou há três dias, a corrupção vai continuar sendo a marca das gestões petistas, como foi no governo Lula, com o mensalão. Haverá novas revelações no escândalo do petrolão — ou petropina, como prefere o procurador da República em Goiás, Helio Telho. Dilma está preocupada com o problema, que dificulta muito a estabilidade política de sua gestão, inclusive no Congresso. São vários apoiadores de seu governo que estão envolvidos no esquema de desvio de dinheiro na petrolífera. Incluindo aí os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, os peemedebistas Enrique Alves e Renan Calheiros. Além de petistas de proa, como os senadores Gleisi Hoffmann (PR) e Humberto (PE). E mais, pelo que confessaram os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, parte do dinheiro desviado serviu para financiar a campanha de Dilma, em 2010. Por aí se vê, que o novo governo começa sob tensão. Foi sim por medo que há poucos dias Dilma disse que iria consultar o Ministério Público sobre os nomes que ela escolheria para formar seu ministério. Ela tinha medo de nomear envolvidos no escândalo e depois ter de demitir. Bem, a presidente já tem sua cota de ministros envolvidos no petrolão. Jaques Wagner, o novo ministro da Defesa, pode estar no olho do furacão. Lembremos. A ex-gerente da Petrobrás Venina Velosa denunciou em 2009 que o então gerente de Comunicação da área de Abastecimento da petroleira, Geovane de Morais, havia autorizado irregularmente gastos milionários sem qualquer comprovação da efetiva prestação de serviços, com fortes indícios de desvio de recursos. Morais é baiano, ligado ao grupo político petista oriundo do movimento sindical de químicos e petroleiros do Estado, do qual fazem parte Wagner e Rosemberg Pinto, então assessor especial do então presidente da Petrobrás Sérgio Gabrielli, também baiano. Após reportagem da “Folha de S.Paulo”, uma auditoria interna realizada na Petrobrás constatou as suspeitas de fraudes e desvio de recursos nos pagamentos autorizados por Morais. Duas produtoras de vídeo que trabalharam nas campanhas do ex-governador Jaques Wagner e de duas prefeitas do PT receberam R$ 4 milhões da Petrobrás em 2008, sem licitação, em projetos autorizados por Morais, que era subordinado ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, delator e pivô do escândalo de corrupção na Petrobrás. Os nexos são conexos, como diria um poeta. E o que dizer de Cid Gomes (Pros-CE) na Educação? O homem é sutil como um elefante em loja de cristais. Já deu declarações de franca hostilidade aos professores em seu Estado, quando era governador. Problema à vista para Dilma, é só esperar. Kátia Abreu na Agricultura, em que pese a competência e o histórico de atuação no setor primário, é tida como inimiga figadal pelo PT e pelo braço petista no campo, o MST. Ou seja, mais problemas para Dilma. É só esperar. Portanto, pelo cenário econômico externo complicado, pela fraca equipe ministerial, pelo panorama nublado de corrupção que fica mais denso a cada dia, Dilma Rousseff terá muita sorte se 2015 chegar ao fim como um ano normal, e não um annus terribilis, politicamente falando.
O novo auxiliar da presidente Dilma Rousseff pretende implantar mudanças profundas em um sistema já ultrapassado, o que é bom. A questão: conseguirá vencer o desafio proposto nesses 4 anos?
"O Brasil é um país em construção. Tudo para nós é desafio, uma prova e põe em teste nossa capacidade", disse na ocasião
A emancipação da sucessora deixou o ex sem ter olhos e ouvidos no Planalto que o informem sobre o que se passa na intimidade presidencial

