Os desafios e metas dos “supersecretários” de Marconi

Primeira missão dos titulares será a de integralizar os setores agrupados nas novas pastas. Corte de gastos e compromisso com resultados também são prioridades

Foto: Eduardo Ferreira

Foto: Eduardo Ferreira

O secretariado do quarto mandato do governador Marconi Perillo (PSDB) tomou posse nesta sexta-feira (2/1) com desafios e metas já desenhadas pelo gestor tucano. Além do corte de gastos empenhado e constantemente recordado pelo chefe do Executivo estadual, os auxiliares que passam agora a gerir as secretarias criadas pela fusão de duas ou mais áreas — que vêm sendo chamadas de “supersecretarias” — têm pela frente a missão de integralizar esses setores, visando a eficiência da máquina pública.

Dessa maneira, a primeira ordem para os supersecretários é reunir os interesses das áreas agrupadas. “Tornar tudo uma coisa só”, explica o ex-candidato ao Senado Vilmar Rocha (PSD), que assume a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos.

Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, durante solenidade de posse do novo secretariado, o político contou que houve certa resistência quanto à formação da pasta, sobretudo no que diz respeito ao setor de Infraestrutura. A crítica era que a área mereceria um espaço só seu dentro do organograma público estadual. Vilmar Rocha discorda.

“Primeiramente, a área de Infraestrutura queria algo separado do Meio Ambiente, mas na verdade esses setores não estão separados. Se você for fazer uma obra de infraestrutura, ela tem que estar compatível com as questões ambientais. Então, você vê que é possível sim fazer este conceito integrado”, defendeu o político.

Como metas para o início dos trabalhos da nova pasta, Vilmar Rocha destacou questões relacionadas à sustentabilidade e atentou para a importância da criação de uma nova região metropolitana no Entorno do Distrito Federal. “Temos que estruturar isso juridicamente primeiro, e, depois, partir para a ação”, sustentou.

Educação, Cultura e Esporte

Raquel Teixeira Foto: Eduardo Ferreira

Raquel Teixeira Foto: Eduardo Ferreira

Assim como defendeu Vilmar Rocha, a professora Raquel Teixeira, titular da Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte, avalia como fundamental a integralização das áreas agrupadas já neste período inicial da nova gestão. A auxiliar diz, no entanto, entender as especificidades de cada setor, e que esse será o mote de sua gestão.

“Temos que integrar. Há um aspecto da cultura e do esporte que se casam facilmente com a educação, com a formação do ser humano integral, que é o desenvolvimento físico, mental e cultural. Isso que define a integralidade do ser humano. Claro, que tanto a cultura como o esporte têm suas especificidades”, explicou.

A professora falou também especificamente sobre o setor cultural, cujo segmento viu com estranheza a junção das pastas. Raquel Teixeira, por sua vez, demonstra ter conhecimento técnico para lidar com as diferentes demandas dos setores que estarão sobre a sua responsabilidade.

“A cultura tem duas pontas: a dos realizadores, que são os produtores e artistas, e a dos expectadores, que são o público. Então, não só a formação de público é um desafio, como o incentivo, o fomento e o apoio aos realizadores. E com certeza essa será minha pauta, que será amplamente discutida”, pontuou.

Os Subsecretários

Quanto às especificidades dos setores agrupados em uma única pasta, soma-se ainda a introdução de um segundo elemento de gerência dentro das supersecretarias: os subsecretários, que ficarão responsáveis por vertentes específicas dentro das pastas criadas. Os nomes para os cargos ainda não estão todos definidos. A escolha será conjunta entre os auxiliares empossados e o governador Marconi Perillo.

No caso da Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte, os nomes já foram elencados. “Uma definição política”, conforme definiu a secretaria Raquel Teixeira à reportagem. A professora, entretanto, optou por não revelar os nomes dos subsecretários.

Em entrevista, o ex-candidato ao Senado Vilmar Rocha disse que tratará do assunto a partir da próxima semana, assim como a titular da Secretaria de Estado da Mulher, do Desenvolvimento Social, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e do Trabalho, Lêda Borges. “Tenho que conhecer a estrutura primeiramente e unir tudo em um único espaço”, explicou ao Jornal Opção Online.

Cenário nacional e a crise anunciada

"Marconi é um exemplo para o Estado de Goiás e para o Brasil", discursou o novo supersecretário José Eliton

“Marconi é um exemplo para o Estado de Goiás e para o Brasil”, discursou o novo supersecretário José Eliton Foto: Eduardo Ferreira

Além da missão de integralização dos setores e a indicação de subsecretários, os gestores recém-empossados terão pela frente o desafio de trabalhar com o “mínimo possível de gastos”, conforme adiantou Marconi durante discurso de posse. A este cenário de economia, soma-se a crise econômica nacional prevista para 2015.

Em discurso, como representante do novo corpo administrativo do Estado, o vice-governador e novo secretário de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação, José Eliton (PP), comentou sobre o cenário financeiro nacional e disse que, apesar da previsão desfavorável, a administração estadual não pode “se esconder atrás das crises”.

“Os momentos de crises são momentos de oportunidades. Nós não podemos ter desculpas devido ao cenário nacional. Temos que colaborar com o Brasil fazendo o que governador Marconi Perillo e toda a equipe já fez ao longo desses anos: dando indicadores positivos para o Brasil, acima da média nacional. É por isso que o governador confiou em cada um de nós a missão de auxiliá-lo na condução desse projeto modernizante de Goiás, com compromissos em resultados”, discursou José Eliton, ao dizer que Marconi é “um exemplo” não só para o Estado, mas para todo o Brasil.

Outros desafios e metas

“Cortar gastos e dar continuidade ao desenvolvimento do Estado.”  Estas são as palavras de ordem para o quarto mandato de Marconi, ditas pela nova secretária da Fazenda Ana Carla Abrão Costa. Para tanto, ela destaca a realização de novos ajustes fiscais e o aumento da eficiência da arrecadação como metas de sua administração frente à pasta.

Na Secretaria de Gestão e Planejamento, o veterano Thiago Peixoto (PSD) afirma que “as metas da Segplan são as metas do governador”, ao lembrar que a pasta possui uma forte atuação em todos os setores da administração estadual. “ Afinal, toda ação necessita de orçamento”, explica.

Deputado federal eleito, o político diz que reunirá os esforços necessários para por em prática a reforma administrativa empenhada pelo governador Marconi Perillo.  “E quem sabe propor novas mudanças e novos planos?”, acrescentou.

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