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O eleitor goianiense chegará às urnas neste ano ainda com um recall do que viveu entre os anos de 2020 e 2022, a pandemia. A saúde pública é o tema que mais preocupa a população de Goiânia, seguido da zeladoria, mobilidade urbana e educação, especialmente no que se refere à falta de vagas nos Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI). Os dois primeiros assuntos estão no imaginário popular devido a proximidade com a falta de atendimentos em unidades de saúde e com as constantes crises de lixo que a cidade enfrenta. A mobilidade urbana, apontam os dados, é uma preocupação atual, mas também uma inquietação de como a cidade vai se organizar com o número de veículos aumentando ano após anos.
Sociólogo e pesquisador no Instituto Podium, Khelson Cruz explica que apesar da preocupação com a saúde pública, que aflige a população brasileira como um todo, e os imbróglios vividos pela Comurg na limpeza da saúde, a mobilidade urbana deve pautar os debates entre os candidatos. "A saúde sempre pauta as eleições, é um problema histórico, e acredito que a segurança pública não vai ser um tema preponderante durante a campanha. Mas a mobilidade urbana deve o grande tema que vai pesar muito nos debates tendo em vista que Goiânia vive problema de grandes metrópoles nessa área".
Polarização política será inexpressiva
Ao contrário do que ocorreu nas últimas eleições nacionais, a polarização política não deve ter vez na Capital. Cruz aponta que o eleitor goianiense, no geral, é mais pragmático e racional que o eleitor goiano. "Vi pesquisas recentes dizendo que o eleitor goianiense seria o mais de direita nas capitais, mas isso não condiz com a história de Goiânia que já teve vários prefeitos progressistas como Darcy Accorsi, Paulo Garcia e Pedro Wilson. Tivemos duas eleições entre o PT e Bolsonaro, em 2018 e 2022, e Goiânia refletiu essa polarização, mas a tônica da eleição municipal não será direita e esquerda de forma exacerbada", conta.

Ele argumenta que a população da Capital já tem um perfil de prefeito em mente: o chamado gestor. Ele pontua, porém, que esse perfil é seguido por outro adjetivo: experimentado. "De fato as pesquisas indicam que o goianiense quer alguém que sabe gerir a coisa pública, mas ele quer alguém experimentado", complementa.
Só gerir não será o bastante
O perfil de gestor desejado pelo eleitor de Goiânia provocou mudanças, inclusive nas chapas que disputarão as eleições. Entre idas e vindas, alguns pré-candidatos foram descartados e outros emergiram como escolhas com viabilidade eleitoral. Diretor do Instituto Goiás Pesquisas, Jorge Lima alerta, no entanto, que apenas o perfil de gestor pode não ser suficiente para a vitória. "Hoje, o eleitor discute sim o perfil de gestor, mas as pesquisas mostram também que a cidade quer alguém que saiba acolher a população. Um gestor vai saber gerir a coisa pública? Sim. Mas alguém que sabe acolher jamais vai deixar a cidade suja, jamais vai deixar a saúde pública á míngua", reflete.

Para Lima, o acolhimento do Poder Público deve ser a grande tônica das próximas eleições também. "São as perspectivas do futuro que levam esperança para essa população. A realidade do goianiense está fragmentada entre um passado glorioso e uma futuro ainda incerto. Ninguém mais quer passar por uma administração que não cuida das pessoas", aponta.
Como é
Os clientes que procuram por pesquisas desse tipo são, geralmente, prefeituras, partidos políticos e possíveis candidatos. Governos municipais buscam as pesquisas para avaliar suas administrações e entender de que forma os serviços e as políticas públicas estão acontecendo nas cidades. Já os partidos políticos e candidatos em potencial encomendam o trabalho dos pesquisadores para entender o cenário eleitoral e político dentro da realidade local.
Na pesquisa qualitativa, a amostra não visa representar a população em geral, mas sim selecionar casos que possam fornecer informações significativas. Por isso, a amostra é geralmente pequena e frequentemente inclui usuários extremos. Esses usuários extremos, que possuem motivações mais intensas, necessidades mais complexas e desejos mais acentuados, fornecem dados valiosos para o estudo. Eles podem ser indivíduos para os quais a importância do serviço, a intensidade de uso ou as condições de acesso estão no extremo máximo ou mínimo.
As pesquisas qualitativas são "armas eleitorais" básicas e elementais em toda e qualquer disputa, principalmente em cargos Executivos. Feitas a partir da coleta de amostragem, elas revelam os sentimentos dos eleitores frente aos candidatos e o perfil ideal para aquele momento político e econômico, além dos temas que podem predominar durante o pleito. Ao contrário das quantitativas, as "qualis" aparecem com mais frequência quando as campanhas estão nas ruas, junto com a propaganda eleitoral na TV e Rádio.
Os pesquisadores entram em campo para identificar como um discurso é percebido pela população. Em alguns casos, eles acompanham famílias durante a propaganda eleitoral obrigatória para captar as percepções e fomentar discussões sobre temas e candidatos. Esse material é analisado e costuma servir como uma bússola para os candidatos.
No período pré-eleitoral, esse instrumento é utilizado para saber qual o perfil que o eleitor deseja para comandar uma cidade ou País. Em Goiânia, desde 2023, o eleitor tem demonstrado uma predileção para candidatos com perfil de "gestor". O rotulo de gestor costuma ser acompanhado de uma descrença com a política, mas esse não é o caso da Capital. O eleitor busca um gestor experimentado, mas com aptidão política e facilidade no trato com o Legislativo.
O desejo do eleitor, revelam cientistas e analistas políticos, está correlacionado com a decepção da população com a gestão atual. Esse cuidado, inclusive, reflete o desejo de uma cidade bonita, limpa e acolhedora. As flores de Nion Albernaz são constantemente lembradas pelos entrevistados, como um sinal de que a coisa pública não anda bem na cidade.
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Desde o fim de 2023, tramita na Câmara Municipal de Goiânia projeto com objetivo de “autorizar a desafetação” de 76 áreas públicas. Em bom português, o governo municipal deseja vender áreas dedicadas a serem asilo para idosos, praças, espaços comunitários, creches, terminais de ônibus, áreas esportivas. A intenção é “fazer o caixa” nesta reta final de mandato, enquanto ainda há a oportunidade.
A ideia é tão grosseira que precisa ser escondida atrás de linguagem mistificadora: o objetivo do projeto passa a ser “autorizar a desafetação”, e não vender de fato a área. Isso porque a Lei nº 9.504 de 1997 veda a alienação de bens públicos durante o ano em que se realiza a eleição, mas não diz nada quanto autorizar a alienação para outros anos.
A expectativa da Prefeitura, autora da matéria, é conseguir R$ 131 milhões para os cofres públicos. Até a última semana, o procurador-geral do município, José Carlos Ribeiro Issy, admitia a intenção de levantar fundos para pagar precatórios (estimados em R$ 346,6 milhões para este ano). Nesta semana, após o susto de credores que compreenderam que o Paço pode não ter os recursos para lhes quitar a dívida, a Prefeitura passou a negar esse intuito.
A justificativa apresentada pela Prefeitura em seu projeto enviado ao Legislativo é que as áreas “atualmente se encontram sem uso específico e desocupadas, o que implica em não estar cumprindo com as funções sociais de maneira apropriada”. Entretanto, reportagem do Jornal Opção revelou que quase todas as áreas públicas que a Prefeitura de Goiânia colocou à venda já possuem destinação e utilização. São áreas dedicadas a se tornarem parques esportivos, Casa de Idosos, playground, espaços comunitários, praças e parques infantis, centro comunitários, de emprego e renda, além de áreas institucionais.
Mais escandaloso ainda: outra reportagem do Jornal Opção mostrou que todas as áreas se encontram em áreas periféricas de Goiânia, onde a estrutura pública é mais necessária, onde o município deveria ser mais sensível às carências da população. Desde 2020, esta gestão da Prefeitura de Goiânia já realizou a desafetação de 39 áreas públicas.
Sem nome aos bois
Os vereadores de Goiânia aprovaram a proposta para desafetar as 76 áreas públicas da Capital no dia 11. Temendo desgastes por causa do projeto, a votação foi simbólica — ou seja, apenas quem votou contra teve o nome divulgado, enquanto os favoráveis se utilizaram de manobra regimental para não revelar o voto.
Doze vereadores manifestaram voto contrário entre os 29 que assinaram a lista de presença. Votos contrários: Aava Santiago (PSDB), Bill Guerra (MDB), Denício Trindade (UB), Fabrício Rosa (PT), Igor Franco (MDB), Kátia Maria (PT), Lucas Kitão (UB), Paulo Magalhães (UB), Pedro Azulão Jr. (MDB), Raphael da Saúde (Solidariedade), Sargento Novandir (MDB) e Willian Veloso (PL).
Nesta quinta-feira, 25, o Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou à Prefeitura de Goiânia a exclusão de imóveis originariamente destinados a equipamentos urbanísticos (escolas, hospitais, creches, etc) e áreas verdes do projeto de lei que permite a venda de áreas públicas. Embora não haja obrigação legal de seguir a recomendação, a recusa pode ocasionar ação do MPGO. O projeto volta a tramitar após o recesso legislativo.
Pesquisas indicam que o eleitorado está cada vez mais perto da moderação e longe do radicalismo, o que reflete diretamente em um destaque maior a políticos que não necessariamente se dizem, mas que agem como centristas

