Reportagens
Lançado em 2019 pelo partido para disputar eleição majoritária na capital, deputado federal diz que há espaço para diálogo e busca do consenso
Políticos, empresários, juízes, médicos e outros agentes de elevada posição social e ligados à Maçonaria aguardam ansiosos para saber quem será o próximo líder da Grande Loja de Goiás
A Emenda Constitucional que extinguiu as coligações têm sido motivo de temor para alguns e animação para outros. Mas o resultado da mudança, só as eleições dirão
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Mudanças na legislação podem mudar os rumos do processo eleitoral / Foto: Divulgação[/caption]
Até o ano de 2016, uma votação expressiva não significava, necessariamente, a eleição automática de um determinado candidato. Isso porque, graças às chamas coligações proporcionais, candidatos que recebiam menos votos obtinham, por vezes, as cadeiras nas câmaras municipais, por exemplo, em virtudes da significativa quantidade de votos de algum candidato do seu partido ou da sua coligação. Entretanto, a Emenda Constitucional nº 97 de 2017 pôs um fim nessa estratégia eleitoral. Já em vigor, a emenda impede que os partidos se coliguem para atingir o quociente eleitoral, obrigando-os a lutarem individualmente pelos próprios votos. Para os grandes partidos, a nova regra poderá ser até benéfica. Já quanto aos chamados “nanicos”, nem tanto.
O coeficiente eleitoral é calculado levando-se em conta a divisão entre o número de votos válidos, excluindo-se os brancos e nulos – e dividindo-os pelo número de cadeiras disponíveis na eleição em questão. Já o coeficiente partidário pode ser definido como a divisão dos votos obtidos pelos candidatos, e os que são direcionados às suas respectivas siglas ou coligação. Não era raro perceber a união de vários partidos na montagem da coligação como meio de viabilizar a eleição de seus candidatos por meio dessa distribuição de votos. Porém, isso não mais vai existir.
Já nas eleições municipais deste ano, a legenda deverá atingir o quociente eleitoral sem poder contar com a dependência do apoio de outros partidos. Na prática, isso representa uma mudança radical no jeito de fazer política, uma vez que os partidos, sobretudo os menores, precisarão, agora, lançar o máximo de candidatos admitidos para aumentar as chances de atingir o quociente.
Com a novidade, o jogo político deste ano deve ser atípico. Com a aproximação da janela partidária, que é o período em que os legisladores com mandato em curso e que pretendem se reeleger, em caso de vereadores, ou disputar a administração municipal, podem trocar de partido sem nenhum ônus, alguns candidatos de partidos menores se movimentam para migrar para outras legendas onde possam ter maiores chances de serem eleitos. Entretanto, é preciso cautela.
De acordo com o advogado especialista em Direito Eleitoral e presidente da Comissão de Direito Político e Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Wandir Allan, a primeira coisa que deve ser analisada pelos pré-candidatos à Câmara Municipal é a viabilidade eleitoral do partido para o qual ele pretende migrar. Segundo Allan, “o pré-candidato precisa visualizar no partido um potencial de votos que possibilite sua eleição”. “Quanto havia a possibilidade das coligações, tinha candidatos bons para obter votos. Pela soma dos votos, o quociente eleitoral era atendido. Agora, o partido sozinho precisa atingir esse quociente”, explica.
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Para o advogado eleitoral Wandir Allan, eleições de 2020 serão um "termômetro da sociedade" / Foto: Arquivo pessoal[/caption]
O advogado esclarece que na hora de escolher outra sigla, o político deve avaliar o quadro de pré-candidatos da legenda e avaliar o potencial de votos dele. Caso a informação nesse campo seja escassa, o pré-candidato tem outra alternativa. “Se a pessoa não tem esse indicativo [dos quadros viáveis da legenda], o mais adequado é que ela migre para partidos maiores, porque a chance de atingir o quociente eleitoral é maior”, conta.
Para o presidente da comissão da OAB, a nova legislação é positiva para o sistema eleitoral, uma vez que, segundo ele, “fortalece os partidos e faz com que passem a ter uma organicidade mais ativa. “Pelo formato de sistema eleitoral e político, onde tudo passa pelo partido, isso é positivo. Os partidos, assim, passam a deixar de ter donos”.
Entretanto, o especialista adianta que, como toda novidade, as mudanças nas regras do jogo eleitoral também devem trazer dúvidas e até confusões nestas eleições. De acordo com Allan, muitos equívocos cometidos devido ao desconhecimento da nova legislação podem vir a acontecer, e isso servirá como uma espécie de teste para a estrutura democrática. “Vamos ter problemas, muitos desencontros, muito equívocos. Essas eleições vão ser o termômetro da sociedade”, completa.
Vereadores analisam cenário para escolha de novo partido
Sem partido ou insatisfeitos no atual, alguns dos vereadores de Goiânia têm buscado diálogo e ouvido propostas de legendas para decidirem, durante a janela partidária, por qual sigla disputarão a reeleição.
Oséias Varão, ex-integrante do PSB, declarou que não tem pressa para escolher sua nova “casa”. Segundo o parlamentar, “a grande questão é aguardar o prazo final para poder escolher” em qual partido vai se filiar. “Às vezes você faz uma escolha e a conjuntura mura. Anteriormente, se você fizesse uma escolha errada no partido você poderia se salvar fazendo uma coligação. Hoje não tem mais jeito. É preciso ter cuidado, cautela”, diz.
Porém, o vereador vê o fim das coligações como algo positivo, e afirma que isso pode beneficiar o processo eleitoral. “Apesar de ser um problema para nós políticos, acho que para o processo democrático é bom. A gente estava vendo uma multiplicidade muito grande de partidos, e isso agora deve mudar”, pondera.
A vereadora Sabrina Garcêz, que pertencia ao PTB, é outra parlamentar que ainda não bateu o martelo sobre qual será seu novo partido. Ela revela que tem conversado com algumas siglas, como o MDB e o PDT, mas confirma que esse diálogo está mais adiantado com o PSD. Entretanto, não há nada decidido.
“Ainda estamos na fase de escolha. A gente precisa analisar bem, além da questão ideológica, tem que ver as condições de elegibilidade, porque eu acho que a tendência é o fortalecimento de alguns partidos e o enfraquecimento de outros”, considera ela a respeito do fim das coligações proporcionais.
Sabrina conclui que, a grande problemática destas eleições, é saber como as chapas vão se portar sem as coligações.
Já o vereador Carlin Café está atualmente no Cidadania, mas, no que depender dele, o tempo na legenda está contado. O parlamentar revelou estar insatisfeito na sigla que absorveu, recentemente, o vice-governador de Goiás, Lincoln Tejota, e disse que não é ouvido onde está. “Nunca me chamaram para uma reunião, nunca participei de nenhuma discussão. Então, ficar num partido onde você não é ouvido para a tomada qualquer decisão, não faz sentido. É sinal que o partido não tem interesse na permanência do vereador, no mandato”, desabafa.
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Vereador Carlin Café diz que não é ouvido em seu atual partido, o Cidadania / Foto: Divulgação[/caption]
O parlamentar também está indeciso sobre qual será seu novo partido, mas adiantou que foi convidado pelo MDB, sigla que vê com bons olhos devido ao seu maior representante em Goiânia. “Eu tenho um alinhamento muito grande com o prefeito Iris Rezende. O vejo com carinho. Mas isso [sua filiação] ainda vai depender”, diz.
Assim como o advogado Wandir Allan, Café considera que essas eleições serão uma espécie de teste para a democracia. “Na verdade, quem tem mandato dificilmente vai ficar nos partidos considerados menores. Com a janela partidária, a gente vai alinhar com o partido que tem candidato majoritário. O teste mesmo vai ser nessa eleição”, conclui o parlamentar.
Fazer a própria reserva de segurança se tornou imperativo em um mundo onde contratos de trabalho estão em extinção
Após 20 anos de construção, UFG inaugurará o novo hospital, que será o maior federal do Brasil e atenderá todo Centro-Oeste
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Em quatro anos, novo HC deverá alcançar capacidade total de 600 leitos | Foto: Fábio Costa / Jornal Opção[/caption]
O Hospital das Clínicas de Goiânia (HC) está em um antigo prédio de três andares. Nascido na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG) há mais de 60 anos, o órgão formou gerações de médicos, que estudam no local como internos e frequentemente retornam como residentes para se especializarem – além de produzir incontáveis outros profissionais da saúde. Agora, após 20 anos da concepção de um novo HC, a instituição está em vésperas de mudança.
A importância do HC não cabe em seus atuais 328 leitos. Por fazer parte da Universidade, o órgão é um grande laboratório de pesquisa científica e, por isso, tem vocação para tratamentos de alta complexidade e medicina de ponta. No Estado, a única outra instituição focada na atenção terciária (procedimentos em que predominam conhecimento e técnicas especializadas) é o Hospital Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi (HGG), mas este não possui todos os ramos que são cobertos no HC:
Cirurgias de pequeno, médio e grande porte. Exames de diagnóstico: imagenologia, laboratoriais, métodos gráficos, hemodinâmica. Emergência. Quimioterapia. Terapia Renal Substitutiva. Unidade de Terapia Intensiva: clínica, cirúrgica e neonatal. Desenvolve um trabalho de assistência à saúde, atendendo a população em procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas, ortopédicas, transplantes de medula óssea e renal, neurocirurgias.
Por isso, a aguardada ampliação do hospital foi descrita por Sérgio Baiocchi, novo presidente da Unimed, como “de impacto total.” Atualmente, além de Goiás e Tocantins, o hospital atende o sul do Pará, Maranhão, Bahia, Amazonas, norte de Minas Gerais e outros. O superintendente do HC e professor da Faculdade de Medicina, José Garcia Neto, afirma que a expectativa é que, após a mudança de edifício, gradualmente se aumentem as operações até alcançar a capacidade total – 600 leitos.
“O que combinamos com o Governo Federal foi que, com a melhora da condição econômica, o Ministério da Educação irá suprir em quatro anos o necessário para funcionarmos com força total”, diz José Garcia. “Será o maior hospital público do Centro Oeste e o maior hospital federal do Brasil.”
A mudança em números
Quantidade de Leitos
De 328 para 600 leitos
De 3 para 20 andares
70 enfermarias por andar
2 leitos por enfermaria, que pode ser isolada a qualquer momento
Radioterapia será implantada até julho
4 andares para garagem, equipamentos de manutenção, administração, área técnica e informática.
16 andares hospitalares destinados a atendimento, laboratórios, capela, necrópsia e estudo de óbitos, diagnóstico, internação, transplante e UTI
Novo edifício receberá as internações eletivas
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José Garcia Neto afirma que o Hospital deverá continuar atendendo pacientes de alta complexidade pelo SUS | Foto: Reprodução / Ebserh[/caption]
José Garcia explica que todas as internações eletivas irão para o novo prédio, enquanto as de urgência ficarão no pronto-socorro. As salas emergenciais se ampliarão para todo o “antigo” prédio, passando de 20 para 100 ou 150, ainda não se sabe ao certo. Este edifício continuará hospedando laboratório, ambulatório, consultório e pesquisa.
Quanto ao perfil dos pacientes, este não deve mudar, embora haja incerteza. “Penso que continuaremos atendendo os mesmos pacientes – casos graves e pelo SUS. O cenário é indefinido com o programa Future-se; não sabemos exatamente como funcionaria e em quais vias poderia lançar um hospital como o nosso, mas não temos nenhum direcionamento oficial ainda”.
José Garcia conta que o general Oswaldo Ferreira, presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que gerencia o HC, considera que mesmo com ajustes fiscais não haverá grandes mudanças na administração dos mais de 40 hospitais universitários. A Ebserh é pública de direito privado e foi criada pelo Congresso Nacional em 2011. O HC atende exclusivamente pacientes pelo SUS e tem seus recursos destinados pelo Ministério da Educação e Cultura.
Após a inauguração do novo edifício, os leitos do prédio atual serão desativados e transferidos. Entretanto, não serão realizados novos concursos para médicos, professores ou abertas vagas para residência à princípio. José Garcia afirma que espera-se que o edifício atinja funcionamento completo quatro anos depois de sua inauguração.
“O impacto será total”, afirma Sérgio Baiocchi, novo presidente da Unimed. “Os médicos e enfermeiras vão trabalhar felizes, em um lugar novo e bonito, com todas as ferramentas para tratar os pacientes. E o paciente se sentirá bem”. Sérgio Baiocchi foi professor no HC, de 1991 até 2016, além de ter se formado pela Faculdade de Medicina da UFG.
Ele afirma que já conheceu o novo prédio: “A nova estrutura é de excelência. Vai agregar demais à cidade e à Universidade em termos de produção científica e de ter um lugar para internar as pessoas. A vida da cidade vai ser muito influenciada positivamente com esses 600 leitos. Não tenho dúvida alguma”.
Obra foi feita exclusivamente com emendas parlamentares
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Reitor Edward Madureira conta difícil trajetória para angariar verbas para conclusão da obra | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
O reitor da UFG, Edward Madureira, relata a luta da instituição para construir o novo prédio, que se arrasta desde 1999. “O projeto inicial e o primeiro arranque foram sob a gestão da reitora Milka Severino. Ela conseguiu algo como R$ 3 milhões para o início do projeto, mas a construção só se iniciou de fato em 2002”. O reitor diz que a obra demorou em ser concluída porque foi feita inteiramente com verbas de emenda de bancada no Congresso Nacional.
“Todos os anos nós batalhávamos para articular junto aos deputados federais goianos verba para avançar a obra. Não houve um financiamento confiável e previsível; os recursos nem sempre eram liberados, pois estávamos sujeitos às intempéries econômicas. Por isso, rompemos o contrato diversas vezes. Ao todo, quatro empresas trabalharam na construção do novo HC – uma fez a fundação, outra o esqueleto do prédio, outra a metade de cima e por último a de baixo”, conta Edward Madureira.
Edward Madureira afirma que apenas a última destinação de verbas ultrapassou a quantia de R$ 80 milhões, mas que a maioria das emendas foi de valor relativamente baixo. Ao todo, mais de 100 deputados federais assinaram repasses para a realização do hospital, que atravessou a gestão de três reitores.
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Gabriel Alvarenga Santos diz que HC é essencial para formação de médicos em Goiânia | Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal[/caption]
O que muda para um residente
Gabriel Alvarenga Santos está no HC há sete anos. Graduado em medicina pela UFG, o residente está concluindo seu primeiro na especialização em clínica médica e relata o cotidiano de alunos internos, professores e funcionários no antigo prédio, bem como o que esperam encontrar no novo edifício do Hospital das Clínicas. Quais as condições do prédio atual do HC? É um prédio muito antigo, com muitos defeitos de manutenção. Considero que o principal problema é a dificuldade de locomoção de pacientes com necessidades especiais. O prédio foi recebendo acréscimos à medida que foi construído; a gente brinca que tem vários puxadinhos. No ambulatório não há rede elétrica suficiente para suportar ar-condicionados, então todos sofrem na época do calor. Qual o problema de se trabalhar em um prédio com seis décadas? Não há computadores para todos os consultórios e os prontuários são de papel, isso atrasa o atendimento. O local destinado a guardar todas as informações anotadas em papel é enorme porque há muitos pacientes e qualquer busca é muito difícil. Nem sempre encontramos prontuários extra. Atualmente o HC não é informatizado. Nosso sistema eletrônico para visualizar aos exames é digital, mas muito antigo, então não conseguimos ver uma lista de todos os exames que o paciente fez, por exemplo – temos de procurar um exame de cada vez. Para ver um exame de imagem, um raio-x, por exemplo, temos de ir até o setor de radiografia e pegar a imagem grava em CD. O que deverá mudar com a troca de edifícios? O novo prédio virá com um sistema informatizado integrado, com prontuário eletrônico que pode ser acessado de qualquer computador, bem como o histório do paciente. Tudo passará a ser por digital. Nossa expectativa é de que isso melhore bastante nossa prática. Nós tendemos a prestar um atendimento melhor, mais seguro, e mais rápido com mais informações. Apesar de ter começado a ser construído em 2002, o novo prédio será bem melhor que o atual. Qual importância o HC teve na sua formação? Foi essencial. Apesar de todos os problemas físicos e estruturais que mencionei, os recursos humanos do HC são excelentes, e esse é o principal. Os melhores profissionais de pesquisa e publicação científica estão lá; são pessoas à frente das principais sociedades de suas especialidades – pessoas que são referências internacionais. Os mesmos profissionais que você encontra nos melhores hospitais particulares de Goiânia estão atendendo pelo sistema público no HC. O que faz esse hospital ser importante para Goiás? É um hospital de atenção terciária. Lá, há a riqueza de pacientes com as mais raras e complexas patologias, que não se encontram em outro hospital. No HC um aluno de medicina pode conhecer situações de difícil manejo, comorbidades, situações avançadas de oncologia, hematologia, cirurgia. É essencial que um médico tenha contato com isso em sua formação pois garante uma formação profunda.
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Currículo de Zacharias Calil tem 18 separações de gêmeos siameses, invenção de medicamento que trata tumores deformadores em crianças e até reportagem para canal de TV estrangeiro
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Zacharias Calil trata siameses, hemangiomas e linfangiomas em crianças | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Zacarias Calil Hamu se formou em medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG) e fez residência médica no Hospital de Base, em Brasília (DF). Retornou a Goiânia como cirurgião geral, onde atua até hoje no serviço público. Em 1999, o médico conheceu o caso das gêmeas isquiópagas (unidas pelos ossos que sustentam o corpo) Larissa e Lorraine, que um ano depois se tornaram as primeiras siamesas separadas cirurgicamente em Goiás.
O caso, que foi bem sucedido, deu notoriedade nacional a Zacharias Calil em circunstâncias de alta complexidade materna-infantil. Desde então, sua equipe já realizou 18 cirurgias de separação, a maior estatística mundial de uma equipe e de um hospital. Mais um caso está nas mãos da equipe de Zacharias Calil, com previsão de cirurgia para 2020.
As separações chamaram a atenção na Câmara dos Deputados, onde o médico atua como parlamentar pelo partido Democratas desde 2018. “O Antônio Brito (PSD-BA), presidente da Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), e demais deputados dessa comissão que eu também componho, conheceram meu trabalho através de uma reportagem da Discovery Channel, que foi ao ar na televisão estrangeira”, conta Zacharias Calil.
O trabalho produzido pela Discovery Channel conta a história de uma das separações de gêmeos siameses realizadas pela equipe médica que atua no Hospital Materno Infantil (HMI). Heitor Brandão e Arthur nasceram unidos pelo tórax, abdômen e bacia. Zacharias Calil diz que o caso teve importância especial para ele, não apenas porque interessou ao canal norte-americano: “Me envolvi muito emocionalmente com essa família, porque eu os conheci desde o nascimento”.
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Medicamento desenvolvido é distribuído apenas em um hospital no mundo, o HMI | Foto: Renan Accioly[/caption]
A Comissão de Seguridade que, a princípio, conheceu o trabalho de Zacharias Calil na medicina pelas separações, descobriu também sua produção científica: o médico também trata hemangiomas (um tumor benigno) e linfangiomas (lesão dos vasos linfáticos), hipertricose (síndrome do lobisomem) e desenvolveu um medicamento para tratar tumores benignos em crianças.
“As deputadas da Comissão de Seguridade disseram que queriam me homenagear de alguma forma. Fizeram um requerimento, que foi aprovado por unanimidade pelos demais membros da comissão e encaminhada ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), referendou o documento da Câmara e o encaminhou para a Academia Sueca”, diz Zacharias Calil, resumindo como um goiano foi indicado à mais prestigiosa condecoração da Ciência, ao lado de nomes como Carlos Chagas e Adolfo Lutz.
Médico das deformidades
Por alguma razão que Zacharias Calil desconhece, em seu trabalho no serviço público começaram a lhe chegar pacientes com o mesmo perfil clínico. O médico admite que casos de crianças com hemangiomas e linfangiomas lhe sensibilizaram, pois as malformações causam exclusão social, mas diz que nunca buscou ativamente esse tipo de enfermo. “Os problemas surgem ao acaso e você tem de tomar alguma posição. Os portadores dessas deformidades chamam atenção, o médico precisa de alguma coragem para tentar tratá-los”. Os hemangiomas são casos que surgem principalmente em cabeça e pescoço, segundo Zacharias Calil. Tratam-se de tumores que, apesar de benignos, causam invasão de tecidos profundos; se comporta como um câncer maligno. “Eu fui a muitos congressos médicos em busca de tratamentos e descobri que não eram eficazes, mas encontrei dois princípios ativos que podiam ser associados em um medicamento único. O que fiz foi complementá-los.” [caption id="attachment_148575" align="alignnone" width="620"]
"Os portadores dessas deformidades chamam atenção, o médico precisa de alguma coragem para tentar tratá-los", diz Zacharias Calil | Foto: arquivo[/caption]
O medicamento desenvolvido é administrado por apenas um hospital do país, o HMI, e de forma gratuita. Capaz de solucionar casos de hemangioma com poucos efeitos colaterais, Zacharias Calil apresentou os resultados de seu fármaco na Faculdade de Medicina de Harvard em 2006. Apesar de ter obtido respaldo da comunidade científica, não cumpriu a rota de publicações em periódicos revisados por pares.
Zacharias Calil afirma sobre o assunto: “Apesar de ter apresentado a fórmula em vários congressos médicos, fiquei com medo de que alguém pudesse copiar a ideia. Estudo a doença desde 1999, mas consegui a carta patente apenas em 2015. Demorei tanto porque o Brasil é lento, está na contramão da tecnologia. É inadmissível que um órgão leve em média 10 anos para conceder patente com a evolução da informática. Outros países fazem em um ano. Europa, Rússia, Estados Unidos, China são impérios tecnológicos porque exportam produtos com valor agregado, ajudam seus cientistas. A burocracia criou um atraso de anos em minha vida como pesquisador”.
O médico também integra a Fundação Birthmark como referência para tratamento de hemangioma para América do Sul. Era Superintendente da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás em 1987 e atuou nas ações de apoio aos radioacidentados no caso do Césio 137.
Em 2018 foi eleito deputado federal, sendo o terceiro mais votado pelo Estado de Goiás, com 151 mil votos. Como parlamentar, Zacharias Calil conta qual o projeto em que empenha maior esforço: “Temos sinal verde para a construção de um segundo hospital materno-infantil em Goiás. O Ministério da Agricultura nos doou a área para a edificação na cabeceira do aeroporto. Conversei muito na Câmara o ano todo para conseguir verbas destinadas a esta realização. Existe promessa R$ 140 milhões para 2021, e estou acreditando nisso. O processo é demorado, lento, mas temos de correr atrás”.
Zacharias Calil afirma, por último, que, apesar das dificuldades, está otimista quanto ao momento político. “O Governo de Goiás é sensível a essas demandas. Precisamos de um hospital de referência no Estado com as especialidades médicas, clínicas, cirúrgicas para crianças. Nada justifica a ausência de ter um centro pediátrico especializado; Goiânia é a única capital que não tem um. Nos anteriores ninguém investiu na pediatria em Goiás. Caiado foi o único que se preocupou com isso”.
De acordo com o presidente da Goiás Turismo, processo deve ser concluído até o dia 28 deste mês, mas processo ainda tem pendências
Embora não apresente grandes mudanças em relação aos anos anteriores, partidos e candidatos devem ficar atentos aos prazos e regras

