Reportagens
Heloísa de Carvalho detalha o que teve que fazer para descobrir a presença do ex-assessor em propriedade do advogado de Flávio e Jair Bolsonaro
Na discussão entre perpetuação da opressão ou preservação do legado, estátuas têm tombado e documentos históricos apagados
Diferentes versões competem por espaço no tribunal da opinião pública que são redes sociais, e nem sempre a narrativa verdadeira é a mais apelativa
Até que ponto as medidas que antes eram vistas como excepcionais e agora são consideradas essenciais integram o nosso cotidiano?
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Sem máscara, um homem vende máscaras no Centro / Foto: Ton Paulo[/caption]
Galerias comerciais lotadas de famílias olhando capinhas para celular, bancas abarrotadas de goiabas graúdas e úmidas pelo borrifador do vendedor, gente indo para lá e para cá, comprando, conversando, parando, oferecendo produtos. O fervor do Centro de Goiânia carrega uma característica mistura de história e modernidade que dá à região um caráter único. Algo a se admirar sem nenhuma preocupação, se não fosse um porém: tudo isso, todo esse calor e movimento, ocorre em meio à pandemia de um vírus que só no Brasil já matou 50 mil pessoas até agora. Com a flexibilização, o goiano parece estar retomando sua rotina, mas nada tem sido como antes. Ele vive agora o chamado “novo normal”. Ou melhor: um normal não tão novo.
O primeiro decreto estadual que determinou a restrição do fluxo de pessoas e o fechamento do comércio, mantendo abertos apenas aqueles que exercem as chamadas atividades essenciais, foi publicado em meados de março. Depois dele, outros vieram em períodos quinzenais na intenção de moldar, tanto para a flexibilização quanto para o endurecimento, as normas inicialmente estabelecidas como forma de combater o novo coronavírus, causador da Covid-19.
Entretanto, desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no dia 15 de abril, que Estados e municípios podem tomar as medidas que acharem necessárias para combater o novo coronavírus, como isolamento social, fechamento do comércio e outras restrições, a Prefeitura de Goiânia assumiu protagonismo no combate ao coronavírus na capital goiana. Na última semana, o prefeito Iris Rezende (MDB) tornou obrigatório o uso de máscara e, por decreto, determinou multa de R$ 627 para quem não usar a proteção em locais públicos da capital.
Iris também assinou o decreto que libera a reabertura de shoppings de Goiânia, galerias comerciais, varejistas, atacadistas e espaços onde atuam os profissionais liberais a partir do dia 22 de junho, segunda-feira. Além disso, o documento também libera a realização de celebrações religiosas duas vezes por semana. A decisão representou um alívio para os comerciantes afetados, contudo, uma série de medidas deverão vir acompanhadas da reabertura.
Uso contínuo de máscara em locais públicos, higienização constante das mãos, disponibilização de álcool em gel e limitação da entrada de pessoas nos estabelecimentos e distanciamento mínimo: esses são alguns dos quesitos que passaram a fazer parte do cotidiano não só dos goianos, mas de todos aqueles que são impelidos por suas necessidades a seguirem com suas vidas. Entretanto, até que ponto esse “novo normal” está sendo aderido? Até que ponto as medidas que antes eram vistas como excepcionais e agora são consideradas essenciais integram o nosso cotidiano?
Aglomerações e contato humano: nenhuma alteração no fuzuê central
No Centro de Goiânia, não são muitos os indícios que denotam adesão às medidas sanitárias contra o coronavírus. Pelo contrário: à primeira vista, é como se a pandemia do Sars-CoV-2 fosse algo agora restrito aos noticiários. Num trecho em que a Avenida Anhanguera encontra a Tocantins, próximo ao tradicional Teatro Goiânia – com seus quase 80 anos de história –, a existência de um vírus letal parece não incomodar tanto.
Pessoas, com e sem máscara, transitam sem parar entre vendedores ambulantes e compradores carregadores de sacolas. Sentado em um canto, um idoso com um colete amarelo onde se lê “Compra-se ouro” observa o vai e vem de gente. É Jose Armando Pinheiro, de 65 anos. José usa máscara, mas, segundo ele, não é um acessório confiável. “A gente tem que confiar em Deus”, diz.
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Há seis meses no Centro, José Armando conta que não viu o fluxo de pessoas ser interrompido na pandemia / Foto: Ton Paulo[/caption]
Ele conta que trabalha como comprador de ouro no Setor Central há cerca de seis meses. Nesse ínterim, mesmo com a pandemia do coronavírus, não viu diferença significativa no fluxo de transeuntes. “Nunca parou. Está cheio de manhã, quando chego, até o fim da tarde, quando eu vou embora”, relata. Ele é do grupo de risco, porém, a máscara parece ser o único cuidado que o idoso incorporou à rotina. “Eu não tenho problema com isso não. Abraço, pego na mão do pessoal do mesmo jeito. Aqui não tem como. Olha aí”, diz, enquanto aponta para os passantes, “não tem como não encostar, sabe. É assim, não tem jeito”.
Na mesma calçada em que José Armando está, um grupo de pessoas se aglomera ao redor de uma banca de meias e cuecas. Dentro de uma galeria comercial ali perto, mais aglomerações, desta vez em bancas de acessórios para celulares. A maioria usa máscara, mas mal sabem elas que o risco de contraírem Covid-19 está mais presente do que nunca.
De acordo com a médica infectologista Fernanda Pedrosa Torres, formada pela Universidade de São Paulo (USP), usar máscara e ficar em aglomerações é um esforço totalmente desperdiçado para se prevenir contra o coronavírus.
“O uso de máscara não garante 100% que as pessoas não sejam contaminadas. Quando se fala em infecção por coronavírus, ela ocorre por duas formas: por via respiratória e por contato direto com secreções, uma pessoa passa para outra ou uma toca numa superfície contaminada, por exemplo. Então, a partir do momento que você está aglomerando, favorece situações de contágio”, explica Fernanda.
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Para infectologista Fernanda Pedrosa, ninguém está totalmente seguro / Foto: Arquivo pessoal[/caption]
A infectologista, que integra o Gabinete de Crise – Covid-19, conta que superior à máscara de tecido, a máscara cirúrgica N95 “é mais eficaz, pois filtra as partículas”, mas mesmo assim não é uma proteção total. “E se uma pessoa não estiver usando a máscara e joga uma partícula no ar, a que está usando poderia se contaminar pela mucosa ocular”, complementa.
Frutas ao ar livre: sem grandes diferenças com supermercados
Típicas do Setor Central, as bancas de frutas continuam firmes e fortes no “novo normal”. Frutas de várias qualidades atraem compradores de diversas idades com vendedores que gritam na calçada, anunciando seu produto. Com a pandemia, as frutas expostas que sempre fizeram parte do cenário tradicional do Centro passaram a ser motivo de preocupação para alguns.
Porém, para a médica infectologista Juliana Dona, a preocupação não tem uma base sólida. Conforme a profissional, “as frutas expostas funcionam da mesma forma que as frutas e verduras do mercado, e a orientação é, como ninguém vai parar de consumir, ao comprar fazer a higienização adequada antes do consumo”.
“Quanto ao vendedor, eu acredito que, como a verdura não vem direto da fonte para o consumidor, ela passou por várias mãos. Não faria diferença ele cobrir [as frutas] nesse momento. O ideal é: se esse vendedor tiver condição de fazer uma higienização antes de vender, ótimo. Mas o principal é orientar o comprador que ao comprar aquela fruta higienize bem antes de consumir”, esclarece Juliana.
Fluxo nos comércios
Em frente a uma grande loja de roupas, uma fila de cinco ou seis pessoas se forma. Usando máscaras, elas aguardam a vez para adentrar o estabelecimento. O espaço entre elas é bem menos que um metro e parece não haver nenhum indicativo de incômodo em se segurarem ou se escorarem nas barreiras colocadas para indicar a orientação da fila.
Segundo o gerente da loja, que não quis se identificar, os devidos protocolos sanitários foram adotados para evitar a propagação do coronavírus. Um segurança, colocado na entrada, é o responsável por liberar quem entra. Apenas seis por vez. O gerente explica que a liberação está sendo feita apenas para clientes que desejam pagar uma fatura do cartão da loja ou que já encomendaram suas compras pelo Whatsapp.
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Apenas seis clientes de cada vez podem entrar nesta loja / Foto: Ton Paulo[/caption]
Ainda conforme o funcionário, álcool em gel foi disponibilizado para que os clientes possam higienizar as mãos antes de entrar na loja. E ele garante: sem máscara, não entra.
Para a infectologista Juliana Dona, a medida de limitação da entrada de clientes é adequada, uma vez que evita que se formem as aglomerações, prato cheio para a circulação do coronavírus. “Com certeza é uma medida eficaz, justamente porque evita aglomerações, evita contato próximo e proliferação de partículas virais”, pontua a médica.
O “novo normal”
O engajamento no combate ao coronavírus é variável. Enquanto uns chegam a negar que o vírus exista, os famosos negacionistas, outros consideram que sair de casa é assinar uma sentença de morte. Já outros tentam retomar suas rotinas dentro do que elas veem como o “novo normal”, que é a adesão às medidas de prevenção contra o vírus e o policiamento constante.
Para a infectologista Fernanda Pedrosa, um retorno ao que ela chama de “normal normal” seria somente viável com aplicação de “alguma estratégia efetiva de imunidade”. “Seria realmente no contexto da vacina, porque a gente tem duas possibilidades de parar uma doença: toda vez que tem uma pessoa com uma infeção, em geral todas as pessoas expostas a ela têm risco de pegar, a não ser que as pessoas tenham imunidade, que pode ser adquirida por uma exposição prévia, ou por conta da vacina”, avalia.
Entretanto, mesmo com o surgimento de uma vacina que possa colocar fim ao temor que tomou conta da população nos últimos meses, vestígios do novo cotidiano das pessoas, criado justamente pelo coronavírus, podem perdurar por um longo tempo. Juliana Dona é partidária de que os protocolos que passaram a ser praticados pelos brasileiros estão longe de serem extintos.
“Esse novo normal deve se estender até que surja uma vacina, e eu acredito que culturalmente isso vai ser adaptado na vida diária das pessoas também. Talvez não tão restrito quanto as indicações atuais, mas acredito que as pessoas vão aprender a ter um pouco mais de privacidade e higiene. Acho que pelo menos uma lembrança vai ficar na nossa cultura”, arremata.
Prejuízo, que foi de R$ 2,3 milhões em 2018, caiu para R$ 900 mil em 2019, mas estádio busca receitas para se tornar atrativo e sustentável financeiramente

Em março, o Estádio Serra Dourada completou 45 anos. A data passou quase despercebida. Também, pudera: o último jogo oficial no maior palco do esporte goiano foi realizado em 8 de dezembro; portanto, há mais de seis meses. E, com a pandemia de Covid-19 e os planos dos times da capital que têm calendário garantido no segundo semestre, a tendência é que ele permaneça vazio – em longo prazo, o destino do estádio é incerto.
O Serra Dourada recebeu grandes jogadores (como Pelé, Zico, Linconl, Fernandinho e Baltazar), sediou jogos históricos (como o Flamengo e Atlético Mineiro pela Copa Libertadores, em 1981) e foi palco de shows antológicos (como a apresentação do beatle Paul MacCartney, em 2014). Mas uma série de fatores tem afastado os clubes de futebol e os torcedores de suas arquibancadas.
Em 2019, foram disputadas 40 partidas no estádio. Menos de uma por semana, portanto. A média de público foi de 9,8 mil. A receita para a administração do equipamento público, com os jogos, foi de R$ 928,6 mil, o que dá uma média de R$ 23,2 mil por rodada. Outras fontes de receita, com o futebol, são os bares e placas de publicidade.
O clube que mais utilizou o estádio foi o Goiás, que mandou 21 jogos ali, nenhum deles pelo Campeonato Goiano, apenas pelo Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. O Vila Nova mandou 15 partidas, também pelas competições nacionais. O Goiânia mandou quatro jogos no Serra Dourada e o Atlético, nenhum.

Fora do esporte, o Serra Dourada fatura com aluguel do estacionamento para shows e para o feirão de automóveis, que é realizado semanalmente. O maior evento local, o Villa Mix, por exemplo, pagou R$ 150 mil para usar o espaço, no ano passado. A receita com o feirão flutua, de acordo com a quantidade de carros que acessa o estacionamento (grande parte fica nas ruas adjacentes). Em fevereiro, último mês em que ele foi realizado (com a pandemia, as atividades foram suspensas), o estádio recebeu pouco mais de R$ 19 mil. Durante todo o ano passado, o estádio teve um faturamento de R$ 1,4 milhão. As despesas ficaram em R$ 2,3 milhões. Feitas as contas, o prejuízo foi de quase R$ 900 mil.
A situação financeira, porém, já foi pior. Em 2018, a receita foi de R$ 996 mil, diante de gastos na ordem de R$ 5,7 milhões. O que redundou em um déficit de R$ 4,7 milhões. “Cortamos gastos, repactuamos contratos e transferimos alguns custos para os clubes”, explica o secretário de Esporte e Lazer (SEEL) de Goiás, Rafael Rahif.
Entre esses custos está o quadro móvel – funcionários que cuidam, por exemplo, da limpeza e das bilheterias. Essa despesa era custeada pela administração, que tinha um contrato com uma empresa terceirizada, no valor de R$ 20 mil por jogo, em média, segundo a Secretaria de Esporte e Lazer. Esse montante oscila conforme o tamanho do evento.
Com todos esses ajustes, o déficit operacional do estádio recuou aproximadamente 80%. Mas o secretário conta que há planos para novas receitas. O estacionamento, por exemplo, atualmente é gratuito, pois o contrato com a empresa que explorava o serviço foi rompido. “Estamos trabalhando para que o Serra Dourada seja autossustentável”, diz Rahif.
Obras
Para tornar o estádio mais atrativo, a SEEL fez algumas melhorias, aproveitando o intervalo por causa da pandemia. De acordo com o secretário, foram investidos R$ 300 mil para recuperação do gramado, “que estava péssimo”, segundo ele. Foi construída uma sala para o árbitro de vídeo (VAR), sala de recepção para os times visitantes e feitas adequações para possibilitar a setorização das arquibancadas, como exigido pelo Corpo de Bombeiros. Assim, a capacidade, que estava limitada a 33 mil torcedores, agora é de 42 mil.

Outras intervenções estão previstas, como uma reforma geral dos banheiros (um dos pontos fracos do estádio) e adequação da iluminação aos padrões exigidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A pandemia, contudo, obrigou o secretário a adiar alguns planos. “A prioridade, no Brasil, hoje é outra: a saúde”, justifica. A reforma dos banheiros 32 banheiros teve de ser revista. Para a iluminação, a licitação está em andamento e, segundo Rahif, os R$ 3 milhões necessários estão garantidos.
Times preferem jogar em estádios próprios

O secretário de Esporte e Lazer de Goiás, Rafael Rahif, diz que o Serra Dourada está pronto para receber os jogos dos clubes goianos no Campeonato Brasileiro. Essa hipótese, porém, não é a preferida dos dirigentes de Goiás, Atlético e Vila Nova. Especialmente se os jogos voltarem sem público, como é a tendência, por causa da pandemia de Covid-19.
O Goiás, por exemplo, está construindo uma nova arquibancada, que levará o Estádio Hailé Pinheiro, popularmente conhecido como Serrinha. A meta era terminar a obra no início do segundo semestre, a tempo de jogar a maior parte da Série A, cujo início estava programado para o dia 2 de maio. Com a nova estrutura, que inclui banheiros e bares, a capacidade será para 14 mil torcedores – o mínimo exigido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) são 13 mil lugares. No ano passado, apenas 7 dos 15 jogos do Goiás no Serra tiveram mais de 14 mil presentes (o recorde ficou para o confronto com o Flamengo, que recebeu 38 mil torcedores).
A quarentena para impedir a disseminação do coronavírus Sars-CoV-2, causador da doença, porém, interrompeu os trabalhos por 60 dias. Agora, a nova projeção é de que tudo esteja concluído em dezembro. “Mas pode haver alguma surpresa e ficar pronto em outubro”, diz o presidente do Goiás, Marcelo Almeida. De toda forma, sem a possibilidade da presença da torcida, os primeiros jogos, quando ocorrerem, devem ser disputados na Serrinha.
Marcelo Almeida cita alguns problemas que tornam o Serra Dourada menos atrativo: a sonorização, a iluminação e a impossibilidade de setorização do estádio. Além, é claro, de questões econômicas, como as taxas cobradas pelo uso e a impossibilidade de exploração dos bares.
Há, também, questões esportivas e efetivadas envolvidas. O Estádio Hailé Pinheiro está sendo transformado em uma arena, em que a torcida fica mais próxima dos jogadores. “Será um caldeirão. No Serra, com 20 mil pessoas, parece que tem pouca gente”, afirma o dirigente. Além disso, o projeto inclui a construção de um museu, para que o local se transforme em um ponto turístico. “O torcedor quer ter sua própria casa”, afirma.
A ala Leste, que está sendo construída, terá cadeiras para cerca de 5 mil pessoas, quatro banheiros e um grande bar, que será explorado pelo clube. O investimento é de aproximadamente R$ 10 milhões, que se somam aos R$ 8 milhões investidos para construir o tobogã, onde fica a torcida organizada e demais torcedores que preferem assistir aos jogos em pé. Futuramente, será construída a ala Oeste, com camarotes, restaurantes, etc. O orçamento atual previsto é de cerca de R$ 37 milhões.
Atlético

as obras no Antônio Accioly
O Atlético, que também disputa a Série A, já optou há mais tempo por mandar seus jogos no Estádio Antônio Accioly, em Campinas, ou no Estádio Olímpico, no Centro. Em 2019, o rubro-negro só atuou uma vez no Serra Dourada, mas foi como visitante, contra o Vila Nova. No Campeonato Goiano deste ano, o time também preferiu jogar em casa.
Para o Brasileiro, a expectativa é que os jogos iniciem sem público, mas a diretoria corre contra o tempo, depois de ter de parar a construção por causa da pandemia, para mandar a maioria das partidas no Accioly. “Tivemos de parar, perdemos alguns recursos, mas estamos normalizando e a esperança é jogar todo o Brasileiro em casa”, diz o presidente Adson Batista.
No local, além de novas arquibancadas, que vão ampliar a capacidade de 10 mil para mais de 13 mil pessoas, estão projetados o Museu do Dragão, a ampliação da loja oficial do clube e uma lanchonete, com acesso ao público externo, que funcionará mesmo em dias sem jogos. Outra obra importante é a adequação da iluminação aos padrões exigidos pela CBF. O valor investido, porém, não é revelado. “É uma questão interna do clube, que muda a toda a hora. Quando tudo estiver pronto, vamos divulgar”, afirma Adson.
Vila Nova
Com a queda para a Série C, o Serra Dourada ficou ainda menos atrativo para o Vila Nova. A expectativa é que o público dos primeiros jogos não seja tão grande, tornando inviável o mando no maior estádio goiano. Dessa forma, as partidas serão no Onésio Brasileiro Alvarenga, o OBA, que fica no Setor Leste Universitário, em Goiânia.
Segundo o gerente de futebol do Vila Nova, Wagner Bueno, no OBA o clube pode explorar os dois bares, além de citar, também, o fator “nossa casa”. “Assim que for possível a volta da torcida, vamos fazer do OBA nosso caldeirão”, afirma. Alguns intervenções pontuais foram realizadas no estádio, como o asfaltamento do estacionamento.

estádio de Goiás"
Ainda assim, o dirigente colorado elogia o Serra Dourada, que, para ele, é o melhor estádio do Estado. “O Serra dourada já foi palco de grandes jogos e decisões e até jogos de Seleção Brasileira. Estava meio abandonado e agora com a reforma creio q poderá sediar jogos maiores com mais torcidas”, acredita. Caso avance para as fases finais da Série C, a intensão do Vila Nova é recorrer ao velho e bom Serra.
O outro time da capital, o Goiânia, ainda aguarda a definição da CBF sobre a realização da Série D para se planejar para o segundo semestre. O clube ainda não retomou as atividades, mesmo com a liberação pelo prefeito Iris Rezende (MDB).
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Presidente da Aprosoja comemora números de Goiás na safra de soja / Foto: Laura de Paula/Aprosoja-GO[/caption]
Pegue um clima favorável, some a investimentos pesados em tecnologia e complete com uma tradição em produção mantida desde os antepassados: pronto, tem-se aí a receita perfeita para um agronegócio de destaque, e é nesse cenário que Goiás se enquadra. O Estado é responsável por boa parte da produção de alimentos do país, produzindo anualmente bilhões de toneladas de grãos, carnes e diversos tipos de alimentos. Para dimensionar a ênfase que Goiás tem no âmbito da agricultura, a maior feira de tecnologia rural do Centro-Oeste é realizada no município de Rio Verde, atraindo milhares de pessoas todos os anos.
Todavia, o evento teve sua edição 2020 cancelada. O motivo: a pandemia do coronavírus. E não foi apenas a Tecnoshow Comigo que sofreu os impactos do vírus responsável pela Covid-19. Diversas áreas do setor do agronegócio têm se adaptado para poder continuar produzindo, industrializando, comercializando e exportando a fim de atender às necessidades alimentícias da sociedade. Apesar dos pesares, em uma comparação superficial com o resto do país, pode-se dizer que o agro goiano tem conseguido lidar bem com a crise imposta pelo coronavírus.
O setor de bovinos é um exemplo de segmento que teve quedas dentro da curva e se mantém estável até o momento. Goiás tem cerca de 22 milhões de cabeças de gado – o que representa 10,6% do rebanho nacional - e, segundo os números do Agro em Dados divulgados recentemente pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), as exportações têm estado dentro do esperado.
No mês de abril, por exemplo, o Estado exportou US$ 70.861.419,00 em carne bovina, o que representa 73,5% do valor nacional das exportações do complexo de carnes. Em relação ao 1º quadrimestre, os números também foram satisfatórios: foram US$ 306.487.659,00 de carne bovina exportada, ou seja, 71,5% do montante nacional.
Quanto ao preço, o mercado da pecuária bovina teve uma queda 0,38% na arroba do boi gordo (15kg) em abril em comparação com março. No comparativo com abril de 2019, o aumento real dos preços da arroba é de quase 20%. Os preços altos refletem a demanda do mercado externo, principalmente para a China, atrelada ao dólar valorizado, que pressiona os preços internos.
Queda no abate de bovinos
Mesmo com números majoritariamente positivos, o setor de bovinos também sofreu algumas quedas. Uma delas foi explicitada nos dados de abate de gado do primeiro quadrimestre de 2020, conforme dados preliminares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo o órgão, Goiás apresentou queda de 17,9% da quantidade de animais abatidos em comparação com o mesmo período do ano passado, significando uma retração da oferta de animais para abate. Para o titular da Seapa, Antônio Carlos de Souza Lima, os números do Mapa não refletem necessariamente uma retração no mercado de bovinos goiano. Ele explica que redução do número de abates é simplesmente um reflexo do ajuste feito entre oferta e demanda do mercado, o que não representa realmente um prejuízo para o segmento. “Não são dados que apresentam queda, pelo contrário. Pode ter algumas reduções sim, mas tudo é questão de ajustes que estão sendo feitos em relação à oferta e demanda pelo produto. A gente tem a representação é de um crescimento nas exportações de carne bovina. Nada que represente um dano maior ao setor”, diz. [caption id="attachment_259402" align="alignnone" width="472"]
Titular da Seapa, Antônio Carlos garante que há sensibilidade da pasta para áreas mais afetadas pela crise / Foto: Seapa[/caption]
No mercado doméstico, a retração da renda das famílias, provocada pela crise da Covid-19, pode ter contribuído para a queda no consumo da carne bovina por ter preço mais elevado que as demais proteínas animais. Isso em um cenário em que o preço da carne segue em alta, pressionado pelo mercado externo que segue aquecido.
O secretário comemorou ainda a novidade que deixou o os criadores de bovinos em polvorosa. No final de maio deste ano, o Estado de Goiás foi habilitado como um dos cinco Estados que passarão a exportar carne para a Tailândia. Com a autorização, o Frigorífico Minerva, em Palmeiras de Goiás, pode agora mandar carne bovina com osso, carne desossada e miúdos comestíveis para o país asiático. De acordo com Antônio Carlos, o Estado de Goiás “acompanha mais uma vez a força que tem este setor [de bovinos] no desenvolvimento da economia”.
Setor leiteiro pode ter impacto maior, avisa secretário
Entre as áreas do agronegócio goiano que têm sido afetadas pelo coronavírus, a produção de leite é talvez a mais atingida. De acordo com Antônio Carlos, “há uma preocupação maior com o leite pela questão da expectativa de geração de renda da população”, o que pode acarretar uma redução da demanda. Com a retração da demanda de derivados lácteos, provocada pelo recuo da renda nesse período de pandemia, estima-se redução do valor bruto de produção do leite para 2020, em Goiás. Conforme o boletim de mercado do setor lácteo goiano do mês de maio, houve na indústria de laticínios uma redução do preço médio da sua cesta de derivados lácteos, comparado com o mês anterior, em que o preço médio do leite UHT caiu 13,2%. Isso acaba refletindo diretamente no mercado de laticínios, uma vez que tem nos derivados os produtos em que conseguem agregar maior valor. Isso, consequentemente, é repassado ao produtor, que sofre o impacto na produção do leite in natura. [caption id="attachment_259403" align="alignnone" width="620"]
Mesmo sendo o quarto maior produtor de leite do Brasil, Goiás pode enfrentar dificuldades com a pandemia / Foto: Seagri[/caption]
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no mês de março, em relação ao preço no varejo, o preço do leite longa vida integral teve alta de 26,4%, em relação ao mês de fevereiro. A alta é explicada pela corrida aos supermercados verificada no início do isolamento social. Em abril, já foi verificado um recuo no preço de 11,7%, em relação ao mês anterior.
Goiás é hoje a quarta maior bacia leiteira do Brasil, com uma produção superior a 3 bilhões de litros por ano. A região Sul do Estado corresponde a 46,9% da produção. Todavia, a produtividade média do Estado é baixa, com 1.597,5 litros/vaca/ano, inferior à média brasileira, que é 2.068,8 litros/vaca/ano.
O secretário garante que quando a atividade leiteira, presente nos 246 municípios de Goiás, “é abalada dessa forma, pela representatividade que ela tem, surge uma sensibilidade maior” na análise da questão. “Além disso, estamos em um período de entressafra da produção [de leite]. Naturalmente o mercado vai regulando essa relação oferta-demanda. A expectativa é que com o tempo isso se ajuste e os produtores de leite possam superar esses baixos preços recebidos pela matéria-prima”, pontua.
Mesmo com a atual conjuntura, num cenário geral os produtores de leite também tiveram boas notícias. No fim de maio, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciou que a Tailândia, além da carne bovina, também abriu seu mercado para lácteos do Brasil. A ministra afirmou que a abertura de mercados pode contribuir para melhorar a situação dos produtores de lácteos, um dos segmentos mais afetados pela pandemia e que, historicamente, enfrenta problemas de preços.
Soja e milho em alta
Em pleno período de instabilidade dos mercados goianos, o de grãos pode ser visto como o menos afetado pela crise e que mais trouxe motivos para comemoração, principalmente no que se refere aos reflexos na economia do Estado. No último mês, Goiás passou a figurar como o terceiro maior produtor de grãos de todo o país. Foram 27,1 milhões de toneladas de grãos, área cultivada superior a seis milhões de hectares e produtividade de 4.511 quilos por hectare na safra 2019/2020. De acordo com os dados da Conab, houve crescimento de 10% na estimativa de produção goiana, de 6,1% na área de cultivo e de 3,7% em produtividade em relação à safra anterior, com Goiás, agora, representando 10,8% da produção nacional de grãos - atrás apenas do Mato Grosso e Paraná. Entretanto, os produtores goianos só conseguiram chegar a essa marca por causa da má sorte dos rio-grandenses-do-sul, cujo Estado era até então consolidado como o terceiro maior produtor do Brasil. Segundo o presidente da Associação de Produtores de Soja de Goiás (Aprosoja), Adriano Barzotto, Goiás foi beneficiado por um golpe de sorte. [caption id="attachment_259404" align="alignright" width="351"]
Para Adriano Barzotto, última safra de soja foi uma das melhores dos últimos anos / Foto: Fredox Carvalho/Faeg[/caption]
“Nós temos que entender que chegamos ao terceiro posto de produção por conta de uma infelicidade dos produtores do Rio Grande do Sul, que tiveram uma seca muito forte. Naturalmente, eles ficam em terceiro e a gente em quarto. Mas este ano foi muito bom para nós e conseguimos passar as 3 milhões de toneladas de soja no Estado e eles caíram abaixo de 10. Mas são todos Estados irmãos, que produzem do mesmo produto e temos que ajudar um ao outro”, avaliou Barzotto.
Ainda conforme o presidente da Aprosoja, outro golpe de sorte se deu no timing da última safra. Ele explica que há grandes diferenças entre a produção e industrialização da soja e o final dessa primeira coincidiu justamente com o início da pandemia do coronavírus, o que fez com que os produtores não tivessem prejuízo. “Da parte da produção a gente teve muita sorte, porque a pandemia se intensificou justamente quando estávamos terminando a safra. Então o produtor já estava ali embalado na colheita, fez os cuidados necessários pra poder terminar a safra. Ela aconteceu e foi inclusive uma das melhores safras que nós tivemos nos últimos anos”, disse.
Já a parte da industrialização é o que preocupa Barzotto. Segundo ele, é uma fase que no atual contexto de pandemia será delicada, uma vez que as indústrias deverão se atentar ainda mais à forma de trabalho dos funcionários. “A indústria muitas vezes tem lá seus 400, 500 funcionários, e, se ela tiver algum problema nessa questão do coronavírus, pode ser fechada, e a cadeia de produção e industrialização e comercialização fica comprometida”, afirmou.
Barzotto conta que no próximo mês começa a colheita do milho e algumas propriedades podem ter restrição de funcionários. Porém, ele esclarece que a Aprosoja “vem orientando e pedindo para que todos os proprietários de fazenda tomem os devidos cuidados”.
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"Preço vai compensar e o produtor vai conseguir fazer uma renda", diz Barzotto sobre safra de milho deste ano / Foto Wikipedia[/caption]
De acordo com ele a produtividade menor de milho neste ano não vai impedir o lucro do produtor. “Tivemos boas chuvas, embora tenhamos plantado uma parte da nossa safra dentro do mês de março, que não é o período ideal de plantio, mas vimos que tinha condição. E a gente acredita que o preço do milho vai se manter aí próximo dos 40 reais [saca], e mesmo tendo um pouquinho menos de produtividade por hectare, o preço vai compensar e o produtor vai conseguir fazer uma renda”, ponderou.
Estima-se incremento de safra de milho de 10,9%, ante a safra 2019/2020, segundo a Conab. Já conforme a Agro em Dados, no Brasil, a produção de etanol a partir do milho vem ganhando cada vez mais espaço. Depois de uma variação de 107,4% na safra 2019/20 em relação à safra 2018/19, espera-se uma variação de 61,1% na safra 2020/21 ante a safra 2019/20, atingindo 2.699.808.000 litros.
Na relação comercial com o resto do mundo, em virtude da crise do petróleo e também da pandemia, a exportação de milho do Brasil, no primeiro quadrimestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2019, apresentou redução de 54,2% nos valores exportados. Em Goiás, também houve declínio, contudo a redução foi menos expressiva, com 15,4%.
Cana-de-açúcar: produção forte de etanol e açúcar
O setor de produção de cana-de-açúcar é outro que pode se gabar de bons números. Para se ter uma noção, na última Safra (2019/2020), a produção brasileira foi recorde. Segundo estatísticas da Agro em Dados, para a safra atual, a expectativa é que a produção siga voltada à fabricação de açúcar, em resposta ao mercado que sinaliza cenário positivo, especialmente para as exportações. Segundo o secretário Antônio Carlos de Souza Lima, apesar de produção de cana-açúcar se voltar mais para o etanol, está havendo uma virada neste ano. “A produção de cana é quase 80% para o etanol e 20% para o açúcar. Mas agora estamos vendo uma virada e a produção de cana para o açúcar pode ter aí um incremento de 15%, chegando a 35%”, disse. No primeiro quadrimestre do ano, as exportações brasileiras do Complexo Sucroalcooleiro atingiram o montante de US$ 1.976.548.053,00 e 6.176.963,8 toneladas, aumento de 32,9% e 30,2%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior. Vale ressaltar que Goiás é o segundo maior produtor do país, atrás apenas de São Paulo, sendo o único entre os maiores produtores a registrar aumento de produção em relação à safra anterior.Bons ventos para o agronegócio
Presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o deputado Lissauer Vieira (PSB) também é um dos maiores representantes dos produtores rurais no Estado. Otimismo é o que não falta para o parlamentar em relação à área que, segundo ele, “alavanca a economia” do Estado. [caption id="attachment_259407" align="alignleft" width="329"]
"Agro alavanca o país", defende Lissauer / Foto: Divulgação[/caption]
“Eu tenho certeza que o agro é o setor que vai alavancar a economia do país mais uma vez. Nas maiores crises que o país passou foi o agro que levantou. Goiás é um Estado privilegiado porque é altamente produtor de alimentos. Então em toda a cadeia do setor primário, alimentício, Goiás teve muita produção”, declarou.
Para Lissauer, os goianos são beneficiados com “um clima bom, terras férteis, a tecnologia de agricultura para a região Centro-Oeste. “O produtor hoje tem condições de fazer alta produtividade”, concluiu.




