Seguindo rastro de outras pandemias, coronavírus provoca estragos na economia

Enfrentamos a gripe aviária, a gripe suína e agora estamos frente a frente o coronavírus. Também poderemos vencê-lo?

Coronavírus: o mundo conseguirá superar mais essa pandemia? / Foto: Reprodução

Não seria exagero dizer que há anos os investidores não estão tão temerosos como agora. O clima de medo e incerteza que paira no meio econômico em 2020 não é sentido desde o famigerado 2008 com a crise financeira global, quando um caótico desequilíbrio na liquidez no mercado imobiliário dos EUA sacudiu o mercado financeiro do mundo inteiro. Na época, o mercado de ações entrou em pânico, e no Brasil as negociações na Bolsa de Valores de São Paulo chegaram a ser interrompidas, sendo realizado o temido circuit breaker. Entretanto, o problema que fez o “quebrador de circuito” ser ressuscitado em 2020 é mais selvagem, perigoso e pior: é invisível. Se chama coronavírus.

Desde que apareceram os primeiros casos de pessoas com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, na China, no final de dezembro do ano passado, os olharem se voltaram atentos para lá. Afinal, estamos falando da segunda maior potência econômica do mundo! Em poucos dias, os casos de coronavírus dobraram, triplicaram, quadruplicaram. O céu parecia o limite, e enquanto os casos do novo vírus aumentavam, a atividade econômica chinesa diminuía.

Para se ter uma ideia dos efeitos devastadores da doença sobre a economia do país asiático, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas, as exportações chinesas caíram 17,2% nos dois primeiros meses de 2020 em relação ao mesmo bimestre do ano anterior, jogando por água abaixo o aumento de 7,6% em dezembro de 2019. Além disso, as importações chinesas caíram 4% no período, em comparação com o crescimento dos 16,3% que foram registrados no dezembro passado. E, é claro – assim como o coronavírus, os efeitos econômicos dele passaram a se espalhar pelo resto do globo.

Na mesma semana em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de pandemia do coronavírus – o que significa que ele se espalhou pelos continentes -, aqui no Brasil o dólar comercial bateu os R$ 5. Foi histórico, foi assustador. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou acalmar os ânimos na última semana, e disse que o Brasil “sofreria os impactos” causados pelo coronavírus, mas que eles seriam passageiros.

É claro, não é possível colocar toda a culpa sobre o corona, mas que ele está empurrando o “carrinho de rolemã” ladeira abaixo, isso está. A cada nova medida tomada pelos governos ou novos avanços do coronavírus mundo afora, mais instável e insegura fica a situação do mercado. Na última semana, tivemos que acionar o circuit breaker, a “trava de segurança”, por impressionantes quatro vezes. Na quarta-feira, 12, o mecanismo foi acionado duas vezes seguidas. A última vez em que isso ocorreu foi em 2008.

O circuit breaker, uma ferramenta de segurança para deter quedas anormais na bolsa, é acionado quando a baixa do Índice Bovespa atinge 10%. Funciona da seguinte maneira: se o índice variar mais de 10% em qualquer direção, os negócios são interrompidos por 30 minutos. Caso, após o retorno das negociações, a variação atinja 15% sobre o fechamento que o antecedeu, o pregão é suspenso por uma hora. Agora, se a variação chegar a 20%, as negociações são interrompidas por tempo indeterminado.

Há quem possa dizer que já enfrentamos outras crises causadas por agentes biológicos, mas será que o efeito foi igualmente devastador como o presenciado agora?

Os efeitos da gripe suína na economia global

No final de abril de 2009, quando o termo “gripe suína” estava em alta, as principais bolsas do mundo operavam em baixa. À época, cerca de 30 mortes haviam sido noticiadas no México, país onde o vírus H1N1 foi inicialmente detectado. Casos confirmados nos EUA, Espanha e Canadá já eram de conhecimento da imprensa. No dia 27 de abril, por exemplo, diante do temor da gripe, a Bolsa de Valores de São Paulo operou em forte baixa, e no mercado de câmbio o real abriu em queda de quase 1,30% frente ao dólar.

No mesmo dia, o S&P500 caiu 1,01%, com a bolsa americana registrando alta de 30,20%. Dois dias antes, em 25 de abril, a bolsa teve uma queda de 2,04% – a queda havia acompanhado a notícia do primeiro caso de H1N1 registrado.

A gripe “do porco”, ainda em 2009, respingou em diferentes setores e lugares. Em julho do ano em questão, por exemplo a epidemia de H1N1 fez disparar as vendas de remédios e produtos preventivos na Argentina. O comércio também foi afetado e, de acordo com informações da federação que representa lojas e shoppings da Argentina na época, a queda no comércio foi de quase 25%.

No dia 29 de abril, o presidente do México na época, Felipe Calderón, anunciou uma suspensão de atividades consideradas “não essenciais” entre os dias 1 e 5 de maio de 2009. Bares, casas noturnas, eventos esportivos e até concertos ficaram inviabilizados. O quadro de saúde poderia até exigir tais medidas, mas as consequências delas não foram lá muito felizes.

Isso custou ao setor de serviços e de indústrias da Cidade do México, em apenas cinco dias, 55 milhões de dólares por dia. Frente à essa realidade do México, o mercado financeiro reagiu, e o peso caiu.

A questão é que: ambas as pandemias trouxeram terríveis resultados econômicos para os países afetados. Enfrentamos a gripe aviária, a gripe suína e agora estamos frente a frente o coronavírus. Sim, podemos vencê-lo também. Entretanto, a herança que será deixada ante os sacrifícios que estão sendo feitos para impedir o declínio econômico causado por um mal biológico, isso nem o melhor dos videntes sabe.

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