Coronavírus: por que não é necessário pânico

As medidas de prevenção contra o coronavírus são simples: mantenha-se informado por veículos confiáveis de informação, lave as mãos e resista ao instinto de estocar comida e correr para o pronto-socorro ao menor sinal de resfriado

Prevenção contra o Coronavírus

Foto: divulgação

Na quarta-feira, 26, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de coronavírus no Brasil. Um homem de 61 anos que mora em São Paulo e retornou de viagem à Itália entre 9 e 21 de fevereiro foi testado duas vezes para e dado como infectado. Atualmente, o homem está em isolamento respiratório no hospital Albert Einstein e não apresenta piora no quadro clínico, mas a inevitável chegada do vírus ao país levanta algumas questões que apenas a ciência pode responder.

A primeira e mais fundamental delas naturalmente é: “eu e minha família corremos perigo?” Embora a resposta seja um categórico “você corre muito pouco perigo”, a transmissão 24 horas do avanço das infecções e mortes pelo mundo transmite a ideia de uma contagem regressiva para o desastre. Agrava a situação o fato de que a maior parte das informações disseminadas se refere a formas de prevenção equivocadas.

Apesar de haver muitas excelentes fontes de informação na internet, as fakenews são feitas para serem apelativas e não têm paywall, se alastrando como um verdadeiro vírus enquanto sua contraparte de notícias verdadeiras é menos bombástica e frequentemente cobra uma assinatura para ser lida. Como resultado da desinformação, a população comete os dois piores erros em um cenário de pandemia: entra em pânico e corre para o pronto-socorro ao menor sinal de resfriado.

O pânico transforma vizinhos em competidores egoístas. A disputa por suprimentos leva pessoas a estocar alimentos e água em casa, que podem faltar para quem realmente precisa e elevam preços. Em Campo Grande (MS), álcool gel e máscaras cirurgicas já estão em falta nas farmácias. Estar munida destes dois insumos não significa que a população oferecerá maior resistência ao coronavírus, quando ele chegar – já que virologistas explicam que sua chegada é inevitável. Além disso, lotar centros de urgência ao sentir sintomas leves desvia os esforços da equipe médica de pacientes que realmente estão em risco. 

Flúvia Amorim afirma que a melhor prevenção é lavar as mãos | Foto: Fábio Costa

Como explica Flúvia Amorim, Superintendente de Vigilância em Saúde no município de Goiânia, em entrevista ao Jornal Opção, a máscara dá uma falsa sensação de proteção. Ela pode ser útil ao deter gotículas de saliva na fala, espirros e tosses de uma pessoa contaminada, mas não protege indivíduos saudáveis. Inclusive, pode colocá-los em maior risco, pois quem veste a máscara frequentemente leva a mão ao rosto para ajeitá-la sobre nariz e boca.

Flúvia Amorim explica que a melhor forma de prevenção é fazer exatamente o que já se fazia para evitar gripes comuns: lavar as mãos ao entrar e sair de ambientes (públicos principalmente); espirrar e tossir em lenços descartáveis (nunca nas mãos); manter as mãos longe do rosto. A letalidade de baixíssima para adultos saudáveis e elevada para idosos e pacientes com baixa imunidade também lembra padrões da gripe. 

Mas apesar da semelhança com a gripe comum, o COVID-19 tem suas especificidades. Ao contrário do influenza, o novo coronavírus ficou associado aos chineses, iranianos e agora também aos italianos, pois são estas nacionalidades com maior número de infectados. Mas é importante lembrar que o vírus atualmente está em 61 países e reforçar a xenofobia é outro dos maiores erros que se pode cometer em um cenário como este. 

O preconceito cria medo e instabilidade, e assim chineses, iranianos e italianos podem perceber que serão hostilizados caso demonstrem sintomas do vírus. Isso diminui a chance de infectados procurarem ajuda profissional caso realmente precisem, e termina por expor a população e o próprio xenofóbico a risco. 

Caso haja suspeita de contaminação

Como demonstrado pelo relatório do Centro de Prevenção e Controle de Doenças da China (CCDC, na sigla em inglês) pela OMS, mais de 80% dos casos confirmados de coronavírus são brandos, sem grandes consequências respiratórias. Mesmo antes do primeiro caso confirmado no Brasil, o país já estava estruturado para fazer o diagnóstico. “O exame não é indicado a toda população. O paciente precisa ter pedido médico e preencher os critérios clínicos de caso suspeito do Ministério da Saúde”, explica David Urbaez, infectologista do Laboratório Atalaia, que integra a Dasa.

Prevenção contra o Coronavírus

Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde

Seguindo o guia de diretrizes da OMS para o diagnóstico do coronavírus (COVID-19), a Dasa, que é líder na América Latina em medicina diagnóstica, validou o exame seguindo rígidos padrões de controle internacionais, e usando como base uma amostra positiva específica para a cepa do vírus do surto chinês. O exame validado usa a tecnologia de PCR em tempo real – a mesma utilizada para investigar a presença de outras infecções respiratórias, precisa de pedido médico para ser realizado e o resultado é disponibilizado em até 48h.

“Não foi a primeira vez que mobilizamos o time técnico para desenvolver e validar um teste molecular preciso, de forma rápida: foi assim com a epidemia de febre amarela, em 2017/2018, e com o Zika vírus, em 2015/2016, ambos com ótimas avaliações nos programas internacionais de controle de qualidade”, explica Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa.

“Estamos oferecendo em nossos laboratórios hospitalares o exame certificado com as metodologias de padrão internacional, suportando as instituições públicas na confirmação (ou não) do diagnóstico do Covid-19”, explica Gustavo Campana, diretor médico da Dasa. A validação da Dasa se deu por meio de parceria com o Instituto de Medicina Tropical da USP. “Os controles positivos são importantes para a validação clínica, seja para garantir segurança para o paciente ou a assertividade no diagnóstico”, alerta Campana.

Urbaez destaca, ainda, que apesar de as infecções pelo novo coronavírus se espalharem rápido, elas matam menos que H1N1 na pandemia de 2009. Porém, para o H1N1 e outros vírus influenza há vacina disponível nas redes públicas e privadas. “Nesse sentido, precisamos nos preparar para os períodos mais frios que favorecem o aparecimento de doenças respiratórias e ampliar os cuidados com quem é grupo de risco: crianças, idosos, pacientes com doenças crônicas”. 

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