Imprensa
Colegas dizem que o profissional apurava, escrevia e editava bem. Era considerado um craque nas redações pelas quais passou
O jornalista deve ancorar o jornal noturno da emissora e deverá ser o principal apesentador da franquia brasileira
O comprometimento de suas principais estrelas como faturadores tem a ver com os novos tempos — quando até os gigantes ficarão menores, de maneira incontornável
Presidente mostra escasso conhecimento dos propósitos de seu governo e frequentemente afirma uma coisa e é desmentido por sua equipe
Governantes cortam em áreas essenciais aos cidadãos — como o financiamento da educação — para bancarem negócios de empresários politicamente articulados, como Joesley Batista
O cantor e compositor sugere que os Bolsonaros vão acabar se comendo e sustenta que Osmar Terra nada entende de cultura
A crítica é bem-vinda, mas o bullying arrasa e desmoraliza as pessoas. A TV Globo mudou regras para deixar de humilhar as pessoas
“Temos certeza de que isso não impedirá sua leitura”, afirma Daniel Louzada, da Livraria Leonardo da Vinci
Além de uma prosa reconhecida internacionalmente, ele traduziu Flannery O’Connor, Eudora Welty e Bernardo de Carvalho
O diretor afastado foi convidado a escrever uma coluna. O novo diretor de redação escrevia a coluna Radar
Em votação claramente manipulada, jogador do Vasco é escolhido Craque do Jogo e protagoniza cena constrangedora com a repórter Júlia Guimarães

Em um domingo de poucos gols, bom público e futebol mediano, o destaque da quarta rodada do Campeonato Brasileiro ficou para a exposição humilhante do goleiro Sidão, do Vasco. O jogador, que defendia o Goiás há até poucos dias, foi escolhido Craque do Jogo pelos internautas que acompanharam o jogo contra o Santos pela Rede Globo.
Ocorre que a votação havia sido manipulada por um movimento de zoeira nas redes sociais, já que o goleiro havia falhado no primeiro dos três gols santistas.
Na saída de campo, a cena mais constrangedora da tarde reuniu Sidão e a repórter da Globo Júlia Guimarães. A jornalista, ao aproximar-se do jogador, não disfarçou o incômodo com a situação: “Sidão, eu vou ter que te entregar o troféu craque do jogo. Foi uma votação feita apenas por torcedores na internet. É um jogo complicado para você, uma partida muito difícil, mas... É, fica aqui esse troféu para você”. Sidão apenas abaixou a cabeça e deixou o gramado.
Casagrande pede desculpas
O assunto rapidamente tornou-se o mais comentado do Twitter. A maioria dos internautas atacou a Globo, pela falta de sensibilidade. O ex-jogador Casagrande, que é comentarista da emissora, pediu desculpas ao goleiro e chamou o prêmio de ridículo.
O Vaso emitiu nota oficial criticando a Rede Globo. “O Club de Regatas Vasco da Gama repudia a exposição equivocada, constrangedora e desnecessária do atleta Sidão em rede nacional ao fim do jogo contra o Santos, em uma infeliz entrada ao vivo para a entrega de um prêmio que evidentemente não representava o espírito proposto”, diz a nota do clube.
A assessoria de imprensa de Sidão também se manifestou. Por meio de nota, pediu respeito ao jogador e disse repudiar “com veemência a atitude tomada ao final do jogo na transmissão da Rede Globo”. O próprio Santos se solidarizou com o goleiro vascaíno. “Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé. Manda essa tristeza embora. Basta acreditar que um novo dia vai raiar. Sua hora vai chegar!”, escreveu o clube.
Globo muda critérios para a premiação
Após a repercussão negativa, a Rede Globo anunciou que mudará os critérios para escolha do Craque do Jogo. Já na próxima rodada da Copa do Brasil, os comentaristas da emissora participarão da escolha. A Globo também pediu desculpas a Sidão. “Reconhecemos que a entrega do troféu não foi adequada na ocasião e agradecemos a educação de Sidão no momento de tensão”, diz nota.
A jornalista Júlia Guimarães, coadjuvante involuntária da cena, usou o Twitter para se desculpar. “Tenho consciência tranquila de que Sidão sabe o respeito que tenho pelo profissional e pela pessoa que é”.
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A especialista em economia e ex-Globo afirma que se pode falar em empoderamento do jornalista
Jornalistas costumam dizer, em tom de brincadeira, ma non tropo, que a profissão de jornalista está em extinção. Na verdade, não está. Mas, sim, está em processo de mudança. As redações estão se tornando menores e os repórteres tendem a diversificar seus afazeres. No momento, não há mais revisores, redatores e, em jornais exclusivamente digitais, não há diagramadores e fotógrafos começam a ser, se não dispensados, menos utilizados. Repórteres apuram, escrevem, revisam, fotografam (com celulares) diagramam e publicam seus textos diretamente — sem intermediários, às vezes sem a interferência de pelo menos um editor. O resultado é que as equipes são cada vez menores e menos dispendiosas. Mesmo assim, não se pode falar em atividade em extinção, e sim em novas configurações profissionais.
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Mara Luquet e Thais Heredia: competentes, brilham fora da TV Globo | Fotos: Reproduções[/caption]
Até pouco tempo, poucos profissionais deixavam a Globo para cuidar de seus próprios negócios. Sair da Vênus Platinada era uma espécie de “morte” e havia quem se considerasse na lista dos “animais extintos”. Os que saíam por conta própria eram chamados de “malucos”. Não é mais assim. Há vida fora da Globo e, em Goiás, da TV Anhanguera. Mara Luquet, jornalista especializada em economia, deixou a GloboNews, onde estava bem, e criou o MyNews, canal de notícias baseado no YouTube, com mais cinco profissionais (como Antonio Tabet, um dos criadores do Porta dos Fundos). Por ser considerado como referência, inclusive em outros países, o MyNews recebe aporte financeiro do Fundo de Inovação do Google. “Eu era PJ [pessoa jurídica] na Globo. Há muito tempo não tinha garantias trabalhistas. O diferencial agora é que eu tenho uma parte desse negócio, estou fazendo história e não tem dinheiro que pague isso. É um momento de investimento, mas não temos prejuízo. Nossa receita paga as contas e ainda sobra reserva para investir”, disse a jornalista ao blog Notícias da TV, do UOL.
Se os meios de comunicações, com suas estruturas gigantes, estão demitindo, em parte por causa da queda de faturamento e em parte para manter os ganhos dos acionistas (poucos são como os integrantes da família Marinho, que, em 2018, para evitar prejuízo do Grupo Globo, não fizeram retiradas), o MyNews se prepara para abrir escritórios em Brasília e Londres. “A gente quer projetos de jornalistas para desenvolver. A gente sabe que tem jornalistas muito bons no mercado e a gente quer falar com essas pessoas. Nosso business é conteúdo”, afirma Mara Luquet. A produção de conteúdo próprio, de qualidade, é um dos desafios dos veículos online. Hoje, parte deles copia o que é publicado em outros lugares e sem acrescentar uma informação nova. Copia-se até os erros, que, publicados em série, terminam o dia como “verdade”. Reportagens complicadas por vezes são abandonadas por determinados repórteres — que preferem grudar ao telefone em busca de declarações perfunctórias sem nenhum conteúdo político e social, mas, possivelmente, explosivas.
Com a liberdade gestada pela internet e os novos negócios, Mara Luquet sublinha que se pode falar em “empoderamento” do jornalista. “Os meios de produção foram para as mãos do jornalista. A gente conseguiu colocar um canal no ar, um bando de jornalista que não é rico nem nada, mas todo mundo é muito experiente. Com mais de 30, 40, 50 anos.”
Entre colaboradores fixos e freelancers, o MyNews conta com o trabalho de 40 profissionais. “Agora, estamos conversando com investidores no Brasil e no exterior para dar um salto maior.” Sem gastar com marketing — “nenhum centavo” —, o MyNews tem 196 mil leitores inscritos. A prioridade do canal é a cobertura de política e economia. Mas pretende cobrir também esportes e games.
Chega às livrarias uma obra que mostra a história do dono de “O Globo” e da TV Globo, o empresário que mandou nos políticos e melhorou a imprensa

