Euler de França Belém
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Attílio Corrêa Lima projetou jardim para Roberto Marinho

Biógrafo Leonencio Nossa sugere que irmãos Luiz e Oswaldo Aranha podem ter sido os criadores dos campeões nacionais

A política dos campeões nacionais é uma criação do lulopetismo, quer dizer, dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, do PT? Talvez não seja. A partir do governo de Getúlio Vargas, os irmãos Aranha, Oswaldo e Luiz “Lulu” Aranha, podem ter sido os inventores dos campeões nacionais — empresários (famílias) que se tornaram poderosos à sombra frondosa do Estado e, depois, se metamorfosearam em liberais empedernidos. A história está contada no excelente “Roberto Marinho — O Poder Está no Ar: Do nascimento ao Jornal Nacional” (Nova Fronteira, 543 páginas), do jornalista Leonencio Nossa. Trata-se de uma pesquisa seriíssima. Usa-se, com mestria, Roberto Marinho para contar a história do século 20 no Brasil e usa-se a história patropi para explicar Roberto Marinho — de maneira crítica, mas sem preconceito. Se Pedro Bial escreveu uma biografia de coroinha — não chega a ser hagiografia —, Leonencio Nossa mantém a estatura de Roberto Marinho, sem elevá-la nem diminui-la. Era um grande homem? Era, goste-se ou não. E, como todos os grandes homens — inclusive Winston Churchill —, não deixava de cultivar a pequenez, quando conveniente.

Roberto Marinho com o presidente João Baptista Figueiredo e com Antônio Carlos Magalhães | Fotos: Reproduções

Como Roberto Marinho começou mesmo a ganhar dinheiro? Com gibi. “O Globo Juvenil” era dirigido pelo jornalista Antonio Callado, “principal roteirista das histórias”, com o apoio de Nelson Rodrigues. A residência do empresário no Cosme Velho foi construída “com o dinheiro dos quadrinhos”. A casa foi desenhada pelo engenheiro Cesar de Mello Cunha. “O Jardim do Cosme Velho foi projetado pelo arquiteto Attílio Corrêa Lima. Ele trabalhou no plano urbanístico de Goiânia, primeira capital projetada do Centro-Oeste. (…) Entre um projeto e outro para o governo, Attílio desenhava jardins para casas de empresários. Sua obra, uma transição do jardim da belle époque para um jardim de espécie da Mata Atlântica e da Amazônia e de curvas e retas imprevisíveis, sempre garantindo espaço para o automóvel, uma marca do futuro, foi engolida pela grife Burle Marx”.

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