Euler de França Belém
Euler de França Belém

Tombo da TV Anhanguera não é positivo para o mercado

Os empreendimentos da família Câmara contribuíram para modernizar a imprensa de Goiás

Há jornalistas que torcem contra o Grupo Jaime Câmara e aplaudem sua crise, que afeta tanto “O Popular” quanto a TV Anhanguera (a baixa audiência preocupa a Globo, da qual é afiliada). Pelo contrário, estou entre os que torcem pela sobrevivência dos empreendimentos, porque geram empregos e têm uma história de seriedade na difícil arte de se fazer jornalismo, e como empresa mesmo (que, apesar da crise de audiência, é sólida).

O Grupo Jaime Câmara nasceu há 80 anos, sempre praticou jornalismo da melhor qualidade e contribuiu para a modernização dos jornais, rádios e televisões de Goiás. Hoje, a família Câmara pode estar desmotivada, e até interessada em investir em novos negócios — ou viver de renda de aluguéis —, mas deu, e continua dando, uma poderosa contribuição para melhorar a qualidade editorial da imprensa goiana.

Costuma-se sugerir, numa linguagem nada politicamente correta, que o tombo do anão é quase imperceptível e que o tombo do gigante é estrondoso; portanto, um espetáculo. Espera-se que, no caso do Grupo Jaime Câmara, não haja queda e que a fase ruim — que, a rigor, é de todo o mercado (observe-se que os Civita deixaram o ramo jornalístico e a audiência da própria Globo não é mais tão alta) — seja superada.

Parece que está em andamento, de maneira sutil, uma tentativa de a Globo adquirir algumas das afiliadas, ou então passá-las para grupos mais capitalizados. Dado o novo quadro mundial das comunicações, mesmo afiliadas da poderosa televisão da família Marinho não têm mais condições de fazer investimentos maciços e equipamentos e profissionais experimentados (aqueles que fazem a diferença). Por isso, seus concessionários têm de vendê-las — para o Grupo Zahran, Polyana Jereissati ou outro — ou devolvê-las à Globo. Porque não conseguem mantê-las, nem fazer os investimentos exigidos pela rede.

O problema de audiência, sua queda, não é específico da TV Anhanguera. É um problema nacional (e até mundial). Ninguém, nem mesmo a Globo, terá mais audiências absolutas. Daqui pra frente, cada rede (e emissora) terá de lutar como uma leoa para manter o mínimo de audiência — que terá de ser compartilhada com outros meios. Já há uma geração que não sabe mais o que são novelas da Globo, porque, no seu horário, está assistindo séries e filmes em outros canais ou está na internet assistindo ou criando alguma coisa. O mundo mudou, a banda passou. Quem ficou para trás não voltará à liderança: é o grande recado da nova realidade da comunicação.

Uma resposta para “Tombo da TV Anhanguera não é positivo para o mercado”

  1. Rafael disse:

    Eu acho que a televisão é um meio de comunicação consolidado e não tem tanto a cair, assim como o rádio ainda é muito presente, tanto que sempre que falam que a audiência em pontos vem diminuindo, mas o que acontece é que a cada ano um ponto passa a ter mais telespectadores do que o ano anterior, e sobre a TV Anhanguera acho que deveriam tentar pelo menos na parte das pautas dos jornais fazer um jornal como o RJTV pois esses jornais atuais da TV Anhanguera são muito exaustivos e repetitivos com entradas ao vivo enormes pra ficar repetindo a mesma coisa por uns 10 minutos e no meio do jornal muitas vezes tem umas reportagens que parecem ser tiradas num bingo de tão desencaixadas com o jornal, vez ou outra acertam num dia que o jornal inteiro está bom. Fico triste pelos cortes que estão fazendo na emissora pelo estado, mas com a crise da economia no país a maioria dos negócios tem que diminuir os investimentos em publicidade e com uma sucessão de decisões até um pouco equivocadas em relação ao jornalismo da emissora, a audiência deixou de ser atrativa para os anunciantes.

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