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“A Última Fábula — Contos” é o mais novo lançamento do jornalista Francisco Costa
O jornalista Francisco Costa — repórter do Jornal Opção — lança sua quarta história em quadrinhos. “A Última Fábula — Contos” é uma sequência indireta da primeira obra do autor, “A Última Fábula”, que mostra um mundo de fantasia medieval onde existe magia e seres mágicos. Diferentemente dos lançamentos anteriores, esta não saiu em formato físico, mas como webcomics gratuita (https://tapas.io/episode/1440413).
Nessa nova HQ, ambientada em meio à Guerra dos Cem Anos, um cavaleiro com hanseníase tem uma última missão: destruir um demônio que caminha pela Europa medieval. No caminho, ele encontrará uma médica em uma vila desolada pela peste negra. Ela perdeu tudo. Dois pecadores que seguirão pelo mesmo caminho.
Mais detalhes
A trama, que traz um traço cartunesco e cores vivas, funciona como “start” para novas histórias, ambientadas nesse universo fantasioso, que mistura elementos de história e ficção. Existe magia, mas essa é difícil de encontrar e parece estar se dissipando.
São 16 páginas de história, divididas em dois capítulos (Pecadores I e II), que encerram a mini-trama, mas deixam espaço para uma sequência, já em produção. Por ser uma webcomics gratuita, ainda não periodicidade definida.
Outras HQs
As outras duas HQs de Francisco Costa são: Louis de Dampierre e Insurreição. Ambas ambientadas no mesmo universo de A Última Fábula e A Última Fábula: Contos e também durante a Guerra dos Cem Anos (1337 a 1453).
Em Louis de Dampierre acompanhamos o personagem que dá nome ao título, o filho de uma druida, que o criou até os 5 anos, e um senhor feudal, que assumiu a guarda da criança após o falecimento da maga da floresta.
O senhor feudal da França tem obrigações com a guerra e por isso prepara seu filho para a batalha (ele completa 18 anos, perto da Batalha de Callais). Porém, Louis é bastardo e vai ter que lidar com o ódio da madrasta e a inveja do irmão e herdeiro legítimo.
A HQ “Louis de Dampierre”, em paralelo, apresenta como subtrama a história do Padre Albert, o último sobrevivente de uma vila arrasada pela guerra entre Inglaterra e França, que precisa lidar com difícil exorcismo.
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Francisco Costa: um craque dos quadrinhos | Foto: Layza Vasconcelos[/caption]
Insurreição
Já em “Insurreição”, o leitor acompanha a personagem Lara, camponesa assassinada com sua família durante a Revolta dos Jacques (Revolta Camponesa). Porém, o mundo dos mortos não é seu lugar e sua alma brilha forte.
Capaz de voltar, quantas vezes necessário, Lara vai fazer de tudo para se vingar do nobre que ordenou a destruição de sua vila, que era, por acaso, a mesma do líder camponês Guillaume Cale.
Detalhe: Francisco Costa é um excelente crítico de quadrinhos. Ele escreve muito bem sobre o assunto, inclusive porque é um autor competente de quadrinhos. A redação cobra um texto e, minutos depois, o repórter aparece e o mostra ao editor. Parece mágica, mas não é. Trata-se de conhecimento. Francisco é um jornalista múltiplo, desses que escrevem bem sobre qualquer assunto. Na redação, é um dos mais bem-humorados. Sua capacidade de produção impressiona os colegas. Os repórteres brincam quando ele volta para a redação: “Chegou o Chico Produção”.
Céleblo Comics
As HQs de Francisco Costa podem ser adquiridas pelo selo independente quadrinhos, Céleblo Comics.
A Última Fábula (https://www.celeblo.com.br/a-ultima-fabula?fbclid=IwAR2ShcT7s9U1h68_vCss5qxMift4RO1IQX-0UbUBYLJA3rFrkneYIRQbxxU)
Louis de Dampierre (https://www.celeblo.com.br/louis-de-dampierre?fbclid=IwAR3vIacThB-lAq0EeCWb_nNRiYN3baP2du4SHdRtnCAxT9GWw7Q0c5ti6pQ)
Insurreição (https://www.celeblo.com.br/insurreicao?fbclid=IwAR36aFnTga4ZFTjpK4YmTFH_KFJl4IhTbKB2UgXgSCvnSENI4zg3BA1aQq0)
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Os repórteres Alexandra Ozorio de Almeida e Neldson Marcolin, da revista “Pesquisa Fapesp”, entrevistaram longamente o oncologista Drauzio Varella — “Palavra de médico”. A publicação, de alta qualidade, está nas bancas (sim, é impressa) e custa apenas R$ 9,50. O especialista, que se tornou um dos principais comunicadores do tema saúde no Brasil, sem banalizá-lo, diz coisas relevantes sobre várias questões (por exemplo: “Morrem 11 mil pessoas por ano no Brasil em consequência da Aids e vamos ficar preocupados com preconceito?”). Mas limito-me a recolher trecho sobre a saúde pública.
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Drauzio Varella defende o SUS mas cobra mais organização na área de saúde | Foto: Divulgação[/caption]
Os jornalistas perguntam: “O que é mais difícil resolver na saúde pública brasileira?” Drauzio afirma que a estrutura não é, no geral, ruim, mas falta “organização”. Nas cadeias, mesmo não tendo laboratório e máquinas de raios X, o médico afirma que resolve “cerca de 90% dos casos sozinho”. Os repórteres assustam-se: “Tudo isso?”. O médico replica: “Sim, com a cesta básica de medicamentos disponível. Normalmente, os problemas são simples. Quantas vezes ficamos gravemente doentes? Uma ou duas vezes na vida, em pessoas relativamente normais. A grande maioria das vezes resolve-se na atenção primária”.
Hospitais com menos de 100 leitos são inviáveis, “do ponto de vista técnico e econômico”. Drauzio frisa que “os hospitais de 50 leitos são a maioria no Brasil. Construir é fácil. Depois tem de equipar e contratar médicos. Esse hospital vai custar muito caro para uma capacidade de atendimento pequena. É inviável”. Ele sugere que a solução é “transformar os hospitais pequenos em centros ambulatoriais. Se há 12 cidades mais ou menos próximas, a maior delas é a que deve ter um hospital com 100 leitos ou mais, com o qual todas as prefeituras devem colaborar, juntamente com o Estado. Os que precisam mesmo de hospital iriam para lá”. O médico afirma que a estrutura de saúde existe. “O que é preciso? Além de organização, mais dinheiro, porque o total investido é pequeno diante do que é necessário”.
Apontando que, em 10 anos, o Brasil teve 12 ministros da Saúde, Drauzio sustenta que “o Brasil não tem política pública de saúde”. Ao contrário dos que criticam o SUS, o médico é um de seus defensores, entusiastas e preocupa-se de a sociedade não entender sua importância. “Não há nenhum outro país no mundo com mais de 100 milhões de habitantes que tenha ousado oferecer saúde pública gratuita para todos. Nenhum. Somos o único. As pessoas não sabem disso. Quando se fala do SUS, costuma-se dizer: ‘É uma vergonha, macas no corredor, crianças sendo atendidas em cadeiras na recepção’. Isso acontece porque a assistência primária não funciona. É só ver uma fila de pronto-socorro. Se um médico examinar todas as pessoas, dará alta para 80% ou 90%. Elas vão para lá porque não conseguem atendimento na UBS. No OS do hospital, o doente sabe que será atendido, de um jeito ou de outro”. (Em Goiânia, a estrutura do governo do Estado atende com eficiência, mas os cais da prefeitura são deficientes — faltam médicos e medicamentos básicos.)
O SUS “foi”, na opinião de Drauzio, “a maior revolução da história da saúde brasileira. Não há nada comparável”. O sistema pago atende 47 milhões e o SUS atende 160 milhões de pessoas. “O SUS é o maior programa de distribuição de renda da história do Brasil. O bolsa família é um projeto tímido se comparado ao SUS. O cidadão pode estar embaixo da ponte e, se precisar de um transplante de fígado, vai fazer no HC gratuitamente. É um sistema de redução de desigualdade social. Ninguém vê esse outro lado do SUS”.
O livro “Estação Carandiru”, de Drauzio, vendeu 500 mil exemplares. O médico conta que, se não estiver atendendo pacientes, está sempre lendo, pesquisando e escrevendo. E admite: “Antes do almoço tomo uma cachaça para ‘potencializar’ o trabalho... Isso eu aprendi com o pessoal da Detenção”. Ele tem 76 anos e está escrevendo suas memórias.

