Euler de França Belém
Euler de França Belém

Jornal do Brasil acaba com edição impressa e circula apenas na internet

O “JB” de que todos falam é um jornal do passado. O do presente permanece na UTI, como se fosse um morto-vivo

O “Jornal do Brasil” tem 128 anos e é um dos mais antigos do país. Ele foi fundado em 1891, logo depois da Proclamação da República, em 1889. Passou por momentos difíceis, mas, entre as décadas de 1960 e 1970, contribuiu, de maneira decisiva, para renovar o jornalismo patropi. Jornalistas como Odylo Costa, Filho, Reynaldo Jardim, Janio de Freitas e Alberto Dines fizeram escola, em termos de qualidade editorial e gráfica. O “Caderno B”, por exemplo, é “pai” dos cadernos 2 dos jornais de praticamente todo o país. O jornalismo arrojado e bem apurado não foi invenção do “JB”, mas, ao menos no Brasil, o jornal contribuiu para aperfeiçoá-lo.

Omar Catito” Peres, dono do “Jornal do Brasil” ou “Jornal da Crise”

Nascimento Britto dirigiu o “JB” com erros e acertos, mas quase sempre com brilho, sobretudo porque contratava os melhores jornalistas de sua geração, como Janio de Freitas e Alberto Dines. Depois, o jornal passou para o comando de Nelson Tanure e, agora, para Omar Peres — que não são do ramo (como, aliás, não o é Jeff Bezos, dono do “Washington Post”, com a diferença de que o americano deu liberdade à redação para fazer jornalismo). Em janeiro de 2018, o “JB”, que estava apenas no meio digital, voltou ao formato impresso, com festa e fanfarra, sob a batuta de Omar Peres e do jornalista Gilberto Menezes Côrtes. Um ano depois, o jornal está atrasando salários e anunciou na quarta-feira, 13, que voltará a ser apenas digital.

Omar Peres demitiu 25 dos 50 funcionários. A redação, para pressionar o empresário, paralisou suas atividades por 24 horas. O proprietário diz que está tentando vender um imóvel para pôr a folha em dia — o que ninguém mais acredita. Um jornalista fez um comentário apropriado: “O ‘JB’ está na UTI, ainda respirando, mas com quadro de morte cerebral. Seu nome deveria ser ‘Jornal da Crise’, ‘JC’”. O que o profissional quer dizer é que o jornal está praticamente “morto” e sem credibilidade. Deixou de ser uma referência, em termos de qualidade jornalística, e se tornou uma referência de crise permanente. Mas, sim, é uma pena.

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Adalberto Queiroz

Eu imaginei que o “sonho do jornal impresso” não duraria muito.

Haroldo Figueiredo

Pior que eu sou assinante e agora?