Por Sinésio Dioliveira
Francisco Wanderley Luiz caiu no visgo pernicioso das milícias digitais, as quais gangrenam fácil o cérebro dos fracos, alucinando-os de um patriotismo pernicioso
Observando os alunos envolvidos no plantio de árvores numa área que sofrera incêndio criminoso, enxerguei-os como pequenas sementes sendo semeadas na terra fértil do dever da boa relação com a natureza, cujo benefício maior é estendido aos seres humanos
Escutar chuva para mim é dopamina de alto teor. Vê-la caindo, acompanhada de seu som característico nos telhados e nas folhas das árvores, deixa meu cérebro molhadinho de tanta sensação de prazer e bem-estar
Pastor dono da igreja, astuto que era, começou a trabalhar o campo vagarosamente, semeando palavras aliciantes, e o rebanho de dizimistas foi crescendo, crescendo... O homem bamburrou com a burrice dos fiéis. Ficou muito rico
O desembargador Luís Cláudio Veiga Braga disse: “Hélio Rocha não morreu, apenas ausentou-se”. Luiz Vagner Jacinto, magistrado aposentado, homenageou o jornalista
A Academia Corumbaense de Ciências, Letras, Artes e Música (Ac-clam) ficou com seu auditório lotado E o motivo do grande número de pessoas foi uma homenagem póstuma prestada a um filho ilustre da cidade: o jornalista Hélio Rocha, cujo amor pelas letras veio de seu pai, Benedito Odilon Rocha. A sessão foi presidida pela presidente Ana Ruth Fleury Curado.

Ao contrário do filho, que transitou apenas no mundo das letras, Benedito Odilon Rocha foi músico (tocava saxofone e clarinete) e era compositor. Exceto o Hino Nacional, todas as músicas executadas na sessão da saudade voltada a Hélio Rocha foram executadas pela Corporação Musical 13 de Maio, que, em maio deste ano, completou 134 anos, o que a torna a banda mais antiga de Goiás e uma das mais antigas do país.
Coube a Luiz Vagner Jacinto, magistrado aposentado e membro da Ac-clam, o discurso da entidade. Ele é primo em segundo grau do mágico escritor do realismo fantástico José J. Veiga, também corumbaense, assim como Bernardo Élis: único goiano a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL).
Luiz Vagner discorreu longa e pormenorizadamente sobre a trajetória de Hélio Rocha. E isso numa linguagem palatável. Mencionou trechos de alguns jornais que fizeram matéria após a morte do homenageado na sessão da saudade. Um deles é o Jornal Opção, numa matéria publicada em 5/3/2024 e assinada pelo jornalista Euler de França Belém, da qual citou um trecho: (Hélio Rocha) “um humanista que sempre queria o melhor para todos; um biógrafo que escrevia com o máximo de clareza, como um cronista e com a sapiência de um Edward Gibbon. Uma enciclopédia pré-Google, dada sua extraordinária habilidade de se lembrar de tudo e de todos, tornando-se uma fonte de informações dos demais jornalistas quando queriam saber o que não aparecia no portal de buscas”.

O desembargador Luís Cláudio Veiga Braga, presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás, após cumprimentar os integrantes da mesa, conduziu seu discurso de modo poético. Disse que não estava no evento movido de tristeza.
Em sua justificativa, Luiz Cláudio Veiga Braga recorreu ao poema “A Mário de Andrade Ausente”, de autoria de Manuel Bandeira: “Num poema que Bandeira escreveu ao grande amigo e poeta Mário de Andrade, disse: ‘Mário não morreu, Mário apenas se faz ausente. Hélio não morreu, apenas se faz ausente’”.
Em seu poema Manuel Bandeira diz: “Você não morreu: ausentou-se”. Os versos finais de Bandeira se encaixaram perfeitamente no propósito do discurso do desembargador em relação ao homenageado: “Saberei que não, você ausentou-se. / Para outra vida? / A vida é uma só. / A sua continua. / Na vida que você viveu. / Por isso não sinto agora a sua falta”.
Também tiveram a palavra o jornalista Bruno Rocha (filho de Hélio Rocha), que falou em nome da família, o ex-deputado federal Vilmar Rocha, o jornalista Valterli Guedes, que, além de comparecer como presidente da Associação Goiana de Imprensa (AGI), também representou o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, o promotor de justiça Jales Mendonça.
Platão, discípulo de Sócrates, não tinha simpatia pelos poetas, achava-os nocivos à sociedade; em “A República”, ele expulsa os vates de Kallipolis, cidade idealizada, em que as artes deveriam trilhar o caminho ético-político
Bosque dos Buritis é um diamante verde no coração de Goiânia. A biodiversidade por lá é rica. Há um porém: no interior da sua mata, existem alguns bichos que utilizam certos cantinhos de lá para fazer sexo e ainda deixam esses locais poluídos de preservativos usados e outros resíduos, que, de modo algum, deveriam ser deixados no parque
Coveiro estava com luvas longas e recolhia os ossos num saco plástico preto, e isso no maior sossego, como se estivesse ensacando um produto qualquer. Uma penca de banana, um punhado de batatas
Há versos excelentes construídos com palavras simples, porém palavras bem escolhidas dentro do campo da simplicidade. Em seu romance “A Hora da Estrela”, Clarice Lispector disse que a obtenção da simplicidade só é possível “através de muito trabalho”
O poder público, em suas ações de combate a incêndios, lembra o personagem Dom Quixote, que, após se embriagar de novelas de cavalaria, vestiu uma armadura antiga, pôs um elmo enferrujado com viseira de papelão, montou num esquálido cavalo e saiu numa missão (impossível) de consertar o mundo
É tido como parasita, pois transfere a responsabilidade de chocar e criar os próprios filhos para outras espécies de aves e some no mundo; já vi sabiá-poca e sabiá-do-campo tratando de um filhote de chupim numa boa, no entanto já presenciei também um pequenino canário-da-mata penando na tarefa de alimentação
Só vou mesmo ficar preocupadíssimo com esquecimento quando não me lembrar mais do meu nome, quando ver florada de ipê, cega-machado, jacarandá-mimoso, cássia-javânica e outras árvores e plantas e não me recordar do nome delas, quando não souber mais distinguir um chupim de um pássaro-preto tanto na plumagem como no canto
O guru Pablo Marçal certamente não conhece um ditado popular que diz que “Esperteza, quando é muita, vira bicho e come o dono”. Para ele, Ayrton Senna foi um piloto sem nada de extraordinário: “O Senna não pilotava helicóptero igual eu. (...) O Senna não escreveu 45 livros” (como Marçal). O grande filósofo e escritor francês do século XVI Michel de Montaigne só escreveu “Ensaios”
Ouvi no restaurante, enquanto almoçava, que agosto é o mês do desgosto, relato relacionado aos incêndios diversos ocorrendo no país. Senti vontade de fazer uma observação à mulher, dizendo-lhe que agosto é também tempo da florada de ipês, cega-machados, mangueiras... Não desperdicei as pérolas e fiz delas um colar para adorno do meu silêncio. E outra que a conversa não era comigo
Tanto nos tempos machadianos como agora, a hipocrisia da seriedade, do moralismo, do bom cristão, é algo abundante; em Mateus 23, os hipócritas são chamados de “sepulcros caiados”

