Por Euler de França Belém
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Biografia conta que, apontado como misógino, Auguste Strindberg valorizava as mulheres que tinham profissão[/caption]
Auguste Strindberg (1849-1912) é o William Shakespeare da Suécia. Mas, ao contrário do britânico, não caiu nas graças das editoras patropis. Alguns de seus livros saíram no Brasil, mas, fora as edições da Hedra, a maioria só pode ser adquirida em sebos. Podem ser encontrados, sobretudo no site Estante Virtual, “Inferno” (Nova Fronteira e Max Limonad), “Gente de Hemso” (Hedra, Portugália, Europa-América), “A Dança da Morte” (Abril Cultural e Veredas), “Senhorita Júlia e a Mais Forte” (Ediouro), “Crimes e Crimes” (Edusp), “Sagas” (Hedra), “Senhorita Júlia e Outras Peças” (Global e Hedra), “Pai” (Peixoto Neto), “Tempestade — A Casa Queimada — A Menina Júlia” (Presença). Parece muito. Mas é muito pouco, dada a imensa produção do dramaturgo. Sobre o múltiplo escritor há dois clichês básicos: “louco” e “genial”.
Genial, sim. Louco, não. O jornalista espanhol e editor de livros Jordi Guinart aprendeu sueco, estudou sua obra e sua vida a fundo, durante quase uma década, e escreveu uma biografia para desfazer alguns enganos: “Strindberg — Desde el Infierno” (Funambulista, 400 páginas).
Numa resenha para o jornal espanhol “El Mundo”, publicada no início do mês, Javier Blánquez diz que muito se escreveu sobre Strindberg, mas “não se sabe tudo sobre” o escritor. Como explorou sua própria vida, detalhando-a em suas histórias, tende-se a ver sua obra como parcialmente autobiográfica. Mesmo assim, com os fatos bem documentados, “Strindberg engana”, afirma Jordi Guinart. “As novelas não são a realidade. Strindberg fazia literatura a partir de sua vida, mas não estava contando sua vida real”, anota o biógrafo. Não era um jornalista, digamos, e sim um criador literário. Ficção e realidade são irmanados em seus livros, imbrincadas por sua poderosa imaginação.
Para entender um autor complexo e altamente produtivo como Strindberg, é preciso apaixonar-se pelo autor e por sua obra. É o que aconteceu com Jordi Guinart. A paixão começou com “Inferno”, considerada sua obra mais importante. A obra do autor está reunida, na Suécia, em mais de 75 volumes — excluindo a correspondência. “‘Inferno’ é a crônica literária dos anos mais obscuros de Strinberg em Paris, de sua obsessão pelo ocultismo, pela alquimia e pelo monismo.”
A paixão por Strindberg é tanta que Jordi Guinart diz que é como estivesse enfeitiçado tanto pelo homem quanto pela obra. “Com Strindberg é assim: o leitor fica fascinado, mesmerizado, ou então não se gosta em absoluto”, assinala o biógrafo. O autor da obra diz que visitou a Suécia, andou pelos lugares onde o autor morou, circulou e dos quais falou. Ele leu passagens de seus livros exatamente nos locais comentados por Strindberg. “Senti que ele me falava diretamente.” A obra do sueco agarra o leitor e não solta — exigindo-lhe um amor próximo do desespero.
O escritor Karl Ove Knausgård, autor do livros “A Morte do Pai” e “A Ilha da Infância”, ambos editados pela Companhia das Letras, é, segundo Jordi Guinart, “herdeiro de Strindberg”. Mas o sueco é mais “impudico” do que o norueguês. Strindberg “explica coisas sobre si mesmo que era impensável imaginá-las no século 19”. Estava à frente de seu tempo. “A cultura do egocentrismo e a obsessão pelo eu nascem em boa parte com o dramaturgo. A maioria de suas fotografias foi feita por ele mesmo. Tecnicamente, são selfies.”
Depois de estudar a obra de Strindberg por nove anos, vasculhando-a de ponta a ponta, Jordi Guinart percebeu que não havia nenhuma biografia decente ou indecente em espanhol. O jornalista afirma que as traduções para a língua de seu país têm sido feitas a partir do francês e do alemão. A tradução de “Inferno”, a partir do francês, é incompleta. A Editora Acantilado traduziu o livro do sueco, sem cortes.
A personalidade vulcânica de Strindberg, além do fato de ser um autor prolífico, atraiu Jordi Guinart, que decidiu estudá-lo de maneira detida. Ele trata seu estudo como “uma biografia de iniciação” — para abrir o “apetite” —, um convite para o leitor compreender tanto o dramaturgo quanto sua obra. “A principal complicação não foi a pesquisa e escrever o livro, mas tomar a decisão do que incluir e do que excluir. Há um excesso de informação sobre Strindberg”, afirma.
Strindberg teve uma vida turbulenta — eis um consenso. A questão mais polêmica é a história de sua “loucura”. Jávier Blánquez diz que “geralmente se fala do dramaturgo como um ‘demente’, como alguém que, em determinado momento de sua vida, perdeu o controle de si”, tornando-se alheio à realidade. “Mas os psiquiatras com os quais tenho conversado asseguram que quatro meses, o tempo que durou a crise que o levou a escrever ‘Inferno’, não são suficientes para determinar que era louco. Suas crises foram recorrentes, o desestabilizaram, mas não era loucura”, afirma Jordi Guinart. Por certo, era melancolia ou, quem sabe, depressão circunstancial.
As crises de Strindberg eram resultados, sugere Jordi Guinart, de “conflitos matrimoniais, falta de recursos financeiros, fracassos das estreias e encenações de suas peças e desapareço do público” — que, por vezes, não entendia seu arrojo artístico e modernidade. Seus variados problemas são apontados pelo biógrafo como causa de sua misoginia. Seus ataques gratuitos e rasteiros eram dirigidos a rivais e às suas ex-mulheres.
“Na realidade”, ressalta Jordi Guinart, Strindberg “não atacava as mulheres, e sim suas ex-mulheres e, por meio delas, um certo modelo de mulher: a senhora burguesa sueca acomodada e sem um ofício” e que, por isso, precisava ser sustentada e “não fazia outra coisa a não ser queixar-se”.
Strindberg “admirava os pobres. De certo ponto de vista, foi um feminista ao inverso. Sua linguagem hoje nos choca, porque estamos em um momento de extrema correção, e não se pode negar que, durante certo período de sua vida, seu comportamento e seus textos foram misóginos. Porém ele falava da mulher trabalhadora, apoiou e cobrou o voto feminino”. O dramaturgo “incentivava as mulheres a trabalhar” e a “crescer por intermédio de suas carreiras profissionais”.
Comenta-se que Strindberg era um perverso sexual. “Construíram um personagem impudico, que confundia realidade com desejo. Mas era lógico: o sexo, para ele, era parte humano e parte divino.”
Não há notícia de que o livro será editado no Brasil.
A mudança do formato standard para berliner deixou, não há dúvida, o septuagenário “O Popular” com cara de mocinho. O jornal ficou muito mais bonito. A plástica rejuvenesceu-o.
Mas há um problema sério de concepção do que é jornalismo em tempos de internet, de globalização rápida da informação. O “Pop” produziu um jornal impresso para “concorrer” com a internet e as televisões. Não dá pé. O que se tem percebido é que o jornal está chegando velho às mãos de seus leitores. O jornal impresso pode até não desaparecer, mas terá de mudar seu perfil. Se quiser sobreviver — até “The Independent”, o notável jornal britânico, extinguiu a edição impressa —, se não quiser ser ignorado pelos leitores, o jornal tem de mudar. O primeiro passo é não tentar competir com a rapidez e o volume de notícias da internet. Jornais meramente fatuais se tornam velhos assim que são impressos.
Com a atual reforma — que é mais gráfica do que editorial —, “O Popular” radicalizou na competição com a internet e, por isso, está perdendo a guerra. Está cada vez mais fatual, com escasso espaço para opinião, sobretudo a opinião da própria redação. É possível sugerir que o “Pop” está com cara de “internet velha”. Suas notícias, por vezes, são desmentidas logo de amanhã e os leitores percebem isto. Fabrício Cardoso e Silvana Bittencourt, editores sérios e competentes, certamente, ao longo do tempo, irão promover novas mudanças e adaptações.
Para um jornal como “O Popular”, com larga tradição de seriedade e equilíbrio — se o objetivo for continuar com as versões impressa e online (hoje o impresso tem cara de online, com notícias curtas mas velhas, ou melhor, que não resistem às primeiras horas do dia) —, o caminho pode ser o da “Folha de S. Paulo”, “O Globo” e o “Estadão”, que, além de investirem forte na opinião abalizada, publicam reportagens especiais, exclusivas, quer dizer, que não estão nos outros sites na internet. As notícias triviais, sublinhe-se, estão em todos os lugares. Precisam ser publicadas? Sim, mas devem vir acompanhadas de análises circunstanciadas.
“Guerra Secreta — A CIA, um Exército Invisível e o Combate nas Sombras” (Record, 392 páginas, tradução de Flávio Gordon), de Mark Mazzetti, está chegando às livrarias. É uma obra-prima do jornalismo americano.
Mark Mazzetti, premiado com o Pulitzer, relata que a guerra contra o terrorismo tornou-se, na verdade, uma gigantesca caçada humana — com autorização integral do presidente Barack Obama, que, aos olhos do mundo, é visto como um humanista em tempo integral — quando, no poder, se tornou um realista visceral, o gestor de um império.
A pesquisa de Mark Mazzetti revela que CIA e Forças Armadas estão com as mesmas funções: espionando e caçando pessoas para matar. “A prioridade da CIA já não é mais reunir informações sobre governos estrangeiros e os seus países, mas sim a caçada humana. A nova missão premia quem colhe informações detalhadas sobre indivíduos específicos, e pouco importa o modo como isso é feito”, afirma o jornalista.
Os Estados Unidos institucionalizaram o uso de drones para ataques mortais. Embora publicamente defenda a liberdade de expressão, o presidente Barack Obama recorreu à Justiça para evitar que a imprensa obtivesse acesso irrestrito e mesmo restrito a informações oficiais sobre o uso de drones pela CIA.
Um detalhe que pode parecer chocante para os humanistas: uma pesquisa da Universidade de Stanford revela que 69% dos americanos aprovam o assassinato secreto de terroristas por militares e agentes americanos.
Mark Mazzetti é repórter do “New York Times” e escreveu para a revista “The Economist”.
Antes da reforma gráfica, a coluna “Giro”, de “O Popular”, era publicada na página 2, no alto da página, com destaque. Era lida por políticos, empresários, profissionais liberais e leitores tradicionais. Com a reforma gráfica, conseguiram reduzi-la e escondê-la. O Grupo Jaime Câmara fez o que parecia impossível: conseguiu matar sua galinha de ovos de ouro. O que fazer? A coluna merece pelo menos uma página, até para que seu editor — que, embora competente, parece desmotivado — possa trabalhar as informações de maneira mais adequada. O minimalismo de “O Popular” está reduzindo a qualidade de seu jornalismo.
Por um motivo ou outro, pode-se não gostar de Fabiana Pulcineli, mas não se pode discordar de um fato: trata-se de uma repórter de qualidade e, quando possível, posicionada — o que incomoda muita gente. Tudo indica que está insatisfeita com as mudanças de “O Popular” — tem dito que o espaço para política é exíguo e que quase não há espaço para notas da área — e que deve sair do jornal.
Se os jornalistas Fabrício Cardoso e Silvana Bittencourt, editores capazes, deixarem Fabiana Pulcineli sair ou se a demitirem, por causa de suas opiniões no Twitter ou no Facebook — profissionais têm direito à opinião própria em suas páginas pessoais, sobretudo —, estarão perdendo uma repórter capaz e que sente-se tolhida e, até, desprestigiada. Um editor qualificado sabe como confortar seus subordinados. Editor que grita mostra poder — não competência.
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O Popular inventou os articulistas de braços cruzados num país que, em crise, precisa de gente de braços descruzados. Seria o espírito do jornal?[/caption]
A redação de “O Popular” parece ter cruzado os braços — daí o crescente volume de erros (até repórteres experientes estão se comportando como principiantes.
Mudaram o formato do jornal, de standard para berliner (muito mais funcional), mas o jornal é o mesmo. Reforma gráfica é uma coisa, reforma editorial, que abrange a gráfica, é outra coisa. A reforma editorial ainda não foi feita.
Mas uma coisa tem chamado a atenção dos leitores. Todos os articulistas, exceto Ruy Castro e Elio Gaspari, são obrigados a posar de braços cruzados. Fica a pergunta: será uma homenagem a um jornal que está cruzando os braços diante da vida? Pode não ser, mas é uma bobagem tremenda. Nem plasticamente é bonito.
A avaliação é que o Palácio do Planalto está se tornando um deserto com quase todos abandonando a presidente
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Vice-líder do PSD na Câmara dos Deputados, ele fez um discurso contundente e disse considerar que Dilma não tem mais condições morais ou administrativas de conduzir o país
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Pedro Chaves teme perder os cargos federais. Já Daniel Vilela receia que seu pai seja perseguido
Se quiser disputar a Prefeitura de Trindade, mas votar com Dilma Rousseff, a deputada do PDT pode comprar caixão e vela preta
Família Magalhães aposta que o prefeito pode ser candidato a presidente ou a vice. Mas há quem aposte que antes deve passar pelo governo da Bahia
Os emissários que tentaram subornar os parlamentares se apresentaram como petistas
Alguns deputados federais de Goiás teriam sido procurados por supostos emissários petistas com a proposta de 1 milhão de reais para não comparecer na votação e 2 milhões para votar não.
Todos disseram “não”. Primeiro, porque não querem se corromper. Segundo, porque aquele que aceitar, embora leva uma grana federal, verá que o eleitorado decretará o fim de sua carreira política.
Os emissários demonstraram, além de desespero, muita vontade de negociar, e até de aumentar os valores.
O vice-presidente, que virou os votos do PSD, sugeriu que não vai bancar candidatura de Paulo do Vale em Rio Verde

