Dilma Rousseff prega para convertidos e faz discurso de ex-presidente

A petista não fala mais para os brasileiros e aliados. Ela está se comunicando com aqueles que podem defendê-la nas redes sociais, nas ruas e nos movimentos sociais-sindicais

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Políticos experimentados sugerem que Dilma Rousseff, no seu discurso de terça-feira, 22, falou como se fosse ex-presidente, como se estivesse preocupada em refazer sua história (se cair, o culpado será o “golpe”, não a corrupção). Avalia-se que a petista, embora pareça, não é nenhuma nefelibata e, por isso, percebe com nitidez a extensão da crise de governo. Ela começa a ser abandonada por aqueles que, durante anos, deram sustentabilidade ao PT, quer dizer, possibilitaram, aos trancos e barrancos, a governabilidade.

No discurso, lido e com algumas palavras de improviso, a presidente não pregou para os brasileiros e tampouco para seus aliados, e sim para os “convertidos”, para a militância das redes sociais, das ruas e dos movimentos sociais-sindicais.

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A fala de Dilma Rousseff é, em si e per si, um contragolpe contra um não-golpe. É um recado para que os aliados se manifestem, nos fóruns possíveis, contra o suposto golpe — um convite para a defesa da permanência da petista no poder ou, para no caso de sair, para que a tese do golpe de Estado seja cristalizada pela repetição.

Só que a mensagem que Dilma Rousseff passa efetivamente é outra, inclusive com o corpo, abatido: está falando como ex-presidente. Seu discurso contém a lógica de quem caiu, não desistiu de levantar-se, mas sabe que é quase impossível pôr-se de pé mais uma vez.

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