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O PT morreu, o que seria de Marx sem Engels e da esquerda sem dinheiro?

A "debacle" do PT começou com a morte de Celso Daniel, depois as vilanias reveladas no mensalão e nas operações da Polícia Federal, sobretudo a Lava Jato. O PT acabou; se ressuscitará, o futuro dirá

“Crises de governo como a que tivemos poderão se repetir num futuro próximo”

ARNALDO B. S. NETO Há um aspecto da autodefesa que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez recentemente que merece registro. Trata-se de uma breve consideração sobre nosso presidencialismo de coalizão, no qual um presidente se elege com 50 deputados e depois vai ter de montar a sua base de apoio no Congresso Nacional. Este é o calcanhar de Aquiles de nosso sistema político e ainda vai nos render bons dissabores. Basta ver os possíveis candidatos para 2018, como Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT). Mesmo eleitos, contarão com uma base mínima no Congresso e terão de “negociar” apoio não somente para montar a base aliada, como também a cada votação importante. Acho incrível que este processo de impeachment não tenha levado os brasileiros a nenhuma mudança significativa em nosso sistema político. Somos um povo imprevidente e insensato, mais dado a emoções do que a considerações racionais. Crises de governo como a que tivemos poderão se repetir num futuro próximo. Sem reformas estruturais, vamos patinar neste crescimento medíocre de 1% a 2% ao ano e as instabilidades decorrentes da combinação entre governo ineficaz e economia capenga vão sempre se transformar em instabilidade política. Mas não vou falar em parlamentarismo, pois até pessoas inteligentes no Brasil se comportam de maneira infantil quando escutam esta palavra. Mas alguma mudança significativa precisa ser feita para melhorar a qualidade da nossa democracia e para garantir um relacionamento melhor entre Executivo e Legislativo que não seja pela abertura de “balcões de negócios”. Arnaldo B. S. Neto é doutor em Direito Público pela Universidade Vale dos Sinos (Unisinos-RS) e professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG).

“Parece natural crer que as motivações do crime de Itumbiara foram mesmo políticas”

[caption id="attachment_76492" align="alignnone" width="620"]Momentos antes o atentado: Gugu Nader (à dir.) assistiu a tudo | Foto: reprodução Momentos antes o atentado | Foto: reprodução[/caption] JOÃO PAULO LOPES TITO O que seria um crime político? E qual a diferença de “crime político” para “crime comum com motivação política” (parece-me que a reportagem utilizou o termo de forma equivocada, a despeito de a fala transcrita do político estar tecnicamente correta). Porque, a não ser que se descubra que a esposa do atirador tinha um caso com o Zé Gomes, me parece natural (e quase obrigatório) crer que as motivações foram mesmo políticas. A principal linha de investigação, sem dúvidas. [“Gugu Nader diz que o assassinato de Zé Gomes foi 100% político”, Jornal Opção 2152, coluna “Bastidores”] João Paulo Lopes Tito é assessor jurídico no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO).

“Jovens e adolescentes estão faltando com o respeito e com a dignidade”

crime-trindade-3-620x350 TÂNIA SOUZA Tem de mudar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Tem de, na verdade, separar, pois “adolescente” não é “criança”. Essa questão de dizer que quem cometeu o crime foi um menor, por exemplo: ora, o “de menor” já vota em candidato; um “de menor” já engravida uma menina, mesmo tendo todas as formas de prevenção disponíveis. Os políticos têm de parar de dar Bolsa Família e passar a construir escolas profissionalizantes em período integral, para ocupar a mente desses “de menor”. Os pais têm de se responsabilizar, sim, pelo mal que seus filhos fazem na escola, pois a educação e o limite começam em casa. Eu sou do tempo em que pedia a bênção para os pais e que só após o pai chegar à mesa poderia se servir a refeição, já que ele era o provedor. Tinha castigo severo caso houvesse desobediência a tarefas como lavar a calçada, ler um livro, memorizar a tabuada e os países. Portanto, está faltando o respeito e a dignidade humana a esses jovens e adolescentes. [“Em Goiás, adolescentes torturam e planejam o assassinato de amiga em crime assustador”, Jornal Opção Online]

“Eleição em Goiânia mudou políticos, mas a prática continuará a mesma”

ANDERSON ALVES As eleições municipais em Goiânia revelaram uma falsa renovação. Se nomes conhecidos vão sair da Câmara, vão entrar sobrenomes não menos famosos entre os políticos. Da mesma forma, não alguns vereadores que até domingo passado eram anônimos não podem ser considerados algo novo: eles representam não uma comunidade, um bairro, uma entidade social, mas apenas um grupo religioso. Estão lá por conta da indicação "iluminada" feita por pastores de igrejas. Dessa forma, fica difícil acreditar que, mesmo com 22 pessoas diferentes, tenhamos alguma ideia nova brotando do Legislativo goianiense. Foi uma mudança apenas de políticos, mas não de prática. Essa continua a mesma de sempre e a população logo vai sentir seus piores efeitos. Anderson Alves é professor.

“Resta aos impressos ancorar análises e opiniões sobre os fatos”

DONIZETE SANTOS Será que não enxergam que o problema de “O Popular” não é o moderno formato germânico, mas questão de conteúdo mesmo? Nos novos tempos, em que a informação navega na web, dá preguiça ler um “Magazine” [suplemento do diário goiano] que insiste em publicar coisas frias do que acontece no Rio e em São Paulo e quase nada daqui. Como as informações fluem em velocidade na web, resta aos impressos ancorar análises e opiniões sobre os fatos. Este é o destino dos jornais impressos, caso queiram permanecer no mercado. O Jornal Opção já optou por isso há muitos anos, e assim segue firme. [“Cúpula de O Popular discute se vale a pena retomar o formato standard e abandonar o formato germânico”, Jornal Opção 2152, coluna “Imprensa”]

“‘O Popular’ acabará se tornando um semanário”

GILBERTO MARINHO A Kodak era uma das maiores empresas do mundo, até que entrou em descompasso com as novas tecnologias. Deu no que deu. Parece-me que “O Popular” também entrou em um descompasso. Essas muitas idas e vindas denotam isso; são sintomáticas. E esses sintomas, para mim, anunciam um desfecho que vou resumir assim: para sobreviver, “O Popular” acabará se tornando um semanário, como o Jornal Opção. Gilberto Marinho é jornalista.

“Formato tabloide é muito melhor para ser lido”

LUIZ AUGUSTO PARANHOS SAMPAIO Sou favorável ao formato tabloide, mesmo porque é muito melhor para ser lido. No início, quando implantado, as letras eram minúsculas e ouvi várias reclamações, principalmente de pessoas idosas. Horrível essa maneira de determinar que as pessoas cruzem os braços. Não sei qual o “debiloide” que inventou essa idiotice. Agora, uma coisa boa, mas que ultimamente não tem sido feita: a publicação dos óbitos ocorridos em Goiânia. Como a cidade cresceu demais, acho eu que não custa nada ficar sabendo e publicar diariamente os nomes das pessoas que desencarnaram. Indubitavelmente, prestarão um bom serviço à população. Obrigado. Luiz Augusto Paranhos Sampaio é advogado, ex-consultor da República e ex-procurador-geral da União.

“Acho interessante rever o conteúdo”

SONEA STIVAL Como leitora assinante do jornal, gostei do novo formato. A leitura e dinâmica. Acho interessante rever o conteúdo. O factual não pode mais ser destaque de impresso. As redes sociais fazem isso. De análise, repercussão e desdobramento dos fatos, sim, sinto falta. Assim como de notícias do interior do Estado com mais destaque e frequência. Muita coisa importante é interessante estar lá. Ir além dos fatos é o primeiro passo da notícia, nesse caso. Penso e espero como leitora. Sonea Stival é jornalista.

Ministro Lewandowski | Foto: Carlos Humberto/SCO/STF
Ricardo Lewandowski: “Impeachment foi tropeço na nossa democracia”

Durante aula na Faculdade de Direito da USP, ministro criticou presidencialismo de coalizão e processo que culminou na saída de Dilma Rousseff (PT) do cargo

Reforma do ensino médio: em meio à complexidade

MP impulsiona o repensar a educação e a profissão docente. E exige de educadores, cidadãos e secretários de Educação inteligência e tempo para aprofundar os detalhes importantes que parecem apenas esboçados

CAU-GO critica lei de vielas e pontas de quadras: “Cidade não pode virar terreno a ser vendido”

Vice-presidente do Conselho de Urbanismo e Arquitetura, Maria Ester de Souza defende que áreas sejam transformadas em espaço de socialização para uso da população

Vaca Amarela, Jesus, Maria e a hipocrisia

Jornalista goiana rebate críticas sobre cartaz do festival goiano Vaca Amarela que traz imagem da Virgem Maria vestida de vaca

Raimundo Lira: “Dois impeachments mostram que instituições brasileiras estão consolidadas”

Presidente da Comissão que julgou processo contra Dilma no Senado disse que dois impedimentos em 24 anos não representam prejuízo para a democracia

Um papagaio de pirata

Dock Júnior [caption id="attachment_70702" align="alignnone" width="620"]Fazendo caras e bocas, o tocantinense Carlos Gaguim aparece para todo o Brasil na votação do impeachment  | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil Fazendo caras e bocas, o tocantinense Carlos Gaguim aparece para todo o Brasil na votação do impeachment | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil[/caption] O deputado federal Carlos Henrique Ga-guim (PTN) é conhecido por amar os holofotes, câmeras e microfones. É, reconhecidamente, o maior papagaio de pirata que o Tocantins já teve notícia. Quando foi governador do Estado, a exposição midiática nos poucos meses de governo foi maior do que a de qualquer outro que houvera ocupado o Palácio Araguaia por quatro anos. Na votação pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), eis que lá estava o parlamentar tocantinense acompanhando cada voto, fazendo caras e bocas a cada manifestação contrária, bem como interpelando aqueles parlamentares que ousassem ficar na frente das câmeras que acompanhava o sufrágio, o que poderia impedir sua exposição. O povo tocantinense sentia uma espécie de vergonha alheia ante a tamanha bizarrice.Rotularam-lhe de bobo da corte, para ser mais exato. A atitude do deputado foi motivo de chacota e piadas, não obstante ter se transformado em “meme” da internet. Após a jogada política de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – renunciar ao cargo de presidente da Câmara dos Deputados visando ganhar tempo e manter seu mandato –, a vacância daquele cargo tornou-se a cereja do bolo para o mundo político. O exercício da liderança chave e essencial para governabilidade do presidente interino Michel Temer (PMDB), mesmo que em um mandato tampão até 31 de janeiro de 2017, foi o canto da sereia para muitos parlamentares. E qual foi o deputado tocantinense que ouviu o canto mitológico da rainha das águas e se inebriou em seus devaneios? Acertou na mosca o leitor que respondeu: Carlos Gaguim! O parlamentar tocantinense foi o segundo a registrar a candidatura à presidência da Câmara e iniciou imediatamente uma campanha midiática que poucas agências de publicidade têm a capacidade de produzir. Quer seja na internet, através das redes sociais, quer seja através das “gaguinzetes” nos corredores do Congresso distribuindo panfletos em prol da candidatura, o barulho eleitoral aconteceu. É evidente que o deputado tocantinense não tinha qualquer chance de êxito na empreitada, mesmo porque ele faz parte do chamado “baixo clero” na Câmara dos Deputados. E de parlamentares do baixo clero no comando da Câmara os colegas querem distância neste momento de crise e de desgaste profundo da imagem da Casa. A maior prova disso é o desrespeito de todos eles pelas solenidades e ordens proferidas por Waldir Maranhão (PP). Gaguim apresentou um discurso populista e casuístico: uma de suas propostas era acabar com as sessões legislativas nas madrugadas. Cômico? Alguns dos pares também classificaram essa plataforma de campanha como tal. Ao discursar minutos antes da votação, ignorou o tripé de poderes independentes e harmônicos entre si, proposto por Montesquieu – Executivo, Legislativo e Judiciário – e vociferou que o primeiro poder pertence a Deus e o segundo às mulheres do Brasil, entre as quais, as congressistas com poder de voto naquele momento. Disse por fim representar mais de 250 deputados “novatos” e também pediu os votos deles. Definitivamente, Gaguim é um “showman” às avessas. Aconteceu o óbvio. Gaguim obteve 13 votos dentre os mais de 500. Em razão de o voto ser secreto é impossível precisar que votos foram estes, contudo, é possível deduzir que foram os do seu PTN, que tem exatamente 13 deputados na Câmara Federal. Foi, portanto, uma espécie de “voo de galinha”, um dito popular que por analogia compara alguma tentativa desastrosa aos voos daqueles bípedes, sempre curtos e fracassados. Foi vexatório, é bem verdade, para a grande maioria dos políticos, jornalistas, articulistas e eleitores. Entretanto, para Gaguim, uma vitória, um reconhecimento partidário, uma demarcação de território, uma exposição midiática de alcance nacional, mais um holofote para seu “invejável” currículo — certamente ele considera que isso lhe é vantajoso e o tempo dirá se é ou não. Veio o segundo turno da votação para a presidência da casa legislativa. Gaguim e o PTN – quase que oportunisticamente – ficaram ao lado do que se sagraria vencedor, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que paradoxalmente obteve votos até do PT. O deputado carioca ganhou a eleição com 285 votos, inclusos, evidentemente, os 13 do PTN. No mês de outubro o eleitor vai às urnas para as eleições municipais. Como sempre, candidatos que enxergam apenas o próprio umbigo e suas benesses pessoais estarão em grande número na disputa. Resta saber se os “Narcisos”, que como já dizia Caetano, odeiam o que não é espelho, terão sucesso.

Quem é, de verdade, o papa Francisco?

O pontífice é o Vigário de Cristo, não de um ou outro grupo de interesse político. Francisco é exatamente como aquele bom padre que conhecemos um dia em alguma paróquia

Valério Luiz, meu pai, e o tempo atacante

Artigo escrito em homenagem ao jornalista Valério Luiz de Oliveira, assassinado há quatro anos

Sucessão tem jogo de cena, sede de poder e demarcação de território

A disputa pela Prefeitura de Palmas já tem tantos pré-candidatos que os eleitores se assustam quando lhes é apresentado tantos nomes

O militar Renato Montalvão Simões, de 34 anos, atende ocorrência e é assassinado

O aspirante cumpriu “o juramento militar realizado ao ingressar na corporação, qual seja o de garantir a ‘segurança da comunidade, mesmo com o risco da própria vida’"

“PSDB tem de colaborar com o País nessa etapa de transição”, afirma Marconi

Governador de Goiás defendeu instituições brasileiras e destacou que é preciso união para aprovar reformas necessárias para retomada do crescimento

Situação política atual é jogo de dados viciados

[caption id="attachment_64312" align="alignright" width="620"]Estudo com dados mostra que o ser humano mente para si, mas precisa de algum consolo Estudo com dados mostra que o ser humano mente para si, mas precisa de algum consolo[/caption] Flávio R. L. Paranhos Especial para o Jornal Opção A edição de 24 de março da revista Nature, um dos periódicos científicos de mais alto impacto do mundo, traz um trabalho interessante, na medida em que apresenta evidências sólidas para algo que já era intuído, a saber, que quanto mais corrupto o governo de um país, mais corruptos tenderão a ser seus cidadãos. Os autores Gächter e Schulz fizeram o seguinte. Conduziram um experimento em 2568 estudantes de vários países por meio do qual procuraram medir sua honestidade. Estes deveriam jogar um dado duas vezes. Receberiam dinheiro proporcionalmente ao número mostrado pelo primeiro dado, exceto o número seis, que faria com que nada ganhassem. A segunda vez em que jogavam o dado aparentemente não serviria para nada. Aparente­mente, pois tem sua utilidade no experimento, como veremos. Sem serem observados, sua tarefa era, após jogar o dado duas vezes, contar o resultado da primeira vez ao pesquisador, e este lhe pagaria por sua participação de acordo com o número informado. Note que o participante realmente não era observado por ninguém. Isso elimina um desconforto ético grande, que seria o pesquisador saber exatamente quem era desonesto. E elimina também que se mate uma curiosidade sem valor científico, justamente saber individualmente quem era desonesto. Por métodos estatísticos, pode-se inferir qual grupo de pessoas (e não cada pessoa) está sendo mais provavelmente desonesto. O próximo passo é fazer uma correlação com um índice de corrupção do país a que pertence aquele grupo, chamado de Prevalência de Violação de Regras (PRV, da sigla em inglês). O resultado foi o esperado. Gru­pos de estudantes de países com PRV mais alto (como Marrocos e Tanzânia, por exemplo), mentiram mais para ganhar mais dinheiro, enquanto os de países com PRV mais baixo (Ingla­terra, Suécia, para citar dois exemplos), mentiram menos e receberam menos (receberam o que se esperaria de dados jogados ao acaso). Quanto ao Brasil, infelizmente, estudantes brasileiros não foram testados, e só podemos imaginar o que daria. Mas há um detalhe metodológico do experimento que acredito valer para o momento pelo qual passamos. Refiro-me ao segundo dado. Por que jogar duas vezes se só a primeira é que vale? Porque há um mecanismo mental de que os seres humanos nos valemos e que é o alvo desse pequeno detalhe. Por uma fria lógica matemática, as pessoas que mentiram diriam todas que o dado deu cinco, certo? Errado. As pessoas, mesmo quando desonestas, precisam se agarrar em algo para justificar sua desonestidade. A racionalização da culpa, que é humana, demasiado humana, precisa de uma ajudinha. O que fazem, então? Não dizem o que deu o primeiro dado, mas, sim, o que deu o número maior. Você, com a distância que o fato de não ter participado do experimento lhe permite, deve estar se perguntando: mas, que diabo, que lógica é esta?! Se a regra é dizer o que deu no primeiro, tanto faz que se jogue zero, um ou um milhão de vezes depois, pois o que vale é o que deu no primeiro. A mentir, que se minta sem precisar do segundo resultado. Mas não é o que acontece. O ser humano precisa ter um bom conceito de si próprio, precisa de ganchos cognitivos (ainda que fajutos) para racionalizar, moer, remoer sua culpa até se perdoar. Para isso serve o segundo dado. O sujeito diz a si mesmo, poxa, não foi o primeiro, mas foi o segundo, foi de fato jogado, mero detalhe que não tenha sido o primeiro etc. E num passe de neurociências, o sujeito se perdoa e fica “em paz com a própria consciência”. Algo assim está acontecendo on line no Brasil hoje. Tanto mortadelas quanto coxinhas têm sistematicamente escolhido o segundo dado, exercitando uma espécie de doutrina do duplo efeito (uma escolha/ação que tem como consequência um efeito bom e um mau). Os primeiros ignoram inacreditavelmente todas as evidências da sangria criminosa da Petrobrás. Os segundos fecham os olhos (e ouvidos e narinas) às constrangedoramente gigantes evidências contra a conduta do maestro do impeachment, o presidente da câmara, e seus aliados. O problema é que para que seja moralmente aceitável, o efeito mau não pode ser instrumento para o efeito bom. Para que se obtenha este, aquele não pode ter sido intencional. Algo a que nem coxinhas nem mortadelas estão dando a mínima. O que nos deixa numa posição absurda, vença quem vencer, no fim todo mundo perde. Este é um jogo de dados viciados. l

Flávio R. L. Paranhos é médico (UFG), mestre em Filosofia (UFG), doutor (UFMG) e postdoc research fellow (Harvard) em Oftalmologia. Doutor em Bioética (UnB).

O aniversário de Duvivier e os presentes de intolerância

Humorista foi, mais uma vez, alvo de ataques nas redes sociais. Até quando aceitaremos o terrorismo como "liberdade de expressão"?