Os nomes postos em 3 grandes prefeituras

A menos de um ano para as eleições municipais, o clima entre os pré-candidatos esquenta em Palmas, Araguaína e Porto Nacional

Screenshot_1

Dock Júnior

As eleições do ano que vem prometem duros embates político-partidários. Aliás, como sempre. A eleição municipal “eletriza” mais o eleitor. Na Assembleia Legislativa do Tocantins há uma espécie de disputa velada. Todavia, alguns embates já estão declarados na disputa de importantes cidades tocantinenses como Araguaína, Porto Nacional e Palmas.

Na capital da região norte do Estado, Araguaína, além do prefeito Ronaldo Dimas (PR), que pleiteará sua reeleição, aparecem como fortes pré-candidatos os deputados Jorge Frederico (SD) e Valderez Castelo Branco (PP). O atual gestor amarga índices consideráveis de rejeição, desgaste que pode ser considerado natural, após três anos à frente do Executivo.

Frederico é uma incógnita, em que pese ter obtido mais de 8 mil votos – metade de sua votação total – na zona eleitoral de Araguaína. Já Valderez tem forte respaldo e base política, uma vez que dos mais de 15 mil votos obtidos para se tornar deputada, cerca de 11 mil foram na região de Araguaína. Além disso, já foi prefeita da cidade, por dois mandatos.

Valderez foi derrotada pelo próprio Dimas na última eleição municipal, mas o conhecimento dos problemas e as possíveis soluções, a proximidade com a população, sua popularidade, além do traquejo no manejo da máquina municipal, são fatores que sem quaisquer sombras de dúvida pesam a seu favor.

Já Porto Nacional caminha para ter a eleição mais acirrada dos últimos tempos! Cidade próspera que viu aumentar – de forma meteórica – sua arrecadação graças à abertura de novas fronteiras agrícolas, aberturas de indústrias, comércios, universidades, além da instalação do pátio multimodal da Ferrovia Norte-Sul em seu território, tornou-se por assim dizer, o objeto de desejo.

Neste contexto, surge o prefeito Otoniel Andrade (PSDB), que disputará a reeleição, apoiado pelo seu irmão, o deputado estadual Toinho Andrade (PSD). No último pleito, o atual gestor derrotou nada mais, nada menos que o deputado Paulo Mourão (PT) e o peemedebista Clayton Maia, in memoriam. Dois adversários estão praticamente definidos: o vereador de Palmas Joaquim Maia (PV) e o deputado estadual Ricardo Ayres (PSB).

Ambos estão intimamente ligados ao Palácio Araguaia. O primeiro, pelas estreitas relações que mantém com Marcelo Lellis e a vice-governadora Claudia Lellis, face às afinidades partidárias, e o segundo, por ter sido fiel secretário de governo de Marcelo Miranda no mandato anterior e atualmente por compor a base de apoio ao governo na casa de leis. Curioso mesmo, neste caso, é o fato de Ayres ter o apoio e o incentivo do deputado estadual Valdemar Junior (PSD) – filiado ao mesmo partido de Toinho Andrade.

Definitivamente, naquele município, o apoio político dos senadores Vicentinho Alves (PR) e Ataídes Oliveira (PSDB) por um lado, e do governador Marcelo Miranda por outro, certamente será o fiel da balança para definir a eleição do novo prefeito.

No que concerne a capital do Estado do Tocantins, o cenário não é diferente. Diga-se de passagem, os populares quando questionados fazem galhofas dizendo que em Palmas existem mais candidatos do que eleitores. Brincadeiras à parte, a próxima eleição promete ser páreo duro. O prefeito Carlos Amastha (PSB) é candidato natural à reeleição. Há certa impopularidade batendo à porta da sua casa – não do Taquari por que ele não reside lá – mas sim à porta do apartamento do edifício de luxo localizado na 204 Sul. Sua rejeição é incontestável junto à comunidade.

Contudo, o prefeito não pode ser considerado “mosca morta”. A máquina administrativa à sua disposição e a força do poder econômico são fatores preponderantes, capazes de desequilibrar a disputa em seu favor.
Outros nomes de peso surgem no cenário para esta disputa. Luana Ribeiro (PR), deputada estadual e candidata derrotada nas últimas eleições municipais. A condução de sua campanha – pelo seu pai senador João Ribeiro, in memoriam – deixou a desejar e nos últimos dias perdeu fôlego. A eleição bipolarizou entre Lellis e Amastha e ela teve uma votação pífia, pouco mais de 5 mil votos. Inobstante isso, Luana enfrenta um problema ainda maior: a briga interna no seu próprio partido.

O ex-prefeito Raul Filho (PR) também é pré-candidato, e o pior, goza do apoio do presidente da sigla no Tocantins, o senador Vicentinho Alves. Em que pese Raul ter saído da prefeitura com altos índices de rejeição, pesquisas internas do partido demonstram que ele ainda goza de grande prestígio junto ao eleitorado, principalmente após a comunidade ter experimentado o caos promovido por Amastha.

Até o deputado Eduardo Siqueira Campos (PTB) – que governou Palmas na década de 90 – já manifestou intenção de se candidatar à prefeitura da capital, todavia, levando-se em consideração que a ampla maioria dos seus votos na última eleição foi na região do Bico do Papagaio, certamente as chances de obter êxito numa disputa em Palmas estão bem reduzidas. Contudo, pesa em favor do herdeiro do clã Siqueira Campos a força do poder econômico. É um fator que não pode ser desprezado.

Correm por fora nesse sufrágio, os deputados estaduais Wanderlei Barbosa (SD) – o mais ferrenho crítico do prefeito na Assembleia Legislativa – e Zé Roberto Forzani (PT). Esse último declarou sua intenção há poucos dias, após o seu partido aprovar uma resolução que prevê a ruptura com a base do prefeito Carlos Amastha. Aquela história de requerer a prisão do presidente do sindicato municipal da educação pegou muito mal.

A bem da verdade, o (PT) tenta de todas as formas se agarrar aos últimos sopros e possibilidades que restam, após a série de escândalos que vieram a público e deixaram os brasileiros perplexos. Conquistar novas prefeituras, principalmente capitais, na ânsia de fortalecer o partido e permitir governabilidade ao governo federal, é uma das metas dos petistas.

O universo político é cíclico. Se outrora Marcelo Lellis (PV) teve o apoio do ex-governador Siqueira Campos e perdeu a eleição, hoje a ajuda de Marcelo Miranda é dada como certa. Trata-se de um importante aliado político, outrora candidato a vice-governador na chapa que elegeu o peemedebista ao governo, Lellis acabou alijado da disputa por decisão judicial. Todavia, o mandatário do Partido Verde é um dos grandes nomes da política no Tocantins. A título exemplificativo, ele se elegeu em 2010 a deputado estadual com 24.556 votos. Candidatou-se duas vezes ao cargo de prefeito da capital e na última eleição obteve 51.979, ou seja, 43,24% dos votos. Palmas sempre foi e continua sendo, portanto, a sua base eleitoral.

Exatamente por estar atualmente sem mandato, Lellis faz política – dentro das permissões previstas na lei eleitoral – o tempo todo. Ele pode se dar ao luxo de debater, caminhar, ouvir a população com muito mais antecedência que seus adversários, uma vez que esse é seu único mote. É praticamente dedicação exclusiva! Caso não haja nenhum inesperado acontecimento, será – de novo! – o mais forte e ferrenho adversário de Carlos Amastha em 2016.

Novos capítulos com finais em aberto estarão no ar a partir do ano que vem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.