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Gilson Cavalcante
Não é surpresa que o vereador Joaquim Maia é crítico contumaz do prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP). Assim, não seria estranho vê-lo declarar que seu partido, o PV, terá candidato ao Paço da capital em 2016. A questão é: para ele, esse candidato deverá ser o presidente da sigla, Marcelo Lelis, que precisou sair da campanha do agora governador Marcelo Miranda (PMDB) por ter sido julgado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Contudo, ao Jornal Opção Maia diz que a inegelibilidade de Lelis foi “uma condição imposta por uma política local, por uma questão referente somente a 2014” e aponta: “Acredito que essa situação será revertida em Brasília em tempo hábil, o que vai permitir a Lelis estar novamente nessa caminhada”.
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O vereador Joaquim Maia (PV) | Foto: Divulgação[/caption]
Como o PV, que é da base aliada do governo Marcelo Miranda, está se estruturando para as eleições municipais de 2016?
Nós estamos organizando um projeto que vai percorrer o Estado, para a construção de um novo partido. Temos a missão de estruturar o PV em todos os municípios tocantinenses e estamos com a missão de buscar para 2016 a eleição de vários vereadores e conseguir também a eleição de prefeitos. Nós fizemos um grande movimento alternativo de mudança em 2014, um trabalho em que o PV percorreu todo o Estado, visitou 108 municípios dos 139, o que nos permitiu ter uma proximidade muito grande com a população do Tocantins. A gente entende que nesse momento é preciso realizar um trabalho de retorno ao interior do Estado, num trabalho mais político na reconstrução do partido. Estamos conversando com diversas lideranças, inclusive o nosso presidente estadual, o ex-deputado Marcelo Lelis, tem trabalhado com afinco nesse projeto e as lideranças do interior estão percebendo que o PV tem reais condições de crescimento.
O sr. tem feito uma oposição ferrenha ao prefeito Carlos Amastha (PP). Não acha difícil tirar a reeleição do prefeito pelo trabalho que ele vem realizando?
O que a gente tem sentido, percorrendo a cidade, é um sentimento de aprovação de sua administração por parte da população. Existe uma boa aceitação da gestão do prefeito Amastha. Agora, a gente tem um posicionamento político estabelecido. O Partido Verde já tem disputado diversas eleições na cidade, através de Marcelo Lelis, que acredita e tem um projeto para Palmas, um projeto de desenvolvimento que busca fazer a diferença para a capital. Então, dizer hoje que é difícil disputar com o prefeito Amastha, que ninguém consegue vencê-lo, como dizem algumas lideranças, é uma situação que eu acho até precipitada, até porque nos temos uma gestão com pouco mais de dois anos, uma gestão que eu acredito que ainda tem de maturar para depois ser avaliada com tais critérios. Em um ano e meio muita coisa pode acontecer. Já tivemos exemplos de outros prefeitos que governaram nossa cidade com características semelhantes a essa do Amastha, que tem cuidado da cidade no aspecto de seu visual, e que na época da eleição não conseguiram mostrar para a sociedade que esse era um projeto sólido. Então, a gente percebe que o prefeito vive um momento bom politicamente, mas que ele tem que amadurecer mais a sua gestão. Digo isso com certa tranquilidade até porque a gente verifica que muita coisa tem acontecido, mais no sentido de marketing pessoal e propaganda. Se a gente for olhar e procurar dentro da gestão atual alguma coisa no campo da infraestrutura, o prefeito teve a sorte de encontrar um pacote de obras muito grande deixado pela gestão anterior, que não conseguiu concluí-lo, e o prefeito Amastha apenas deu continuidade a essas obras. A gestão atual não conseguiu alavancar nenhuma grande obra de infraestrutura no município, de forma que tem muita coisa para acontecer em termos políticos até as convenções partidárias do ano que vem, que podem refletir diretamente no processo sucessório de 2016.
O prefeito Amastha pode ir bem administrativamente, mas no campo político ainda não tem o poder de aglutinação, de articular outras forças políticas em torno de seu projeto. Só agora, depois de sair derrotado nas eleições do ano passado, que ele tenta recuperar o terreno perdido.
É verdade. Prova disso foi o resultado da eleição de 2014, quando o prefeito apostou em alguns candidatos de sua preferência e não conseguiu nenhum que ele priorizou. Isso demostra a sua dificuldade de se articular politicamente e ter um grupo forte entorno de si. A gente sabe que ele tem trabalhado, mas ainda não é um trabalho sólido, que está amadurecido o suficiente para dizer que a eleição de 2016 já está decidida em Palmas.
Após as eleições estaduais, o prefeito Amastha fez uma reforma administrativa, abrindo espaço na sua gestão para outros partidos, como o PSB, partido que hoje é aliado do governador Marcelo Miranda. Como o sr. analisa esse cenário?
Ele (o prefeito) tem tentado se fortalecer politicamente para construir um apoio mais amplo para o seu projeto. Mas eu acredito que até as eleições de 2016 tem muito “pano para manga”. Existem outros grupos políticos se movimentando. O próprio Partido Verde tem um candidato que é natural, o ex-deputado Marcelo Lelis.
Mas Marcelo Lelis ainda está inelegível. Existe um processo em tramitação na Justiça
É bem verdade que existe ainda esse impedimento a ser julgado em Brasília, mas a gente tem um entendimento de que o que houve no Tocantins foi uma condição imposta por uma política local, por uma questão referente somente a 2014, que o impediu de ser o candidato a vice-governador na chapa de Marcelo Miranda. Mas eu acredito que essa situação será revertida em Brasília em tempo hábil, o que vai permitir a Lelis estar novamente nessa caminhada. O PV terá candidato à prefeitura de Palmas e será o nosso presidente Marcelo Lelis.
O sr. acredita que a coligação que elegeu Marcelo Miranda governador (PMDB, PV, PSD e PT) pode ser ampliada para a disputa das eleições de Palmas?
A coligação que conseguiu eleger um governador de Estado é forte e mostrou apelo popular, principalmente pela figura do próprio Marcelo Miranda. Apesar de poucos partidos coligados, foi uma coligação que conseguiu dar consistência e amparo ao então candidato durante a campanha. Agora, existe alguma particularidade nessa coligação, que envolve o PSD, que não está tendo uma participação ativa na gestão estadual, tem se colocado como um aliado, mas não tem participado efetivamente. Se se mantiver unido, esse bloco tem plenas condições de ser ampliado pela disputa do Paço Municipal de Palmas. O cenário estadual acaba sendo um pouco diferente do cenário municipal. O próprio PSB apoia o prefeito Amastha e apoia também o governador Marcelo Miranda. Mas é a performance do governo estadual obviamente que influencia sobremaneira nas eleições municipais.
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"O prefeito Carlos Amastha tem tentado se fortalecer politicamente, mas existem outros grupos se movimentando” | Foto: Divulgação[/caption]
O sr. não acredita que as animosidades politicas entre Kátia Abreu e Marcelo Miranda podem levar à formação de uma nova força política no Estado?
É lógico que dependendo de como as coisas caminharem em nível estadual os reflexos serão direto ao encontro dos municípios. Mas o importante é entender que o nosso partido, o PV, está buscando cumprir o seu papel dentro da gestão do Estado. Temos a nossa vice-governadora Cláudia Lelis, que tem se empenhado muito nos trabalhos do governo Marcelo Miranda; é uma mulher aguerrida, guerreira, que vai surpreender muita gente, acima de tudo porque tem muita garra e determinação.
Cláudia Lelis tem espaço para participar da gestão estadual ou é meramente figura decorativa?
Figura decorativa jamais. Não é característica, nem do perfil da vice-governadora agir dessa forma. Marcelo Miranda entende a importância do trabalho da vice-governadora e tem delegado funções importantes a ela. O gabinete dela está sempre movimentado de lideranças. Tudo é uma construção e a gente acredita que tudo é resultado do trabalho.
O fato de o governador ter recebido os vereadores da capital é um sinal de que ele vai participar do processo sucessório em Palmas, em 2016?
A reunião não tratou de questões políticas. Foi uma audiência muito proveitosa. Primeiro porque nós estamos ali dentro da Câmara Municipal tentando construir uma agenda positiva para a Casa, procurando encontrar os caminhos para que o Legislativo palmense possa levar os problemas da cidade não apenas para a tribuna, mas para as diversas outras instituições e Poderes. No caso específico dessa reunião com o governador, a gente teve a oportunidade de levar algumas pautas que a gente entende que são extremamente importantes para o município, por exemplo, a questão da regularização fundiária. Uma questão que precisa de ações tanto do município quanto do Estado, até porque existem áreas dentro do município que pertencem ao Estado e precisam da prefeitura para encaminhar. Em diversos bairros da capital, temos milhares de famílias vivendo sem o mínimo de estrutura, porque a questão fundiária não está regularizada. Reivindicamos também a iluminação da TO-050, no trecho que compreende a região de Taquaralto até a altura do Departamento de Estradas de Rodagem do Tocantins (Dertins), e solicitamos o empenho do Estado para que o BRT (Bus Rapid Transit) não passe pela Praça dos Girassóis. Além disso tem a duplicação da Avenida Theotônio Segurado, na região Sul, e a reavaliação do traçado do anel viário, também previsto para ser implantado na cidade. Em síntese, o governador foi bastante suscetível a nossas gestões.
O sr. tem criticado a forma como foi implantado o estacionamento rotativo na cidade. Por quê?
O estacionamento rotativo foi imposto à sociedade de forma unilateral, sem uma prévia discussão que deveria ter envolvido usuários e empresários da avenida. Na prática, a implantação da cobrança esvaziou os estacionamentos, que apresentam em média, apenas 30% do uso de sua capacidade. O comércio, que já contabiliza prejuízo, podendo provocar demissões. Se os estacionamentos antes estavam lotados, sem vagas, hoje estas estão sobrando, um sinal de que algo está muito errado. Pedi a suspensão da cobrança, não para que seja banida de vez, mas para que haja os ajustes necessários. É como um pneu furado, não dá para se consertar com o carro andando: tem que parar e fazer os reparos necessários.
Voltando à gestão do prefeito Amastha, o sr. criticou muito os gastos do Executivo com o carnaval da cidade, sem resultado.
Não recebi nenhuma resposta por parte da Prefeitura em relação ao meu requerimento solicitando a prestação de contas do valor gasto no carnaval. O que tivemos da parte da gestão municipal foi o silêncio. A prestação de contas do carnaval foi feita pelo setor de comunicação da Prefeitura, que divulgou os gastos, cerca de R$ 1,8 milhão com a organização, mas sem apresentar os detalhes de onde e como foram gastos os recursos.
Outro assunto polêmico na Câmara Municipal foi quando o prefeito, ainda em 2013, ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), com pedido de liminar no Tribunal de Justiça, para ver afastada a obrigatoriedade de solicitar autorização dos vereadores para suas viagens num prazo inferior a 15 dias. À época, o sr. ficou indignado.
À época, critiquei duramente a atitude do prefeito, dizendo que o mesmo estaria quebrando o seu juramento em defender a Lei Orgânica do Município. Ele não pode virar as costas para o que ele jurou defender. Ao entrar na justiça com uma ADI, alegando que o artigo 58 da nossa Lei Orgânica é inconstitucional, ele está desprezando não só nossa Lei maior, como também despreza esta Casa de Leis, em que ele, com esse entendimento, deveria vir para discutir a sua propositura. Aqui sim é o local correto para se discutir uma possível alteração da Lei Orgânica. A intenção do prefeito em não querer pedir licença à Câmara para suas viagens, viria a ocasionar algo inadmissível para o município, que, não tendo um vice-prefeito, ficaria nas mãos de secretários, o que caracterizaria um município sem gestão, ficando ao bel prazer das ações e decisões de pessoas que não foram eleitas pelo voto para governar a capital do Tocantins.
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Ricardo Pedreira e Carlos Muller Reproduzido do “Jornal ANJ” nº 253, dezembro/2014 Nizan Guanaes e sua agência África Zero assumem a conta da ANJ em fevereiro. Nesta entrevista feita por telefone, o premiado publicitário baiano diz que gosta tanto de jornal que, “se pudesse, tinha um”. Com seu estilo irreverente, diz que os jornais “precisam ser tirados de sua linha de conforto”, lembra que queria fazer advocacia quando jovem e, agora, vai advogar para os jornais. Você esteve no nosso Congresso, quando anunciamos a disposição de fazer um reposicionamento. A partir do que você viu e da própria experiência, quais seriam os principais desafios dos jornais? Nizan Guanaes — Acho que os jornais precisam monetizar os números que têm alcançado. Tem muitas coisas na internet que têm mais fama do que dinheiro. Nunca se leu tanta notícia e nunca a notícia precisou tanto de endosso, porque, como nós vimos, o doleiro não está morto, não é? Ele só foi morto nos lobbies da internet. Acho que a entrada de grandes investidores como o Jeff Bezos, o Warren Buffett comprando pequenos jornais no interior dos EUA. Essas pessoas não são trouxas. Elas estão vendo a importância. Em primeiro, o jornal é importante, institucionalmente, para qualquer país. Eu, por exemplo, encaro esse trabalho que vou fazer com a ANJ como um trabalho profissional, mas também como uma contribuição institucional para o Brasil. O Brasil precisa de jornais fortes. Qualquer país tem de ter jornal forte. Imprensa livre e forte. Nós lutamos tanto por ela. Outra coisa é que a internet ainda não me apresentou uma coisa tão potente quanto uma bela página dupla de jornal. Os publicitários não encontraram a linguagem adequada, ainda, para a internet. É isso? Na construção de marca, a Hyundai é bom exemplo. Você está vendo a BR Foods usando jornal de maneira contundente. Você vê a moda. Ninguém vai dizer que a moda é uma coisa atrasada, não é? Louis Vuitton, Hublot. É claro, é um ponto de encontro no mundo inteiro, entendeu? Antes de ser publicitário eu queria fazer advocacia. É a mesma coisa, eu vou advogar para os jornais, e os fatos estão a nosso favor, só que a nossa forma tem de ser moderna, contundente, petulante, desafiadora, disruptiva. Num artigo publicado há algum tempo você afirma, referindo-se ao jornalismo e à publicidade, que “disruptiva é pouco”. Para onde vamos? Tudo está sendo questionado. Os refrigerantes, por causa do açúcar. As comidas, por causa o açúcar. O outro por causa do salgado. As piadas por causa do politicamente correto. Este é um mundo em transformação. Antigamente as coisas eram binárias, ou isso ou aquilo, certo ou errado... Hoje não. Há uma variedade enorme de opções, e nós temos de nos posicionarmos de maneira surpreendente. Eu gosto de jornal e gosto tanto que, se eu pudesse, tinha um. Alguém disse que, ao entrevistar candidatos para sua agência, sua primeira pergunta era “quem leu jornal hoje?”. E todos que não tivessem levantado a mão você dispensava. É lógico, é uma coisa básica. NÃO É POSSÍVEL! Tanto é verdade que jornal é usado em vestibular. É como escovar os dentes. Você conhece alguma pessoa importante, relevante, interessante, conectada, que não lê jornal? Não conheço ninguém. E mais: antigamente eu lia jornal de manhã. Agora eu leio a cada dez minutos. Como é seu hábito de leitura de jornal? Leio de manhã, todos, no papel, e depois fico no meu mobile, e passo o dia tendo relacionamento com jornal. E tenho do mundo inteiro, pelos novos apps. Nunca se leu tanta notícia. É muito engraçado... nós, seres humanos, somos péssimos em prever as coisas. A gente achou que ia se vestir como os Jetsons. Achamos que íamos comer pílulas, e estamos comendo coisas orgânicas. Achamos que íamos viver nos subúrbios, fora das cidades, e não é mais, pois agora você tem de viver perto do seu trabalho. E qual o papel do jornal nisso? Porque, muitas vezes, quem se acha moderno, adora ficar predicando o fim do jornal. Ao contrário, acho que hoje os jornais são uma das melhores. Naquele mesmo artigo, você afirma que o consumo nunca foi tão informado. Isso é uma oportunidade para a publicidade criativa e para o jornalismo criativo, não? Exatamente! E outra coisa, olha a Hyundai, por exemplo. Preste atenção ao caso que ela construiu. Um caso construído com jornal. Com jornal! Tem muita oportunidade, muita oportunidade, e o jornal, simplesmente, tem de vir com os seus fatos, com as suas cartas, que são favoráveis a ele. Tem de vir com os seus números, com os números de alcance. Você acha que está faltando marketing ao jornal, no sentido de buscar oportunidades? Tenho, e outra coisa: E ainda tem os jornalistas, porque as pessoas que mais falam mal de jornais são os jornalistas. Adoram. É uma coisa impressionante. Impressionante! É quase que uma tara. Ah... o jornal tem dificuldade para falar com os milênios. Olha, meu querido, eu tenho uma base de dados de 400 anunciantes. Os desafios são comuns à maioria das coisas. Porque está tudo mudando muito. Vou dar um exemplo: a indústria de automóvel que fique paranoica e pense milhões de vezes, porque, se ela não reinventar o carro, ele vai ser o novo cigarro. As coisas estão sendo mudadas para perspectivas completamente novas. Os números estão a nosso favor, eu estou com Bezos, com o Buffett, com o New York Times, eu estou com o paywall. Aliás, quero dizer uma coisa, a coisa com que o Jeff Bezos mais se preocupou e que eu disse ao pessoal do jornal é: nós temos de fazer a experiência de compra ser rápida, porque esta é uma geração imediatista. Você já lembrou que a Amazon começou como livraria, virou loja de tudo e hoje ganha centenas de milhões de dólares com publicidade. Quer dizer, ela entrou no ramo de mídia. Exatamente. Tem muito o que explorar, e eu vou mostrar isso. Num almoço com a Diretoria da ANJ você disse que quer ser o personal trainer dos jornais. Exatamente. Os jornais precisam ser tirados da sua linha de conforto. O jornal tem um “corpote”, só precisa fazer exercício, ganhar forma, e vamos embora. Tem de ser um exercício customizado... Exatamente. O tempo todo, sem parar, estar continuamente falando com a sociedade, surpreendendo. Este é um mundo de muita coisa grátis, então temos de encontrar um modelo para essas coisas. Quais são as balizas dessa busca? Para mim, é pela solução de compra rápida. Não acho que o sujeito não está disposto a pagar, o que ele não tem é paciência na compra. Nós estamos lidando com pessoas impacientes. Quem construiu os atuais padrões de consumo? Não foi o mundo publicitário? Então, o mundo publicitário vai ter de construir os novos padrões de consumo. E você, como leitor, o que espera dos jornais nesse aspecto? Eu estou lhe dizendo, e esse vai ser um conselho contínuo meu. Os jornais têm de falar da vida, e a vida não é só política e economia. Acho que o problema do jornal não é só um problema de plataforma tecnológica, é um problema de plataforma mental. Acho que a cobertura do Gabriel Medina é tão importante quanto uma votação no Congresso. É isso que está posto na internet. A internet permite que se saiba que informações dos jornais são do interesse do público ou não. Ela é mais metrificada. Acho que o jornal tem de estar ligado, também, às coisas que essa nova geração quer ver. Eu não tenho a menor ligação com surfe. Só porque esse Gabriel Medina está fazendo essas coisas, eu vou buscar no jornal. Não acho que a cobertura é espetacular sobre ele. Mas se a gente quer falar com jovens, tem de estar antenado com eles. Há pesquisas que mostram que a idade média dos colunistas é o dobro da idade média da população. Eu sei, mas acontece o seguinte. O Caetano Veloso tem 70 anos e é um gato. Eu não vou deixar Chico Buarque sozinho com a minha mulher nem a pau. Essas coisas não são uma questão de idade, é uma questão de mindset. Tenho 56 anos. Quando tinha 40, pesava 160 quilos, e hoje estou me preparando para correr maratona, porque é assim que você fica olhando para o tempo. Os jornais só devem ter medo de ter medo. Olha, eu boto muita fé no taco do Bezos e do Buffett, muita, muita. O stickiness do jornal local é uma coisa absurda! Porque trata das coisas locais. Uma das coisas discutidas na ANJ é a questão das métricas. As que são as usadas hoje são muito desfavoráveis aos jornais. Claro, porque a gente não está contando toda a verdade. Olha, eu sou fã da internet. Quero lhe lembrar que eu fundei o ig e a Agência Click. Agora, a internet é um baiano, porque o que ela fala bem de si é uma coisa louca. É um cantor baiano, e usa todas as métricas, as suas, as minhas. Ela faz tudo, ela resolve tudo, tudo é incrível, tudo é genial, e a gente fica com essa sobriedade nossa, entendeu? E qual seria o tipo de métrica mais adequado aos jornais? A que identifique tudo que você alcança, seja no papel seja no jornal. Eu defendo o jornalismo independente, independente se é papel ou digital. Quem fala que está entrando na internet somos nós, que temos uma certa idade. As pessoas falam que estão jogando, vendo fotos, elas não têm mais essa divisão. Então, é preciso criar um espaço contemporâneo para o jornal. Eu escrevo em jornal. É inacreditável o alcance e o impacto. Quais as suas expectativas para o mercado em 2015? Vai ser um ano desafiador para todo mundo. Não é um problema do jornal, é um problema do país. Hoje acabei uma reunião com meus mídias dizendo que estou impressionado com a qualidade de anúncios de jornal que tenho visto recentemente. Acabei de fazer uma campanha de muito sucesso para a Braskem. A Embraer é a mesma coisa. Não estou dizendo uma coisa que não pratico. Você acha que a publicidade tem sabido usar a internet nos sites dos jornais? Muita gente diz que os próprios publicitários não teriam, ainda, encontrado uma linguagem adequada. O que você acha disso? Olha, se você reparar, a maioria dos cabelos que os modernos usam você vai achar a mesma coisa. O sujeito está testando um penteado, mas a maioria ainda está uma merda, não é? Tem uma frase muito boa, que não lembro de quem é, que diz “se você está entendendo é porque não está prestando atenção”. Tem muita mudança neste momento. Muita, muita. “Eu conto nos dedos os negócios que não estão sendo desafiados”. Nos dedos. Se um publisher de um pequeno jornal do interior lhe perguntasse o que deve fazer, que dica você daria a ele? Se você visse o prestígio que tem o colunista local do jornal regional... é uma loucura. Nada é mais próximo, nada é mais do cotidiano das pessoas do que o jornal local. É a grande inteligência desse gênio do senso comum que é o Warren Buffett. O cara tem de dizer “olha, meu amigo, eu sou do mesmo ramo de Warren Buffett”. O colunista mais lido é aquele que você topa com ele na esquina, no boteco. Na esquina, e ele está vendo o grande problema naquela cidade, que às vezes é o corte de uma árvore, a mudança da avenida. São coisas muito corriqueiras e que têm um bonding muito grande, muito próximo. Inclusive, muito obrigado por essa aderência ao briefing. Lhe devo essa. Porque sempre estava com os grandes jornais na cabeça. O localismo do jornal é fundamental... Fundamental, fundamental. Você não sabe a moral que eu tenho na minha terra porque eu escrevo em jornal. É um negócio impressionante. Eu não sou ridículo de achar que sou a solução para o problema dos jornais. Tem problema de tecnologia, de paywall... Agora, eu quero estar junto com os jornais pensando na solução como um todo, e não só instigá-los a fazer publicidade. É encontrar soluções tecnológicas e é procurar outras coisas também, como eu faço para os mais diversos clientes meus. Ricardo Pedreira e Carlos Muller são jornalistas.
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Ele também foi questionado sobre o Fundo Estadual de Cultura do próximo ano: "já vamos começar a lançar esse ano o edital para 2015", disse.
Questionado sobre as motivações que o levou a cometer a série de assassinatos, o suspeito se limitou a dizer que precisa de “tratamento”
O vereador por Anápolis Fernando Cunha (PSDB) falou ao Jornal Opção Online sobre as expectativas da população anapolina para a disputa ao governo deste ano. Segundo ele, só o governador Marconi Perillo (PSDB) pode tocar as obras em benefício da cidade e corresponder aos anseios da população. Ele também defende que, valendo-se do chamado voto útil, os eleitores do município evitarão o votar em Antônio Gomide (PT), já que isso poderia levar o peemedebista Iris Rezende para o segundo turno
Em entrevista ao Jornal Opção Online, Robledo Rezende e Francisco Bento defenderam os projetos de Júnior Friboi e Marconi Perillo e pregaram a reestruturação do partido ao qual são filiados. "O PMDB, a partir deste momento, não tem mais dono em Goiás. O PMDB agora vai fazer a vontade dos filiados do partido", disse Robledo


