Paulo Magalhães luta pela proteção do Jardim Botânico e diz que confia no compromisso do prefeito

Jornal Opção Online avaliza campanha do vereador que quer evitar que área acabe como o Parque Cascavel: “O mundo lutando por água e Goiânia destruindo nascentes”

"Eles [construtoras] querem fazer essa parceria com a prefeitura para revitalizar o parque e em contrapartida mandam uma lei para a Câmara alterando o plano diretor para construir", disse o vereador Paulo Magalhães / Fernando Leite -- Jornal Opção

“Eles [construtoras] querem fazer essa parceria com a prefeitura para revitalizar o parque e em contrapartida mandam uma lei para a Câmara alterando o plano diretor para construir”, disse o vereador Paulo Magalhães / Fernando Leite — Jornal Opção

Alexandre Parrode e Sarah Teófilo

Com um projeto de 2013, sancionado pelo prefeito Paulo Garcia (PT) em setembro do ano passado, que impede a construção de prédios a menos de 350 metros do Jardim Botânico, o vereador Paulo Magalhães (SD) tem se movimentado em prol da área verde. Ele, que mora e possui parte de seu eleitorado na região, garante que se o prefeito permitir que a lei seja mudada, irá perder um dos seus maiores defensores na Câmara Municipal de Goiânia.

Recentemente, alguns segmentos empresariais, como informou Paulo, têm tentado reacender essa discussão que já estava encerrada. Conforme o integrante do Solidariedade, o assessor de gabinete do prefeito Nelcivone Melo e o Instituto Cidade de Goiânia estão elaborando um projeto a ser levado para a Câmara Municipal, a fim de alterar o plano diretor. Uma vez alcançando esse objetivo, com a sanção do prefeito, o Parque Botânico seria revitalizado, e os prédios poderão ser construídos mais próximos à região.

O vereador disse ao Jornal Opção Online que foi ao gabinete do prefeito na última quinta-feira (12/3) checar essas especulações. “O Paulo me garantiu que isso não vai acontecer, que o Jardim Botânico vai continuar preservado.”

Paulo Magalhães mostra imagem de folder de condomínio próximo ao Cascavel. "Estragou o Cascavel", disse / Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Paulo Magalhães mostra imagem de folder de condomínio próximo ao Cascavel. “Estragou o Cascavel”, disse / Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Paulo Magalhães afirma que o presidente da Consciente Construtora, Ilézio Inácio Ferreira, entrou em contato, e ambos foram inclusive ao gabinete do prefeito conversar. Entretanto, o vereador sustenta que já deixou claro que a preservação do Botânico é inquestionável. “Eles querem fazer essa parceria com a prefeitura para revitalizar o parque e em contrapartida mandam uma lei para a Câmara alterando o plano diretor para construir”, disse o vereador.

O político lembra do Parque Cascavel, que, de acordo com ele, foi destruído graças a chegada de grandes construções. “O Cascavel secou. Fui lá esses dias e os patinhos estavam nadando na lama”, pontuou.

Em um folder de divulgação do Jardim Botânico feito pelo Instituto Cidade, de acordo com o integrante do Solidariedade, foi colocado o logotipo da Prefeitura de Goiânia no verso. O vereador foi prontamente reclamar com o prefeito, que disse que estava viajando e que ainda não sabia de nada. “O Paulo disse que já tinha dado ordem para o secretário de Comunicação ligar para o Ilézio, e proibiu ele de usar o logotipo da prefeitura”, disse o parlamentar.

O político está decidido a se movimentar para não deixar que nada aconteça com o parque. De acordo com ele, convocará a Universidade Federal de Goiás (UFG) em parceria com a Câmara, para elaborar um projeto para o Jardim Botânico.

Paulo Magalhães frisa que já conversou com vários vereadores, e todos concordaram em fazer um grande movimento junto com as universidades, o Ministérios Público, e outros segmentos, contra “essa empreitada”. “Vamos brecar a iniciativa que eles pretendem fazer de modificar a lei que aprovamos”, afirmou.

O Jornal Opção Online ligou para o secretário da Secom de Goiânia, Edmilson Santos, e questionou sobre os apontamentos do vereador. O jornalista, no entanto, sugeriu que poderia haver mudança no parque, mas com audiência pública, para discutir com a população. Além disso, Edmilson lembrou que se for mudar, a ideia tem que passar por aprovação da Câmara.

Ao ouvir a conversa, Paulo Magalhães disse à reportagem: “Se esse projeto for aprovado na Câmara, acabou a minha relação por completa com o prefeito.” O vereador disse ainda que duvida que consigam passar a matéria, já que, de acordo com ele, é muito forte na Casa. “Com a população e a imprensa ao meu lado eu não tenho medo de nada não.”

O risco de vida

Segundo o vereador Paulo Magalhães, todas essas áreas verdes, como o Areião, o Zoológico e o Jardim Botânico, foram tombados durante a gestão do ex-prefeito Darci Accorsi. Entretanto, leis foram alteradas na Casa municipal.

“Eu corro risco de vida”, disse o vereador. “Estou atrapalhando milhões e milhões. O prejuízo que estou dando para esses empresários é grande”, afirmou o grande defensor de Paulo Garcia na Câmara.

De acordo com Paulo, também conversou na última quinta-feira (12) com o gestor petista, e o lembrou que era o prefeito sustentabilidade. “O mundo lutando por água e Goiânia, com um prefeito eleito em cima do discurso de sustentabilidade, destruindo nascentes.”

Paulo Magalhães alega que o rio mais importante para os goianienses não é o Meia-Ponte, tampouco o João Leite, mas sim o Botafogo. “Ele nasce aqui. Servia água para o palácio no tempo de Pedro Ludovico.”

Desafetação de áreas públicas

O vereador que defende tão ferrenhamente o Jardim Botânico foi o mesmo que votou favorável ao projeto de desafetação de áreas públicas. Questionado se havia uma incoerência nesse fato, Paulo sustenta que o caso das áreas públicas é completamente diferente. “Não tem utilidade nenhuma para os pobres, e o prefeito se comprometeu que seria verba carimbada”, explicou.

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