José Eliton sobre candidatura em 2018: “Se eu for chamado, é claro que aceito”

Vice-governador participou de sabatina do Clube dos Repórteres Políticos, onde debateu temas polêmicos, como o envolvimento do PP no “Petrolão” e sucessão em Goiás

Zé Eliton é entrevistado pelo Clube de Repórteres Políticos de Goiás | Foto: reprodução / Facebook

Zé Eliton é entrevistado pelo Clube de Repórteres Políticos de Goiás | Foto: reprodução / Facebook

O vice-governador do estado de Goiás, José Eliton (PP), participou na manhã desta terça-feira (17/3) de uma sabatina organizada pelo Clube dos Repórteres Políticos.

Eliton, que também é presidente do Partido Progressista (PP) em Goiás e responsável pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED), respondeu a perguntas sobre diversos assuntos, inclusive sobre o possível envolvimento de seus companheiros de partido Sandes Júnior e Roberto Balestra no “Petrolão”, os protestos realizados no último domingo (15/3) e a possibilidade de ser candidato ao governo de Goiás em 2018.

Durante o evento, ele foi questionado ainda sobre reforma política, reforma administrativa e missões internacionais comerciais e administrativas que vêm sendo realizadas pelo governo do Estado.

PP e Operação Lava-Jato

Quando questionado sobre o envolvimento do PP no “Petrolão”, José Eliton disse se sentir incomodado com os escândalos não só como político  e presidente do partido em Goiás, mas também como cidadão e manteve o posicionamento que já havia expressado anteriormente de apoio aos deputados goianos pepistas Sandes Júnior e Roberto Balestra, que foram citados na lista de investigados na Operação Lava-Jato.

Ele afirma que está dando um crédito de confiança a ambos. “Caberá a eles fazer a sua defesa, apresentar os seus argumentos no órgão competente e nós esperamos que ao final todos os dois possam efetivamente provar a sua inocência”, diz.

José Eliton afirmou também que o partido vai esperar a investigação para só então, caso fique comprovado o envolvimento dos deputados, tomar providências internas. “No âmbito partidário, nós vamos aguardar o encerramento das investigações e eventualmente aqueles que tiverem cometido alguns atos que a justiça entenda que não sejam de acordo com a lei nós iremos tomar as providências”, assegura.

O presidente afirmou ainda que não pensa em sair do PP, mas que considera que é possível achar forças para evoluir através das adversidades. “É importante destacar que nós não podemos confundir a imensa maioria dos filiados do PP com eventuais indivíduos que cometem qualquer tipo de irregularidade”, destaca.

Protestos

José Eliton disse que os protestos do último domingo (15/3) provaram insatisfação da população com o governo federal, mas também evidenciaram uma insatisfação generalizada com a classe política. Ele atribui a culpa pela mobilização à discrepância entre discurso político e realidade na gestão da presidente Dilma Rousseff (PT).

“Parte dessa insatisfação que nós enxergamos hoje é justamente porque a população enxergou uma disparidade do discurso da presidente Dilma no processo eleitoral e a realidade das políticas públicas que estão implementadas hoje”, garante. E continua: “Se nós pegarmos um paralelo com a campanha presidencial, nós vamos observar que grande parte das medidas que estão sendo realizadas hoje eram destacadas pelo candidato opositor Aécio Neves”.

O vice-governador opinou ainda que as manifestações são também uma forma de demonstrar repúdio às práticas políticas no Brasil. “Eu acho que a classe política precisa fazer uma reflexão profunda acerca dos seus comportamentos, acerca da sua forma de dialogar com a sociedade”, assevera.

Candidatura em 2018

Eliton foi questionado diversas vezes sobre a possibilidade de ser o sucessor de Marconi Perillo (PSDB) na administração do governo de Goiás. Ao responder, o pepista repetiu que considera essa uma discussão prematura, pois ainda estamos no terceiro mês do novo mandato de Marconi. “Recentemente eu vi algumas declarações dos parlamentares, alguns dizem ‘O José é o candidato natural” e outros dizem ‘Não, ele precisa ter experiência’. Eu acho que os dois têm razão”, pondera.

Quando mencionado que o próprio governador teria dito que ele poderia ser seu sucessor, o vice-governador disse se sentir feliz com a declaração. “Se eu for chamado e houver um ambiente político de consenso, é claro que eu aceito o desafio e trabalho com muito força para que se consolide esse cenário”, adianta.

Reforma Política

Outro tópico bastante questionado foi sobre a reforma política.  Quanto ao fim da reeleição, José Eliton ressalta: “Eu acho que é uma questão apenas de conveniência, porque nós temos um modelo que até pouco tempo entendia que a reeleição era um instrumento positivo no sentido da continuidade de políticas públicas”.

E acrescenta: “O fato por si só de extinguir a reeleição não vai caracterizar necessariamente melhoria no sistema. Me parece que esse é um ponto que está sendo debatido em função das conveniências de momento do parlamento, não com a gênesis jurídica debatida ou por uma argumentação técnica sólida favorável ou contra”.

Sobre o fim do chamado “distritão”, que é o sistema de eleições proporcionais, ele diz: “O legislador quando criou o sistema proporcional tinha uma razão de ser, ele não inventou isso do nada. É para garantir que o parlamento tenha representatividade das minorias”.

“Eu defendo como princípio o sistema proporcional. Pode ser aperfeiçoado? Pode. Agora, o simples excluir o sistema proporcional sob o argumento de que é preciso eleger quem tem mais voto é porque a pessoa às vezes não conhece a razão de ser do sistema proporcional”, finaliza.

Quanto ao fim de financiamento empresarial de campanhas políticas, José Eliton se posiciona de forma favorável e afirma que considera o financiamento público o melhor modelo para o Brasil.

Reforma Administrativa

Com a reforma administrativa realizada no final de 2014 pelo governador Marconi Perillo, a SED, secretaria administrada pelo vice-governador José Eliton, absorveu as secretarias de Indústria e Comércio (SIC); Ciência, Tecnologia e Inovação (Sectec); Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seagro) e a Agência Goiana de Desenvolvimento Regional (AGDR).

Quanto à preocupação de alguns setores com a possibilidade desse “agrupamento” gerar uma maior burocratização e descompasso entre os superintendentes de cada área, o secretário afirma que esse modelo tem chamado atenção de outros estados e que preocupação vai se esvaindo com o tempo. “Na experiência que nós estamos tendo até o presente momento, nós temos observado que a decisão do governador tem sido exitoso em todos os aspectos”, afirma.

Missões internacionais

As missões internacionais que o governador e o vice-governador têm realizado fazem parte de uma série de ações coordenadas para a internacionalização da economia goiana através da busca de novos mercados e da ampliação de parcerias já existentes. As missões objetivam ainda atrair investimentos e abrir o mercado internacional para produtos goianos. Os principais mercados a serem alcançados são a China, que é o maior parceiro comercial do Estado atualmente, os EUA e a Rússia.

José Eliton informa que ele e o governador têm o objetivo de realizar dez missões ainda este ano. A próxima missão será em Portugal e marca o início da realização de um objetivo: atrair empreendedores falantes da língua portuguesa.

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