Advogado Uberth Cordeiro: “Não me sinto intimidado. Voltar ao trabalho é uma questão de tempo”

Um mês após ser baleado em seu próprio escritório no Setor Aeroporto, criminalista conta que volta à rotina aos poucos, elogia trabalho da polícia e postura da OAB

Advogado Uberth Cordeiro: volta a rotina ainda é complicada | Foto: reprodução

Advogado Uberth Cordeiro: volta a rotina ainda é complicada | Foto: reprodução

Há um mês, o advogado criminalista goiano Uberth Domingos Cordeiro levou três tiros no braço dentro de seu próprio escritório, localizado no Setor Aeroporto, em Goiânia. Nos últimos dias, ele vem tentando reconstruir sua vida profissional e pessoal, após o incidente que quase lhe custou a vida.

Em entrevista ao Jornal Opção Online, ele conta que, embora o pior tenha passado, a angústia e insegurança ainda lhe acompanham. “Minha rotina foi alterada completamente. Suspendi minhas atividades, tive que reorganizar minha segurança… Nunca imaginei que isso poderia ter acontecido”, revela.

Aos 30 anos, o advogado passou por cirurgia para reparos no úmero e se recupera bem. Ainda usando a tipoia, Uberth afirma estar ansioso para a elucidação do caso, mas entende a complexidade das investigações.

Ainda em curso, o caso surpreendeu a sociedade e, em especial, o meio da advocacia. Integrante da Comissão de Direitos Humanos da seção goiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), Uberth classifica o ocorrido como “uma afronta ao advogado”: “Fiquei assustado com a ousadia. Mesmo na área Criminal, tal audácia foi uma covardia”.

Para ele, o cerne da discussão deve estar voltado para a segurança pública. Embora o crime tenha sido premeditado, Uberth atenta para fatos como a região, o horário e a maneira como tudo ocorreu. “Os meliantes estiveram no local várias vezes me procurando… É uma região extremamente policiada, mas escancarou a vulnerabilidade dos cidadãos”, complementa.

“Não me sinto acuado, nem intimidado. Voltar a trabalhar normalmente é uma questão de tempo. Quanto mais rápido esclarecermos, melhor ficará o psicológico. Uma coisa é certa: não existe qualquer hipótese de encerrar minha carreira”, avisa.

Sobre o trabalho que tem sido desenvolvido pelas polícias Civil e Militar, ele elogia: “Estou satisfeito. Eu e minha família recebemos a proteção da PM e o delegado-geral Adair Soares, da PC, tem se mostrado muito solícito. Não tenho nada a reclamar”.

No que diz respeito à Ordem e os tramites profissionais, Uberth também se mostra contente. “O que me espanta no caso é que não tenho inimigos. Sou muito querido e respeitado no meio… Na própria OAB, trabalho pelos direitos humanos e dos advogados. Meus amigos da OAB estiveram comigo o tempo todo, fui muito bem amparado”, conta.

Uma das lutas anunciadas pelo advogado daqui para frente será na busca por leis mais rígidas. “Temos notado que os sistemas de segurança, em geral, estão melhorando, mas não impedem a ação dos bandidos. Temos que buscar mudanças nas leis brasileira”, reconhece o criminalista.

O caso

O advogado Uberth Domingos Cordeiro foi baleado por dois suspeitos no dia 19 de janeiro. No escritório, localizado no Setor Aeroporto, a dupla procurava pelo advogado, quando, ao serem recebidos por ele, atacaram. Após luta corporal, foram disparados sete tiros, sendo que três deles atingiram Uberth no braço. Os criminosos fugiram e o advogado foi levado a um hospital da capital.

Uberth recebia ameaças desde o final do ano passado, depois que um cliente do escritório que comanda foi assassinado no Complexo Prisional Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia. Só que, segundo ele, pode haver novos desdobramentos na história. “As investigações estão bem avançadas. Não posso falar ainda, mas acredito que possa haver uma novidade no caso. Será uma surpresa”, contou ele ao Jornal Opção Online.

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