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Portugal, Brasil e Covid

Portugal, como nação, tem perto de um milênio de história, o dobro do Brasil. E nesta época de pandemia, as duas nações se comportam de maneira bem diversa. Portugal tem sido moderado, reflexivo, conciliador e cooperativo na relação interna de suas instituições. Age como um adulto experiente e prudente. Já o Brasil, desde o início da pandemia, tem sido um jovem estouvado, um peralta no interior de sua família institucional. Idade também traz juízo para as nações? A insensatez, não a união, tem imperado por aqui. O sistema parlamentar português facilita a convivência entre executivo e legislativo, é fato. Mas nem uma vez se viu uma acusação contra o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Souza, ou contra o Primeiro-Ministro, Antônio Costa, de “genocida”, por parte da imprensa, como é corriqueiro no Brasil. Marcelo foi até reeleito presidente, com expressiva votação, no mês passado. E observe-se que Portugal enfrenta, entre os países europeus, uma das piores condições de contágio e mortes por Covid. Já no Brasil, orquestrou-se uma gritaria contra o Presidente da República, como se fosse ele o responsável por cada contágio e o autor de cada morte que o vírus provoca. O “gabinete do ódio” dos veículos de imprensa tornou o ambiente noticioso brasileiro tão parcial, tão carregado, que a população, nas redes sociais, que são o contraponto à “grande imprensa”, já se diverte com os exageros dos colunistas de jornal, apresentadores de televisão ou mesmo órgãos da grande mídia. Para que se tenha uma ideia, a despeito de faltar oxigênio, de respiradores não funcionarem e do número diário recente de mortos por Covid em Portugal ser, proporcionalmente, cinco vezes, ou 500% maior que no Brasil, a imprensa em Portugal é colaborativa e procura auxiliar o governo, em vez de culpá-lo, enquanto no Brasil tem sido atacante e destrutiva, cultora de noticiário negativo que em nada ajuda o combate à doença ou sua prevenção. A imprensa procura mesmo usar a pandemia para um improvável impedimento do Presidente, que não reza por sua cartilha. Portugal não conseguiu vacinar sua população na mesma proporção que o Brasil. Enfrenta a escassez de imunizante, que é global. Mas lá não há acusações descabidas contra o governo, como se faz aqui contra o Presidente da República e o Ministro da Saúde, como se tivessem eles possibilidade de fabricar vacinas. Temos visto uma interferência constante da Suprema Corte Brasileira na questão pandêmica, que sequer passa perto de sua atribuição constitucional. Ora determinando que providências de combate e controle sanitário sejam de responsabilidade de Estados e Municípios, enfraquecendo o Poder Federal, ora interpelando Ministros já sobrecarregados de trabalho e preocupação quanto a aquisição de vacinas, falta de oxigênio ou cronograma de imunizações, ora responsabilizando o Governo Federal por descalabros estaduais no tratamento de doentes, descalabros respaldados pela própria Corte. Em Portugal, tal não existe. O Tribunal Constitucional de Portugal, sua mais alta corte, jamais aceitaria um pedido de partido político para apoquentar o Executivo Federal, como faz no Brasil a Suprema Corte a pedido de partidos inexpressivos e sem voto. Em Portugal, esse pedido seria rejeitado mesmo em Tribunal Infraconstitucional, ainda que fosse uma Corte Superior. O partido português CHEGA protocolou no Superior Tribunal Administrativo, dias atrás, um pedido de bloqueio de medida administrativa do governo que proibia a circulação entre cidades mais afetadas pelo Covid. Sua resposta foi curta: deixava de receber a petição, pois partido político não tem legitimidade para agir no Tribunal em defesa dos cidadãos por atuar em contexto da política e não da justiça. Por unanimidade. Quando se fala das vacinas, os meios universitários e científicos são pródigos em acusar o governo de imprevidente, por não estar vacinando em maior proporção. Para fazê-lo, somente se tivéssemos aqui uma vacina 100% nacional. Não temos? – Culpa do Governo, dizem. Não, não é culpa do governo, mas de trinta anos de descaso dos meios acadêmicos, que se deixaram levar não pelo estudo, mas pela ideologia. Dos emergentes BRICS, que são cinco (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), três produzem independentemente vacinas contra COVID: Rússia, Índia e China. O Brasil não, caros cientistas. Vocês não tornaram isso possível. Faltam investimentos, dirão eles. Mas os governos de esquerda, apoiados por eles, investiram em Cuba, Moçambique, Angola. E mais, numa escandalosa história, no Paraguai, que ainda não foi bem contada. Mas que é assunto para uma próxima abordagem.

A busca da tradição em um trabalho de ourivesaria: o soneto

O cronista e historiador Matusalém Dias de Moura também pratica a trova e o haicai e é um versilibrista de verve e grande talento

Super Estado e Estado mínimo

Elites não querem que o Estado gaste com saúde. Mas, no controle da sociedade, o Império não fará economia e cabe ao Estado bancar o espetáculo

Direitos humanos, gênero e diversidades

São imagens e significantes que determinam a fantasia dos seres falantes. É a fantasia que determina o sentimento identitário e a orientação do desejo sexual

Zona eleitoral em que Vanderlan ganhou causou desequilíbrio entre resultado das pesquisas e das urnas

"A diferença que o Vanderlan ganhou na zona 135 mais a margem de erro é a diferença de votos que ele aumentou em relação ao Maguito", aponta especialista

Reformas liberais no Brasil às portas da quarta revolução industrial

Os problemas econômicos do Brasil contemporâneo são equacionáveis por meio de soluções políticas e legislativas que resultem em redução dos obstáculos do Poder Público e do ordenamento jurídico à fruição da atividade econômica

Bernardo Élis e a receita goiana para mudar uma capital      

Goiânia foi uma cidade construída à margem de qualquer decisão do Legislativo. A operação se deu via Executivo                                                        

Breve contextualização da vida e obra do poeta e crítico Salomão Sousa

A ensaísta Lígia Cademartori afirma que, ao extrair força poética do substantivo, Salomão Sousa compõe sua própria lição de coisas João Carlos Taveira Especial para o Jornal Opção O poeta Salomão Sousa nasceu na zona rural, onde passou a infância, foi alfabetizado e teve as primeiras experiências com o universo da poesia e profundas vivências com a natureza, que alimentam de maneira inequívoca o seu modo de expressão criativa. Em 1964, aos 12 anos, transferiu-se para Silvânia, cidade do percurso de desbravamento do Estado de Goiás, para continuar o ensino fundamental. Ali, aprofundou o contato com a poesia brasileira no acervo da biblioteca pública do município. [caption id="attachment_262106" align="aligncenter" width="620"] Salomão Sousa, poeta, ao lado do poeta Brasigóis Felício, em Goiânia | Foto: Euler de França Belém/Jornal Opção[/caption] No início de 1971, transferiu-se para Brasília, onde concluiu sua formação secundária e superior. Formou-se em Jornalismo e, por concurso, ingressou no serviço público federal; desde então, vem construindo “a poesia de consciência e a escritura de combate”, conforme destacou o escritor Ronaldo Cagiano em resenha definidora da obra do autor de “O Susto de Viver”. Ainda na década de 1970, Salomão Sousa fez algumas incursões no movimento da Poesia Marginal e publicou “A Moenda dos Dias” (1979), livro inaugural de “uma poesia inovadora, sem as camisas de força estilísticas, arejada, original, portanto moderna”, como aponta Ronaldo Cagiano na resenha referida. “Safra Quebrada”, que reúne os livros publicados até 2007, dá a dimensão humana e artística de quem soube produzir sem pressa e, ao mesmo tempo, manter-se consciente de cada etapa de sua carreira. A obra de Salomão Sousa dá seu contributo ao cenário da moderna poesia brasileira de forma muito contundente. Das muitas leituras já feitas sobre essa poesia, é importante destacar a observação crítica de Naomi Hoki Moniz — atual diretora de Estudos Portugueses na Universidade de Georgetown —, publicada em 1979 na “Revista Ibero-Americana”, sobre “A Moenda dos Dias”, quando a articulista fazia mestrado na Harvard University: “Sua utilização de uma tradição poética permite diferenciá-lo do muito que existe no país de modismo de vanguarda superficial que caracteriza certos movimentos. Ele evita traços de populismo e espontaneísmo, constrói um discurso despojado e simples, mais comprometido com a veracidade do que está sendo dito do que com obscuras e vazias ordenações estéticas”. Ao resenhar “Estoque de Relâmpagos” para o “Correio Braziliense”, a professora de literatura Lígia Cademartori, respeitada tradutora e ensaísta, contextualiza a poesia que Salomão Sousa passou a praticar a partir do livro em epígrafe: “... a particularidade de sua poesia não reside nos efeitos de som e, sim, na organização das imagens. A profusão delas provoca o leitor para que procure as relações que estabelecem e, por esse modo, descubra a mitologia autoral que as ordena. Ao extrair força poética do substantivo, Salomão Sousa compõe sua própria lição de coisas. Nem todas imediatas, é verdade. Algumas são inalcançáveis. Mas, no radical contraste entre certas imagens, podem-se encontrar essenciais efeitos de sentido e o provável princípio que preside as expressões figuradas. Pois a linguagem não faz concessões. Concisa e avessa ao voo livre, essa é poesia de linhagem autorreflexiva”. Antonio Miranda, poeta de múltiplas invenções e vasta obra publicada, no Portal de Poesia Ibero-Americana, registra o seguinte sobre “Ruínas ao Sol”: “Não é uma leitura fácil, muito menos óbvia, por causa da linguagem densa e das desavisadas associações de imagens e de ideias, da ausência de pontuação, do automatismo verbal que vai anunciando, mas não necessariamente enunciando, numa espécie de neobarroco consciente”. Salomão Sousa é um poeta moderno em estado puro, na sua exaustiva utilização do real, seja do tempo presente, seja dos fragmentos da memória. Intelectual consciente, ele sabe enriquecer essa veia com uma crítica mordaz das mazelas humanas e do contexto social em que está inserido. Sua poesia se alimenta, por vezes, dessa cosmovisão para fundar uma solidez estrutural muito próxima da estética pós-moderna, com suas vanguardas posteriores. Sua linguagem é construída mais de impulsos fragmentados do que de uma forma gramatical preestabelecida. Seu verso é livre e geralmente curto, as frases raramente se completam, a pontuação nem sempre está presente, e as estrofes não têm compromisso com a uniformidade. Outra característica de sua poesia mais recente é a ausência de títulos nos poemas. Quem não acompanhou a trajetória deste poeta, julga-o sempre jovem, pois ele se insere no contexto do tempo presente. Mas tem plena consciência de seu ofício. Bibliografia de Salomão Sousa 1 — “A moenda dos dias”, Ed. Coordenada, Distrito Federal, 1979. 2 — “A moenda dos dias” / “O susto de viver”, convênio INL, Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1980. 3 — “Falo”, Thesaurus Editora, Distrito Federal, 1986. 4 — “Criação de lodo”, edição do autor, Distrito Federal, 1993. 5 — “Caderno de desapontamentos”, edição do autor, Distrito Federal, 1994. 6 — “Chuço”, zine xerocopiado (19 números até 1999) 7 — “Estoque de relâmpagos”, prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, 2002. 8 — “Ruínas ao sol”, Prêmio Goyaz de Poesia, Ed. 7Letras, 2006; 9 — “Safra quebrada” (reunião dos livros anteriores e de dois inéditos), publicado com recursos do FAC, 2007; 10 — “Momento crítico”, textos críticos, crônicas e aforismos, Brasília: Thesaurus Editora/FAC Fundo de Apoio à Cultura, 2008. 11 — “Vagem de vidro”, poesia, Brasília: Thesaurus Editora, 2013. 12 — “Descolagem”, antologia de poesia, Goiânia: Kelps, 2016, apresentação de João Carlos Taveira. 13 — “Despegues y ressonâncias”, plaquete de poesia, Peru, Lima: Maribelina, Casa do Poeta Peruano, organização e apresentação de José Guillermo Vargas. 14 — “Desmanche I”, edição do autor/Gráfica Serafim, Brasília, DF, 2018. 15 — “Poética e andorinhas”, edição do autor/Gráfica Serafim, Brasília, DF, 2018. 16 — “Cascos e caminhos”, edição do autor/Gráfica Serafim, Brasília, DF, 2020. João Carlos Taveira, poeta e crítico literário, tem diversos livros publicados, entre eles: “Aceitação do Branco” (1991), “A Flauta em Construção” (1993) e “Arquitetura do Homem” (2005). É colaborador do Jornal Opção.

Eleitor evangélico pode ser elemento decisivo pra virada eleitoral de Roberto Naves em Anápolis

A cidade tem um grande contingente de eleitores evangélicos e o prefeito é o preferido deles. Seu vice, Márcio Cândido, inclusive é evangélico

Povo da Bielorrússia exige mudança mas o grupo no poder representa “uma minoria armada até os dentes”

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Fogo no Cerrado e queimadas onde o Cerrado não mais existe

Na plenitude de sua biodiversidade, o ambiente Cerrado não existe mais. Se hoje o fogo aterroriza, amanhã muitos seres morrerão de sede, e a disputa dos humanos pela água será cada vez mais acirrada

André do Rap, Bretas e Gaeco: o problema exposto

Casos denunciam desrespeito à lei MP deve se pautar pela legislação

O segredo como princípio de ação e a política do inconsequencial

Um governo pode lançar mão de estruturas e técnicas de governo aperfeiçoadas no contexto da irrepetível experiência do começo do século 20, pode colocá-las em movimento expressando-se e medindo-se pelos mesmos princípios de ação — segredo, medo e terror —, um e outro, estrutura e princípio, entrelaçados por constelações de poder de todo similares, e ainda assim fazê-lo lado-a-lado de estruturas atinentes à forma republicana

O caduceu, o suicídio e o setembro amarelo

A morte não é somente parte do tempo linear; ela habita o tempo circular no qual temos de equilibrar forças vitais e forças mortais e que, a cada instante, vida e morte lutam e pequeníssimas desistências, pequeníssimos adiamentos portam pequenos suicídios