Opção cultural

Os contos provocam o desassossego, a reflexão sobre a natureza humana e suas atitudes, às vezes, desprovidas de lucidez e compaixão

Disciplina será ministrada pelos professores Ademir Luiz, doutor em História e presidente da UBE, e Ewerton Freitas, doutor em literatura e escritor

Disputas do último final de semana resultou na formação de mais dois times de base, além de mais três coaches que integrarão à equipe técnica

João Cássio


Longa de guerra é marcado por plano-sequência e ostenta efeitos visuais, mas enredo é raso

Série que aborda de forma madura a iniciação sexual dos jovens, "Sex Education acaba de ter a terceira temporada confirmada pela Netflix

Longa vencedor garantiu ainda outras três estatuetas: Melhor Direção (Bong Joon Ho), Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro. Veja outras premiações

Douglas Arantes Antunes Lopes*


Banda formada por tuaregues lançou disco em 2019 em que versa sobre o deserto

Fotógrafa imortalizou imagens de pessoas que sofreram durante Grande Depressão

Em Política, cultura e classe na Revolução Francesa, a historiadora se desvia de teorias já postas na mesa e tenta novos parâmetros de análise

Na década de 70, grupo já ignorava regras da "boa comédia" e satirizava instituições de poder da sociedade

Apesar de conquistar cada vez mais fãs e agendas pelo mundo, músicos da Sticky Fingers lutam constantemente com conflitos internos

Série instiga ao tratar do aparecimento de um salvador, visto com esperança e descrédito pelas pessoas em tempos de redes sociais
As três grandes religiões monoteístas (por ordem cronológica: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo) somam, juntas, quase 4 bilhões de pessoas, praticamente a metade da população mundial. Todas têm uma mesma raiz, o patriarca Abraão (por isso, são chamadas de regiões abraâmicas), mas, ao longo de milênios, as divergências, que fomentaram guerras e perseguições, acabaram por esconder os muitos pontos de contato entre elas, além da origem única.
Ainda que existam distâncias aparentemente incontornáveis entre essas três tradições, a própria concepção de Deus único, que as une, é revolucionária, pois surgiu em meio a um caldo cultural exclusivamente politeísta. Entre as crenças mútuas de judeus, cristãos e muçulmanos, está a espera por um messias, que chegará no fim dos tempos para redimir o homem e instaurar a era da paz no mundo.
Cada uma delas, porém, tem sua própria maneira de enxergar esse messias. Para os cristãos, por exemplo, haverá o retorno de Jesus. Entre os judeus, a vinda do Mashiach, da linha de David (como a de Jesus no cristianismo) se dará junto da reconstrução do templo. Na visão de alguns segmentos islâmicos, especialmente entre os xiitas, que são minoria, haverá uma batalha final entre o falso profeta Al-Dajjal e o profeta Mahdi que, auxiliado por Isa (Jesus), sairá vencedor.
Outra semelhança é que a chegada desses messias é precedida de muitas tribulações. O homem estará entregue à ganância, à violência, ao orgulho e à luxúria. O planeta estará enfrentando ondas de furacões, terremotos e tsunamis. Em resumo, parecerá que o mal, enfim, estará prestes a triunfar.
É em um cenário assim que temos as primeiras imagens de Messiah, série que estreou na Netflix em janeiro e que causou polêmica em vários países, especialmente aqueles em que o Islã é maioria (a obra foi acusada de tratar os muçulmanos de forma preconceituosa e desrespeitosa, especialmente por supostamente liga-los ao terrorismo). Al Massih (Mehdi Dehbi) surge em Damasco, Síria, quando a cidade está prestes a ser invadida pelo Estado Islâmico. Uma multidão o ouve e, quando o ataque inicia, uma tempestade de areia toma conta do lugar. Al Massih continua sua pregação e, após dia de tempestade ininterrupta, o Estado Islâmico desiste da batalha. Isso basta para que dezenas de pessoas acreditem ter presenciado um milagre e passem a segui-lo.
Do oriente médio, Al Massih surge em uma pequena cidade no Texas, Estados Unidos, devastada por um furacão. Ali, a família de um pastor batista e os moradores presenciarão outra cena milagrosa. Assim, é a vez de cristãos ocidentais apontarem o homem como o aguardado messias. Mais uma vez, ele atrai milhares de pessoas.
A série escorrega no que pretende ser um thriller investigativo. Estão ali velhos clichês, como agentes dedicados integralmente ao trabalho e, consequentemente, com vidas pessoais destroçadas. Também não ficam de fora as exibições de capacidade investigativa dos vários órgãos de segurança norte-americanos (como CIA e FBI) e as rusgas entre os membros de cada um deles. Não falta, ainda, um toque de feminismo e do politicamente correto.
Mas essas são falhas que não estragam o que realmente importa: a premissa poderosa levantada pelos produtores Mark Burnett e Roma Downey, casal cristão responsável pela série A Bíblia, também disponível na Netflix. Afinal, como cada um de nós reagiria se o esperado messias chegasse hoje? Como seria a cobertura na imprensa? Como agiriam os grandes líderes mundiais, religiosos ou políticos? E as redes sociais, bombariam?
Messiah especula sobre todos esses olhares e não entrega respostas prontas – deixando aberta a janela para uma segunda temporada. E não é preciso ter uma imaginação muito fértil para antever algumas reações, de tão óbvias. Há o religioso que oscila entre a esperança cega e o ceticismo. Há o que vê no advento a oportunidade de angariar ainda mais prestígio. Há os que o considerem louco, revolucionário, terrorista, charlatão. Há pessoas que descobrem, ou reencontram, a fé. Há, ainda, as que tratem encontram nela maneiras de prosperar financeiramente.
Em meio a todas essas possibilidades, um sentimento une os personagens. Ao fim, aparentemente são aqueles que nada esperavam que encontram no messias uma possibilidade de redenção. Aos que projetaram nele a solução para as angústias e porta de saída para seus labirintos pessoais, resta a decepção. Ao menos na primeira temporada.

Se à princípio a luz servia para iluminar, dar perspectiva e melhorar a imagem, o cinema, ao longo de seu caminho, encontrou outros sentidos mais profundos para aperfeiçoar suas técnicas
A fotografia e o cinema nasceram praticamente juntos, lá por meados de 1890, e tinham como premissa básica de iluminação a naturalidade, a luz solar. Por essa razão, o cinema foi transportado de Nova York para Los Angeles, nos anos 20 do século passado, como explica o teórico do cinema Richard Blank em seu livro "Cinema e luz. A história da luz no cinema é a história do cinema". Em Los Angeles, a luz é mais clara, mais contundente e mais dourada, o que possibilita uma iluminação frontal e uniforme nas personagens.
Enquanto as tecnologias para aperfeiçoar a iluminação se desenvolviam, outros padrões do cinema hollywoodiano também começavam a se delinear, como os perfis de suas estrelas, de suas personagens, sonoridades e roteiro e todo um pot-pourri de regras que fortaleciam sua posição no establishment. Hollywood se tornava uma das indústrias mais poderosas do mundo.
Do outro lado do Oceano Atlântico, na Europa os cineastas quebravam os paradigmas e faziam exceção à regra, se inspirando na estética de movimentos artísticos, se adaptando às adversidades (guerras, falta de recursos, clima, política) e buscando uma substância mais subliminar e filosófica para a iluminação de seus filmes, como ocorreu com o Expressionismo Alemão, o Realismo Italiano, a Nouvelle Vague e, também aqui nos Trópicos, o Cinema Novo Brasileiro.
Na pintura, a brincadeira com luzes e sombras permitem os olhos humanos a identificarem a perspectiva dos objetos. Pessoalmente, nós não precisamos exatamente que as luzes e sombras nos ajudem a determinar a distância entre os objetos e nós ou dos objetos com outros objetos, porque temos dois olhos que capturam a imagem de ângulos diferentes, mesmo que sutilmente. Apesar de pequeno, o deslocamento proporcionado pelos dois olhos nos dão a percepção tridimensional.
Como na pintura, a fotografia e o cinema também tiveram de desenvolver estilos de iluminação capazes de dar noção de profundidade para o público. Para além disso, também de transmitir mensagens subliminares ou sensações com um propósito específico. Agora, a iluminação não apenas proporciona luz e sombra, perspectiva e melhora a qualidade da imagem, como ela também cria no fantástico mundo da imaginação e das sensações a dramaticidade.
Um dos efeitos de iluminação mais famosos da Sétima Arte foi criado há cerca de 400 anos pelo pintor holandês Rembrandt Van Rijn. Dentre as características mais marcantes deste artista está a forte marcação das linhas de expressão dos rostos, o dramático chiaroscuro herdado de Caravaggio (claro-escuro: um contraste forte entre luzes e sombras) e a luz triangular carimbada sob os olhos de seus retratados. Essa última é hoje uma das mais utilizadas artimanhas do cinema, frequentemente usada para fazer o espectador acreditar que este é um momento emocional para a personagem.
Em filmes de suspense ou thriller, já é mais comum ver o efeito Top Down Lighting, que é uma técnica de iluminação desenvolvida para tornar determinados rostos da história assustadores. Geralmente a iluminação também é low-key, ou seja, o fundo é bastante escuro e a luz se concentra na personagem, reforçando a protuberância da face. O rosto é iluminado diretamente de cima para baixo e, com isso, é possível criar uma luz no formato de uma caveira sobre o rosto, o tornando mais ameaçador ou intimidador. A sensação no público é de medo.
Já o Far Side Key é uma luz quase poética e que dá às personagens um ar mais intrigante. Uma sombra mais endurecida deixa encoberto o lado da face que está voltado para a câmera, enquanto a luz ilumina o lado do rosto que quase não mostra. O efeito tem o poder de romantizar, dramatizar ou dar um ar heroico à personagem.