Veja o que acontece quando políticos não usam dinheiro arrecadado em vaquinhas; em Goiás, valor já soma mais de R$ 113 mil
25 maio 2026 às 18h34

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O financiamento coletivo conhecido como vaquinha eleitoral vem ganhando força em Goiás e se consolidando como uma ferramenta estratégica para pré-candidatos que buscam apoio pela internet. O valor arrecadado até nesta segunda-feira, 25, pelas vaquinhas eleitorais em Goiás soma R$ 113.254,22, distribuídos entre 19 candidatos. A lista é liderada pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL), que, sozinho, já acumula R$ 81.689,08.
A modalidade, regulamentada pela Justiça Eleitoral, permite arrecadar recursos destinados exclusivamente às despesas de campanha, como a produção de material gráfico, o impulsionamento nas redes sociais, a contratação de equipe, o combustível, o aluguel de equipamentos, a comunicação, a contabilidade e os eventos. O uso dos valores é restrito e não pode ser direcionado a gastos pessoais ou a finalidades fora do processo eleitoral.
Ao Jornal Opção, a advogada eleitoralista Júlia Matos explica que os recursos arrecadados só podem ser utilizados em despesas permitidas pela legislação eleitoral e sempre vinculadas à campanha. “Gastos pessoais, pagamentos sem comprovação ou despesas fora das regras podem gerar problemas na prestação de contas e até punições pela Justiça Eleitoral”, alerta.
Um outro ponto destacado pela especialista é a obrigatoriedade de devolução dos valores caso a candidatura não seja registrada oficialmente. “Se o pré-candidato não tiver a candidatura registrada na Justiça Eleitoral, os recursos arrecadados não podem ser utilizados. A própria plataforma de financiamento coletivo é obrigada a devolver os valores aos doadores”, explica.
Segundo ela, mesmo sem efetivar a candidatura, há a obrigação de prestar contas, demonstrando toda a movimentação financeira realizada durante a vaquinha.
A especialista aponta que não existe limite máximo de arrecadação para as campanhas, mas há regras claras. Cada doador pessoa física pode contribuir com até 10% da renda bruta recebida no ano anterior à eleição. Além disso, cada cargo disputado possui um teto de gastos definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Toda movimentação da vaquinha precisa ser informada na prestação de contas eleitoral, incluindo nome do doador, CPF, valor, data, forma de pagamento e até mesmo as taxas cobradas pela plataforma”, ressalta Júlia Matos.
Vaquinhas

Em Goiás, alguns pré-candidatos já se destacam na arrecadação. O pré-candidato ao Senado pelo PL, Gustavo Gayer, lidera com R$ 81.679,08 arrecadados junto a 694 apoiadores.
Em seguida aparece o Delegado Yasser (PT), pré-candidato a deputado estadual, com R$ 14.799,00 e 382 apoiadores. Fabrício Rosa (PT), também pré-candidato a deputado estadual, soma R$ 5.886,00 com 49 apoiadores.
A deputada federal Adriana Accorsi (PT) arrecadou R$ 3.760,00 com 24 apoiadores, enquanto Fábio Sousa (PL) obteve R$ 2.584,00 com 13 apoiadores.

Há outros nomes aparecem com valores menores, como Maycon Tombini (PL), com R$ 2.510,00; João Noleto (Missão), com R$ 836,14; Flaviane Santos (PT), com R$ 570,00; Delúbio Soares, com R$ 400,00; e Guilherme Khalil (Missão), com R$ 230,00.
Há ainda pré-candidatos que não receberam nenhuma contribuição até o momento, como Flávio Coutinho, Mauro Rubem, Hebert Cardoso, Alan Vital, Fred Rodrigues, Rafael Vasconcelos, Fagner Santos e Giselda Martins.

O cenário revela que, embora alguns nomes tenham conseguido mobilizar centenas de apoiadores e valores expressivos, a maioria dos pré-candidatos ainda enfrenta dificuldades para engajar doadores. “A vaquinha eleitoral é mais do que uma ferramenta de arrecadação: é também um teste de mobilização e credibilidade junto ao eleitorado”, aponta a advogada.
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